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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 31.12.10

E cá está o capítulo 2.

Espero que gostem ^^

 

Capítulo 2

11 Anos

 

Quando o despertador tocou, já estava acordada. Agora já mal conseguia dormir quando não sentia Derek junto a mim, e por alguma razão, ele não estava comigo hoje.

Levantei-me com algum esforço e arrastei-me para a casa de banho. Com o sonho com que estava, lavar a cara não me ia acordar, precisava de um banho de água bem fria.

Quando saí do duche, vesti-me e fui acordar Dylan. Cheguei-me ao pé da cama dele e abanei-o.

- O quê? – Perguntou-me, rabugento.

- Está na hora de te levantares – disse eu, dando meia volta para ir para o quarto de Abby.

- Não quero, estou cansado – ele pôs a almofada por cima da cabeça e eu voltei a aproximar-me dele.

Agarrei na almofada para a tirar de cima dele mas ele agarrou-me e puxou-me, de modo a fazer-me passar por cima dele e cair da cama.

- Parece que já estás bem acordado – disse eu, dando-lhe com a almofada em seguida.

- Já compraste a prenda para a Abby? – Perguntou.

- Ainda não, vou comprar hoje juntamente com as coisas para a festa. E tu?

- Eu teria comprado, se alguém me dissesse o que comprar – fez questão de dar ênfase a “alguém”.

- Eu disse para comprares roupa ou uma boneca, não disse?

- Sim, mas eu preciso de saber de certeza. Ou roupa, ou boneca.

- Dylan, compra qualquer coisa, ela vai adorar qualquer coisa que venha de ti.

- Oh, que sentimental – e fingiu limpar uma lágrima no olho.

- Olha, cala-te e levanta-te – disse eu, levantando-me da cama.

Saí do quarto dele e fui acordar Abby.

- Acorda querida – disse eu, abanando-a suavemente.

- Não quero ir para a escola – disse ela, enquanto bocejava e se espreguiçava – Tenho sono.

- A culpa é tua e do teu irmão, se não tivessem visto aquele filme ontem até às tantas da noite, hoje não estavam assim. Vá lá, amanhã já é sábado e dormes até mais tarde.

- Mas tu estiveste com o Derek e não tens sono.

- Porque eu durmo – na verdade isto é mentira. Eu dormi pessimamente, não parava de me mexer e não conseguia encontrar uma posição boa para dormir. Na realidade, o que se passava era que sentia a cama vazia, ele tinha saído de ao pé de mim pouco depois da uma da manhã.

Saí do quarto dela e voltei para o meu. Enxuguei o cabelo e deixei-o solto. Pus os livros dentro da mala e desci para o andar de baixo.

Pus o leite para os cereais a aquecer e preparei-os, depois esperei que os meus irmãos descessem. Sentei-me e comecei a comer, eles ainda se deviam estar a vestir. A campainha tocou e tive que me levantar para a ir abrir. Ainda fui de boca cheia. Quando abri a porta, Derek deu-me um daqueles sorrisos maravilhosos.

- Bom dia! – Disse, cheio de energia.

Engoli à pressa e desviei-me para ele passar, fechando a porta em seguida.

- Bom dia – disse eu, nem de perto nem de longe com tanta energia como ele.

- Está tudo bem? – Perguntou, depois de me dar um beijo de bom dia.

- Sim, estávamo-nos a despachar para irmos para a escola. Anda.

Fomos para a cozinha e voltei a sentar-me. Abby e Dylan desceram pouco tempo depois e depois fomos os quatro para a escola, Derek no carro dele e eu e os meus irmãos no meu.

Depois de deixar Abby na escola, ainda discuti alguns pormenores da festa surpresa que lhe íamos fazer com Dylan.

Quando cheguei fui ter com Gwen, Gary e Derek, que estavam sentados num banco – Derek tinha chegado antes de mim porque não teve que fazer um desvio para ir levar Abby à escola dela.

Cumprimentei Derek de novo com um beijo e encostei-me à parede, em pé.

- Então, está tudo pronto para a festa da Abby amanhã? – Perguntou Gary.

- Quase. Hoje vou comprar umas coisas para enfeitar a casa e a prenda, e depois amanhã tenho que ir buscar o bolo e fazer outros doces – respondi.

- E queres ajuda? – Perguntou Derek – É que eu posso não comer, mas sou um cozinheiro excepcional.

