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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 22.01.11

A CátiaO foi batoteira :o

Não, não podia ser da mesma pessoa! xD

Mas, como conheci um dos fantasminhas, ou melhor, uma, a Carolina, e descobri que a Alexa também lê a minha história, vou postar e dedico-o a elas.

Carolina, ainda bem que "acusaste", eu adoro saber que vocês lêem e gostam ^^

E tu também Alexa.

E podem "acusar-se" mas vezes e ir dando opiniões, sim?

E vá, pronto, como te fartas-te de comentar também te o dedico CátiaO xD

Há por aí mais algum fantasminha que eu não saiba?

Bem, chega de conversa...

 

Capítulo 11

O Sonho Verdadeiro

 

***

Dava voltas e mais voltas, mas nem por nada conseguia adormecer.

Destapei-me e sentei-me encostada à cabeceira da cama, enquanto com a luz do candeeiro da mesa-de-cabeceira aceso, bebia a água que tinha no copo que há segundos atrás, estava em cima dela.

Pousei o copo e voltei a deitar-me por completo, já completamente destapada.

Estava um calor de morte.

Ouvi o vento soprar na rua, e vi, com a pouca claridade que tinha, as cortinas a esvoaçarem ao seu sabor, e a janela aberta. Não me lembrava de a ter deixado aberta… aliás, tinha quase a certeza de que a tinha fechado.

Não vinha de lá um vento frio, antes fosse, era um vento ainda mais quente que o bafo que já sentia fechada no quarto.

Voltei a acender a luz do pequeno candeeiro e encaminhei-me até à janela, fechando-a em seguida.

Voltei a ir para a cama e sentei-me apenas. Não tinha sono, estava completamente com insónias. Bem, culpo o calor por isso.

Este tem sido dos Verões mais quentes de que me consigo lembrar.

Deixei-me cair para trás e fiquei assim, durante tempos infindáveis, a olhar para o candeeiro do tecto.

Ouvi um estrondo do lado de fora do quarto e dei um pulo de susto imediatamente. Fiquei logo toda a tremer.

Levantei-me cuidadosamente, calcei os meus All-Star e nem me preocupei de ir com a camisa de noite.

Abri a porta muito lentamente e espreitei. Absolutamente nada. Agora que reparava, esta era a primeira vez que saía do quarto assim, com o hospício todo às escuras. Era aterrador.

Engoli em seco e dei um passo para o corredor. A porta por trás de mim fechou-se sozinha, deixando-me logo com pele de galinha. O que é que se passa?!

Agora já não dava para voltar atrás. Ergui a cabeça e encarei o corredor que se prolongava à minha frente, e que parecia mais longo que nunca.

Andei muito devagar e sem fazer qualquer barulho até às escadas, e desci-as, com cuidado. Estranho, nem os seguranças estão a pé.

Olhei em volta e vi Krull. Ele era baixinho e se eu não soubesse a sua história, provavelmente não ia querer fugir, mas eu sabia. E tudo piorou ao ver na sua mão uma faca, e a maneira como olhava para mim.

- É hora da vingança – pronunciou, apreciando cada sílaba que lhe saía pelos lábios.

Antes que tivesse tempo para me fazer qualquer coisa, desatei a correr pelas escadas acima de novo.

Enfiei-me pela primeira porta que encontrei e em seguida caí num enorme buraco negro que me fez gritar até quase me saírem os pulmões pela boca.

Caí em cima de uma coisa fofinha. Um colchão, e levantei-me. Eu conhecia este quarto. Era o meu quarto. Não o quarto que tinha quando era uma criança de dez anos, não o quarto que tinha no hospício. Era o meu quarto.

Tinha duas camas, eu partilhava o quarto com Abby.

Aproximei-me da minha mesa-de-cabeceira e agarrei na moldura que lá estava, que continha uma fotografia minha lá, com um sorriso de orelha a orelha.

- Chloe… - Deixei instantaneamente cair a moldura que caiu no chão, estilhaçando o vidro em dezenas de pedacinhos. Fiquei ainda mais arrepiada ao ouvir esta voz. Queria olhar para ele mas não conseguia. O meu cérebro dizia-me que era apenas da minha imaginação, mas o meu coração dizia “que se lixe, acredita, isto é real”, e eu simplesmente não sabia em qual confiar.

Respirei fundo e virei-me de olhos fechados, com medo de que se os abrisse, ele desaparecesse.

