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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 20.09.10

Será que Derek finalmente se cansou de tentar ser amigo da Chloe? Será que Chloe já fez com que ele desistisse dela de vez, como queria?

Leiam para descobrir ;)

Espero que gostem

 

Capítulo 13

Vampiro = Monstro: Verdadeiro ou Falso?

 

Passei a noite toda em branco, e a maior parte do tempo estive à janela. Vi os carros da polícia chegarem e vi levarem o corpo da pobre rapariga. Também Derek debaixo de um árvore, a observar a casa.

Quando chegou o dia foi um alívio, já não aguentava mais tempo nenhum em silêncio. Tomei um duche rápido e escolhi o que vestir, tinha bastante tempo até ter que acordar os meus irmãos. Vesti uns calções de ganga com umas collants por baixo e uma blusa cor de laranja. Calcei umas botas castanhas, curtinhas. Penteei-me e ainda pintei as unhas, e quando olhei para o relógio ainda faltavam quinze minutos para as sete.

Desci as escadas e acendi a televisão da cozinha enquanto fazia panquecas. Já que tinha tempo, ia fazer um pequeno-almoço diferente. Também me estava a tentar ocupar ao máximo para não ter que pensar em Derek e no vi ontem à noite. Por momentos, eu cheguei mesmo a pensar que ele pudesse ser bom…

Olhei para a televisão e vi que estavam a dar notícias. Reparei numa das fotografias que estavam no ecrã, que me chamou a atenção por ser a rapariga que Derek… matou ontem.

- Matou ontem… - murmurei. Não devia ser assim tão difícil de dizer, afinal, sempre fui eu quem disse que é isso que os vampiros fazem. Porque é que de repente me sinto tão triste ao descobrir o que já sabia?

Aumentei o som e ouvi atentamente o que estavam a dizer.

- “… E assim chega ao fim. O arguido vai hoje a julgamento pelo roubo e assassínio destas três jovens” – dizia a repórter – “Vou agora falar com o investigador responsável por este caso. Bom dia Detective, pode-nos dizer o que o levou a este assassino?”

- “Bom dia. Este caso foi complicado, mas foi desvendado quando encontrámos as carteiras das vítimas com o arguido. Encontrámos também um canivete no seu bolso com restos de ADN de todas as vítimas e depois de longas horas na sala de interrogação, ele confessou” – explicou o detective.

- “Muito bem, voltaremos com mais notícias depois do julgamento. Daqui Cameron…” – desliguei a televisão e fiquei em silêncio durante algum tempo.

Foi um ladrão que a matou? Então Derek estava a dizer a verdade? Mas então porque é que tinha as mãos cheias de sangue? E o aspecto todo… vampiresco?

Subi as escadas e fui acordar os meus irmãos. Acabei o pequeno-almoço e esperei que eles despachassem para comermos.

- Tu não pareces ter dormido muito – observou Dylan.

- Sim eu… tive insónias – justifiquei.

- Sabias que a maior parte das insónias… - lá vem mais um facto interessante de Abby.

- É quando as pessoas não dormem? – Gozou Dylan.

Não consegui controlar o riso e Abby olhou para mim chateada.

- Desculpa, estavas a dizer… - disse-lhe eu.

Fomos para a escola e a minha primeira aula era o lado de Gwen.

- Tu estás bonita, estás – observou ela, depois de eu bocejar pela quarta vez – Foste para a night e não me disseste nada.

- Não é nada disso. Não consegui dormir.

- Porquê?

- Chloe e Gwen, será que podiam prestar um bocadinho de atenção que fosse àquilo que eu estou a dizer?! – Ups, apanhadas.

- Desculpe – dissemos as duas em coro.

- Eu digo-te lá fora – disse-lhe.

Adiei a conversa com Gwen até arranjar alguma coisa para dizer. Não lhe queria mentir, mas também não lhe posso dizer “eu não dormi porque tive medo que um vampiro assassino que me convenceu que até era bonzinho fosse lá a casa e me atacasse e aos meus irmãos”, não… tenho que arranjar uma desculpa melhor.

Não a consegui fazer esquecer, e à hora do almoço a conversa voltou a surgir.

- É agora que me vais contar o que se passa? – Perguntou.

