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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 03.01.11

E o capítulo 3 chegou.

Sejam honestos, eu sei que isto ainda vai no principio, mas o que acham? Está mais fraquinho que o normal, está normal, ou está melhor? :s

 

Capítulo 3

Tarde de Raparigas

 

- Acorda, acorda! – Ouvi, antes de abrir lentamente os olhos e ver dois vultos caírem em cima de mim.

- Auch! Essa não é maneira indicada de acordar uma pessoa! – Resmunguei, enquanto empurrava Gwen e Verónica para que saíssem de cima de mim.

- Sabes que dia é hoje? – Perguntou Gwen, super entusiasmada.

- Sim, sábado! E eu gosto de dormir aos sábados! – Tapei a cabeça com o lençol mas nem assim me deixaram em paz.

Verónica destapou-me completamente e em menos de um segundo já tinha o estore levantando e a claridade invadia-me o quarto à força toda, apesar de não haver sol graças aos poderes que Verónica tem em controlar o clima.

- O que é que querem? – Perguntei, quase numa voz de súplica para que me deixassem descansar.

- Hoje vamos às compras! – Disse Verónica – Já tínhamos combinado.

- Exacto! É uma tarde só de raparigas! – Reforçou Gwen.

- Então deixem-me dormir agora que é de manhã, e à tarde vou ter convosco – implorei.

- Sabes que horas são? – Perguntou Verónica – É quase meio-dia. Levanta-te! – E deu-me com uma almofada.

- Credo, ok! – Gritei, levantando-me e dirigindo-me à casa de banho. Mas parei antes de entrar e voltei-me de novo para elas – Mas se ficar mal-humorada não tenho culpa – e deitei-lhes a língua de fora. Verónica mandou-me com a almofada, mas como foi com uma velocidade e força normais, consegui desviar-me.

 

Entrei para a casa de banho e vi-me ao espelho. Estava uma desgraça. O cabelo, completamente despenteado, já não era novidade de quando acordava. Mas a cara estava pálida, estava cansada. E tinha umas olheiras do pior.

Agora com a escola mesmo na recta final, todos os tempos livres que tenho, são usados para estudar para os exames. E já não aguento mais, estou quase a atingir a exaustão.

Já quase que nem tempo para estar com o Derek tenho. Quer dizer, eu estou com ele, mas ele está-me a ajudar a estudar para Biologia, Geometria e outras coisas. Tecnicamente não estou com o meu namorado, estou com um explicador. E tenho saudades do namorado. Ou pelo menos da parte em que se namora.

Depois de ter tomado um banho de água fria e de me ter despachado de fazer as outras coisas na casa de banho, voltei para o quarto.

Verónica e Gwen ainda estavam sentadas na minha cama, mas ao lado delas já estava uma roupa escolhida, umas calças de ganga justas e um top verde clarinho. Fiquei a olhar para a roupa por um bocado, nem sei bem porquê.

- E podes calçar os teus ténis brancos – disse Verónica, do nada.

- Hum, ok – respondi.

Elas ficaram as duas a olhar para mim pasmadas. Eu normalmente ripostava nas escolhas que Verónica fazia para o meu visual, porque ela estava sempre a tentar empinocar-me e pôr-me a usar vestidos, mas hoje não conseguia. A minha mente estava noutro lado. Eu podia estar de olhos abertos, a andar e a falar, mas bem cá dentro, eu sei que ainda durmo.

Vesti a roupa sem proferir mais uma palavra, ajeitei o meu colar com o crucifixo e o pentagrama incorporado e voltei para a casa de banho para enxugar e pentear o cabelo.

Saí da casa de banho e abri a porta do quarto para sair, mas virei-me para elas.

- Então, ainda sentadas? Vá lá, despachem-se – disse-lhes, no gozo, enquanto saía.

Descemos as escadas e Abby e Dylan estavam sentados no sofá a ver televisão. Dei um beijo a cada um, comi cereais e depois fui literalmente raptada por Verónica e Gwen, e fomos no carro de Verónica até ao centro comercial.

- Então, que tipo de vestido estão a pensar comprar? – Perguntou Verónica.

