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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 07.01.11

É oficial... SOU FRACA!!

Quase dez minutos a pedir e a pedir, a Anne convenceu-me a postar o capítulo (muito) mais cedo.

Sorry às leitoras que vão mais atrasadas.

E Anne, é bom que gostes do capítulo xD

(e vocês todos, como é óbvio)

 

Capítulo 5

Diplomas

 

- Chloe, ajuda aqui! – Gritou-me Gwen, do cimo do escadote.

Subi ao outro escadote e ajudei-a a pendurar a faixa que dizia «Finalistas de 2010» sobre o palco. Descemos as duas ao mesmo tempo e sorrimos uma para a outra enquanto contemplávamos o nosso trabalho. Nosso e de muitos outros finalistas.

O ginásio estava simplesmente maravilhoso. Tinha um palco com vários instrumentos, um grupo de alunos de cá que tem uma banda vão tocar.

Estava decorado com fitas azuis e douradas, e uns balões aqui e ali. Tinha uma mesa com uma toalha também azul, para a comida e a bebida, mas isso só se vai pôr logo à noite. Este ano decidimos inovar, por isso vamos fazer a entrega dos diplomas lá fora no pátio, e depois entramos logo para o ginásio para o baile de finalistas. Basta-nos tirar aquelas batinas e guardá-las e ficamos logo prontinhos para a festa.

- Fizemos um trabalho esplêndido – disse Verónica, chegando-se ao pé de nós.

- Pois fizemos – concordou Gwen.

- Graças a Deus que não temos que ser nós a desmanchar e a limpar – disse eu. Elas riram-se.

- Então, estão prontas? – Perguntou Verónica – Só se é finalista uma vez na vida.

- Que graça – disse eu, dando-lhe um pequeno empurrãozinho. Ela deixou-se ir.

- Para a Gwen. Vocês não me deixaram completar – e deitou-me a língua de fora.

- Espero que não – disse Gwen – Pessoas com vinte anos podem-se passar por raparigas de liceu… fazem-no nos filmes.

- Queres ser transformada com vinte anos? – Perguntei.

- Sim, na verdade, sim. Ainda tenho dois anos, posso preparar-me, posso preparar o Gary, e a minha mãe.

- Vais dizer à tua mãe que te vais transformar? – Verónica estava quase em pânico.

- Claro que não! – E Gwen parecia quase ofendida – Vou-lhe dizer que me vou mudar para a China ou Dinamarca…

- China ou Dinamarca? – Gozei.

- Ou qualquer outro país longe daqui – disse ela, cruzando os braços – O que interessa é que espero voltar a ser finalista.

O meu telemóvel deu sinal de mensagem, e fui ver. «Encontra-me no lago. Estarei à espera. Amo-te», li. Era de Derek, óbvio.

- Eu tenho que ir – disse-lhes, enquanto começava a andar.

- Alerta namorado – gozou Verónica.

- Isso é ciúmes – disse-lhe, virando-me para trás e deitei-lhe a língua de fora.

- Querida, se soubesses o meu número… - ia ela dizer, porém Gwen interrompeu-a.

- Vá lá, deixem-se disso – disse Gwen.

Eu e Verónica rimo-nos e saí do ginásio. Entrei para o bosque em frente à escola e caminhei calmamente até chegar ao lago. Sim, queria ver Derek, mas também queria aproveitar este tempo. A brisa passava por mim e trazia com ela aquele cheirinho a natureza que tanto adoro. Queria aproveitar estes momentos enquanto ainda sou humana.

Desviei os últimos ramos das árvores e fiquei frente a frente com aquela vista maravilhosa. O lago, com a ponte de uma ponta a outra, a relva verdinha, e a imensidade de flores – rosas principalmente e de todas as cores – à volta. Era como uma pequena fatia do céu.

E Derek esperava-me sorridente como sempre.

- Demoraste – disse-me.

- Desculpa, nem todos têm super velocidade – disse, enquanto o deixava envolver-me nos seus braços.

- Como ficou o ginásio?

- Óptimo.

- E estás pronta para amanhã?

- Sim. Quer dizer, vai ser a primeira de muitas vezes que vou ser finalista.

- Vai correr tudo bem. Quem é que vai fazer o discurso?

- Não sabes?

- Não.

- A tua irmã.

- Oh bolas… deve sair uma coisa boa deve.

