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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 10.01.11

E aqui está o 6º capítulo ^^

Hope u like it (L)

 

Capítulo 6

Pressentimento

 

Ao acordar constatei que estava sozinha na cama. Derek já se tinha ido embora. Virei-me para o lado e espreguicei-me.

- Finalmente de férias – murmurei, ainda com uma voz sonolenta.

Vi as horas no despertador, ainda eram dez e um quarto. Virei-me de barriga para cima e fiquei assim, tempos infinitos, a olhar para o tecto e a pensar. A noite de ontem tinha sido óptima, o baile, as roupas, a música, tudo.

Tentei lembrar-me com o que tinha sonhado hoje, mas não conseguia. Pelo menos é bom sinal, significa que não foi nenhum daqueles sonhos esquisitos que ditam o futuro de uma forma nada objectiva. Ao lembrar-me disto lembrei-me do último que tinha tido. Tinha sonhado com Charlotte, mas não tinha 100 por cento de certeza que tinha sido um sonho desses. Porém fazia sentido. E se Charlotte estivesse por trás do motivo que me fez sonhar com o meu funeral? Se calhar mudou de ideias e vai voltar para me matar. Mas porquê?

- Ai, que inferno! – Exclamei, sentando-me.

- Porquê? – Dei um pulo enorme ao ouvir a voz de Derek e soltei um pequeno guincho. Ele mostrou aquele sorriso de gozo, que já sabe que me deixa toda derretida.

- Não é nada – acabei por dizer. Ele sentou-se na cama e ficou a olhar para mim com aqueles olhos de “não me tentes enganar que é escusado” – É só… eu queria ir ver um filme mais tarde, mas não posso.

- Porquê? – Franziu o sobrolho, boa, não estava a acreditar. Também quem é que ia acreditar numa história destas?

- Porque já não está em exibição. Acho que vou ter que esperar até sair em DVD.

- Tens a certeza que é só isso?

- Sim, tenho. Não te preocupes, estou óptima.

- Ok… e dormiste bem?

- Para dizer a verdade, sim, dormi. Por onde é que tu andaste?

- A roubar hospitais.

Ri-me.

- Não se ouve isso muitas vezes.

- Não gozes, é para ti. Quando fores transformada, vais precisar de muito sangue.

- Ok. Acho que vou ter que pensar que é batido de morango ou assim.

- Então e o que é que queres fazer hoje?

- Estava a pensar em ir à praia com os meus irmãos. Podemos telefonar ao resto do pessoal e convidá-los.

- Ok, combinado. Venho-te buscar às três? – Deu-me um beijo e levantou-se.

- Vais já embora? Porque é que não ficas?

- Eu… - mau, agora era ele que estava hesitante nas respostas – Tenho que fazer uma coisa com a Verónica e com o Gary. Até logo.

- Ok… - nem valeu a pena dizer “amo-te”, porque ele já tinha saído.

O que é que será assim tão especial para ele me dar uma resposta assim tão vaga? Será que tem alguma coisa a ver com a minha transformação? Será que está a mudar de ideias?

Decidi não pensar mais no assunto, senão ainda me dava qualquer coisa. Fiz questão de fazer um pequeno-almoço mais especial que cereais, por isso decidi fazer panquecas e os meus irmãos deliciaram-se.

Passei a manhã toda a relaxar, li uma revista e ouvi música. Os meus dias de relaxamento iam acabar em breve, porque quando Derek me transformasse ia sentir um turbilhão de emoções. E aí a paz ia-se embora. Por isso tenho que aproveitar enquanto dura.

Depois do almoço, fiz tempo até Derek me vir buscar, e quando vi que estava quase na hora, vesti o meu biquíni azul e castanho e guardei a toalha e o protector solar numa mala. Abby e Dylan também já se tinham despachado.

Sentei-me na cama, com o computador portátil à frente, e vi que não estava ninguém online. Bem, ninguém com quem quisesse falar pelo menos.

Bateram à porta e dirigi o meu olhar para lá. Derek vestia uma t-shirt azul, uns calções brancos e uns chinelos também azuis, de enfiar o dedo. Tenho que admitir que este visual lhe fica a matar. Mas também, todos os visuais lhe ficam bem.

- Estás pronta? – Perguntou-me.

- Sim, vamos.

Agarrei na mala, chamámos os meus irmãos, e fomos no carro de Derek para a praia.

