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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 22.09.10

E depois de finalmente o beijo ter acontecido, será que Chloe finalmente percebe que gosta de Derek? Ou continuará a negar?

É ler para descobrir...

 

Capítulo 15

A Conversa

 

Já estava acordada, deitada a olhar para o tecto, há quase duas horas. Não me quero levantar. Não quero enfrentar a realidade. Não me quero lembrar do que aconteceu mas também não o consigo esquecer.

Quero paz.

A porta do meu quarto abriu-se de repente e vi Gwen.

- O que é que pensas que estás a fazer?! – Perguntou. Fechou a porta e sentou-se na cama, aos meus pés.

- Gwen, o que é que estás aqui a fazer? – Sentei-me e encostei-me à cabeceira da cama.

- A tua irmã telefonou-me. Disse que estavas deprimida na cama e que não te querias levantar, por isso eu despachei-me e vim para aqui.

- Não precisavas… o que é isso? – Na sua mão estava um saco da mercearia

- Já chegamos a isso. Quem é ele e o que é que fez?

- O quê?

- Vá lá, eu sei que é sobre algum rapaz.

- Não é sobre um rapaz.

Ele semicerrou os olhos e observou-me por um momento, depois tirou uma caixa de gelado do saco e uma colher de sopa.

- Trouxeste gelado! – Nos meus olhos devia estar agora um brilhozinho especial.

Ela esticou a mão com a caixa do gelado e quando eu a ia agarrar, desviou-a.

- Quem é ele e o que é que fez? – Insistiu.

- Tu és terrível, isso é chantagem. – Acusei. Respirei fundo e depois olhei para a janela. Estaria ele a ouvir? Que se dane, agora preciso da minha melhor amiga e de gelado – É o Derek.

- Hum… o que é que se passou?

- Digo-te se me deres o gelado – ela passou-me a caixa para as mãos e a colher também. Abri o gelado e pus uma colherada na boca – Hum, que bom…

- E sobre o Derek…

- Ele beijou-me – e meti mais uma colherada na boca. A colher estava cheia de gelado, e na minha boca nem metade cabia, tive que ir comendo da colher aos poucos.

- O quê?! – Gritou, cheia de entusiasmo – E tu estás nesse estado? O que é que está de errado contigo?! Ele é tipo um Deus…

- Não, ele é um v… - Contive-me a tempo e fiquei sem saber o que dizer.

- Um v… quê?

- Um v… oleibol, um grande fã de voleibol – Disfarcei, apesar de mal.

- E isso é um problema? Já olhaste bem para ele? – Olhei, toquei, senti… tenho que parar de pensar nisto.

- Ele e eu não vai acontecer, ok?

- Não vos percebo. Nuns dias são como melhores amigos, nos outros é como se ele fosse o diabo, e agora que finalmente se beijaram dizes que não queres nada com ele?!

- Ok, esta conversa acabou.

- Não, não acabou. Fui eu que trouxe gelado, por isso eu é que digo quando é que a conversa acaba. Como é que foi? Sentiste a faísca?

- Qual faísca? Foi um erro.

- Então porque é que o deixaste beijar-te?

- Porque… porque… - Sim, porque é que o deixei beijar-me? – Não faço ideia.

- Porque querias. Admite.

- Não vou admitir nada, eu mantenho a minha palavra, foi só um erro. Um erro terrível que podia ter acabado muito mal.

- Porquê?

Porque ele me podia ter rasgado a garganta… ah, é verdade, ele não pareceu ter problemas em controlar-se por isso deve ser só para passar o tempo, afinal não corro risco de vida. “Espera aí Chloe, tu querias que ele tivesse dificuldade em controlar-se? Acabou, estou a ficar maluca”, pensei.

- Não me podes deixar ser dramática? – Pus um bocadinho de ofensa na minha voz, para que ela se sentisse um bocadinho culpada e parasse com as perguntas.

- Posso, mas já são quase horas de almoçar, não podes passar o dia todo na cama – tirou-me a caixa de gelado da mão e puxou-me com a outra.

- Não é justo – reclamei – Ainda não tinha acabado de comer.

Levantei-me e fiz uma coisinha rápida para Abby, Dylan e Gwen, que insistiu em ficar a vigiar-me, comerem e depois fui tomar um duche.

