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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 28.01.11

É oficial, já tenho esta história toda escrita :D

E por isso, e porque estava feliz, vou postar mais cedo.

Ansiosos por saber quem é que a Chloe encontra?

Então força:

 

Capítulo 14

Fio de Esperança

 

Saí de casa e pela primeira vez senti um vento frio percorrer-me o corpo, mas não foi o suficiente para me fazer voltar atrás e ir buscar um casaco. Não. Não tinha tempo a perder.

Dirigi-me para o meu carrinho, o meu Volkswagen cinzento, do qual já começava a sentir saudades, e entrei.

Depois de o pôr a trabalhar, comecei a conduzir apressadamente até à casa dos Thompson.

Já mal me conseguia lembrar da última vez em que tinha feito este caminho. Mas nem isso me fez confundir sobre se virava à direita nos cruzamentos, ou à esquerda. O caminho para lá estava fixado na minha memória muito melhor que várias outras coisas.

Era incrível como as estradas e as ruas estavam completamente desertas. Mas claro, quem é que no seu perfeito juízo anda na rua a uma hora destas da madrugada? Só uma pessoa acabada de sair do hospício, como eu, infelizmente.

Finalmente cheguei ao pé daqueles portões e estacionei o carro. Respirei fundo várias vezes antes de sair. Esta era a minha última ideia. Era o último sítio onde poderia ir, onde eles poderiam estar.

E com um pouco de sorte, entrava nesta casa majestosa e digna de capa de revista, e via-os a todos na sala de estar, a conversar e a rir, como se nada tivesse acontecido.

Ou ainda melhor, acordava na minha caminha e constatava que tudo isto, desde a primeira vez que acordei naquele hospício, tinha sido um sonho sem significado nenhum.

Fechei os olhos com força com esperança que a segunda opção se realizasse, e abri-os segundos depois.

- Oh Chloe, és tão estúpida – murmurei, para mim mesma.

Retirei o cinto de segurança e saí do carro.

Aproximei-me do portão e não me preocupei em tocar à campainha, visto que este se encontrava quase sempre aberto.

Entrei para o jardim e quase que corri até à entrada da casa, que também se encontrava aberta. Entrei e procurei no andar de baixo e no de cima, mas nada. Senti de novo aquela sensação de um vazio infinito a assombrar-me. Era tal e qual como quando tinha constatado que a minha casa de encontrava vazia, só que numa dose dupla ou tripla.

Arrastei-me até fora da casa e fui às traseiras do jardim, onde ficava a piscina. Já que cá estava queria procurá-los em todos os sítios.

Mas de novo, além de mim, não havia mais ninguém.

Senti-me a perder as forças e caí de joelhos na relva enquanto as lágrimas voltaram a cair. Agora não as ia fazer parar. Não só porque não conseguiria, mas também porque elas tinham razões para cair. E eu não tinha qualquer razão para as impedir.

Passado pouco tempo de me encontrar neste estado de lágrimas e soluços, ouvi um barulho atrás de mim e quando me virei observei uma silhueta muito elegante.

Não conseguia distinguir a cor dos olhos ou do cabelo, só sei que era comprido, devido ainda a estar escuro, apesar de o sol estar para nascer muito em breve. Ao lembrar-me disto lembrei-me que não queria que ele nascesse.

Levantei-me desengonçada, ainda com os olhos enlagrimados, e a rapariga começou a dar passos devagar na minha direcção, até ser-me completamente possível identificá-la.

Odiei-a por tanto tempo. Culpei-a por tantas coisas. E sempre desejei nunca a ter conhecido. Mas agora, neste momento, e com ela a apenas poucos centímetros de mim, não consegui evitar de mostrar um sorriso um pouco débil.

Nunca gostei dela, mas ao vê-la assim tão perto, fez-me ter aquela pequena centelha de esperança que perdera quando vi que ninguém se encontrava comigo.

