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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 23.09.10

Oi, este capítulo sai mais cedo porque hoje tenho aulas até às sete :/

Afinal enganei-me (:$) a nova ameaça só chega no próximo capítulo.

E posso-vos adiantar que neste capítulo vai haver muitas emoções a virem à tona ...

Espero sinceramente que gostem, beijos ^^

 

Capítulo 16

Lembranças & Decepções

 

O Dylan não fala comigo há quatro dias, desde que mandei a droga pela sanita abaixo. Pensei em pô-lo num centro de reabilitação, mas não consigo, por duas grandes razões. A primeira é porque tecnicamente ainda sou menor, e não o posso internar sem a assinatura da minha mãe, que não sei onde encontrar; e a segunda é que mesmo que conseguisse a assinatura, não tinha dinheiro. Por muito que o queira ajudar não consigo. Não desta maneira. Só me resta uma coisa a fazer, tenho que descobrir de onde ele consegue a droga e acabar com o fornecimento.

Às vezes tenho saudades de quando era criança e o maior problema que tinha era querer crescer depressa; agora vejo que não tinha que desejar isso com tantas forças como desejei.

A Abby reparou no mau clima, mas já nem sequer faz perguntas, ela também já está habituada.

Tenho evitado Derek a todo o custo, mas há vezes em que não consigo. Eu sei que concordámos que isto do beijo não ia mudar nada, mas enquanto não resolver a confusão que está na minha cabeça, não o quero ao pé para a atrapalhar ainda mais.

Acho que Verónica e Gary ainda não sabem do beijo, o que é uma sorte, visto que Gwen não pára de falar nisso. Ela passou estes últimos dias a dar-me na cabeça, a perguntar como é que eu podia ser tão estúpida para dizer “não” a um rapaz como o Derek. Eu não sou assim tão estúpida. Sou cautelosa, só isso. De qualquer maneira acho que nunca vou querer nada com ele, as minhas opções não são nada favoráveis, porque seja como for serei sempre eu a sair magoada.

- Estás aí? – Abby já devia estar a abanar a mão em frente dos meus olhos há algum tempo, mas eu estava tão focada nos pensamentos que nem dei conta que ela estava aqui.

- Sim, desculpa. Estavas a dizer que…

- Estava a perguntar se sabias que o homem mais velho do mundo vive cá. Sabias?

- Não… não sabia. A sério?

- Sim, Walter Breuning.

- Impressionante. Quantos anos é que ele tem?

- Chloe, eu não sei tudo, ok? – Ok…

- Desculpa.

- Eu perdoo-te.

- Obrigado.

- E sabias que 147 pessoas daqui dividem casa?

- Não… onde é que arranjas isto tudo?

- Pesquiso.

- Porquê?

- Porque é divertido.

- Ok… – cada um tem os seus gostos, não vou discutir aí – Queres lanchar?

- Claro.

Fiz um lanche para nós e depois de comermos vimos um filme, uma comédia. Acabámos por jantar tarde porque o filme era comprido. Dylan passou o jantar em silêncio e eu também não puxei conversa, se fosse ao contrário eu também estaria amuada… acho eu.

A seguir ao jantar fui para o quarto e liguei o computador. Gwen estava online e meteu logo conversa. Ficámos a conversar até quase à uma da manhã, e depois fui para a cama.

 

***

 

Acordei e gritei com plenos pulmões, de certeza que acordei a casa toda. Abby, que estava na cama ao lado, começou a chorar. Os meus pais entraram no quarto apressados e o meu pai sentou-se na minha cama enquanto a mãe foi agarrar na Abby.

- O que é que foi Chloe? – Perguntou o meu pai – Outro pesadelo?

Confirmei com a cabeça e ele abraçou-me.

- Querida, vais ficar bem, foi só um sonho – disse a minha mãe enquanto me fazia festas na cabeça só com uma mão.

- Mas eu tenho medo papá.

- Está tudo bem querida. Nós estamos aqui – confortou-me ele.

Senti-os ao meu lado até me voltar a deixar de dormir.

Quando acordei levantei-me e desci as escadas com cuidado para não acordar a Abby. Hoje é sábado e não há escola. Fui até à cozinha e vi que o meu pai já estava acordado e a tomar o pequeno-almoço.

- Já estás acordada querida? Queres tomar o pequeno-almoço?

- Sim.

Ele aqueceu uma caneca de leite com chocolate e pô-la em cima da mesa. Em seguida agarrou-me e pôs-me sentada ao seu colo, apenas num joelho. Comecei a beber o leite enquanto ele comia cereais e mexia nuns papéis.

- Isso são vampiros? – Perguntei, a apontar para uma das imagens dos papéis que ele tinha em cima da mesa.

- Sim, para dizer a verdade são.

- Uau, vampiros existem mesmo?

