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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 13.01.11

Oláá ^^

Este capítulo é dedicado a todos os casperzinhos (todos sabem que o Casper é um fantasma, certo? o.O), dos blogues.

Eles andam por aqui, lêem, lêem mais, podem rir, podem chorar, mas não comentam.

Por isso, se houver algum caspezinho por aqui, please, comente, sim?

Beijinhos e espero que gostem ^^

 

Capítulo 7

Um Novo Despertar

 

***

 

Corria e corria, mas o que me perseguia continuava atrás de mim. Não tinha onde me esconder. Não tinha para onde escapar. Mas então avistei uma pequena cabana. Apelei de novo às forças restantes do meu corpo e corri até lá. Assim que abri a porta, a vista de dentro da cabana modificou-se e já se parecia mais com um hospital. Dei meia dúzia de passos para dentro, e a porta fechou-se sozinha e violentamente. Havia pessoas a vaguear sem qualquer razão aparente, e médicos atrás delas. Este clima fazia-me arrepios.

Vi uma mulher loira passar no corredor em frente, e apressei-me a correr até ela. E ela esperava-me.

- Mãe… - murmurei – O que é que se passa? Onde é que estamos?

- Querida… eu não sou a tua mãe.

De trás dela apareceu um dos dois rostos que me há-de atormentar para sempre. Aisaec pôs um braço a redor dos braços da minha mãe e sorriu-me maliciosamente. Mas ele está morto, não pode estar aqui. Não é possível. Não pode ser verdade.

- Olá filhinha – disse-me – É tão bom estarmos todos reunidos. Agora posso realmente dizer… que nunca te abandonarei.

- Não! – Gritei.

 

***

 

Acordei sobressaltada neste quarto desconhecido. Parecia que estava anestesiada, via tudo turvo e doía-me imenso a cabeça.

Sentei-me na cama e comecei a olhar em volta. A cama onde eu estava era de solteira, com apenas um lençol branco e uma colcha da mesma cor. O quarto tinha pouca decoração, além de uma pequena secretária com uma moldura vazia, uma mesa-de-cabeceira com apenas um candeeiro, um espelho e um tapete, nada mais havia.

Levantei-me e pus os pés no chão. O espelho, alto, ao lado da cama, mostrou-me uma rapariga desgadelhada, e com uma camisa de noite também branca. Assustei-me ao ver que não tinha o colar que o meu pai me deixara, ao pescoço, e levei lá a mão. Eu nunca o tirava, nem mesmo para dormir.

Onde é que eu estou? Como é que vim aqui parar? O que é que se está a passar?

Caminhei descalça até à porta e abri-a. Do outro lado, pronta a bater, estava uma mulher de cabelos compridos, dourados, e com umas roupas muito sofisticadas.

- Margaret? – O que é que ela está aqui a fazer? E melhor, onde é “aqui”?

Ela sorriu-me e abraçou-me como se toda a minha vida tivesse sido uma mãe exemplar. Era preciso ter lata, como é que consegue ao fim de todos estes anos chegar-se ao pé de mim e abraçar-me?! Senti uma vontade enorme de a empurrar e gritar tudo o que me viesse à cabeça, mas em vez disso, soltei-me dos seus braços e fitei-a.

- O que é que estás aqui a fazer?! – Perguntei, azedamente.

- Estás lúcida, querida? – Lúcida?! Era só o que faltava, agora chamar-me maluca.

- O quê?! Claro que estou lúcida! Que raio de pergunta é essa?!

Apareceu um homem atrás dela. Tinha os cabelos castanhos-escuros, curtos, e uma barba talvez de três dias. Tinha também um grande sorriso na cara.

- Vejo que acordaste – disse-me.

Ele começou a tentar entrar no quarto e a minha mãe agarrou-me no cotovelo para me desviar do caminho, como se eu fosse uma criança. Quando fui criança e precisei deste tipo de coisas ela nunca esteve presente. Que hipócrita!

- O que é que se passa aqui? Onde estão os meus irmãos?! Onde está o Derek?! – Insisti.

Vi o desânimo habitar a cara dos dois. A minha mãe, ou mais propriamente pessoa-que-me-deu-à-luz, puxou-me e sentou-se na cama, fazendo também com que eu me sentasse.

- Querida, nós já falámos disto. Tu não precisas de fazer isso – disse-me, muito lentamente e com muita calma na voz.