Quando chegámos vimos Gary e Gwen estendidos ao sol, como se isso melhorasse a palidez de Gary.

Quer dizer, estendidos ao sol é uma maneira de dizer, afinal, o sol encontrava-se coberto como sempre. Havia de ser giro Derek e os irmãos estendidos ao sol...

- Onde está a Verónica? – Perguntei a Derek, ainda enquanto nos estávamos a aproximar de Gwen e Gary.

- Está ocupada, teve que fazer uma coisa – notei no seu tom de voz que queria que a conversa acabasse aqui. Mas eu continuo com esta sensação de que me está a esconder qualquer coisa. E seja aquilo que for, não é coisa boa.

- Que coisa? – Insisti.

- Olá – cumprimentou Gwen, com um sorriso.

- Olá pessoal – disse Gary.

- Olá – disse eu, enquanto Derek pousava a toalha e os meus irmãos se despiam – Que coisa Derek?

- Podemos não falar disso? – Perguntou ele.

“Podemos não falar disso?”, ok, agora sei que definitivamente se passa qualquer coisa, o Derek nunca me diz isto. Ele é sempre aquela pessoa que diz que podemos falar de tudo à vontade, a pessoa que até puxa sempre os piores assuntos de sempre. Mas o que é que se passa de tão importante que não me possa dizer?

- Derek – a minha voz deve ter saído muito suplicante, pois ele virou-se para mim com aquela cara de anjo e pôs as suas mãos nos ombros enquanto me olhava nos olhos.

- Chloe, está tudo bem, ok? – Disse-me, suavemente. Por momentos acreditei realmente no que ele disse. Mas então porque não me dizia ele a verdade? – Anda lá, a água deve estar óptima.

Deu-me um beijo e dirigiu-se para a água, tal como o resto do pessoal, deixando-me sozinha para me despir. Vi o telemóvel dele em cima da sua toalha e não resisti. Não sabia o que ia encontrar ou se ia de facto encontrar alguma coisa, mas sei que não é muito frequente Derek deixar assim as coisas sem protecção. Olhei para ele e vi que estava de costas, à beira mar. Agarrei no seu telemóvel e fui ver a última chamada. Charlotte.

O que é que isto quer dizer? Será que ela voltou mesmo? Estará agora a chantagear Derek?

Se demorasse mais tempo iam suspeitar de qualquer coisa, por isso pus o telemóvel onde estava, despi-me e dirigi-me para ao pé deles.

A água estava fenomenal, Verónica tinha feito um óptimo trabalho com o calor cá fora, embora sem sol, e a temperatura do mar.

Depois de estarmos durante montes de tempo na água, a mandar água uns aos outros e a jogar voleibol, fomos para as toalhas enxugar. Eu e Gwen ficámos a apanhar banhos de sol, tinha que aproveitar o que era, provavelmente, a minha última oportunidade de me bronzear. Derek, Gary e Dylan foram jogar futebol, enquanto Abby ficou a fazer construções na areia.

Ainda pensei que Verónica viesse ter connosco, mas nada. Aparentemente o problema da Charlotte era mesmo muito grave.

Só gostava que Derek me dissesse realmente o que se passa.

Quando eram seis horas, decidimos que íamos comer todos na minha casa, por isso Derek e Gary foram mudar de roupa à deles, e Gwen veio logo para a minha.

Depois de os meus irmãos tomarem banho, dei uma toalha e roupa a Gwen, para que ela também pudesse tomar, enquanto eu punha a mesa e encomendava a pizza.

Ouvi um ruído atrás de mim, como um passo mas muito leve. E se fosse Charlotte? E se me quisesse finalmente matar?

Como estava voltada para o balcão, agarrei na faca e virei-me repentinamente.

- Whoa, tem calma! – Disse Verónica, pondo as mãos no ar.

Respirei fundo. Acho que estou mesmo a ficar paranóica. Pousei a faca no balcão e Verónica deu um passo na minha direcção.

- Estás bem? – Perguntou-me.

- Sim, assustaste-me, só isso – disse eu – Verónica… se te perguntar uma coisa, vais contar ao Derek?

- Eu não sabia que vocês guardavam segredos.

- Não guardávamos. Quer dizer, não guardamos. É só uma coisa que tenho que saber, mas não sei se ele quer que eu saiba…

- O quê?