- Sim, existem.

- Mas eles são maus. Eles matam toda a gente – a minha voz começou a soar a pânico.

- Nem todos. Também têm coisas boas, podem viver para sempre, são mais fortes, mais rápidos…

- E mais assustadores.

Ele deu uma gargalhada.

- Alguns, sim, talvez. Mas são criaturas extraordinárias.

- Eu acho que são maus – olhei para ele – Porque é que não me dizes para não ter medo deles?

- Porque acho que não precisas que te diga.

- Ok.

Ouvi passos nas escadas e a minha mãe apareceu à porta da cozinha, com Abby pela mão.

Dylan apareceu pouco depois e agarrámo-nos todos a ele. Hoje é um dia especial. É o dia em que o Dylan faz oito anos. Eu ajudei Abby a fazer-lhe um desenho, e o meu pai comprou uma prenda para eu lhe dar, um boneco igual ao homem aranha, mas pequeno.

Dylan agora pensa que é muito crescido, mas eu sou mais. A seguir ao pai e à mãe quem é mais velha sou eu, e a mais nova é a Abby.

Depois de comermos todos, fui para o meu quarto e enquanto a mamã vestia a Abby na cama dela, eu vesti uma saia castanha e uma blusa vermelha.

Fui até à casa de banho e penteei-me, e depois encontrei duas fitinhas lindas, perfeitas para prender o meu cabelo, que quase me chegava a meio das costas, em dois totós.

Depois de a mãe vestir e pentear Abby, eu pedi-lhe para ela me fazer os totós e sentei-me na cadeira da secretária, com a minha mãe atrás.

- Chloe, pára quieta, assim o cabelo não fica bem preso – dizia-me ela enquanto me prendia um dos totós.

Depois de ela me pentear descemos e esperámos que o pai acabasse de despachar Dylan para eu e Abby lhe entregarmos as prendas.

- Toma – disse-lhe Abby, ao entregar-lhe o desenho.

- O que é isto? – Perguntou ele, enquanto virava o desenho a tentar descobrir o que lá estava.

- És tu, a mana e eu, e ‘tamos na "escolhinha". – Abby ainda não falava muito bem, sabia falar, mas era muito preguiçosa. Mas ela ainda só tem três anos, de certeza que perde a preguiça daqui a nada.

Depois eu dei a minha prenda a Dylan e ele adorou. Eu gosto muito de Abby, mas Dylan é o meu melhor amigo, e vai ser para sempre. É o meu irmão preferido.

A minha mãe queria levar o Dylan para ir comprar a prenda dele, e Abby também queria ir, mas eu quero ficar em casa.

- Abby, querida, a mãe não se demora, é só comprar a prenda do mano e voltamos logo, ok? – E a minha mãe também não a queria levar.

Eu sei que ela gosta mais do Dylan do que de nós, mas não me importo, porque também gosto muito dele.

Abby ficou em lágrimas, agora sempre que não consegue o que quer, desata a chorar como um bebé, por isso levei-a para o nosso quarto e brincámos com as minhas bonecas e o meu castelo. Ela vestiu a Barbie de princesa, e eu era o príncipe, o Ken. Passámos a manhã inteira a brincar e depois o meu pai chamou-nos para irmos almoçar.

Descemos as escadas as duas a correr, para ver quem é que chegava primeiro, e fui eu que ganhei. Sentámo-nos à mesa enquanto o pai nos cortava o bife.

- A mamã ainda não chegou? – Perguntei eu.

- Não, ela telefonou e disse que se ia demorar – respondeu-me ele.

O papá também não está feliz com a mamã, ele diz que sim, mas eles discutem muito. Ainda ontem ouvi a mamã a dizer que se ele não mudasse de comportamento que se ia embora. Eu não quero que os meus pais se separem…

O papá pôs-nos os pratos à frente e deu a primeira garfada a Abby.

Ouvimos uns passos no andar de cima e Abby começou a rir.

- Penchei que tinhas dizido que a mamã não ‘tava cá – disse ela.

O papá estava muito quieto a olhar para o tecto, e depois levantou-se e tirou Abby da cadeira. Puxou-me da minha e fez-me ficar de pé ao lado dela.

- Chloe, leva a tua irmã para a despensa e fechem bem a porta – Pediu ele. Ele parecia assustado…

- Porque papá? – Perguntei-lhe.

- Eu adoro-vos muito às duas, nunca se esqueçam – deu um beijo na minha cabeça e outro na de Abby – Vá, rápido.

Agarrei Abby pela mão e puxei-a até à despensa. Entrámos e fechámos a porta, mas Abby estava a ficar com medo do escuro, por isso abri a porta e deixei-a só encostada, para entrar alguma luz. Abby estava atrás de mim, e eu espreitei para ver o que é que se passava, mas ela também conseguia ver qualquer coisa.