- Ainda não sei bem, talvez um até aos pés ou… ou então com um ombro só e grande decote ou… ainda não sei – disse Gwen, ao mesmo tempo que pensava – E tu?

- Também não sei. E tu Chloe?

- É… eu escolho quando vir um que goste.

Almoçámos no centro comercial e andámos às voltas pelas lojas, mas saíamos sempre decepcionadas.

Acabámos por nos sentar nos bancos a olhar e a ver as pessoas passar.

- Não acredito que não temos sorte com os vestidos – lamuriou-se Gwen.

- Ao fim de tantos anos a fingir-se de rapariga de liceu, só há uma altura em que não me sinto completamente enfadada: as compras para os bailes. E agora isto – disse Verónica.

- Obrigadinha pela parte que nos toca – disse eu – É bom saber que somos assim tão desinteressantes.

- Tudo bem, estes anos foram melhores que os outros – falou de novo Verónica – E não me posso queixar de falta de acção, tu atrais os problemas – e deitou-me a língua de fora.

- Sim, eu sei – bolas, já nem lhe respondia. Não sei se era do sono ou da decepção de me ter levantando da cama para nada, mas sentia-me completamente em baixo.

Dei uma olhadela às minhas duas companheiras e vi que estavam tão (ou mais, se fosse possível) cabisbaixas que eu. Verónica não poderia ser do sono, logo era pela busca falhada. E Gwen também andava sempre enérgica, e só duas coisas a faziam ficar assim: não estar ao pé de Gary ou as coisas não correrem como planeado.

Soltei um frágil sorriso ao vê-las assim. Mas que estupidez pegada. Estar-se assim por vestidos é uma futilidade enorme. Mas é que nenhuma de nós era normal. Verónica é uma vampira; Gwen uma fanática por vampiros que na verdade namora um; e eu uma aberração qualquer que tem sonhos estranhos que prevêem o futuro de um modo muito diferente e distorcido.

Respirei fundo e voltei a olhar para a frente decidida. Não pude ficar na cama porque tinha que comprar um vestido. Não vou voltar para casa sem um. Mas se por uma chance remota isso acontecer, com todas as certezas que não vou ficar decepcionada.

Levantei-me e meti-me à frente delas.

- Vá lá raparigas, temos vestidos para comprar – ao dizer isto, elas olharam as duas para mim.

- Já procurámos pelas lojas todas Chloe – disse Gwen, desanimada.

- Acho que os vestidos giros já foram todos vendidos – lamentou Verónica.

- Não sejam parvas – exigi – Vá lá, não vamos ficar assim por bocados de tecido. Nós vamos achar os vestidos perfeitos, eles estão algures por aí! Mas se não os procurarmos, então é que não vão ser nossos! Verónica, tu já viveste tantos anos, esperaste por… olha, por telemóveis decentes, e agora ficas assim porque à primeira tentativa de comprarmos vestidos falhamos? Tenham dó.

- O que é que te está a dar? – Perguntou Verónica, surpreendida.

- Tu nem sequer querias vir às compras – disse Gwen.

- Isto não é sobre vir às compras – disse-lhe – É sobre passar uma tarde com as minhas duas melhores amigas. Uma tarde livre de rapazes. E se vamos passar essa tarde, vamos passá-la animadas. Eu sei de mais um sítio onde podemos ir.

- Onde? – Perguntou Verónica.

- Great Falls é uma cidade pequena – disse-lhe – Por isso vamos à capital. Helena.

- Vamos demorar séculos a chegar lá! – Disse Gwen.

- Não vamos nada, é uma hora e meia, passa depressa – insisti. Elas não pareciam estar a aceitar a ideia lá muito bem – Vocês querem vestidos, certo?

- Bolas, estás certa! – Queixou-se Verónica – Vamos lá.

Verónica levantou-se e puxou Gwen, que se deixou levantar sem problemas – provavelmente porque sabia que se não deixasse Verónica levantá-la a bem, ainda ia sair magoada.

Fomos para o carro de Verónica e ela começou a dirigir em direcção a Helena, a capital de Montana.

Aumentámos o volume da música e lá íamos cantando bem desafinadas até ficarmos quase sem ar – eu e Gwen, claro.