Senti as suas mãos gélidas na minha cara e todas as membranas do meu corpo responderam a esse seu acto. Por tanto tempo desejei pelo seu toque, e agora que finalmente o tinha, uma satisfação indescritível percorreu-me de uma ponta a outra.

- Abre os olhos – sussurrou, tão perto de mim, que dava para sentir o seu hálito a voar em direcção à minha cara.

Uma pequena lágrima escorreu-me antes de abrir os olhos, mas quando o fiz, o meu mundo voltou a rodar.

As lembranças que tinha dele estavam distorcidas, gastas de tantas vezes terem sido usadas. Isto não. Isto era novo. Isto era como se fosse a primeira vez.

Levei a minha mão à sua cara enquanto decorava de novo – ou pela primeira vez – todos os detalhes do seu rosto, e ele pousou a sua em cima da minha.

Aqueles olhos verdes reluzentes, o cabelo castanho… as coisas simples como o sorriso ou a maneira suave como me tocava… essas são todas as pequenas coisas que o tornam em quem ele é.

- Derek… - murmurei.

- Estou aqui.

E num impulso rápido puxou-me para ele e abraçou-me. Podia apertá-lo de novo, estava de novo nos seus braços, sentia o seu cheiro, a força que exercia sobre o meu corpo e o desejo com que me abraçava. Sentia saudades, tal como ele também devia sentir vindas de mim.

- Porque é que não me foste buscar? – Perguntei, com outra lágrima a escorrer-me, esta porém, de alegria.

- Não pude. Eu quis, acredita… mas não pude.

- Chloe… - era o meu nome apenas sussurrado por uma voz uma vez conhecida por mim, mas então intensificou-se tanto que fui forçada a largar Derek para tapar os ouvidos, enquanto ele olhava para mim especado – Chloe!

Abri os olhos e vi Gwen, a rir-se, em frente a mim. Olhei e volta e vi que estávamos no Giant Springs Park.

- Estás bem? – Perguntou-me.

Olhar de novo para a cara da minha melhor amiga fez-me soltar um sorriso, que juntamente com a recente memória de Derek, o alargou ainda mais.

- Gwen! – Exclamei, mandando-me para a frente para a abraçar.

- Ei, tem lá calma – disse ela, rindo-se, enquanto me abraçava também – Eu não fui a lado nenhum.

- Gwen eu… desculpa, eu pensava que não eras real, mas depois eras, mas toda a gente me dizia que…

- Shh, está tudo bem.

- Cá estás tu! – Vi Gary sair de dentro do bosque, e dirigiu-se a Gwen, beijando-a em seguida, e dirigindo-me um largo sorriso – Há quanto tempo?

- Tempo demais – disse-lhe.

Mas então uma luz branca começou a intensificar-se demasiado, até não conseguir ver mais nada. Quando senti que era seguro abrir os olhos sem ficar cega, vi-me no meu quarto, o meu verdadeiro quarto, com Derek ao pé da janela. A outra eu estava deitada, e parecia desconfortável.

Eles falavam, mas nenhum deles parecia dar pela minha presença. Não conseguia perceber o que se passava.

- Tens que dizer à tua irmã para baixar a intensidade do “ar condicionado”, ok? Eu estou prestes a virar uma torrada, tal como o resto das pessoas vivas – disse eu. Ou… a eu que estava deitada na cama. Isto era-me tudo estranhamente familiar.

- Ok, eu digo. Acho que é melhor ir… a não ser, não queres que te refresque? – Um sorriso torto apareceu na cara do meu namorado, o tipo de sorriso que eu simplesmente amo.

- Não… - afirmou a outra eu, completamente decidida.

Mas Derek não lhe ligou, e deitou-se ao lado dela na mesma.

- Eu acho que queres – murmurou ele.

Eu lembro-me desta noite. Foi depois de uma festa na escola, estava um calor abrasador…

Derek e eu ainda não namorávamos, nesta altura eu ainda odiava vampiros. Mal sabia que dali a um ano e picos estaria prestes a tornar-me uma.

Suspirei… será que algum dia me poderei mesmo vir a tornar vampira?

Ouvi uma gargalhada vinda do andar de baixo e resolvi ir ver o que se passava.

Desci as escadas a pensar que iria encontrar Abby, mas enganei-me.

Vi uma pequena rapariga de dez anos. Ela era linda, e tinha aquela inocência no olhar. Ela era eu há oito anos atrás.