Ficámos na conversa o resto da tarde e depois fui buscar Abby à escola e fomos para casa. Dylan já lá estava, estava a ver televisão. Depois de jantarmos fui para o meu quarto ouvir música.

Fechei os olhos e comecei a mexer os lábios conforme a música. Pouco depois, senti um toque frio no meu braço e abri os olhos. Derek estava ao meu lado.

- Devias dormir, senão amanhã estás arrasada no baile – disse-me.

- Tens razão, ficas aqui?

- Adorava, mas vim só dar-te um beijinho, tenho que ir ao hospital.

- Buscar sangue – concluí.

- Exacto. Ficas bem, certo? – Levantou-se e aproximou-se da janela.

- Derek?

- Sim?

- Não me deste o beijo – queixei-me. Não o vi mexer-se, mas o que é certo é que já estava à minha frente e juntou os seus lábios aos meus, voltando em seguida para ao pé da janela – Podias usar a porta… é mais normal.

Ele revirou os olhos no gozo e saiu pela porta.

Vesti o meu pijama – uns calções amarelos e uma blusa azul escura de alças – e pus-me na cama, apenas tapada com um lençol.

 

***

 

- Chloe… - era apenas um sussurro, e eu olhava para todos os lados e não via ninguém.

Estava no bosque, ainda com o meu pijama vestido e com os chinelos de enfiar o dedo calçados. Ainda era de noite e estava uma brisa bem fria. Enrolei-me com os braços, mas não só de frio, também de terror. Eu sabia de quem era esta voz.

- Chloe… - voltei a ouvir.

Dei uma volta completa e só via árvores e mais árvores vindas da escuridão. As sombras pareciam mexer-se, talvez devido ao vento, mas havia uma que permanecia quieta. Uma árvore cujos ramos não mexiam. Deixei-me levar pela curiosidade e caminhei lentamente até lá. Estava um buraco na árvore, enfiei a mão e senti um papel. Tirei-o e voltei-o para mim. Era uma fotografia minha e da minha mãe, quando eu ainda era muito pequena, quando Abby ainda não tinha nascido.

- Chloe… - este sussurro foi mais arrepiante que os outros. Larguei a fotografia com o susto e ela voou para trás de mim, para onde o vento soprava, e ao voltar-me vi-a. Um dos meus maiores pesadelos. Charlotte.

- Estou de volta – disse, com aquele sorriso maldoso – Sentiste saudades?

 

***

 

- Não – quis gritar, mas a voz saiu-me um pouco estranha e baixa. Ouvi o barulho irritante do despertador e desliguei-o. Pelo menos tocou e acordou-me na hora certa.

Acordei Abby para que ela se despachasse para ir para a escola, a mãe de uma colega dela vinha cá buscá-la, e depois voltei para a cama. Não consegui adormecer mais, só pensava em Charlotte e naquela fotografia minha e da minha mãe.

Eram dez horas quando me levantei, a entrega dos diplomas vai começar às cinco, ainda há bastante tempo para tudo. De manhã passei o vestido a ferro e a batina azul, horrível, também. Deixei tudo arranjadinho em cima da minha cama, pintei as unhas e depois falei com Gwen ao telemóvel, e com Derek também. Ele vinha-me buscar às quatro e meia.

Dylan levantou-se quase ao meio dia, agora como já entrou de férias, anda feliz da vida.

- Então maninha, pronta para a festa? – Perguntou-me, dando-me um beijo na bochecha e sentando-me ao meu lado no sofá a beber um copo de leite.

- Quase, e tu, já tens o smoking?

- Está preparadíssimo. Nem acredito que vais sair da tortura do liceu e eu vou ter que ficar.

- Bem, vê pelo lado positivo, eu vou ter que repeti-lo montes de vezes.

- Talvez daqui a cem anos já se possa aprender em casa, pelos computadores.

- Pois sim, é bom sonhar.

Antes de almoçarmos tomei um banho de espuma relaxante e depois vesti um fato de treino, ainda com a toalha na cabeça, por causa do cabelo molhado.

Depois do almoço Dylan arrumou a cozinha e eu fui tratar do cabelo e da maquilhagem. Quando me despachei completamente eram quatro e um quarto. Olhei-me ao espelho para me certificar que nada faltava. O vestido assentava-me como uma luva, e o cabelo aos canudos tinha sido a minha obra de arte. As sandálias, de tom dourado pálido e salto alto, surpreendentemente não me aleijavam os pés. Ajeitei o colar do crucifixo com o pentagrama e sorri. Nada me ia arruinar esta festa.