- A Charlotte voltou? – Tentei observar a sua expressão até ao mais ínfimo pormenor, mas ela continuou igual, nem sequer fez um trejeito com o lábio ou franziu o sobrolho.

- Claro que não – disse-me, com aquela voz angelical. Era completamente impossível duvidar da palavra dela – Porque é que achas isso?

- Por razão nenhuma… eu só, eu tive um pressentimento mau.

- Um sonho? Que tipo?

- Não. Não foi um sonho – bem, foi, mas não preciso de a preocupar, e além disso não é nada relevante agora – Esquece, acho que estou a ficar paranóica.

Verónica não insistiu mais, e quando Gwen acabou de tomar banho, foi finalmente a minha vez. Depois do banho, vesti um fato de treino – uns calções azuis-escuros com uma risca branca e uma t-shirt de alças. Deixei o cabelo molhado, e apanhei-o.

Quando desci as escadas a pizza já tinha chegado, tal como Derek e Gary, e os meus irmãos e Gwen estavam sentados à mesa.

Sentei-me também e começámos a comer enquanto os Thompson estavam na sala.

- Estás bem? – Perguntou Gwen – Pareces um bocado desatenta.

- Não, estou bem – respondi, apesar de ser completamente mentira. Tentava ouvir a conversa entre Derek e os irmãos, mas eles falavam demasiado baixo e muito depressa.

- Sabiam que nos últimos 4000 anos nenhum novo animal foi domesticado? – Perguntou Abby, depois de dar um gole na Coca-Cola.

- A sério? – Perguntou Gwen, admirada.

- Isso é um bocado duvidoso – disse Dylan.

- É verdade – reforçou Abby –, e é fisicamente impossível para os porcos olharem para o céu.

- Onde é que arranjas essa informação toda? – Perguntou Gwen.

- Internet – em vez de ser Abby a responder, fui eu, e a minha irmã sorriu-me a seguir a aprovar.

Depois de comermos, Abby e Dylan foram para os quartos enquanto Gwen me ajudou a arrumar a cozinha e os Thompson continuavam a conversar. Mas sobre o que é que eles conversam tanto?

- Então, como vão as coisas por aqui? – Perguntou Derek, ao entrar pela cozinha.

- Boas, e pela sala? – Perguntei eu.

- Normais. Precisam de ajuda?

Gwen acabou de dobrar a toalha e guardou-a.

- Precisávamos… - disse ela – se tivesses vindo há dois minutos atrás.

- Bem, eu e o Gary temos que ir – virei-me completamente para o meu namorado ao ouvi-lo dizer isto.

- Onde? – Perguntei-lhe.

- A nenhum sítio especial – de novo uma resposta vaga. Estou a odiar esta situação.

Derek aproximou-se, deu-me um beijo suave nos lábios e no segundo a seguir já tinha desaparecido.

Eu sei que se espera que vampiros sejam completamente misteriosos, o que supostamente os torna mais atraentes, mas o meu namorado não é assim. Ou pelo menos não era.

Fui com Gwen para a sala e Verónica estava à nossa espera sentada no sofá.

- Querem ver um filme? – Perguntou ela.

- Sim, pode ser, vou só ao quarto buscar o telemóvel – disse eu, dirigindo-me para as escadas.

- Nós vamos escolhendo – disse Gwen.

- Ok.

Subi as escadas e fui buscar o telemóvel. Queria tê-lo comigo para o caso de Derek querer telefonar, apesar de não saber exactamente se o faria.

Voltei a descer as escadas e o DVD já estava posto. Sentei-me entre Verónica e Gwen.

- O filme é sobre o quê? – Perguntei.

- Não sei, é passado num hospício – disse Gwen.

Num hospício? Voltei a lembrar-me daquele que vi em Helena e voltei a sentir um turbilhão de arrepios.

Levantei-me e tirei o DVD.

- Então? – Reclamou Verónica.

- Podemos ver outro? – Pedi.

- Qual é o problema desse? – Perguntou Gwen.

- Eu só… hospícios dão-me arrepios – acabei por dizer.

- Desde quando? – Perguntou ela.

- Desde a tarde em que fomos a Helena comprar os vestidos… desde que vi aquele hospício – a minha voz, não sei porquê, saiu-me mais fraca que o planeado.

- Ok, vamos lá ver outro filme – disse Verónica, dirigindo-se ao móvel onde os DVDs estão guardados – Acho que vi aqui um qualquer com o Adam Sandler.

