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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 24.09.10

Agora sim, a ameaça chegou xD

Espero que gostem

Bjs

Ps: Peço desculpa pelos erros que possam encontrar, porque tenho que para a escola e não tive tempo para corrigir :s)

 

 

Capítulo 17

Novas Drogas

 

Com o sonho que tive sobre a morte do meu pai percebi várias coisas. No dia em que o meu pai morreu, não foi só ele que perdemos. Perdemo-nos a nós próprios. A nossa mãe fugiu, o Dylan começou a rebelar-se e a tornar-se neste rapaz que finge que não se importa com nada, Abby não pôde ter uma infância normal e cresceu demasiado depressa, ela perdeu a infância. Quanto a mim? Eu perdi uma das coisas mais importantes da vida: fé. Eu perdi a fé em tudo. Perdi a fé quando vi o meu lar, a minha família, destruídos. Ao sonhar comigo, quando tinha dez anos, uma rapariguita sorridente e que estava a disposta a acreditar que monstros são bons, uma rapariga que gostava de contos de fadas e de brincar às princesas e príncipes com as Barbies, percebi que deixei de acreditar na maior parte das coisas boas.

- Chloe, cuidado! – Tarde demais, levei com a bola de futebol na cabeça e recuei três passos, levando a mão à cabeça instantaneamente.

Gwen e todos os meus colegas correram até mim, todos excepto Derek. Não lhe falo já quase cinco dias, e acho que as coisas até estão bastante bem.

Eu via tudo a andar à roda e quando estava prestes a cair no chão Gwen agarrou-me.

- O que é que aconteceu? – Perguntou o Sr. Veigues, que estava a falar com outro professor, que também estava agora à minha frente.

- Eu chutei a bola, foi sem querer – desculpou-se Jeremiah, um colega meu – Não lhe queria acertar, nem a vi.

- Onde é que ela levou com a bola? – Lisa apontou para talvez dois metros à minha frente – Não é isso! Que zona do corpo.

- Na cabeça… - respondi – Auch.

Vi Derek, meio desfocado, também a aproximar-se.

- Derek, leva a tua colega à enfermaria, está bem? – Pediu o Sr. Veigues.

- Não. Eu… eu preferia que fosse a Gwen.

- Menina Simms, Chloe, acabaste de levar uma pancada na cabeça, se eu disse para ir o Derek vai o Derek, porque podes perder a força a meio do caminho e a Gwen não tem a força suficiente para te agarrar e…

- Ok, ok – respondi. Credo, uma pessoa leva uma bolada nos miolos e ainda ouve um raspanete. Que sorte…

Vi Derek aproximar-se e também não parecia muito feliz por ter que me levar. Desencostei-me de Gwen e dei um passo em frente, mas as coisas estavam a andar tão à volta que me desequilibrei e fui de encontra ao professor. Derek agarrou-me num braço e pô-lo à volta do seu pescoço, depois começámos a andar. Ele estava tão gelado… brrr.

Quando entrámos para a escola e vi que o corredor estava livre, tentei livrar-me dele, mas era em vão.

- Chloe, está quieta, por favor – pediu ele.

- Larga-me, eu estou bem, posso ir sozinha – Isto não é cem por cento verdade… mas também não é cem por cento mentira… digamos que é trinta por cento verdade.

- Tu não estás bem, acabaste de levar uma pancada. Como é que te sentes?

- Como se tivesse levado com uma bola de futebol na cabeça. Que raio de pergunta.

- Bem, não me falaste por quatro dias, quase cinco, por isso acho que isto é um avanço.

- Estás errado, só não saí de ao pé de ti porque mal me aguento em pé.

- Ou porque eu não deixo – ouvi, por entre dentes.

- Eu ouvi isso.

Chegámos à enfermaria e sentei-me na maca enquanto Derek explicava à enfermeira o que tinha acontecido. A enfermeira chegou-se ao pé de mim com uma pequena lanterna.

- Segue a luz com os olhos, ok?

- Ok.

Ela andou com a luz de um lado para o outro enquanto tinha o outro dedo esticado, e depois sorriu.

- Eu acho que estás bem – disse, por fim – Podes ficar com um galo, mas é o máximo que vai acontecer. Quando chegares a casa põe um bocadinho de gelo, está bem?

- Está bem, obrigado.

Voltámos para o campo, e como já não via as coisas à roda, já não precisei de ir empoleirada em Derek. Eu disse ao Sr. Veigues que estava bem, mas Derek insistiu em que não estava, por isso fiquei sentada o resto da aula.