- O que é que se passa? – Perguntou logo Lisa. Realmente não escapa nada a esta rapariga, credo.

- Eu já te disse que estava bem – disse eu, para Gwen – Não tem nada de mal, juro.

- Eu quero saber – disse Lisa.

Derek passou por nós com Verónica e Gary e foram-se sentar sozinhos numa mesa. É normal que queiram passar a hora do almoço sozinhos, era muito mau se alguém reparasse que eles não comem.

- É por causa dele? – Insistiu Gwen.

- Gwen… eu preciso de ir dizer-lhes uma coisa, ok? Volto já – disse-lhe, ignorando as perguntas que Lisa estava a fazer para tentar descobrir o que se passava. Ela tem é que se meter na vida dela.

Enchi os pulmões de ar antes de me levantar e comecei a andar muito lentamente até à mesa onde eles estavam sentados. Eu sei que tenho que lhe pedir desculpa. Sei que o julguei mal ontem e sei que ele, muito provavelmente, ficou chateado/magoado com a minha cena dramática, por isso tenho que lhe pedir desculpa. Só gostava de saber porquê. Porque é que é tão importante para mim que ele não esteja magoado. Porque é que não o quero ter chateado comigo, se o que quero dele é distância. Mas… será que o que quero mesmo é distância? Tive que interromper os meus pensamentos porque cheguei à mesa, e mais importante, porque não estava a gostar do rumo que levavam.

- Desculpa – disse, a olhar para Derek. Ele ficou a olhar para mim como se não estivesse a perceber. Eu sei o que ele está a fazer. Ele quer que eu diga mesmo tudo. Revirei os olhos – Quando eu te vi ao pé dela a primeira imagem que me veio à cabeça foi a mais óbvia.

- E não conseguiste pensar um bocadinho mais? – Ok, pela voz sim, estava chateado.

- Na altura não. Eu fiquei assustada, ok?

- Comigo. Porque eu sou um monstro.

- Não. Sim. Não sei… olha, eu sei que foi um ladrão que a matou. Eu julguei-te mal. Desculpa – ele manteve-se imóvel durante um tempo. – Desculpas?

- Com uma condição – levantou-se – Tu estás aqui, a pedir desculpas a uma criatura que odeias – Eu já tentei explicar isto, fogo. Não o odeio a ele, odeio o que ele é. É diferente – Por isso quero que consideres uma coisa.

- Ok… o quê?

Ele aproximou-se de mim e aproximou os seus lábios do meu ouvido.

- Eu quero que penses seriamente se realmente odeias, ou não, vampiros. – após sussurrar isto afastou-se e começou a andar.

Virei-me para trás e vi-o a afastar-se cada vez mais. Fui trazida de volta à realidade por Verónica.

- Desta vez chateaste-o mesmo – disse ela.

Olhei para ela e para Gary. Estavam ambos a olhar para mim de uma maneira assustadora. Não assustadora de vampiros, assustadora de irmãos-chateados-com-a-pessoa-que-magoou-o-irmão.

- Eu sei – admiti –, eu só… eu vi-o lá e tudo apontava para que tinha sido ele e…

- Não pensarias isso se confiasses nele – disse Gary.

- Talvez não confie – pensei, em voz alta.

- Chloe, posso-te dar um conselho? – Perguntou Verónica, sem esperar pela resposta – Define o que sentes em relação a pessoas como nós, e depois é que decides o que fazer. Mas lembra-te, também há assassinos humanos, assim como boas pessoas. É o mesmo connosco.

- Pois… - dei meia-volta e voltei para o meu lugar.

Se todos os alunos que estão no refeitório tivessem conversas como nós então o mundo era uma coisa extraordinária.

Depois de acabar de almoçar Gwen “raptou-me” e fomos as duas sentarmo-nos debaixo de uma árvore, no exterior da escola.

- Desembucha – mandou, assim que nos sentámos.

Cruzei as pernas e olhei para ela. Não lhe vou mentir. Mas também não lhe vou contar a verdade. Ela é a minha melhor amiga há anos, por isso merece um pouco de honestidade.

- Ok… - murmurei, tentando ganhar coragem – Não te posso dizer.

- O quê?! Porquê? Eu pensava que confiavas em mim, somos melhores amigas desde que me lembro…

- E confio. Muito, na verdade. Mas… há uma coisa a acontecer e não te posso dizer o que é. Eu preciso que confies em mim Gwen.