Apesar de quase ter feito com que eu morresse, de me ter feito separar daquilo que me fazia bem, neste momento simplesmente não conseguia odiá-la. Não porque outrora também me salvara a vida. Mas sim por simplesmente se encontrar aqui. Ela era a prova que eu precisava. Era uma das quatro pessoas que conheço que não humanas. Era uma das poucas que me podia mostrar que não estava de facto louca, só de aparecer.

Num impulso, sem querer saber qual era o seu propósito aqui, se estaria sedenta, se seria ela a culpada por não conseguir encontrar os meus amigos e família, abracei-me a ela. E Charlotte não reagiu até momentos depois, em que me afastou. Acho que nunca tinha pensado que eu ousasse abraçar a vampira que quase assinou a minha morte. Mas mesmo assim deu-me tempo de a apertar contra mim, de esconder a minha cara por entre os seus cabelos ruivos.

- Whoa, whoa, whoa – disse-me, depois de me afastar, com as suas mãos nos meus ombros – O que é que se passa? Eu não abraço pessoas!

- Charlotte – o que saiu pela minha boca foi apenas um pequeno e suave murmúrio, e depois desmanchei-me em lágrimas que nem uma fonte com a força máxima, enquanto que ela se limitava a olhar para mim com uma expressão surpresa.

- O que é que se passou? – Perguntou-me, quando os meus soluços começaram a abrandar um pouco.

- Eu… e eles… depois… e haviam doentes e… - os olhos dela arregalaram-se e percebi que não estava a dizer nada de jeito. Entre soluços ela não ia perceber nada, ia ter que me acalmar.

- Anda lá – disse-me –, vamos entrar. O sol nasce daqui a pouco e não me ia dar muito jeito estar sujeita a levar com ele.

Ela começou a andar de novo para dentro da casa e eu segui-a. Sentei-me no sofá enquanto ela corria todos os cortinados para que nenhum raio solar entrasse, e depois sentou-se ao meu lado. Os meus soluços já tinham parado, tal como as lágrimas.

- Vais ter que me explicar tudo muito bem explicadinho – disse-me.

Mas ela não sabia? O que é que estava aqui a fazer se não sabia?

Inspirei e expirei, e depois comecei a organizar as ideias na minha cabeça para lhe contar tudo.

- No começo das férias o Derek disse-me uma coisa estranha – comecei –, ele tinha-me pedido para nunca me esquecer dele, e no dia a seguir acordei num hospício.

- Num hospício? Estás a gozar, certo?

- Não – afirmei – A minha mãe estava lá, tal como vários médicos, enfermeiros e outros pacientes.

- Queres dizer malucos.

- Talvez. Eles disseram-me que tinha imaginado isto tudo…

- Isto o quê?

- Eu já explico. Podes parar de interromper?

- Credo, desculpa lá. Continua.

- Eles disseram-me que vampiros não existiam, e que os meus irmãos tinham morrido num acidente de carro com o meu pai, quando eu tinha dez anos, e que estava lá internada desde então mas só agora tinha ficado sóbria.

- E tu acreditaste? – Agora parecia um bocado confusa.

- No primeiro dia não. Ou nas primeiras três semanas. Mas para o fim do segundo mês, sim, comecei a acreditar.

- Então basicamente, há alguém que te diz “nada da tua vida é real” e tu acreditas?

- Não é assim Charlotte. Eles ficaram dias, a toda a hora, durante dois meses a dizerem-me isso. E depois havia o sol, …

- Pois, nem me digas nada, pensava mesmo que a estúpida da Verónica me ia proteger desse empecilho.

- Como assim? Do que é que estás a falar? E porque é que viste para aqui mesmo?