Fomos para o balneário e enquanto elas tomavam duche eu mudei só de roupa, não tinha feito nada da aula por isso não transpirei. Como me despachei antes delas, saí do balneário e sentei-me nas escadas do corredor a ouvir música.

- Olá – olhei para o lado e vi Jeremiah –, como é que te sentes?

- Estou bem – respondi, tirando os fones.

- Eu não te queria acertar, desculpa – Uau, será que se está a sentir assim tão mal quanto parece? Foi só uma bolada, não é como se fosse um tiro ou uma coisa assim…

- Jeremiah, eu estou bem, a sério. Não te preocupes.

- Eu sei mas… eu pensei que ias desmaiar…

- Por momentos também eu, mas não desmaiei.

- O que é que a enfermeira disse?

- Que não era nada de especial, para pôr gelo e isto passava.

- E já puseste?

- Vou pôr quando chegar a casa, se me doer.

- Não é se doer, tens mesmo que pôr, ok?

- Calma, não te preocupes, eu meto.

- É que já é a segunda vez que te acerto, primeiro com a bola de basquetebol na semana passada e agora isto, eu não faço de propósito, juro.

- Eu sei, eu é que tenho tendência a apanhar as bolas com a cabeça.

Rimo-nos os dois, até que eu parei de rir ao ver quem se aproximou.

- Oi, posso falar contigo? – Perguntou-me Derek.

- Ok, já vi que estou a mais. Até logo – disse Jeremiah, sem me dar tempo para falar, enquanto se afastava – As melhoras.

O que é que ele quis dizer com estar aqui a mais? Ele não estava a mais, o Derek é que está.

- Eu não quero falar contigo – levantei-me e agarrei na mala, mas quando ia para me afastar ele agarrou-me o braço e virou-me para ele.

- Por favor. Vá lá, já se passaram quase cinco dias, podes ao menos ouvir-me?

- Não. Já me podes largar?

Ele largou-me e eu comecei a subir as escadas. Vi Gwen a ler um livro e sentei-me no banco ao lado dela.

- Ele deve ter-te feito uma coisa mesmo má – disse-me ela.

- Tu viste?

- Sim, quando ia a passar para me sentar aqui. Não me vais dizer o que ele te fez, pois não?

- Desculpa.

À tarde levei Abby a uma festa de aniversário e depois fiquei em casa. Depois do jantar Dylan foi para o quarto e Abby também. Eu ia a subir as escadas quando ouvi Dylan a falar, pensava que era comigo, por isso abri a porta, mas quando ia para lhe perguntar o que queria vi que estava ao telefone, por isso ia fechar de novo a porta, mas então ouvi o que ele estava a dizer.

- Ouve meu, eu preciso de mais, ok? – Dizia ele – Sim, eu consigo arranjar o dinheiro. Ok, porreiro, no sítio habitual? Ok, lá estarei.

Fechei a porta e fui para o meu quarto. Será que ele estava a combinar para ir comprar mais droga? Bem, desta vez, mesmo que não seja, não vou ficar parada. Amanhã vou ser como a sombra dele.

Depois de acordar os meus irmãos e de me vestir, fui para a cozinha e acendi a televisão.

- “E há mais um caso de rapto. As autoridades ainda não têm qualquer pista sobre o sequestrador. As únicas informações que disponibilizaram foram que nenhuma das vítimas se conhecia, apenas que eram todas conhecidas como sem-abrigo e consumidores de droga” – Estremeci ao ouvir Lec Shill, o repórter, dizer isto. Esta é a vítima número sete em duas semanas. E pior, o Dylan consome drogas, o que é que me garante que ele não é o próximo?

Desliguei a televisão ao ouvir alguém a aproximar-se e acabei por não saber mais nada do caso.

Passei o dia todo a observar Dylan à distância, tinha que estar pronta a segui-lo a qualquer momento.

- Porque é que estás só a olhar para ele? Achas que ele vai fazer alguma coisa estúpida aqui, na escola? – Perguntou Gwen, enquanto estávamos sentadas na mesa de pedra, no exterior da escola.

- Não seria a primeira vez, mas não. Eu acho que ele hoje vai comprar mais droga, e vou segui-lo e telefonar para a polícia.

- Tens a certeza? Porque agora têm ocorrido bastantes raptos relacionados a droga. Chloe, isso não é perigoso?

- É, mas não posso arriscar Gwen. E se o Dylan é o próximo?

- Por isso preferes ir sozinha contra um traficante? Sim, isso é esperto – e revirou os olhos. Eu percebi perfeitamente que ela tinha usado o seu tom sarcástico.

- Não é perfeito – admiti –, mas eu não tenho alternativa.

- Bem, não devias ir sozinha, para começar.