- Isso o quê? – Ok, isto está a ser mais esquisito que sei lá o quê.

- Querida, tu sabes que os teus irmãos morreram.

Senti-me toda a congelar. Os meus irmãos morreram? O quê? Não! Claro que não. Ainda ontem à noite os vi. E estavam bem e a respirar. Não, isso é completamente ridículo. Eles estão vivos!

- Do que é que estás a falar? – Perguntei, exaltada – Olha que não estou a gostar nada desta conversa, isto…

- Eles morreram no acidente que também matou o teu pai, lembras-te?

- O quê? Não, o pai morreu há anos, foi morto por um vamp… - calei-me. Dizer isto não era mesmo a melhor ideia.

Margaret pousou as mãos dela em cima das minhas, que estavam sobre o meu colo.

- Não querida – mas que raio de mania é esta de me chamar “querida”?! – O teu pai morreu num acidente de carro no ano passado, e a Abby e o Dylan – caiu-lhe uma lágrima – estavam com ele.

- Chloe, não existem vampiros – disse o homem, que agora reparei estar a usar uma capa branca. Era um médico. Como é que ele sabe dos vampiros?

- Vocês estão a mentir! – Levantei-me e comecei a andar de um lado para o outro – Estão a mentir! Os meus irmãos estão vivos!

- Lamento querida.

- Bem… onde está a Gwen? O Derek? Onde raios é que está o Derek?!

- Querida… eles não existem. Nenhum deles.

- O quê?! Eles existem! Ele é meu namorado e…

- Ok Chloe, acalma-te – pediu o médico – Nós vamos tomar conta de ti. Sra. Simms, talvez fosse melhor deixarmos a sua filha a sós. Ela precisa de repousar. Quando estes casos acontecem, o melhor é deixar a paciente repousar e pensar, sozinha.

- Paciente? – Perguntei – Onde raios é que eu estou?

- Estás num hospital psiquiátrico querida.

- O quê? – Esta pergunta saiu-me completamente para dentro, não tive força de qualquer tipo para projectar a voz para eles.

Aquela vedeta que me lembra várias vezes que é minha mãe levantou-se e veio até mim, deu-me um beijo na testa e foi porque me apanhou desprevenida, e saiu do quarto com o médico.

Assim que a porta fechou, deixei-me cair na cama sentada, completamente apática. Mas o que é que se passa? Como é que a mulher que raramente vejo aparece do nada e me diz que toda a minha vida é inventada?

Levei mais uma vez a mão ao peito num impulso, apesar de já saber que o colar não se encontraria lá, mas inconscientemente ainda pensava que estava a sonhar, que nada disto era realidade e o colar estava cá. E a minha vida era real. Mas não. O colar que o meu pai me deixara, aquele lindo crucifixo com o pentagrama prateado, já não estava ao meu pescoço. Também o anel que Derek me tinha dado tinha desaparecido.

Mas como?

Deixei-me cair para trás e fiquei durante segundos a observar o tecto. O que é que era suposto fazer agora? Se nem sei o que se passa, como posso sequer fazer alguma coisa?

A minha cabeça ficara um pouco fora da cama, e podia observar o escuro cortinado que cobria a janela. Era bordô, mas via-se uns raiozinhos de sol passar. Eram mínimos e mal chegavam a poucos centímetros depois do cortinado e… parei um pouco e remoí no que tinha acabado de pensar... o sol…

- Uns raiozinhos de… sol? – Pensei, em voz alta.

Levantei-me num ápice e corri até à janela, abrindo o cortinado por completo.

O sol brindava-me com a sua presença, e mesmo tendo o vidro da janela a separar-me dele, aquecia-me. E assim uma lágrima começou a escorrer pelo meu rosto.

O sol não estava coberto. Mas tinha que estar. Afinal… vampiros não podem andar ao sol. E Verónica iria cobri-lo sempre que a meteorologia não o fizesse sem ajuda. Então porque é que o sol está assim? Porque é que não está aquele manto de nuvens no céu que o impede de magoar os meus melhores amigos?

E Gwen? E os meus irmãos? Onde estarão os meus irmãos? Sim, porque eles não estão mortos, isso não. Eu ontem falei com eles, disso tenho a certeza, e nada do que aquela mulher me diga me vai fazer mudar de ideias.

Vi que conheci a rua que via através da janela. E deu para perceber onde estava. Era o Hospital Psiquiátrico que tantos arrepios me tinha feito quando vim com Gwen e Verónica a Helena comprar os vestidos para o baile.