- Anda, anda – disse-me, enquanto me estendia a mão.

Encolhi os ombros e pensei “porque não?”. Dei-lhe a mão e segui com ela para a cozinha.

Ela abriu a porta da cozinha e à nossa frente estava não a cozinha, como era suposto, mas sim um pequeno lago com uma ponte de madeira e vários canteiros de flores.

Sorri ao cheirar novamente este cheirinho a natureza. Era simplesmente libertador.

A pequena eu sorriu-me e esticou a mão, como sinal de incentivo para eu me deixar libertar.

Corri até ao lago e deixei-me cair, vendo-me reflectida naquelas águas calmas pela primeira vez. Não gostei do que vi. Não era eu. A expressão era a mesma, o cabelo era igual e os olhos também mas… não era eu. Era uma pessoa completamente diferente. Uma desistente que acredita nos outros em vez de si mesma. Uma rapariga fraca que deixa que os outros a façam acreditar que está maluca, que tem uma doença qualquer.

A pequena Chloe aproximou-se de mim e olhou também para a água, deixando que esta a reflectisse. Surpreendi-me ao ver que ela não se parecia com ela, pelo menos com essa idade. Estava oito anos mais velha, com a minha idade e igual e mim. Porém, nela eu já me reconhecia.

Desprendi os olhos do lago e encontrei-me a olhar para mim, exactamente como se olhasse para um espelho.

Isto estava a ficar estranho.

- Está na hora de continuares – disse-me… eu?

A outra Chloe, num movimento rápido, mandou-me para dentro de água com força suficiente para ficar completamente submersa, e lutei contra a vontade de me render e de estar a ficar sem ar para voltar para a superfície. E quando o fiz… já nada estava igual de novo.

- Que raios?! – Perguntei, em voz alta, apesar de saber que ninguém me estava a ouvir.

Agora já nem água havia, eu estava apenas estendida no chão de um sítio que para sempre me iria aterrorizar.

Aisaec olhava para mim com um olhar maníaco, um olhar de vingança, e quase que dava para ver o sangue passar pelos seus vasos sanguíneos bem visíveis nos olhos.

Ele baixou-se e levantou-me sem esforço, aproximando-me dos seus dentes enormes e pontiagudos.

- Ela é minha! – Gritou-me, deixando-me cair em seguida no chão – A tua mãe é minha!

Já tinha ouvido isto. Não assim exactamente, mas ele já me tinha dito que a sua grande paixão sempre fora Margaret Simms, e que sim, era correspondido.

Derek negara de que a minha mãe tivesse alguma coisa a ver com o assassinato do meu pai, mas eu sei que o romance entre ela e o maldito vampiro sanguinário que roubou a vida ao meu pai tinha sido real.

De um momento para o outro tudo ficou bem claro. Eu já não punha “talvez” nas frases, e já não as revia. Não pensava que estava maluca. Pelo contrário, não contestava nada do que pensava.

Olhei para Aisaec de novo e deitei-lhe um olhar mortífero – que definitivamente não tem nada a ver com os vindos dele.

- Tu estás morto – afirmei.

Ele soltou uma gargalhada.

- Pareço morto para ti? – Perguntou, desafiante.

Levantei-me do chão e aproximei-me dele, até ficar a menos de um palmo.

- Tu sim, és um produto da minha imaginação. Eu estás morto! Eu impossibilitei-te, e o Derek matou-te. Nunca mais me vais magoar.

Ele sorriu de novo.

- Espera para ver – murmurou.

Senti-me a ficar muito leve, e a cair no chão, e depois tudo desvaneceu. Estava sozinha num espaço preto que não conseguia distinguir de tinha paredes ou se estava apoiada no chão ou simplesmente a flutuar. Nesta altura já sabia que estava a sonhar, a realidade nunca seria assim.

Levantei-me e andei durante um bocado, mas a vista não mudava.

- Olá? – Perguntei.

Ouvi um risinho e virei-me. Mas ainda nada.

- Olá Chloe – ouvi. Voltei-me de novo e vi-me frente a frente com ela. Charlotte.

- Charlotte… - murmurei – O que é que se passa? Porque é que voltaste?

- Estás a sonhar tonta – disse-me.

- Não me chames isso. E eu sei que voltaste eu… eu sei, ok? O que é que queres?