- Agora quem é que está a interromper? – Ela levantou um sobrolho e eu revirei os olhos à espera que me respondesse – Há mais ou menos dois meses comecei a receber telefonemas dos meus maninhos – fez questão de pronunciar “maninhos” da maneira menos credível possível –, e eles disseram que se passava qualquer coisa. Pediram-me ajuda para identificar um novo vampiro que tinha aparecido cá, e pediram-me para vir. Amava saber porque é que se lembraram de mim… continuando, eu não vim logo. Pensei que estivessem a exagerar como sempre fazem, mas os telefonemas continuaram, e as mensagens, e os pedidos, e a pior parte foi quando me pediram para tomar conta de ti – agora foi a sua vez de revirar os olhos – Eu disse “nem pensem”, claro. E depois eles pararam de me tentar convencer. Nesse momento eu sabia que se tinha passado qualquer coisa.

- E vieste para cá. Porquê? Nem sequer te importas connosco.

- Sim, eu sei. Mas… tu salvaste-me a vida, por isso eu ajudo-te agora… considera a dívida paga.

- Combinado.

- Eu pensava que a minha viagem para cá ia ser tranquila, que a Verónica ia-me tirar o sol de ao pé, mas não. Por isso demorei uma eternidade a chegar cá.

- E depois?

- Depois vim para cá, e estava tudo vazio. E depois a tua casa, e a da Gwen, excepto a mãe dela, mas essa não interessa. Depois senti o teu aroma pela primeira vez, e comecei a segui-lo até te encontrar a chorar. Como é que vieste cá parar?

- Eu fugi do hospício.

- Estás-te a tornar rebelde, hã?

- Charlotte… isto é sério. Eu não sei onde é que eles estão, com quem estão, se estão bem… - À medida que tinha começado a falar, tinha-me levantado e começando a gesticular com os braços – Estou com medo.

- Não te preocupes, não te vou morder – o tom que saiu pela sua boca foi de gozo, mas consegui detectar uma certa ironia na frase.

- Charlotte – repreendi, arrependendo-me segundos depois. Porque é que eu estou a agir como se fosse superior a uma vampira que ainda há meia dúzia de meses me infernizava a vida? Bem, pelo menos era melhor tê-la do meu lado do que estar sozinha… certo?

- Tudo bem, tudo bem – levou as mãos ao ar como se estivesse a render-se e eu não consegui evitar de sorrir – Sabes onde é que eles estão?

Olhei para ela com aquela cara de “estás a gozar comigo, certo?”, e ela percebeu logo a mensagem. Mas será que se eu soubesse onde eles estavam estava aqui a perder o meu tempo?!

- Vamos pensar então – disse-me.

- Não os consegues cheirar? – Perguntei.

- Não – agora parecia frustrada. Deve ter notado que se tinha formado um certo pânico na minha cara. Se ela não os conseguia cheirar então isso significava que eles estavam… mortos, certo? Engoli em seco – Não é nada disso, só significa que não passam por aqui há um certo tempo, tem calma contigo – disse-me, como se me tivesse lido a mente.

Respirei de alívio. Pelo menos ainda podiam estar vivos. Não. Eles estavam vivos de certeza, tinham que estar. Mas e se não estivessem…

Abanei a cabeça para evitar estes pensamentos sombrios que me faziam querer desatar a chorar de novo e Charlotte olhou para mim intrigada.

- No que é que estavas a pensar? – Perguntou-me.

- Em nada – afirmei – São coisas estúpidas, não vale a pena estarmos a perder tempo com elas.

- Então se são estúpidas pára de pensar nelas – credo, tinha-me esquecido o quanto Charlotte conseguia ser sensível –, vamos mas é pensar onde é que eles podem ter ido.

- Eu sei lá.

- Então pensa! De certeza que o teu plano não é dar a volta ao mundo até que miraculosamente os encontres, ou é?

- Bem… estava mais a pensar em Great Falls e arredores…

- Chloe!

- Ok, ok… credo.

Voltei a sentar-me ao seu lado e senti a minha barriga a remexer-se, fazendo depois um suave ruído. Olhei para Charlotte, que exibia um sorriso de gozo. É claro que ela tinha ouvido.

- Há quanto tempo é que não comes? – Perguntou.