Enquanto Dylan saiu, Abby, Gwen e eu fizemos uma maratona de filmes. A tarde passou mais rápido do que estava à espera, e consegui afastar pensamentos indesejados da minha cabeça. Convidei Gwen para ficar e jantar connosco, mas ela não quis, disse que tinha que ir para casa senão a mãe cortava-lhe a cabeça. Ao menos ela tem uma mãe para lhe fazer isso…

Depois do jantar voltei para o quarto e pus os fones nos ouvidos. Acabei por me deixar de dormir ainda a ouvir música.

 

***

 

Quando acordei estava deitada numa rede, que estava presa a duas árvores. Eu tinha um vestido de cetim vermelho, e pétalas de rosas em cima de mim. Olhei em volta, estava numa espécie de bosque, em que as flores estavam todas abertas e com todas as cores, e o sol brilhava fortemente.

Levantei-me e reparei nas minhas sandálias de atar à perna, também vermelhas. Vi também que o vestido, até aos pés, tinha uma enorme racha do lado esquerdo.

O bosque estava calmo, conseguia ouvir os pássaros e até o zumbido das abelhas, de volta das flores.

Dei uns poucos passos e apareceram duas borboletas com tons de amarelo-torrado, castanho e preto, que começaram a andar à minha volta.

Senti uma suave brisa passar por mim e afastar-me o cabelo para trás das costas.

À minha frente surgiu um rapaz. Era moreno e tinha os olhos verdes. Era um Deus? Um príncipe? Não. Era um vampiro, mas mesmo assim, eu não sentia medo. Ele estava à sombra, debaixo de uma árvore.

Comecei a andar na sua direcção e a cada passo que dava sentia-me mais segura. Ele seguia-me com o olhar e os seus olhos brilhavam cada vez mais.

Ele não é um estranho, mas também não é um conhecido. Tudo o que sei é que estou a ser puxada para ele por uma corda invisível e intocável, e que não faço nada para o combater. Perto dele eu sinto-me segura.

Conforme me pus debaixo da árvore, ele puxou-me para ele e agarrou-me. Ficámos a escassos milímetros de distância. Eu olhava para e ele olhava para mim, e ficámos assim por minutos.

- Chloe… - pronunciou baixinho, enquanto aproximava ainda mais os seus lábios dos meus – Amo-te.

E beijou-me. Senti paixão, senti alegria, senti desejo… e depois senti qualquer coisa morder-me o lábio. Abri os olhos e afastei-me. Os vasos sanguíneos dos olhos dele estavam vermelhíssimos, e os olhos em vez de estarem verdes estavam cinzentos, e os dentes… os caninos estavam maiores, branquíssimos e pontiagudos.

Tentei afastar-me, mas os seus braços enrolados na minha cintura eram como pedras, e não conseguia livrar-me deles de maneira nenhuma.

- Para sempre – Disse-me.

Aproximou-se a toda a velocidade e mordeu-me o pescoço.

- Ahh!

 

***

 

- Ahh! – Ao acordar mandei o MP3 para o chão e a revista que estava agarrar.

Respirei fundo e debrucei-me na cama para os apanhar.

Se isto com que sonhei é ter o amor de um vampiro, acho que prefiro a outra alternativa. Não há nada no mundo que me faça arriscar a vida assim. Nada.

Olhei para o relógio, eram duas da manhã. Vesti o pijama e meti-me na cama. O resto da noite foi bastante calmo.

Quando o despertador tocou levantei-me e acordei os meus irmãos.

Quando cheguei à escola sentei-me nas escadas em frente à porta e fiquei à espera que Gwen chegasse.

- Oi – não era a pessoa que eu esperava. Verónica sentou-se ao meu lado. De certeza absoluta que já sabe o que se passou. O que é que lhe vou dizer? – Como é que estás?

- Estou normal, porquê?

- Estava só a perguntar. Eu também estou bem, obrigado por perguntares.

- Desculpa, estava a pensar numa coisa. Mas já que já me disseste…

- Posso-te perguntar uma coisa?

- Claro, qualquer coisa – agora é que aí vem.

- Passou-se alguma coisa com o Derek? Que saibas… é que ele no sábado chegou um bocado estranho a casa…

Ele não lhe contou? Porque é que não lhe contou?