Ela aproximou-se de mim e quase que colou os seus lábios ao meu ouvido.

- Desta vez… - murmurou – as coisas serão diferentes.

Gelei completamente. Aposto que ela queria dizer que desta vez me iria conseguir matar mesmo.

Engoli em seco e fechei os olhos com força. Queria acordar. Queria sair deste pesadelo. Ou então voltar para um sonho em que Derek apareça.

Quando os voltei a abrir, estava de novo no meu quarto, com Derek e a outra eu deitados na cama.

- Derek – chamei, mas ele não dei qualquer índice de me ter ouvido.

Caminhei até ficar aos pés da cama, de onde os conseguia ver aos dois.

A outra Chloe fechou os olhos, e Derek começou a mexer-lhe no cabelo. Também me lembrava disto. E lembrava-me do que vinha a seguir.

- Chloe? – Perguntou.

- Diz – pediu a outra Chloe, ao virar-se para ele.

Ele juntou-se mais a ela e quase a beijou, mas não o fez. Em vez disso olhou-a nos olhos e fez um pedido.

- Promete-me que aconteça o que acontecer, vais-te sempre lembrar deste momento. De mim. De que o que temos é real. Nunca, mas nunca mesmo, duvides disso, ok? Prometes?

- Claro que sim – sussurrou a Chloe.

Não me lembrava disto assim. Lembrava-me do seu pedido, da minha resposta, do beijo que se seguia, o beijo mais apaixonado que Derek alguma vez me dera. Um beijo que adivinhava… uma despedida?

“Promete-me que te vais lembrar sempre deste momento”, dissera ele, “que o que temos é real. Nunca duvides…”. As palavras dele ecoaram pela caminha com uma força esplêndida. Davam a entender que ele sabia o que se iria passar a seguir. Davam a pensar que ele sabia que me iam fazer um tipo qualquer de lavagem cerebral e que eu iria acabar por ceder e esquecer-me dele. Mas como é que me poderia alguma vez esquecer dele?

Senti um arrepio ao perceber que isso já estava a acontecer. Que nos últimos dias reais eu já estava a ceder, a achar que esta louca. Que aos poucos eu estava mesmo a render-me.

Não tinha sonhos, eles não me vinham salvar, não sabia nada dos meus irmãos, era óbvio que não existiam. Porque se existissem vir-me-iam ajudar. Ou pelo menos era assim que pensava. Nunca pensei que eles não vinham porque não podiam, porque, sejamos sinceros, o que é que impede um vampiro de vir salvar alguém com quem se importa? Nada.

Mas isso não é totalmente verdade.

Há coisas que impedem vampiros de fazerem o que querem. Já aconteceu no passado.

Mas quem os iria impedir? A Charlotte, então porquê?

E com o quê? Água benta? Isso também a magoaria…

Ao olhar para Derek que observava a adormecida Chloe, deu-me um aperto no coração. Mas estaria com ele outra vez. Voltaria de novo para os seus braços.

Aproximei-me dele, ainda sabendo que ele não me via ou ouvia, se aproximei os meus lábios do seu ouvido.

- Eu vou voltar para ti – sussurrei – Vou acreditar em nós, não me vou esquecer deste momento, e vou voltar para ti. Prometo.

 

***

 

Abri os olhos e estava de novo de volta àquele quarto odioso neste hospital dos diabos.

Suspirei de frustração. As coisas continuavam iguais. Pelo menos aparentemente, mas uma coisa tinha mudado. Eu. De novo. Eu tinha de novo mudado. E agora tinha a certeza que estava da maneira certa.

Sorri ao perceber que as coisas não iam continuar iguais durante muito mais tempo. Eles estavam lá fora algures, e eu ia voltar a vê-los. Ia voltar a estar junto deles e ia recuperar a felicidade.

Levantei-me e desviei as cortinas, deixando o sol entrar pelo quarto à força toda.

O sol… já não me fazia querer chorar ou afundar-me por entre os lençóis; agora fazia-me ter mais vontade de o fazer desaparecer para voltar a ver os meus amigos.

Olhei para a rua. De calma não tinha nada, as pessoas andavam de um lado para o outro e pareciam baratas tontas.

Olhei de novo para o céu. Em breve encontraria Verónica e estaria de novo todo enublado.

As mudanças aproximavam-se a um tempo irreal, e eu, agora mais que nunca, conseguia senti-las.

Ia sair daqui. E não ia demorar.

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