Acabámos a ver uma comédia, mas não prestei muita atenção porque estava de novo a pensar naquele hospício. Mas o que é que me está a dar? Estas coisas nunca me afectaram antes.

Nem dei pelo filme acabar e só acordei dos meus pensamentos quando Gwen se despediu de mim para se ir embora. Verónica foi também com ela, e eu subi as escadas e fui para o meu quarto. Vesti uns calções pretos com uma t-shirt cor-de-rosa – o meu pijama – e fui lavar os dentes.

Fui ao quarto de Abby e esta estava a ler já deitada. Dei-lhe um beijo de boa noite e passei ao quarto do meu irmão, que estava a jogar no computador.

- A Verónica e a Gwen já foram embora? – Perguntou, assim que eu pus um pé dentro do quarto.

- Já.

- Então vais-me dizer porque é que estiveste tão estranha? É por estares nervosa por te ires finalmente transformar? – Parou de jogar e virou-se para mim.

- Sim, é – menti – Dorme bem Dylan.

- Tu também.

Dei-lhe um beijo na testa e saí directa para o meu quarto. Mandei-me para cima da cama e fiquei a pensar no mau pressentimento que me acompanhava desde que o dia começara. Sei que não queria preocupar os Thompson, mas talvez lhes devesse dizer. E também sobre o sonho do meu funeral. Afinal, eu não posso impedir nada sozinha. Nem sequer sei o que impedir.

Derek interrompeu-me o raciocínio ao bater à porta e entrar. Sentou-se na cama e ajudou-me a subir para ficar sentada ao lado dele. Eu vou contar-lhe sobre a sensação e o sonho, mas não hoje. Hoje o dia correu bem, não o quero estragar. Porém tenho que insistir sobre o que ele não me diz.

Ficámos os dois em silêncio por algum tempo, e pude notar que ele estava mais sério que o normal. Talvez não fosse a melhor altura para insistir, mas se não for agora, quando é?

- Derek… diz-me a verdade, a Charlotte voltou, certo? Eu sei, eu…

- Não. Ela não voltou – disse-me, com voz de quem não queria seguir nesta conversa.

- Eu vi o teu telemóvel.

- Eu sei.

Olhei para ele e devo ter parecido surpreendida, porque ele riu-se. É claro que ele sabia, nem sei porque é que estranhei ao ouvi-lo dizê-lo.

- Então porque é que têm falado? – Perguntei – Há problemas?

Ele respirou pesadamente e depois virou-se para mim e agarrou-me nas mãos.

- Chloe olha… está a acontecer uma coisa, mas não sabemos o que é.

- O quê? Que tipo de coisa?

- De um tipo mau. Não te disse porque não te queria preocupar. Não sabemos o que é, e quando soubermos eu digo, prometo.

Pude ver nos seus olhos que me mentia, e isso magoou-me. Mas Derek nunca me mentiu sem razão, e isso ajudou a aliviar a dor. Se ele não me estava a contar a verdade, havia uma razão bem forte para isso, até porque sei que ele detesta mentiras. Quando puder, ele conta-me, sei que sim. Decidi não insistir mais, não ia servir de nada.

- Ok – disse.

- Vá lá, agora dorme – pediu-me.

Voltei a recostar-me para trás e pousei a cabeça na almofada. Ele fez o mesmo e ficou ao meu lado.

Fechei os olhos e senti-o a mexer com o meu cabelo.

- Chloe? – Perguntou.

- Diz – pedi, virando-me para ele.

Ele aproximou-se mais de mim e quase que juntou os seus lábios aos meus, mas não o fez, e olhou-me nos olhos.

- Promete-me que aconteça o que acontecer, vais-te sempre lembrar deste momento. De mim. De que o que temos é real. Nunca, mas nunca mesmo, duvides disso, ok? Prometes?

- Claro que sim – sussurrei.

E uniu então os seus lábios aos meus. Poucas vezes me beijara assim com esta paixão toda. Era bom, mas significava qualquer coisa má que eu não sabia o que era.

Quando o nosso beijo acabou, voltei a repousar a cabeça na almofada e a fechar os olhos, enquanto adormecia e me deixava levar para este mundo de sonhos de pesadelos de todos os géneros.

 

O próximo só chega na 5ª feira

Don't kill me (a)

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