- Não faço ideia – não é totalmente mentira…

Desviei o olhar da sua cara e vi Dylan a dirigir-se para as traseiras da escola. É óbvio que o seu bom comportamento não ia durar…

- Verónica, eu tenho que ir… - Levantei-me e segui Dylan.

Não me aproximei dele, mas consegui ver que estava a fumar com mais um grupo. Só o que eu precisava… Ele é meu irmão, como é que eu posso não me envolver?

Vi Gwen chegar e fui ter com ela, agora não é a altura ideal para armar confusão com o meu irmão.

- Gwen! – Chamei, enquanto corria até ela.

- Tem calma rapariga, ainda tens um ataque cardíaco – disse-me, quando cheguei ao pé dela.

- Eu… - fiz uma pausa para recuperar o fôlego – estou bem.

- Nota-se. Estás a fugir de alguém? É do Derek?

- Há, há – Disse-lhe, sem qualquer alegria na voz – Nada engraçada. Não, é melhor – Ela ficou quieta a olhar para mim à espera que continuasse – Estava a espiar o meu irmão, e depois vi-te, e como não te podia chamar de longe tive que correr, e só então chamar-te.

- Sim, eu continuo a preferir a minha versão.

Começámos a andar e entrámos para a escola. Esta aula Gwen ia ter comigo. Entrámos para a sala e sentámo-nos.

- E ainda não o viste? – Perguntou-me. Mas ela não pensa em mais nada além do que eu lhe contei sobre Derek? E isto é só por causa de um beijo, se ela descobrisse sobre a parte de ele ser vampiro nem quero saber.

- Não.

- E o que é que vais fazer quando o vires?

- Não sei.

- Mas tens que pensar, porque ele vai chegar daqui a nada – infelizmente Derek também tem esta disciplina.

- Eu sei, mas eu depois penso nisso.

- Queres saber o que eu faria se fosse tu?

- Não.

- Eu beijava-o outra vez.

- Eu disse que não queria saber.

- Tu vais evitá-lo, não vais?

- Muito provavelmente.

O resto da turma chegou e o professor também, Derek chegou depois dele por isso não teve tempo para vir ter comigo, abençoado Professor Hoyt.

- Ele está a olhar para aqui – disse-me Gwen, pela quarta ou quinta vez.

- Deixa-o olhar.

Passámos a aula nisto e a minha resposta era sempre a mesma. Não levantei os olhos do caderno para mais lado nenhum que não fosse o quadro.

Quando finalmente tocou, meti as coisas à balda dentro da mala e saí rapidamente. Infelizmente não rápido o suficiente… Derek chamou-me e consegui perceber que estava mesmo atrás de mim.

- Sim? – Perguntei, virando-me para ele.

- Queres aproveitar o intervalo para irmos dar uma volta? Eu precisava de falar contigo – Vou, não vou, vou, não vou… Tenho que arranjar uma desculpa, não quero falar com ele, não o quero ouvir a dizer que só se está a sentir solitário ou que me ama. Seja o que for que ele me quer dizer agora, eu não quero ouvir.

Gwen estava a sair da sala e ia passar por nós quando eu lhe agarrei no braço.

- Não posso agora – respondi, a Derek –, tenho que ir fazer uma coisa com a Gwen.

- Que coisa? – Perguntou ela.

- Tu sabes… a coisa que combinámos há bocado – Por favor Gwen, alinha, por favor.

- Pois, a coisa – disse ela. Aleluia! – Podemos fazê-la mais tarde, não há pressa – Um momento brilhante e depois… a pura escuridão.

- A sério? Porque eu gostava mesmo de a fazer agora – Insisti – Quanto mais rápido melhor.

- Que coisa? – Perguntou Derek.

- Uma coisa de raparigas – Respondeu Gwen. Será que ela finalmente viu o pavor nos meus olhos? – Ok, anda lá, ficamos despachadas mais depressa.

- Ok – disse-lhe, sem pestanejar.

- Então, posso falar contigo ao almoço? – Insistiu Derek.

- Claro. Ao almoço serve – respondi-lhe – Adeus…

Fui com Gwen para o bar e comprámos ambas um sumo de laranja.

- Tu vais ter que falar com ele – Obrigadinha, não fazia ideia.

- Mas não vai ser hoje – assegurei.

- Mas ele quer falar contigo ao almoço.