Vi o papá agarrar numa faca muito grande e depois vi um senhor aparecer do nada, era magrinho e tinha o cabelo muito escuro, até aos ombros e muito liso. Estava de costas. O senhor mandou o meu pai contra a parede com muita força, e o meu pai voou até lá chegar, e quando estava quase a chegar ao chão e senhor agarrou-o. Nem vi o senhor mexer-se, e já estava a agarrar no meu pai. Era muito forte e muito rápido. A Abby começou a chorar e soluçou, e eu tapei-lhe a boca.

- Shiu Abby, não podemos fazer barulho – sussurrei-lhe.

Continuei a ver o que se passava. Queria ajudar o meu papá, mas não conseguia.

- Isto não foi o que nós combinámos. Não em frente a elas – disse o meu pai, muito baixinho.

- Eu sei, mas vampiros não são bons a cumprir promessas – respondeu o senhor.

Vampiros?! Senti um grande arrepio. Vampiros existem mesmo? Sempre pensei que o meu pai estivesse só a brincar e a tentar assustar-me…

O senhor, sem largar o meu pai, apanhou a faca que agora estava no chão, e espetou-a na barriga do meu pai. Largou-o e ele caiu no chão. Ainda se mexia, mas apesar de tentar falar não conseguia.

Senti uma grande dor na garganta por estar a evitar chorar.

O senhor molhou o dedo na ferida e levou-o à boca, e depois cortou-lhe a garganta e deixou o sangue cair para um copo que tinha agora na mão, que também não estava lá antes. Ele levou o copo à boca e começou a bebê-lo como eu bebo sumo de laranja ou leite com chocolate.

Não aguentei mais e comecei a chorar.

Ele largou o copo e começou a vir para a despensa muito devagarinho, eu virei-me para Abby e disse-lhe para ela ir para debaixo da prateleira e depois tapei-a com os aventais que lá estavam pendurados.

Ele chegou até à despensa e abriu a porta por completo. Inclinou-se sobre mim e fiquei horrorizada com os enormes dentes que tinha. Eram muito longos e pontiagudos, e estavam muito brancos. Os olhos dele tinham umas riscas muito vermelhas, e a bolinha estava cinzenta. Vi que tinha um cavanhaque também preto, tão escuro como o cabelo.

Ele olhou para trás e depois voltou a olhar para mim. Piscou-me o olho.

- Num outro dia – disse-me.

No tempo de piscar os olhos ele já lá não estava, eu fiquei quieta durante uns segundos, e quando ia para sair apareceu outro, vindo do lado oposto para onde o senhor fugiu. Este era mais novo, tinha o cabelo castanho, os olhos verdes, e era muito bonito. Olhou para mim e desatou a correr por onde o outro tinha ido.

Olhei para Abby, que estava tão quieta e aterrorizada como eu, e depois…

 

***

 

Acordei e sentei-me instantaneamente. Tinha uma lágrima a cair-me pela face, e apressei-me a limpá-la.

- Derek…

Já não era totalmente de noite, já havia alguma claridade apesar de não ser muita. Fiquei imóvel durante um tempo a assimilar tudo o que tinha visto. Eu lembro-me agora. Eu lembro-me de tudo.

Olhei para o relógio, eram cinco e quarenta e cinco da manhã.

Levantei-me, fui à casa de banho e vesti umas calças de ganga e uma blusa escolhida ao acaso. Ainda é cedo, por isso tenho tempo de ir e voltar.

Saí silenciosamente de casa e meti-me no carro. Agora o caminho já não me enganava, nem quando não estava concentrada na estrada.

Estacionei em frente do enorme portão e toquei à campainha. Esperei até que abrissem a porta e depois dirigi-me rapidamente à casa, sem querer saber das flores, da relva ou sequer dos cheiros maravilhosos que estavam no ar.

- Derek! – Gritei furiosa, enquanto entrei para o enorme casarão.

Ele apareceu-me à frente instantaneamente, com os dois irmãos atrás.

- Ei, não sabia que vinhas cá – disse-me, suavemente – Passou-se alguma coisa?

Larguei a mala, que caiu no chão fazendo um pequeno barulhinho e depois agarrei no pote que estava em cima da pequena mesinha redonda, e mandei-lho. Ele desviou-se com a maior das facilidades e o pote caiu no chão, partindo-se em milhares de pedacinhos. Ele olhou para mim perplexo.

- Como é que pudeste?! – Gritei-lhe – Todo este tempo! Não acredito que me mentiste assim, não assim!

- O quê? – Ele começou-se a aproximar de mim e eu agarrei num candeeiro pequeno que estava em cima de uma cómoda e mandei-lho. Ele voltou a desviar-se mas desta vez Verónica apanhou o candeeiro antes de este se estilhaçar.