- Estás metida em algum problema? Já sei! Foi o Dylan, não foi?

- Não, desta vez sou mesmo eu. Como é que eu vou dizer isto… eu descobri umas coisas…

- E?

- E se eu te disser, posso não chegar a descobrir mais nada. Eu juro que não é nada de mal – espero eu – Não tens que te preocupar. Eu espero que um dia te possa contar, ok? Um dia eu digo-te.

- Tens a certeza que não é nada de mal? – Será que ela ia desistir?

- Tenho.

- E tu estás bem…

- Estou.

- Chloe, eu ouvi tudo, deixa-me só dizer mais uma coisa. Se precisares, eu vou estar aqui, não importa quão maluco esse segredo seja, ok?

Respirei fundo, de alívio.

- Ok, obrigado.

Depois da escola fui para casa e Abby já lá estava, tal como Dylan.

Tratei de umas coisas lá por casa e depois fui para o quarto. Estendi-me na cama e pus-me a olhar para o tecto. Tentei pensar no que Derek me pediu, mas haviam demasiadas distracções. Havia a música alta de Dylan, a televisão de Abby em altos berros, e não me conseguia concentrar.

Olhei pela janela. O céu tinha mais nuvens. Normalmente tinha só as suficientes para tapar o sol, mas hoje está mesmo carregado até ao limite. Fui até ao roupeiro e troquei os calções e as botas por umas calças de ganga e um par de ténis. Disse aos meus irmãos que ia dar uma volta e meti-me dentro do carro.

Conduzi daqui para ali e de ali para aqui, e acabei por parar na praia. Olhei para o mar, tão calmo. E a praia estava completamente deserta.

Descalcei os ténis e comecei a caminhar pela praia. Estive a andar durante bastante tempo, até que me acabei por sentar na areia, a observar as ondas a irem e a virem. Lembrei-me de uma das últimas vezes que estive nesta praia. Foi com o meu pai. Eu ainda devia ter nove anos, e ele trouxe-me só a mim à praia. Ficámos à conversa durante bastante tempo, e depois brincámos à apanhada, e jogámos à bola. Nessa altura eu era como uma Maria-Rapaz, só usava roupas muito femininas porque eram as que Margaret me comprava. Lembro-me que o meu pai era o mais paciente deles os dois. Era sempre ele quem nos ouvia e que brincava connosco. Houve uma vez, antes de Abby nascer, que ele torceu o tornozelo e ficou algum tempo em casa, de repouso, e eu costumava andar sempre de volta dele a perguntar se ele precisava de alguma coisa e a fingir que era a médica dele.

Veio-me um sorriso aos lábios. É bom conseguir ter estas lembranças, embora vagas, do meu pai. A Abby não tem nada além de fotografias, e o Dylan também não tem muito. Acho que no meio do azar todo, eu fui a mais sortuda.

Observei as várias tonalidades que o mar formava conforme as ondas se aproximavam e se afastavam vezes sem conta.

Agarrei uma pedra que estava ao meu lado e comecei a passá-la de uma mão para a outra. Lembro-me que o meu pai costumava dizer, a mim e ao Dylan, para sempre que estivéssemos chateados com alguma coisa agarrarmos numa pedra e pensar nisso com muita força, e então mandar a pedra para o mar, e assim a razão de estarmos tão chateados ia para as profundezas. Ele tinha sempre uma coisa nova para nos dizer, era raro repetir o mesmo.

Levei a mão ao colar que tinha ao pescoço, aquela cruz com o pentagrama. A última coisa que me tinha sido deixada por ele… o me fez pensar em vampiros.

Como é que ele sabia da sua existência? Pior, como é que o meu pai sabia que ia morrer ao ponto de me deixar uma carta e um colar?

Eu vi, ninguém me disse, eu vi um vampiro matá-lo, e essa é a principal razão de não conseguir acreditar que vampiros bons podem existir, e confiar neles.