Abrimos as janelas e aumentámos ainda mais o som do rádio. Só quando chegámos à cidade é que o diminuímos.

Passámos por um edifício completamente deprimente, era um prédio branco mas parecia já muito velho e tinha uma placa a dizer “Hospício”, ao lado da porta.

Verónica estacionou o carro no estacionamento mesmo em frente a esse prédio. Senti um arrepio enorme quando estava ainda vidrada no hospício, e só então reparei que desde que o vi, não lhe tirei os olhos de cima. Mas mesmo enquanto saía do carro, observava-o. Não me metia medo. Mas sim respeito. Era tipo aqueles hospitais onde os malucos andam a cortar pessoas ao meio, e dava-me algum tipo de má vibração.

- Estás bem? – Perguntou Gwen, acordando-me do meu súbito transe, ao pôr a sua mão no meu ombro.

- Sim… - respondi, e então reparei que a minha voz tremia, tal como toda eu.

- É só um hospício Chloe – disse Verónica, pondo-se à minha frente – Está tudo bem, é normal. Há pessoas doentes lá, só isso.

- Eu… eu sei – murmurei. Ela tem razão, aquelas pessoas são apenas doentes, enquanto porque raios é que estou com este nó no estômago?

- Vamos – disse ela, enquanto Gwen e ela começaram a caminhei.

Caminhei atrás dela, ainda a sentir as pernas a tremer, e sempre a olhar para o maldito prédio. Senti de novo outro arrepio.

Forcei-me a olhar para a frente, e quando ia espreitar de novo Verónica agarrou-me e forçou-me a concentrar-me no caminho à minha frente, com a força que fazia sobre os meus ombros.

Olhei para ela e era como se tivesse dito obrigado com os olhos, e ela percebeu. Eu não queria olhar para o manicómio, mas também não conseguia tirar os olhos dele.

Até hoje, nada ainda me tinha metido estes arrepios. Sim, é um pouco estranho, mas é apenas um sítio grande onde vivem os malucos, certo?

Andámos um pouco até chegarmos à parte das lojas e isto sim, já estava mais do nosso agrado.

Entrámos em três lojas diferentes e experimentámos várias coisas, mas ainda não tínhamos encontrado o tal vestido.

- Olhem ali! – Disse eu, apontando para a montra do outro lado da rua. Nela estava o vestido mais lindo de sempre, no manequim.

Praticamente que corri até lá e fiquei a observá-lo através do vidro, enquanto quase que me babava. O vestido era cor-de-rosa, mas não daquele muito levezinho, nem daquele muito forte, e tinha uma risca brilhante e dourada na parte que fica por baixo do peito. Era curtinho, ficava um pouco acima dos joelhos e tinha duas fitinhas do mesmo tom de rosa, que atavam ao pescoço e depois formavam um decote em V.

- Vais entrar e experimentá-lo ou vais ficar aqui a babar-te? – Perguntou Gwen.

Entrámos e antes de tudo olhei para o preço do vestido, e Verónica revirou os olhos. Mesmo que fosse das coisas mais caras do mundo, ela comprar-mo-ia. Mas desta vez quem ia comprar as coisas para mim era eu. E por sorte o preço até era bem acessível.

Entrei para o gabinete de prova e vesti o vestido. Quando saí Verónica ficou radiante e Gwen sorriu.

- Parece que encontraste “o tal” – disse Gwen, agarrando-me na mão para eu dar uma voltinha.

- Fica-te perfeito! – Exclamou Verónica, logo toda contente.

- Obrigada – disse eu, regressando ao gabinete de prova. Este vestido era meu e nem havia discussão. Era o vestido perfeito para usar no baile de finalistas.

Saí do gabinete com o vestido na mão e sentei-me ao lado de Verónica num sofá alaranjado e fofinho, enquanto Gwen tinha ido experimentar um vestido. Quando saiu parecia um pouco indecisa. O vestido era azul-marinho e caía-lhe justinho, até ao joelho, e depois fazia uns folhos, e era cai-cai.

- O que é que acham? – Perguntou ela.

- Hum… - Verónica fez apenas um som – Dá lá uma voltinha.

Gwen obedeceu e Verónica levantou-se e chegou-se ao pé dela, virando-a mais vezes.