Fechei as cortinas de novo. O sol estava-me a baralhar as ideias. Não me deixava raciocinar bem. Após tanto tempo sem sol, habituei-me, especialmente porque tinha Derek. Sem sol mas com Derek fico bem. Mas sem Derek e com sol… assim já não pode ser. Assim já não consigo sobreviver.

Recuei até à cama e voltei a sentar-me. Tinha que arranjar uma maneira de sair daqui. Tinha que conseguir ir ter com os meus irmãos e Derek independentemente do custo.

Procurei nas gavetas das cómodas por roupa, e encontrei uns calções de ganga e uma t-shirt azul-turquesa. O resto era tudo camisas de noite brancas, como a que tenho vestida, e pijamas da mesma cor.

Procurei por sapatos em tudo quanto era sítio, e finalmente encontrei os meus All-Star cinzentos debaixo da cama.

Procurei por um telemóvel, ou chaves de casa ou do meu carro, mas não tinha mesmo nada.

Abri a porta lentamente e espreitei para o corredor. Estava completamente vazio. Pus um pé de fora, e outro em seguida, e por fim fechei a porta atrás de mim. O corredor assim fazia-me ainda mais arrepios. Era estranho este silêncio todo, e cheiro a hospital. Só conseguia imaginar cenários de filmes de terror passados em hospitais, sendo eles psicológicos ou não, em que os protagonistas acabavam sempre como ninguém quer acabar.

Comecei a percorrer o corredor apressada, mas sem fazer barulho com os pés, enquanto o observava. As paredes brancas tinham umas poucas rachas aqui e ali, e várias portas, que provavelmente eram quartos como aquele em que tinha acordado.

Só podia imaginar as pessoas que estavam por detrás dessas portas. Homicidas, suicidas, pessoas malucas… obriguei-me a parar com estes pensamentos, senão tinha um ataque de medo no meio do corredor.

Se ao menos não estivesse sozinha. Se ao menos tivesse alguém, nem que fosse Gwen, que é mais medrosa que eu, ao pé de mim, já me sentiria mais confiante.

Cheguei ao fim do corredor – que na minha opinião é longo demais – e deparei-me com umas escadas, também elas brancas e desertas.

Desci-as e fui ter a um hall de entrada. Para a esquerda era uma sala grande onde estavam várias pessoas, e para a direita não dava para ver, a porta estava fechada. Mas em frente sim. Em frente era a porta de saída.

Olhei para os lados e para trás, para ter a certeza que ninguém me seguia, e avancei em direcção à porta. Assim que pus a mão no puxador, vi uma sombra na porta e virei-me para trás. Um homem, com os cabelos literalmente todos em pé, um pijama branco e uma cara um pouco na lua, olhava para mim e ria-se. Via-se logo que não podia ser bom da cabeça.

- Eu também quero ir – disse, tão depressa que me foi difícil compreender.

- Não pode – sussurrei – Vá-se embora.

- Mas eu quero ir! – Gritou, de novo com uma velocidade em dizer as palavras fora do normal.

- Quantos anos é que você tem? Cinco? Desapareça daqui! – Sussurrei de novo.

- Mas eu quero mesmo, mesmo ir! – Não podia acreditar no que via. Um homem adulto, a fazer birra e mesmo a bater com o pé. Isto não é possível. E se é, não devia ser. Ele ia-me estragar tudo.

- Cale-se! – Mandei.

Abri a porta e fechei-a, mesmo na cara dele, e ao voltar-me para a rua embati na tão chamada minha mãe. Fiquei a olhar para ela de olhos arregalados. Mas que má sorte, meu Deus!

- Onde é que pensas que vais? – Perguntou, com aquele tom que eu suponho que as mães usem quando não querem que os filhos façam qualquer coisa. Sim, suponho, pois a minha mãe nunca me tinha usado esse tom até agora.

- A lado nenhum – disse-lhe, friamente.

Ela agarrou-me nos ombros, voltou-me de novo para a porta como se eu fosse uma criança, e levou-me de novo para dentro. Mas eu soltei-me dela.

- O que é que pensas que estás a fazer? – Perguntou.

- Não me podes manter aqui. Não me podes aprisionar como se fosse um animal qualquer. Se eu quero sair, posso sair!