Depois de o meu pai morrer eu comecei a ter pesadelos com vampiros, todas as noites, e em todos eles eu morria, de uma maneira ou de outra. A minha mãe quase que me internou num hospital psiquiátrico, só não o fez porque a minha tia e a médico desaconselharam. O médico disse que eu dizia que um vampiro tinha morto o meu pai porque queria atenção ou então criava uma realidade alternativa para não ter que enfrentar o que aconteceu, e a minha tia simplesmente dizia que não era por me porem no meio de doentes mentais que eu ia melhorar.

Pensando bem, a minha vida foi destruída por vampiros. Como é que posso gostar deles? Se eles não existissem talvez o meu pai ainda cá estivesse, e com ele talvez a minha mãe também cá estivesse. E talvez o Dylan não tivesse os problemas que tem, nem a Abby sentiria tanto a falta de pessoas a quem possa chamar de “pai” e “mãe”, e não se sentiria mal quando as colegas falam dos pais e ela não pode.

Os vampiros arruinaram a minha família. Eles são a principal razão de a minha vida ser como é.

Vampiros são monstros.

Mas não posso parar de pensar por aí. Tenho que pensar no resto. Tenho que pensar em Derek, Verónica e Gary.

Tenho que pensar se há alguma possibilidade de serem mesmo vampiros bons.

Levantei-me e dobrei o fim das calças. Agarrei nos ténis e aproximei-me da água devagar. Molhei um pé, e depois o outro. A água estava gelada, mas soube-me bem. Atei os atacadores dos ténis uns aos outros e meti-os no pulso, como se fosse uma mala, e enfiei as mãos nos bolsos das calças. Recomecei a andar pela praia fora, agora de volta para o carro, sempre com os pés dentro de água.

O Derek é uma boa pessoa? Sim, ele é. Ele ajudou-me várias vezes sem nunca pedir nada em troca. Ele ouviu-me, não gozou, compreendeu e aconselhou-me.

A Verónica é uma boa pessoa? Sim, ela é. Ela obviamente que se importa com o irmão, já chegou a preocupar-se comigo, e além disso faz questão de oferecer coisas a pessoas que são praticamente estranhas. Derek disse-me que ainda há duas semanas ela foi dar montes de roupa e sapatos para os sem-abrigo.

O Gary é uma boa pessoa? Acho que sim… ele preocupa-se com o irmão e mais não sei. Não o conheço bem…

Se eu não soubesse que eles são vampiros, eu não os ia avaliar duas vezes. Se eu ainda acreditasse que eles eram humanos, eram provavelmente grandes candidatos a serem grandes amigos meus.

Mas… eles já puseram a minha vida em perigo uma vez. E nem sequer pestanejaram ao pedir-me para a arriscar. Eu sei que eram três vampiros contra um, mas mesmo assim não me senti lá muito segura. Eu confiei que eles iam fazer de tudo para me proteger, mas isso não impediu que o outro me mandasse contra uma parede e que me ferisse. Eu sei que eles se ficaram a sentir mal quando viram que me magoei, e isso mostra que têm consciência, e isso é bom, certo?

Um vampiro não tem que ser um monstro. Mas… ainda é um vampiro.

Quando uma pessoa pensa em vampiro normalmente vem-lhe à cabeça a ideia de um ser com dentes pontiagudos, sem qualquer moral, respeito, nem consciência. Vem-lhes à ideia estacas, alho, crucifixos… e também uma beleza extraordinária, carregada por esse ser. Há até quem pense em morcegos quando ouve a palavra “vampiro”.

Antes de conhecer os Thompson, quando ouvia essa palavra pensava nos últimos momentos do meu pai e no terror que passei ao ter um deles ao pé de mim. Mas depois de conhecer os Thompson, quando ouço a palavra “vampiro”, penso na velocidade incrível sobre a qual Derek me transportou, sem nunca fraquejar. Penso na força gigantesca do vampiro que me fez voar, literalmente, até bater numa parede. Penso na enorme queda que dei enquanto estava agarrada a Derek, desde o cimo de uma árvore até ao chão, que quase me causou um ataque cardíaco. Quando oiço a palavra “vampiro” ainda penso no meu pai, ainda penso no seu assassino, mas também penso nos Thompson e em como são diferentes do assassino do meu pai.