- Estás linda.

Assustei-me e dei um pulo ao ouvir a voz de Derek vinda totalmente do nada. Virei-me para ele com aquela cara de “já te tinha pedido para não fazeres isto”. Ele avançou para mim com as mãos no ar, em sinal de desculpas. Estava tão lindo, um príncipe autêntico. Tinha umas calças de ganga escura e uma camisa branca, com as mangas arregaçadas, e uns ténis.

- Desculpa, desculpa – disse-me – Às vezes esqueço-me que ainda não és como eu…

- Quando for… - ele chegou-se mais para ao pé de mim – vou vingar-me de todos estes sustos.

- Ai que medo – riu-se.

Deu-me um beijo e agarrou-me na mão enquanto me puxava pela porta. Só tive tempo de agarrar na batina.

Quando chegámos à escola, avistámos logo Gwen e os irmãos de Derek. Abby e Dylan – que tinham vindo assistir à entrega dos diplomas – saíram do carro e eu também para que Derek o fosse estacionar lá mais para trás. Encaminhámo-nos para o resto do grupo.

Verónica exibia o tal vestido vermelho, com um decote gigante, e um colar de diamantes ao pescoço. Tinha uns saltos altos pretos. Tinha o cabelo apanhado com um gancho também com diamantes, e uma maquilhagem muito leve.

Gwen tinha o seu vestido azul-marinho justo com os folhos e cai-cai. Tinha o cabelo esticado e uma molinha também azul, com umas pedrinhas. Tinha ainda a tal encharpe que Verónica tinha falado, que era prateada e preta.

Gary exibia um smoking não muito formal como aqueles de casamentos, mas também nada do dia-a-dia. Ele tinha um estilo muito próprio.

- Estás linda – disse-me Verónica – Gostei do que fizeste ao cabelo.

- E tu estás… tão nada normal. Verónica, ninguém da nossa idade que não seja vedeta de Hollywood tem tantos diamantes – disse eu – Assim não passas despercebida.

- É a minha festa de finalista – encolheu os ombros, com uma cara muito inocente –, não quero passar despercebida.

A cerimónia demorou um pouco a começar. A faixa que estava no palco aqui no pátio caiu e tiveram que a pôr de novo.

Quando começámos, tivemos que vestir as batinas e pôr aquelas cartolas que nos tinham acabado de entregar – com muita pena nossa – e os convidados sentaram-se.

Sr. Guttenbierg, o director da escola, dirigiu-se ao microfone e começou a chamar os alunos por ordem, enquanto os outros esperavam nas escadas atrás do palco – e da cortina – para entrarem.

Íamos espreitando de vez em quando.

- Então Verónica, o mesmo discurso de sempre? – Perguntou Derek.

- Claro – disse ela – Ele está perfeito, porquê fazer outro?

- O quê? – Perguntou Gwen – Já usaste este discurso?

- Sim. Gwen… eu já me matriculei umas quantas vezes…

- Mas desta vez podias inovar – disse Gary, a Verónica.

- Eu acho que se o discurso for bom, pode usá-lo – disse eu.

E em seguida ouvi o meu nome.

- Desejem-me sorte – pedi.

- Não caias no palco – disse Gwen, enquanto eu subia as escadas. Só ela para se lembrar destas coisas.

Ao caminhar até ao director, que tinha o diploma pronto para me dar, olhei para o público. A maior parte das pessoas estavam em pé, e os meus irmãos batiam palmas, como algumas outras pessoas. Ao olhar para aquelas pessoas todas, senti que algo me faltava. Neste dia completamente novo, nesta experiência que – supostamente – só acontece uma vez, faltava-me alguém. Percebi o quanto necessitava que o meu pai estivesse entre aquela multidão a gritar o meu nome a bater palmas. O quanto queria que ele vivesse o suficiente para me ter visto completar a escola.

Fiz um esforço enorme para não chorar. Sorri e recebi um beijo do director na bochecha, enquanto me dava o meu diploma, e depois saí do palco pelo lado contrário ao qual tinha entrado. Voltei para ao pé dos meus amigos.