- É claro que quero ajuda. E para as compras também, por isso hoje e amanhã estás preso a mim – disse.

- Como se ele se importasse – disse Gwen, em tom de gozo.

Quando tocou fomos para Filosofia e depois íamos ter Educação Física.

Filosofia é das aulas mais chatas que me podem obrigar a assistir. Quando finalmente tocou, levantei-me e fui para o balneário, o intervalo era muito curto. Vesti uns calções e uma t-shirt e fiz um rabo-de-cavalo.

Gwen chegou pouco depois de eu acabar de guardar as minhas coisas no cacifo, por isso esperei que ela se mudasse de roupa e se despachasse e fomos as duas para o ginásio.

Hoje ia ser ginástica, e é a única modalidade na qual me safo pessimamente a Educação Física.

O professor Veigues dividiu a turma a meio e metade foi para ginástica, dividindo-se pelos vários aparelhos e depois trocando entre si, e a outra metade foi jogar badmington na outra metade do ginásio.

Na minha metade tinha Derek, mas Gwen ficou no badmington.

Os nossos colegas espalharam-se logo pelos aparelhos, deixando-me a mim, a Derek, a Carl e a Lang. O único aparelho em falta era a barra fixa, coisa que simplesmente detesto fazer.

Primeiro foi Carl, subiu perfeitamente, deu a volta para trás e para a frente e saiu. Em seguida foi Derek, que mais perfeito não podia ter feito, não seria possível. Lang também foi boa, bem melhor do que eu alguma vez seria.

Gostava de dizer que não conseguia por ser rapariga, mas isso não tinha nada a ver, afinal Lang também é e isso não a incapacita.

Aproximei-me e pus-me debaixo da barra, esticando os braços para a agarrar.

- Não faças assim – disse Carl –, é melhor se vieres atrás, correres e fazeres de seguida.

Fiz o que ele disse, corri até à barra, agarrei-me e tentei elevar o corpo, mas não conseguia subir por nada.

- Anda lá, eu ajudo-te – disse Derek, dando-me um daqueles sorrisos – Vais ver que nem tens que fazer força para subires – e piscou-me o olho.

- Vê lá se não me mandas para a sala de química – disse-lhe, no gozo, enquanto passava por ele para voltar a correr para a barra.

Corri de novo até à barra, e assim que pus as mãos, já lá estava em cima. Mal senti Derek tocar-me nas costas e nas pernas, mas sabia que o tinha feito e que não tinha sido impressão minha, porque de outra maneira nunca teria conseguido subir. Aguentei-me um bocadinho e em seguida deixei-me ir para a frente, fechei os olhos com força por causa do medo que aquilo me causava e quando fiquei suspensa, agarrada apenas pelos braços, perdi a força e ia a cair para a frente, mas Derek agarrou-me e impediu-me.

- Estás bem? – Perguntou – Estás a tremer…

- Estou bem – afirmei – Fico sempre assim quando tento fazer isto…

Depois de todos termos passado por todos os aparelhos, fomos para o badmington, e eu fiquei com Derek, como era óbvio.

Ele mandava a pena sempre de maneira a eu não a apanhar, mas quando finalmente consegui perceber o modo como ele jogava, comecei a apanhá-la mais vezes.

- Estás a apanhar o jeito! – Disse ele, rindo-se.

- Que graça, tu é que fazes batota.

- O quê? Eu? – E fez uma cara de santinho.

Aproximei-me da rede e ele também.

- Quando for vampira, fazemos um jogo e depois vemos quem ganha – disse eu, piscando-lhe o olho.

- Combinado.

Depois da aula de Educação Física tive Geometria, e depois pude ir almoçar a casa porque já não ia ter aulas à tarde.

Derek foi à sua casa para tomar a sua dose de sangue, e disse que depois ia ter comigo para irmos às compras.

Pus comida a aquecer no microondas e depois sentei-me e almocei. Depois de pôr a louça na máquina, sentei-me a ver televisão até que Derek chegasse.

Tinha pedido a Dylan que depois fosse buscar Abby à escola, quando fossem quatro horas, por isso tinha que me garantir que escondia as compras que trouxesse antes de ela chegar.

Assim que campainha tocou, agarrei na mala e saí. Fomos no carro de Derek até ao centro comercial e andámos a vaguear pelas lojas por um bocado de tempo.