Eu gosto deles. E essa é a verdade. São assassinos? Eles dizem que não. Porque é que não acredito? Porque sempre acreditei que vampiros mentem. Eles são vampiros, e uma das razões de não confiar neles é porque é demasiado fácil. É demasiado fácil não se confiar num vampiro. É confiar neles que dá trabalho. Ninguém está à espera de conseguir confiar inteiramente numa pessoa que lhe pode rasgar a garganta em questões de segundos.

Cheguei até ao carro e sentei-me no banco, com as pernas para fora. Limpei a areia e voltei a calçar os ténis. Olhei para o mar, continuava tão sereno como há quase duas horas atrás.

Comecei a conduzir para casa.

Derek… será que eu odeio realmente vampiros? Todos eles, só por serem vampiros? “Também há assassinos humanos” dissera-me Verónica. E ela tem razão, há bastantes assassinos humanos.

Eu pensei no que Derek me pediu, eu dei voltas à cabeça, mas não consigo arranjar uma resposta. Vampiros são monstros, verdade ou mentira? Não sei… mas sei que quero que ele me perdoe. Porque é que quero que ele me perdoe? Porque eu afeiçoei-me a ele. Mas eu sei que ele é um vampiro, por isso, como raios é que me fui afeiçoar a ele?!

Mudei de rumo e dirigi-me à casa dos Thompson, ainda são vinte para as sete, dá para fazer o que quero.

Tal como da última vez que lá fui, fiquei um bocado atrapalhada no caminho para lá. Mas quando vi o enorme muro, vi que estava no sítio certo.

Saí do carro e dirigi-me ao portão, respirei fundo e depois toquei à campainha. Para vampiros, e com a velocidade extra e isso tudo, demoraram demasiado tempo a abrir a porta.

Entrei e comecei a caminhar até à porta da casa. Da última vez que cá tinha vindo vinha tão chateada que nem reparei nas flores que cá havia. Era uma coisa espectacular, flores de toda a maneira e feitio, e de todas as cores e mais algumas.

Quando já me estava a aproximar da porta, vi que Derek estava nas escadas, em pé à minha espera. Parei a pouco mais de dois metros dele.

- Não sei – disse-lhe.

- O quê? – Parecia confuso, e é normal, eu não expliquei nada, só saí a disparar…

- Tu perguntaste-me se eu realmente odeio vampiros. A minha resposta é que não sei.

Ele desceu as escadas e eu dei um passo em frente.

- Vampiros são criaturas da noite, são seres que bebem sangue e matam pessoas – disse-lhe – Por norma, isso são vampiros. Mas depois tu chegaste, e os teus irmãos. E agora eu não sei o que um vampiro é. Talvez vocês sejam a excepção, não sei – ele franziu o sobrolho mas não disse nada – Desculpa por não ter acreditado em ti. A verdade é que acreditar em ti é difícil. Para mim, pelo menos. É difícil acreditar que consegues combater a tua natureza e não magoar as pessoas. Mas eu quero acreditar – senti uma gota cair-me na bochecha e olhei para cima. Depois da primeira gota começou a chover com mais força. Perfeito, tantos momentos para chover, tinha que ser agora, que me estava a desculpar. “Maldita Verónica”, pensei – Eu quero confiar em ti, ok?

- Chloe, vá lá, vamos sair da chuva – disse-me ele.

- Não – eu não saio daqui até dizer o que vim dizer – Quando eu pensei que tinhas morto aquela rapariga fiquei de rastos. E pensei que fosse porque tinhas traído a minha confiança, pensei que fosse apenas o orgulho magoado. Mas esta tarde percebi que não era.

- Chloe…

- Tu és meu amigo – disse, por fim. A chuva parou de repente e vi Verónica a espreitar pela janela do andar de cima. Piscou-me o olho – Eu fiquei de rastos porque apesar de seres um vampiro, eu considero-te meu amigo.

- Estás a falar a sério? – Perguntou.

- Estou, mas mesmo assim…

- Não gostas de vampiros – completou.

- Só de três – corrigi. Quando dei por mim estava abraçada a ele, ele tinha usado aquela velocidade marada outra vez.

- Tu também és minha amiga – sussurrou-me, ao ouvido. – A única amiga humana que tenho. Mas não te preocupes, não te vou morder. Prometo.

- Sim… espero que te consigas controlar.

- Eu consigo. Eu nunca, nunca te vou magoar, prometo. Estás a salvo comigo.

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