- Chloe, tu estás fora de ti! – Gritou-me – Não tens mais sítio nenhum para onde ir, ainda não percebeste?! Eu sou tudo o que tu tens, e tu és tudo o que eu tenho. Eu sei que é doloroso enfrentar a realidade, e lamento que tenhas que o fazer filha, mas a verdade é que não temos mais ninguém.

- Estás a mentir – disse, no tom mais gélido que consegui – Estás a mentir como sempre mentiste! Porque é o que tu és! Tu és uma mentirosa, uma cobarde! Uma mulher que abandona os filhos! E eu não fico aqui nem mais um segundo.

Contornei-a e voltei a aproximar-me da porta, mas o médico de há pouco aproximou-se com mais dois outros homens que me agarraram.

- Larguem-me! – Gritei.

- Levem-na para o quarto… ela está alterada, precisa de repousar – ordenou o médico.

- O quê? Não! Eu não estou maluca, larguem-me!

- Chloe lamento, é o melhor para ti – disse Margaret Simms.

Eu sapateava e tentava soltar-me, mas eles eram demasiado fortes. Senti uma picadela e voltei a cara a tempo de ver o médico retirar a ponta de uma seringa do meu braço. Comecei a ver as coisas todas a andar à volta e a sentir-me sem forças nenhumas. As minhas pálpebras teimavam em descer, mas eu queria mantê-las abertas. Não ia fechá-las. Não podia. Não sem antes descobrir o que se passa, sem antes ver os meus irmãos e os meus amigos. A minha verdadeira família. Mas todos os esforços foram em vão. Seja o que for que me injectaram, era mais forte do que eu, e as minhas forças esgotaram-se, deixando os meus olhos fecharem-se. Ficou silêncio, e deixei de sentir nada.

Quando acordei estava de novo no quarto onde tinha acordado há poucas horas. Olhei em volta e senti que não conseguia mexer os braços. Estavam amarrados à cama. Doía-me a cabeça e ainda via as coisas a dançar à minha volta. Mas que tipo de droga é que me tinham dado?!

O médico entrou no quarto e escreveu qualquer coisa no caderno que trazia, e em seguido deitou-me um sorriso.

- Vejo que já acordaste – disse-me, brindando-me com um daqueles sorrisos dignos de estrela de televisão. Mas ele bem que pode sonhar, porque o de Derek é bem melhor.

- O que é que fizeram comigo? – Perguntei, num tom um bocado agressivo.

- Demos-te uma coisa para te acalmar um pouco. Não te preocupes, em breve nem a dor de cabeça vais sentir.

Sentou-se na cama mas eu dei-lhe um pontapé e ele levantou-se logo. Pela cara não tinha achado graça nenhuma, mas eu também não estou a gostar nada do que se está a passar.

- Tire-me daqui – pedi.

- Não.

- Por favor, tire-me daqui. Você sabe que eu não estou doente.

- Querida… Chloe… todos os doentes dizem que não estão doentes. Chama-se negação. Lamento, mas até que estejas curada, vais permanecer aqui connosco.

- Pode ao menos desamarrar-me? – Perguntei – Prometo que não vou tentar fugir de novo.

Ele desamarrou-me os braços e eu suspirei.

- Não sei porque é que está a fazer isto – disse-lhe, tentando levantar-me, mas as coisas começaram a andar mais à roda, por isso desisti e voltei a repousar a cabeça – Mas você sabe perfeitamente que eu não estou maluca. Não sou maluca.

- Precisas de descansar.

Saiu do quarto e fechou a porta.

Virei-me de lado e as lágrimas começaram a escorrer. Porque é que isto está a acontecer? Porque é que ninguém acredita em mim nem me defende? Onde está o Derek? Porque é que não me vem salvar como sempre fez?

Pressionei a cabeça com força na almofada enquanto as lágrimas saíam com mais força e contorci-me toda a tentar evitar os soluços, mas nada resultou.

A minha vida estava tão perfeita. Estava tão perto de alcançar o meu “felizes para sempre”. Ia tornar-me vampira e nunca abandonaria Derek. Como é que tudo isso pode ser uma invenção da minha cabeça? Não pode. Não é.

Foi tudo real, isso é uma certeza. Os sorrisos foram reais, as gargalhadas, os beijos… ainda quase que consigo sentir os seus beijos nos meus lábios. A sua pele fria a tocar na minha.

- É tudo real – murmurei – Eu sei que é.

 

Eu posto o próximo no domingo ^^

Beijinhos

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