- Eu sei, mas depois do almoço a aula que tenho não é com ele, por isso consigo sair daqui rápido…

- Mas continuas a ter o almoço.

- Eu arranjo qualquer coisa.

Quando tocou fomos cada uma para a sua sala e desta vez tinha Gary ao meu lado. Este dia está bem preenchido.

- Olá – disse-me ele, enquanto eu me sentava, sem tirar os olhos do caderno.

- Oi – respondi-lhe.

- Então, tens novidades? – Será que ao contrário de Verónica ele sabe? Será que não sabe? O que é que eu digo? Porque é que estou tão nervosa?

- Devia? – Bluff, não é perfeito, mas também não é o pior.

- Não que eu saiba – e encolheu os ombros.

- Bem… o meu irmão voltou a ser malcomportado, isso conta?

- Sim, conta.

- Ok, então já sabes as novidades.

- Tu estás um bocado para o esquisita… - e desviou o olhar do caderno para olhar para mim.

- Não, é impressão tua.

- Ok, tanto faz – a coisa que eu gosto em Gary é que, ao contrário dos irmãos, ele não insiste nos assuntos.

A aula passou bem mais rápido que a outra antes, e estava na hora do almoço. Fui a última a sair da sala e espreitei para o corredor para ver se não corria riscos. Até eu acho isto ridículo, mas não tenho alternativa.

Fui até ao bar com um passo apressado e comprei uma sandes, depois dirigi-me à saída o mais rápido que pude e sentei-me encostada a uma árvore, no começo do bosque. Comi a sandes e bebi o resto do sumo de laranja que tinha comprado no intervalo. Agora tudo o que tenho que fazer é ficar encostada à árvore e só entrar quando tocar, porque assim ele não tem tempo para falarmos porque temos aulas, depois quando sair meto-me no carro bem rapidinho e saio daqui. Sim, é fácil.

- O que é que estás aqui a fazer? – Assustei-me e voltei-me para trás. Agora pensando bem, eu só posso ser mesmo burra por pensar que conseguia ir com isto a avante. Ele é um vampiro por amor de Deus, é óbvio que me encontra em segundos.

- A apanhar ar – menti.

- Não foste almoçar – contornou-me e pôs-se à minha frente.

- Não eu… não estou com fome.

- Estás a evitar-me?

- O quê? Não – levantei-me – Porque é que dizes isso? Eu não tinha fome, só isso.

- Ok… então podemos falar agora ou tens que fazer outra coisa qualquer?

- Na verdade eu tinha que ir ter com a Gwen e… - pela cara dele esta desculpa não vai pegar – mas podemos falar agora – E sorri, forçadamente.

- Sobre o beijo… - Oh, isto é tortura! – Tu fugiste.

- Não fugi. Eu, hum, lembrei-me que tinha que fazer uma coisa.

- Não, não te lembraste. Fugiste. Porquê?

- Tu sabes o porquê.

- Porque eu sou um vampiro.

- Entre outras coisas.

- Chloe, eu disse-te que isto não mudava nada.

- Eu sei mas… eu preciso que me prometas que aquilo foi tudo, ok? O único e último beijo, ok?

- Ok, sem problemas.

- Ok.

- Amigos?

- Amigos, mas eu tenho mesmo que ir.

- Ok. Chloe… só para ter a certeza, tu não sentiste nada naquele beijo, certo?

- Certo – isto é 98% de verdade.

- Óptimo, porque eu também não.

- Ok…

- Ok…

- Já posso ir?

- Sim, até logo.

Agarrei na minha mala e comecei a andar em direcção à escola. Ok, não foi assim tão difícil.

Depois das aulas fui buscar Abby e em seguida fomos ambas para casa. Dylan já lá estava. Fiz os trabalhos de casa enquanto Abby também fazia os dela e depois fui para o quarto. Abby pôs-se a ver um filme na sala.

Dylan bateu à porta do meu quarto e disse que ia sair. Perfeito. Pus-me ao pé da janela e quando o vi passar para o outro lado da estrada saí do quarto, mas tive que voltar porque o meu telemóvel tocou.

- “Então, conseguiste escapar ou o Derek apanhou-te?” – Perguntou Gwen, do outro lado da linha.

- O Derek apanhou-me – respondi, enquanto me dirigia ao quarto de Dylan.