- O que queres dizer com “o quê”? Eu sei, ok?!

- Chloe… o que é que eu fiz? – Ele não sabia mesmo?! É assim tão cego para não perceber aquilo que eu estou a falar?!

- Estou a falar do meu pai! Estou a falar do dia em que ele morreu!

- Tu sabes.

- Como é que pudeste? Tu estavas lá… - abanei a cabeça e mandei os braços para o ar, deixando-os cair logo a seguir – Eu contei-te a história toda, eu chorei, e tu lamentaste, e nunca disseste que tinhas lá estado. Como é que me pudeste mentir assim?

- Achei que fosse melhor. Chloe, eu não sei o que tu sabes, mas eu não o matei.

- Eu sei que não o mataste. E também sei que o vampiro que o matou não voltou atrás. Eras tu. E ele não me atacou, nem à Abby, porque tu chegaste e o impediste. Ele percebeu que não estava sozinho e fugiu.

- Ok, tudo o que disseste está certo, e eu fiz a coisa certa por isso… porque é que me estás a mandar coisas?

- Porque estou furiosa! Porque eu contei-te uma coisa que nunca tinha contado a ninguém e tu viste que era importante para mim desvendar tudo, e não me disseste nada!

- Desculpa, ok?!

- Não, não está ok! Achas que é assim tão fácil?! Que mais é que me estás a esconder?

- Nada, juro.

- E como é que posso acreditar em ti?

- Chloe…

- Tu sabias que isto é das coisas mais importantes da minha vida. Comparado com outras coisas, podes mentir sobre tudo Derek.

- Vá lá, eu percebo que estejas chateada mas…

- Lembras-te de quando eu me recusava a acreditar em vampiros bons e tu disseste-me para te dar uma oportunidade?

- Chloe, por favor, não… - agora implorava. Ele sabia exactamente o que se passava na minha cabeça, e sabia o que eu ia dizer.

- Eu dei-a – Fugiu-me uma lágrima do controlo e começou a escorrer pela minha bochecha – Mas acho que estava certa quando dizia que não queria. Porque agora já sei. Já percebi que quando se confia em vampiros se sai desapontado.

Dei meia volta e saí.

- Chloe!

- Deixa-me em paz!

Ele não me seguiu. Meti-me no carro e voltei para casa.

Esperei que fossem horas de acordar os meus irmãos e acordei-os. Comemos juntos e depois fomos para a escola. Como já era de esperar, Dylan não me disse nada. Deixámos Abby na escola dela e depois dirigimo-nos à nossa.

- Lembras-te que quando éramos crianças e adorávamo-nos e éramos como melhores amigos? – Perguntei-lhe.

- Não – respondeu, amuado.

- Eu também não me lembrava – disse-lhe, com a voz a falhar-me.

Não prestei atenção nenhuma à primeira aula, nem à segunda, e muito menos à terceira. Depois de almoçar, fui para o pátio e sentei-me encostada a uma árvore.

- Podemos conversar? – Era Verónica.

- Desculpa ter partido o pote – disse-lhe, sem olhar.

- Não faz mal, se eu fosse a ti também o tinha feito. Só não deixei o candeeiro cair porque era uma antiguidade. Ele estragou mesmo tudo, não foi?

- O que é que achas?

- Numa escala de um a dez, quão chateada estás?

Finalmente olhei para ela e respondi-lhe sem sequer pensar muito.

- Onze.

- Ok. Bem… espero que vá baixando.

- Certo.

Ela começou a desviar-se e eu voltei aos meus pensamentos de agonia e desespero.

Fui trazida de volta à realidade por Gwen, que aparentemente já estava sentada ao meu lado há alguns minutos.

- O que é que tens? – Perguntou-me ela. Tenho a certeza que ela já tinha perguntado isto mais vezes, mas eu só ouvi desta.

- Nada, tudo… - deitei-me e pousei a cabeça na sua barriga - Gwen, já alguma vez sentiste que toda a gente à tua volta te mente e guarda segredos?

- Às vezes, sim. Estás a falar de alguém em particular?

- Acho que o meu pai queria morrer. Ele dizia-me sempre que era feliz mas… eu acho que ele queria morrer.

- Porque é que dizes isso?

- Porque eu sonhei com o dia em que aconteceu, sonhei com tudo. Caras, palavras, cheiros…

- Ele não era infeliz, quem sabe, talvez ele quisesse mais… isto não é só sobre o teu pai, pois não?

- Bem, o Dylan também passa a vida inteira a mentir-me…

- E?

Suspirei. Acho que lhe vou dizer o que ela quer ouvir.

- E o Derek também é bastante misterioso.

- Mas não para ti…

- Não, ele mente para mim. Não sei até que ponto é que consigo acreditar nas palavras que saem da boca dele.

 

 

Espero que tenham gostado ;)

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