- O que é que estás a pensar comprar-lhe? – Perguntou-me Derek.

- Ainda não sei bem…

- Que irmã desnaturada, eu já tenho a prenda dela há uma semana.

- Mas aposto que foi a Verónica que a comprou.

- Mas isso nem se discute.

Passámos por uma montra onde vi um vestido que lhe ia ficar maravilhoso, e ao lado estavam os ténis pelos quais ela andava a delirar.

- Estás a pensar no vestido? – Perguntou Derek, interrompendo o meu raciocínio interior.

- Bem, ia-lhe ficar lindo mas… vamos ser sinceros, ela já não liga muito a vestidos, e sei que ia adorar aqueles ténis.

- É pena quando as pessoas crescem…

- Olha quem fala – gozei.

Entrámos na loja e acabei por comprar os ténis, se não lhe servirem depois temos que cá voltar para os trocar.

Em seguida fomos ao supermercado e comprámos gomas, chupas, rebuçados, pacotes para fazer gelatina, sumos, todas as guloseimas indispensáveis para uma festa de miúdos, e comprámos também uma faixa enorme, toda branca, que não dizia nada.

Depois de pagar, Derek carregou a esmagadora maioria dos sacos para o seu carro, deixando-me apenas levar um, que continha apenas três pacotes de guardanapos de papel.

Quando chegámos à minha casa eram três e meia, ainda tínhamos tempo. Escondi os sacos com as guloseimas na despensa, e guardei a faixa no meu roupeiro.

Depois de Abby e Dylan chegarem, nunca mais se falou na festa.

Derek ficou até à hora de jantar, e depois foi para a sua casa.

Quando Abby se foi finalmente deitar, Dylan veio para o meu quarto e na faixa escrevemos “Parabéns Abby!”, e enfeitámos aquilo tudo com purpurinas de todas as cores e feitios.

Quando acabámos eram quase duas da manhã, vesti o pijama e tratei da minha higiene e meti-me bem aconchegada na cama. Derek não estava comigo, por isso demorei séculos a deixar-me de dormir.

 

***

 

Senti uma pequena brisa que me agitou o cabelo e me forçou a virar a cara para que ele me saísse dos olhos. Fiquei frente-a-frente com Derek, Verónica, Gary, Gwen e os meus irmãos, e mais pessoas, que em pé, e vestidas de preto e outras cores escuras, observavam um caixão e mostravam uma tristeza na cara.

Aproximei-me lentamente daquele caixão, que era prateado e estava aberto, e a cada passo que dava parecia que me pesava imenso, que não devia seguir em frente. Qualquer coisa me dizia para não espreitar. O meu instinto dizia-me para parar, dar meia volta e correr o mais que pudesse.

Aproximei-me de Derek e virei-me de frente para ele. A cara dele estava inconsolável.

- Derek, o que é que se passa? – Perguntei – Quem é que morreu?

Nada. Ele não me respondeu. Ele olhava através de mim, como se não estivesse aqui. Olhei em volta de novo. Não me parecia faltar ninguém.

Verónica pousou a mão no ombro de Derek e pronunciou duas palavras que o fizeram deixar cair umas poucas lágrimas. Mas… vampiros não podem chorar.

- Lamento imenso – disse ela.

Virei-me de costas para Derek e dei à volta de quatro passos até ao caixão. Fechei os olhos e respirei fundo antes de espreitar. Sei que não devia espreitar, mas não conseguia evitar.

Inclinei-me sobre o caixão e quando abri os olhos soltou-me um grito de horror. Eu estava deitada no caixão. Estava mais pálida, e tinha uma roupa fina vestida, e cabelo arranjado. Era eu que tinha morrido.

- Não! – Gritei, virando-me de novo para as pessoas – Eu não morri! Eu estou aqui! Estou mesmo aqui!

- Chloe… - era apenas um murmúrio que me parecia vir do céu, feito por uma voz doce e melódica.

Olhei para o céu e a voz pareceu tornar-se cada vez mais forte enquanto dizia o meu nome.

 

***

 

- Chloe! – Acordei em sobressalto, mas não percebi se gritei ou não. Derek estava pasmado a olhar para mim, com cara de quem estava preocupado e ia exigir uma explicação – Estás bem?

- Sim – menti.

- Com o que é que sonhaste?

- Nada de especial, porquê?