- Serve – disse, por fim.

- Como assim “serve”? – Perguntou Gwen.

- Estava a ver se combinava com uma encharpe que tenho em casa – disse Verónica, muito inocente – E vai ficar perfeita!

- Ah! Por momentos assustaste-me – disse Gwen, finalmente respirando fundo, de alívio – E tu, o que é que achas?

- Eu acho que te fica lindo, Gwen. Como sempre, estás perfeita.

- Então e tu? – Agora dirigia-se a Verónica – Não vais comprar nada?

- Vou – Verónica falou muito naturalmente, e nós ficámos a olhar para ela, à espera que desenvolvesse – Oh, querem que vos diga qual!

- O que é que achas? – Respondeu Gwen, cheia de sarcasmo. Eu ri-me, não consegui evitar.

Verónica desviou-se de nós, aproximou-se de montes de vestidos que estavam pendurados e agarrou num vermelho, trazendo-o depois.

- É este – disse-nos.

- E não o vais experimentar? – Perguntei.

- Já experimentei – agora parecia insultada.

- Como assim? Quando a Chloe estava no experimentador, mesmo prestes a sair, eu entrei para o outro e depois ela saiu. Foi uma questão de segundos! – Pensou Gwen, em voz alta demais.

- Exacto! – Disse Verónica – Eu não demoro muito tempo, esses segundos bastaram.

- Quem me dera ter esses poderes – disse eu.

- Vamos lá, ainda temos que encontrar os sapatos – disse Verónica, já toda entusiasmada.

Depois de pagarmos e de andarmos mais um bocado entre lojas, comprámos os sapatos e elas compraram acessórios. Eu não precisava, vou usar o mesmo colar de sempre e o anel que Derek me deu, apesar de os usar todos os dias.

Quando acabámos, elas vinham cheias de sacos enquanto eu só tinha dois. Caminhámos de novo de volta para o carro e voltei a ficar especada a observar aquele prédio. Ao olhar por ele era invadida por uma sensação esquisita, como se fosse algum tipo de prisão. Um tipo de prisão para mim. Abanei a cabeça para acabar com estes pensamentos sem nexo. Eu não sou maluca. Logo ali é que não vou parar.

Mas também, porque é que me foi dar agora para pensar em manicómios?

Verónica deixou-me à porta de casa e seguiu com Gwen. Quando entrei Dylan e Abby já estavam na cozinha a comer empadão, que tinha sobrado de ontem.

Sentei-me ao lado deles e conversámos enquanto comíamos. Quando finalmente me despachei de arrumar a cozinha, peguei nos sacos que estavam encostados à parede e levei-os para o quarto, onde os guardei dentro do roupeiro.

Sentei-me na cama a ler um livro que tinha de ler para Literatura e senti uma brisa de ar. Olhei para a janela, estava aberta. Revirei os olhos e sorri, enquanto me levantava e olhava para o meu quarto, aparentemente vazio à excepção de mim.

- Se me vens ver, podias ao mesmo fechar a janela – disse eu, na brincadeira, enquanto fechava a janela.

Senti uns braços agarrarem-me pela cintura por trás e um beijo muito suave na cara, virei-me de frente para Derek e beijei-lhe os lábios.

- Tive saudades tuas hoje – disse-me.

- Eu também… mas agora já não tenho – agarrei na sua mão e puxei-o para a cama, onde nos deixámos cair sentados.

- Como foi a tarde de raparigas? – Perguntou.

- Foi… considerando tudo, foi boa.

- Compraste o teu vestido?

- Hum… nem tentes procurá-lo, porque juro que o tiro cá de casa.

- Não é justo. Queria ver como é que ias, assim podíamos ir a condizer…

- Isso quer dizer que me estás a convidar para ir contigo?

- Preciso?

- Não faz mal a ninguém.

- Tudo bem então. Chloe Simms, dás-me a tremenda honra de ires ao baile de finalistas comigo?

- Sim, dou.

Ele abanou a cabeça enquanto sorria e olhava para mim. Mas eu tinha a sensação que não era para mim que olhava.

- O que foi? – Perguntei, mas não obtive logo a minha resposta, os seus olhos continuavam cerrados aos meus.

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