- Estás a oferecer-te?

- Estaria, mas os meus tios vão lá a casa e a minha mãe obrigou-me a prometer que limpava a casa todinha antes que chegassem, enquanto ela trabalha.

- Uau, acho que tens sorte por teres a tarde toda.

- Não tem graça. Isto é sério Chloe.

- Eu sei, o pó também é dos meus piores inimigos.

- Não, não é isso! A história da droga. Porque é que não pedes ao Derek para ir contigo?

- Sabes, isso até é uma boa ideia – menti – Vou fazer isso.

- Prometes?

- Prometo – e menti de novo, a fazer figas com a mão que estava sobre as pernas, por baixo da mesa.

Passei a aula seguinte a olhar pela janela, o professor de Dylan faltou e ele esteve lá fora o tempo todo. Eu estava pronta a sair a qualquer momento para o seguir, é claro que depois ia ter que dar grandes explicações, mas cada coisa a seu tempo.

Quando a última aula acabou, Gwen perguntou-me se eu já tinha pedido a Derek para ele ir comigo, e eu disse que estava tudo combinado. Odeio mentir-lhe, mas na verdade não tenho ninguém a quem pedir para ir comigo, e sei que se pedisse a Derek ou a qualquer um dos seus irmãos eles diziam que sim, mas eu estou chateada com ele, e se estou chateada quando não preciso de nada, também estou quando preciso.

Levei Dylan para casa e pelo caminho fomos buscar Abby.

Sentei-me a ver televisão, com Abby ao lado, e o tempo foi passando.

- Vou sair – disse Dylan, saindo porta fora.

Assim que ele fechou a porta virei-me para Abby.

- Abby, vou ter que sair, ficas bem?

- Sim, mas…

- Se precisares de alguma coisa vai à Sra. Jonhson, ok? E tens os números de emergência ao pé do telefone.

- Ok.

- Ok, até logo.

Dei-lhe um beijo na testa, agarrei nas chaves e no telemóvel e saí porta fora. Esperei até que Dylan fizesse a curva para o começar a seguir. Cheguei à curva e espreitei para ver se ele não via, e fui o caminho todo a esconder-me atrás de carros, caixotes do lixo, e até bancos. Para ser sincera, isto de seguir pessoas parece mais divertido nos filmes, na vida real é bastante ridículo.

Fomos dar ao cemitério, que estava fechado. Dylan subiu as grades e passou para o lado de lá.

- Devem estar a gozar comigo – murmurei. Eu vou ter que subir aquilo? Isto vai ser bonito.

Esperei até que Dylan saísse do meu campo de vista, para o caso de se virar para trás não me ver, e aproximei-me das grades. Primeiro uma mão, um salto, e prendi o pé, o resto foi o mais complicado. Estive quase dez minutos a tentar passar, e quando finalmente o consegui fazer, não me consegui agarrar, escorreguei e caí de costas.

- Auch…

Levantei-me e comecei a andar à procura dele. Com o tempo que eu demorei já pode estar quase em Black Eagle.

Andei às voltas por pé das campas e ouvi vozes. Aproximei-me e fiquei escondida entre as árvores. Peguei no telemóvel e telefonei para a polícia, agora era só esperar que chegassem.

- Não foi isto que eu pedi – ouvi Dylan dizer.

- Eu sei, mas isto é melhor – disse o homem ruivo, com um rabo-de-cavalo. Pela roupa não tive dúvidas de que era o traficante.

Na mão tinha um pequeno frasco com um líquido avermelhado, nada daquilo que eu esperava, nem Dylan, pelos vistos.

- Está bem – disse o meu irmão, passando não sei quantas notas para a mão. Onde raios é que ele arranjou este dinheiro todo?!

- Foi óptimo fazer negócio contigo – disse o homem, quando lhe passou o frasco para a mão.

Iam os dois começar a dispersar, e a polícia ainda não tinha chegado. Eu tinha que evitar que o traficante saísse dali, ele não podia fugir. Vi Dylan dar um golo no pequeno frasquinho e fazer uma careta.

Saí do esconderijo e comecei a andar até eles, que estavam talvez a cinco metros um do outro.

- Olá – “Olá”? Isso é o melhor que consigo?!

- Quem és tu? – Perguntou o homem, que tinha uma pronúncia alemã, com cara de poucos amigos.

- Eu sou a irmã do tipo a quem acabaste de vender droga.

- O que é que estás aqui a fazer Chloe?! – Uau, se Dylan acha que está chateado nem quero saber como é que vai estar quando a polícia chegar.

- Não tens para onde fugir – disse eu, ainda para o traficante – A polícia está a chegar.