- Estavas irrequieta e… e não paravas de dizer “Não! Estou mesmo aqui”. Tens a certeza que não foi nada de especial? Nenhum dos teus sonhos…

- Não. Foi um sonho normal.

- Então se foi um sonho normal, não tens problemas em contar-me.

- Exacto. Eu sonhei que estávamos na festa da Abby, mas os miúdos enlouqueciam, e depois faziam tudo o que lhes apetecia e não me respeitavam, e por isso é que eu dizia isso.

- Hum…

Realmente a minha imaginação é demasiado fértil quando acordo a meio da noite. Não gosto de lhe mentir, mas não lhe podia contar a verdade.

Eu sabia que o sonho tinha sido daqueles que mais tarde se concretizam, consegui senti-lo, mas os sonhos nunca são como eu penso que são, normalmente têm uma interpretação completamente diferente daquela que eu faço. Por isso pode nem haver a chance de eu morrer realmente. Pode ter um significado completamente diferente desse. Exacto, não valia a pena chatear nem preocupar ninguém com isto sem necessidade ou motivos válidos.

- Bem, os miúdos deviam estar mesmo ferozes, o teu coração ainda não voltou ao lugar – disse Derek.

Respirei fundo e encostei-me a ele.

- Enganas-te – disse-lhe – O meu coração está exactamente onde pertence.

- Não era disso que estava a falar.

- Eu sei. Estou bem, a sério, foi apenas um sonho estúpido.

- Então dorme, porque amanhã tens o dia recheado.

Deu-me um beijo na testa e eu fechei os olhos. Demorou-me um pouco a deixar-me de dormir, mas saber que ele estava aqui ao pé de mim melhorava tudo.

Quando acordei, ainda Derek estava na mesma posição. Enquanto ele foi à sua casa, eu acordei Dylan e esperei que ele se vestisse. Ainda eram nove horas.

Quando ele já estava pronto, entrámos juntos no quarto de Abby e mandámo-nos para cima da cama enquanto gritávamos “Parabéns!”.

- Obrigada – disse ela, enquanto se ria desalmadamente.

Depois do pequeno-almoço, Dylan foi com ela dar uma volta e eu disse que ia comprar a prenda dela e por isso eles só podiam regressar quando eu telefonasse. Dei dinheiro a Dylan para comerem fora.

Assim que saíram, Derek entrou – já devia estar à espera – e pusemos logo mãos à obra. Derek pendurou a faixa na parede da sala e eu pus-me a fazer um bolo de iogurte.

Telefonei a Gwen a pedir-lhe que fosse buscar o bolo de aniversário antes de vir para cá.

Quando Verónica e Gary chegaram, ajudaram Derek a enfeitar a casa com balões e purpurinas, enquanto eu – e Gwen quando chegou – fazíamos as gelatinas, a mousse de chocolate e as sandes.

Gwen e eu almoçámos pizza, que tinha encomendado.

Depois pusemos uma toalha de plástica com enfeites na mesa da sala de jantar e pusemos lá os doces todos, os pratos e copos de plástico, talheres também de plástico, guardanapos e sumos.

As amiguinhas de Abby começaram a chegar pouco depois de termos acabado, e por isso telefonei a Dylan a dizer-lhe para virem para casa.

Quando demos pela porta abrir, gritámos todos “Parabéns!” e Abby mostrou e maior sorriso que alguma vez tinha visto. Correu para as suas amigas e abraçou-as, fazendo o mesmo em seguida a mim, a Gwen e aos Thompson.

- Obrigada mana! – Disse ela.

- Não agradeças querida, tu mereces – disse eu, dando-lhe um beijo na testa.

Assim que começou a brincar esqueceu-se logo das prendas e de tudo. Acho que a minha casa nunca tinha estado tão lotada como hoje.

A meio da tarde abrimos o bolo e cantámos os parabéns, e quando eram quase sete horas as amigas dela começaram a ir-se embora.

Ela subiu para o quarto, feliz da vida, a ver os presentes que tinha recebido, e eu, Dylan e Gwen deixámo-nos cair no sofá.

- Estou estafada – desabafei.

- Percebo-te completamente – disse Gwen.

- E agora quem é que arruma isto tudo? – Perguntou Dylan, enquanto nós os três olhávamos para a desarrumação da casa, com medo. Os Thompson soltaram várias gargalhadas, para eles era fácil, não se cansavam.

 

Que tal?

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