- “Hum… e como é que as coisas ficaram?” – Entrei no quarto e fechei a porta.

- Somos amigos – abri uma das gavetas da cómoda e depois a outra.

- “Amigos… o que é que estás a fazer? Pareces um bocado distante.”

- Eu sou a irmã mais velha que nenhum adolescente quer ter – comecei a procurar na gaveta de cima da mesa-de-cabeceira.

- “Porquê?”

- Gwen, se tu fosses um pacotinho de droga onde é que te escondias?

- “Estás à procura de droga no quarto do Dylan?!”

Nisto ouvi a voz de Dylan e de Abby no andar de baixo e uns passos a subirem as escadas.

- Raios, ele está em casa!

- “Uh, estás tão tramada” – Corri até à porta mas os passos já estavam demasiado próximos, ele ia-me ver a sair do quarto. Passei por cima da cama para o outro lado e pus-me debaixo dela.

- Gwen, não fales agora – pedi.

- “Ok.”

A porta abriu-se e vi os sapatos de Dylan. Ele foi até à mesa-de-cabeceira e agarrou em qualquer coisa, depois saiu. Esperei à volta de cinco minutos e depois de ouvir a porta da rua bater, saí de debaixo da cama.

- Já podes falar – disse, enquanto via nas gavetas da secretária.

- “Como é que escapaste?”

- Escondi-me debaixo da cama.

- “Oh, essa manha é clássica. Tenta dentro da gaveta das meias.”

- Ok… - voltei à cómoda e abri a gaveta das meias – Não vejo nada.

- “Vê dentro das meias.”

- O quê? – Isto é ridículo. Procurei dentro das meias e finalmente encontrei um pequeno pacotinho transparente com um pó branco.

- “Encontraste alguma coisa?”

- Sim, acho que é cocaína. Uma parte de mim não queria encontrar nada… Gwen, como é que sabias onde procurar?

- “Eu não me orgulho disto, mas o Liam, o meu ex, era consumidor” – Ah, “consumidor” agora é a nova palavra para “drogado” – “O que é que vais fazer com a droga?”

- Bem, vou ficar com ela. Pelo menos esta não dá cabo dele, e se ele quer mais, vai ter que comprar, e eu vou ter que descobrir onde.

- “Fixe, trabalho de detective.”

Saí do quarto dele e voltei para o meu. A hora do jantar aproximou-se e Dylan já estava em casa há quase uma hora. Fui para a cozinha e ele foi ter comigo pouco depois.

- Chloe, estiveste no meu quarto? – Perguntou.

- Porquê?

- Estiveste, não estiveste?! Devolve-me!

- Devolvo o quê? – Pousei a colher de pau no balcão e virei-me para ele.

- O que me tiraste.

- Dylan, é preciso ter muita lata para me vires pedir para te dar a droga.

- Então tiraste mesmo. O que é que te dá o direito de estares no meu quarto?!

- Bem, já que não me deixas escolha, tenho todos e mais alguns. E eu não te vou devolver nada.

- Vá lá, devolve-me.

- Olha para ti, estás viciado!

- Não estou viciado, é só de vez em quando para descontrair. Só isso.

- Pois, mesmo assim não a vais ter de volta.

Dylan não quis jantar e eu e Abby comemos depressa. Quando voltei para o quarto ouvi barulho lá dentro, mas pensei que fosse Derek que tivesse entrado pela janela. Não o quero ver agora…

Abri a porta e vi Dylan de volta da minha mesa-de-cabeceira.

- O que é que estás a fazer?! – Perguntei-lhe.

- O mesmo que me fizeste. Onde é que está?! – Ele virou-se para mim.

- Achas mesmo que era burra o suficiente para a deixar assim à vista?

- Chloe, dá-me.

- Não.

- Chloe…

- Queres a tua preciosa droga?! – Tirei o pacote do bolso e dirigi-me à casa de banho, com ele atrás de mim. Abri o pacote e quando ele o ia tirar das minhas mãos despejei-o para a sanita – Vai buscá-la.

- O que é que fizeste?! Vais-te arrepender por isto!

Despejei o autoclismo e olhei para ele.

- Isto vai acabar.

 

 

Espero que tenham gostado... e para o capítulo de amanhã, uma nova ameaça paira no ar, esperem para descobrir o que é ;)

Beijinhos ^^

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