- E tu achas que eles me podem parar? – Ok, agora está a ser demasiado presunçoso. Não consegui ver nenhuma arma nele, e ele não tinha casaco, por isso sim, acho que sim.

- Porque é que não iriam? – Perguntei.

- Deixa-me dizer-te uma coisa – e deu um passo na minha direcção – Ninguém me consegue parar. Espero que gostes de histórias de terror.

Os olhos dele começaram a ficar cinzentos e os vasos sanguíneos cada vez mais vermelhos. Engoli em seco.

- Raios! Isto não é bom – murmurei. Ele abanou a cabeça, a concordar comigo.

Corri até Dylan e agarrei-lhe no braço.

- Dylan corre! – Gritei-lhe, apesar de ele estar mesmo ao meu lado.

Ele mantinha-se imóvel, de olhos arregalados a olhar para o vampiro, que, agora já com os dentes descidos, se aproximava de nós.

- Dylan, vá lá! – Disse eu, quase a implorar.

- Tu sabes o que eu sou, não sabes? – Perguntou o vampiro, a sorrir maliciosamente.

- Talvez, isso importa? – O que é que eu estou a fazer? Estou à conversa quando devia estar a fugir, lindo.

- Dylan, reage… - murmurei.

- Ele é um… ele é… um… um vamp… um vampi… - balbuciou Dylan.

- Um vampiro, rapaz – disse o vampiro – Não é assim tão difícil de dizer.

O vampiro levantou o braço e deu um safanão em Dylan, que o fez voar até uma árvore e cair no chão em seguida.

- Não! – Gritei.

Corri até ele, estava desmaiado. Olhei para trás e vi o vampiro mesmo ao pé de mim.

- Diz adeus – disse-me. Agarrou-me nos ombros e ia-me morder, eu queria gritar mas não conseguia. Fechei os olhos com toda a força, a desejar que passasse tudo o mais depressa possível, mas acabei por os abrir momentos depois. O vampiro estava à minha frente, ainda com as mãos nos meus ombros, e continuava a inclinar-se para a frente, para o meu pescoço, mas parava sempre antes de lá chegar. – Não é possível – murmurou.

Ele não me consegue morder? Porque é que não me consegue morder? Será que eu não sou boa para morder, algum tipo de pessoa esquisita a quem não conseguem morder? Não que me esteja a queixar. E depois veio-me à cabeça e olhei para o peito. A cruz. A cruz com o pentagrama que o meu pai me deixou. Não são só histórias, é mesmo real… funciona.

- Como?! – Gritou o vampiro, tresloucado.

Voltei a engolir em seco e fiquei em silêncio a olhar para ele. Ele elevou o braço e deu-me uma chapada que me fez cair para o chão. O colar bem que me podia proteger de tudo e não só de mordidas…

Ele levantou-me pelos ombros e abanou-me.

- Como?! – Voltou a perguntar.

- Magia? – É uma possibilidade, vamos mantê-lo a falar, pelo menos não me mata…

Agora, eu admito, vir aqui foi um grande erro.

Ele mandou-me contra as grades da vedação e eu fui impulsionada para a frente. Olhei em volta e agarrei numa pá que estava no chão. “Para matar um vampiro corta a cabeça, corta a cabeça”, pensava eu, vezes sem conta. Mas como raios é que vou cortar a cabeça dele?!

Levantei-me e tentei dar-lhe com a pá, mas ele agarrou-a e ao mandá-la para o lado, eu não a larguei e fui atrás. Voltei a levantar-me, os meus cotovelos já estavam todos arranhados, e tenho a certeza de que não são as únicas coisas.

- Foste tu, não foste? – Perguntei. Será que sou normal se disser que em vez de medo estou a sentir raiva? – Foste tu que mataste as pessoas que estão a dizer que estão desaparecidas, as que estão na televisão.

Ele deu uma gargalhada.

- Eles eram inúteis, não serviam para nada, dependentes. Eu fiz um favor à sociedade. Tiveste azar, sabes? Se não tivesses aparecido ia apenas matar o teu irmão, assim vais com ele.

Voltou a mandar-me ao chão e inclinou-se de novo sobre mim.

- Espera! O frasco que lhe entregaste, o que é?

- Sangue – Ok, já chega, vou vomitar agora. Sangue?! E o meu irmão bebeu aquilo?! Mas que nojices são estas?!

- Sangue? Isso é nojento – já que vou morrer ao menos mostro o meu desagrado, parece-me justo.

- Sangue de vampiro. Algumas pessoas gostam. Os outros drogados gostavam.

- Porque é que vendes sangue de vampiro?

- Porque é que estou a falar em vez de te matar?