- Estás bem? – Perguntou-me Derek. Bolas, nunca consigo disfarçar quando estou assim.

- Gostava que o meu pai aqui estivesse – disse-lhe.

Ele não disse nada, apenas abraçou-me. E isso só por si ajudou-me.

Pouco depois era hora do discurso, todos os finalistas fizeram uma fila no palco, e Verónica aproximou-se do microfone, com um papel na mão.

- Boa tarde a todos, e obrigado por terem vindo – disse, para o público – Hoje... – olhou para o papel e em seguida para mim e Gwen, que estávamos lado a lado, e Derek e Gary, que estavam do outro lado. Rasgou o papel que tinha na mão em dois e sorriu – Hoje nós crescemos. Tornamo-nos adultos. Não porque temos dezoito anos. Não porque acabámos o liceu. Isso não é ser adulto. Até agora, todos têm dito “vocês têm que crescer” ou “torna-te adulto”, mas agora eu digo “para quê?”. Para que é que nos havemos de tornar adultos agora? Todos os dias vemos pessoas adultas presas a trabalhos que não gostam. Pessoas frustradas que não gostam do que são, ou do que fazem. Querem saber o que eu digo? Eu digo que nós já somos adultos. Ser-se adulto é sermos quem somos, o que fazemos e como nos sentimos. Nós já éramos adultos, alguns desde mais cedo que os outros. Se as pessoas pudessem viver por centenas de anos – não consegui evitar mostrar um sorriso cínico – eu dizer-lhes-ia que sempre estiveram erradas na definição de adultos. Hoje, aqui, todos são adultos. Porque todos o escolheram ser. Hoje, uma nova vida começa para nós. Vamos cometer erros? É muito provável. Mas como adultos que somos, vamos erguer a cabeça e lutar pelo que queremos. À classe de 2010!

Todos bateram palmas e Verónica regressou ao seu lugar com um sorriso nos lábios. A cerimónia acabou depressa, e depois estava na hora do baile.

Abby correu até mim e abraçou-me.

- Foi tão lindo, mana – disse ela, ainda agarrada a mim – E estás tão linda!

- Obrigada querida – disse eu, quando ela me largou.

- Ela tem razão – disse Dylan, também já perto de mim. Abraçou-me e quando me largou continuou – O pai teria muito orgulho em ti.

- Sim… obrigado – sorri e fingi que esta frase não me afectou, mas a verdade é que afectou, mas não deixei as lágrimas cair, nem sequer se aproximarem. Hoje era um dia feliz.

Os meus irmãos foram embora para casa e eu e Derek ficámos para o baile. Havia comida, bebida, música, estava tudo esplêndido.

Dançámos montes de tempo e divertimo-nos a valer, até que eu tive que parar por um bocado e sentámo-nos numas cadeiras.

- Estás a gostar? – Perguntou-me Derek, um pouco alto.

- Claro que estou – respondi. Já sabia que não ia precisar de gritar por causa de música, porque ele ouvia-me bem.

Ele levantou-se e pôs-se à minha frente. Tirou uma coisa de dentro do casaco e agarrou-me na mão.

- Derek, não era preciso – disse eu, ao ver uma daquelas pulseiras que os rapazes nos dão nos bailes de finalistas. A que Derek agarrava tinha três rosas vermelhas, com alguns brilhantes, sobrepostas. Era linda.

- Precisava sim – disse-me, pondo-me a pulseira no pulso – Agora não há ninguém mais bonita que tu aqui.

Inclinou-se e beijou-me. Eu sorri em seguida.

- Bem, nesse caso obrigada – disse-lhe – Vou guardar esta com um cuidado especial, porque foi a primeira – ele fez um ar interrogado – Oh sim, porque nos próximos bailes vou exigir pulseiras diferentes.

- Olá pessoal – disse Verónica, que se sentou na cadeira ao lado da minha.

Gary e Gwen chegaram e ficaram de pé. Gary ficou a abraçar Gwen por trás.

- O discurso foi inspirador – disse Derek, para Verónica.

- Obrigada. Decidi improvisar, afinal de contas – deitou-me um olhar e um sorriso – a vida vai mesmo mudar para certas pessoas.

Sorri-lhe também.

 

E não vale a pena pedirem para

postar mais cedo, que o próximo

capítulo só sai na segunda feira, deal?

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