- Porque eu não posso ir a lado nenhum, e não é como se estivesses a envelhecer…

- Eu vendo-o porque às pessoas que gostam o suficiente eu conto-lhes a verdade, fazendo-as juntar-se a um grupo de futuros vampiros.

- Futuros vampiros? – A minha voz começou a fraquejar a este ponto – E porque é que me estás a contar isto?

- Porque eu vou-te matar agora – agarrou na pá e estava pronto a esmagar a minha cara com ela, mas foi empurrado por um vulto qualquer.

Levantei-me e tentei observar a batalha que se travava a uma velocidade superior à que os meus olhos conseguiam seguir. Vi ramos a cair, pedras a voar, mas não os via a eles.

Corri até Dylan, que ainda estava inconsciente e tirei-lhe o frasco da mão, pondo-o no bolso das calças. Pensei em tentar acordá-lo, mas o mais certo era desmaiar outra vez logo a seguir.

Dei um enorme pulo quando senti uma mão pousar no meu ombro e virei-me instantaneamente, soltando um grito estridente.

- Estás bem? – Perguntou-me Derek.

- Ainda não sei – completamente verdade, não faço ideia. – Derek, ele está desmaiado, devíamos levá-lo ao hospital?

- Não, eu consigo ouvir os batimentos, ele está bem. Vamos sair daqui.

Derek agarrou em Dylan e pô-lo no banco de trás do seu carro, em seguida voltou e saltou a vedação comigo. Sentei-me ao seu lado, no carro, e a maior parte da viagem foi em silêncio, até porque eu não fazia a mínima ideia de como começar a conversa, mas lá consegui.

- Como é que soubeste onde eu estava? – Perguntei.

- Encontrei a Gwen e ela disse-me o ias fazer. Também me disse que lhe disseste que eu ia contigo… porque é que não pediste?

- Porquê? Porque eu estou chateada contigo, essa é a razão.

- Por isso vais numa missão suicida?

- Eu não sabia que ele era um vampiro.

- Mesmo que não fosse. Ele é um traficante Chloe, podia ter uma arma, um canivete… eu podia não ter chegado a tempo.

- Eu sei, e obrigado por teres chegado. O colar protegeu-me, sabias?

- Sim, eu disse-te que ia fazer isso.

- Impediu-o de me morder, mas não de me mandar ao ar não sei quantas vezes. O que é que lhe aconteceu?

- Desculpa, ele escapou.

- Não faz mal, a culpa não foi tua.

- Eu devia ter chegado mais cedo…

- Desculpa por não te ter dito. Eu sabia que era perigoso mas… eu estava chateada.

- E já não estás?

- Um bocadinho…

- Ouve, eu sei que estraguei tudo ao esconder-te a verdade, e lamento imenso. E percebo que aches difícil acreditar em mim, a sério que sim.

- Há uma coisa que não percebo.

- O quê?

- Tu és um vampiro, um vampiro “bom” como dizes. Não devias não gostar de ser vampiro? Não devias ser melodramático e sofredor e falar com aquelas frases feitas?

- Mas eu gosto de ser vampiro. Se eu não fosse vampiro, não te tinha salvado a vida tantas vezes.

- Não vou discutir aí…

Chegámos à minha casa e Derek voltou a transportar Dylan, desta vez até ao sofá.

Abby já estava na cozinha a jantar, tinha aquecido comida no microondas.

- Não o devíamos acordar? – Perguntei a Derek, depois de fechar a porta da cozinha para ter a certeza que Abby não ouvia nada.

- O que é que lhe vais dizer? Como é que vais explicar?

- O Dylan tem uma mente muito… própria. Ele não vai acreditar, pode ter visto com os próprios olhos mas não vai acreditar. De certeza que vai arranjar uma desculpa qualquer para o que viu.

- Ok, se o dizes. Força.

Dei-lhe chapadas na cara devagar mas não resultava. Fui à cozinha e enchi um copo, até metade, com água.

- Tu não vais fazer isso, vais? – Perguntou Derek.

- Depois do que ele me fez passar? Bem podes apostar – deixei cair umas poucas gotas, que não foram suficientes. Vazei depois o resto do copo e Dylan acordou sobressaltado.

- O que é que aconteceu? – Perguntou ele.

- Diz-me tu, do que é que te lembras? – Retorqui eu. Eu não lhe vou dizer nada até saber até que ponto é que ele se lembra.

- Bem eu… tu estavas lá… eu bebi qualquer coisa que o traficante me deu, tinha um sabor horrível, mas era forte para caraças. Comecei a alucinar e… tenho mesmo que parar com as drogas.

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