- Desde o jantar…

- Óptimo, está na hora do pequeno-almoço. Eu consigo cheirar comida na cozinha. Vai comer.

Ia dizer que não era preciso, porque não verdade não queria parar a minha linha de raciocínio que não me estava a levar a lado nenhum, mas o meu estômago pronunciou-se uma vez mais e tive que fazer o que ela me tinha dito.

Dirigi-me à cozinha e preparei uma sandes de queijo e fiambre, com um leite com chocolate. Agarrei no meu pequeno-almoço e voltei para ao pé de Charlotte.

- Uau, gostas mesmo de mim – disse-me ela – Quase que foste e vieste a correr para não te afastares de mim.

- Que graça – murmurei, sem humor.

Depois de comer, voltámos ao silêncio em que estávamos antes de a minha barriga fazer a sua intromissão.

Estava farta de pensar e de não chegar a lado nenhum. Estava ficar frustrada comigo mesma por agora que tinha escapado, não fazer ideia de onde eles poderiam estar ou o que fazer a seguir.

E Charlotte, diga-se de passagem, dava tanta ajuda quanto uma estátua.

Bocejei involuntariamente, mas ignorei, tal com Charlotte. Porém, após sete bocejos e uma enorme vontade de fechar os olhos, Charlotte, que já me tinha deitado uns olhares umas quantas vezes, suspirou.

- Porque é que não vais dormir? – Perguntou-me.

- Não quero – afirmei – Quero arranjar um plano, encontrá-los e voltar a tê-los comigo.

- E não consegues fazer nada disso se estiveres exausta. Acredita, já cá estou há anos suficientes para ser inteligente a este ponto. Toma um banho, vai descansar… seja como for não podemos fazer nada agora durante o dia, eu não posso sair com o sol.

Custava admitir, mas ela tinha razão. Enquanto o sol reinasse no céu, não poderíamos fazer nada. E eu estava mesmo a precisar de descansar. E de um banho…

- Tudo bem – disse-lhe.

- Bons sonhos – murmurou, com uma voz de gozo.

Levantei-me e dirigi-me ao andar de cima, a uma das casas de banho. Deixei a água a correr para a banheira enquanto aquecia um pouco, porque mesmo no Verão não gosto de tomar banho de água gelada, e tirei duas toalhas – uma para o corpo e outra para o cabelo –, do enorme roupeiro de portas de correr que está encostado à parede.

Tirei a minha roupa e entrei para a banheira, enquanto deixava que a água do duche me caísse directamente para a cara. Sabia que cansada como estava, nem isto me ia espertar.

Era bom que à medida que a água passasse pelo meu corpo levasse também a tristeza e saudade… mas não, essas e mais algumas emoções permaneciam muito coladinhas ao meu coração.

Quando saí da banheira embrulhei-me na toalha maior e pus a mais pequena no cabelo. Saí da casa de banho e estaquei ao entrar no quarto de Derek. Ao ver tudo tal e qual a como estava habituada, tudo nos sítios menos uma coisa. A coisa mais importante. Ele.

Entre um misto de melancolia e velhas recordações, arrastei-me até ao roupeiro e procurei alguma roupa interior que tinha lá deixado da última vez que tinha passado a noite na sua casa. Depois de a encontrar e de a vesti, e abri a sua parte do armário – sim, porque ele tinha feito questão de o dividir, para que eu começasse a levar para lá as minhas coisas, apesar de eu dizer que não podia deixar os meus irmãos sozinhos. Isso para ele foi fácil de resolver: eles também se mudavam para lá.

Assim que deslizei as portas do roupeiro abrindo o seu lado, um cheirinho totalmente característico dele invadiu-me de cima a baixo.

Vesti uma camisa sua, branca com umas riscas azuis, e senti-me logo melhor só por quase o sentir junto a mim. Claro que era uma ilusão, o verdadeiro Derek não estava nem perto, segundo o olfacto de Charlotte, mas mesmo assim… só de sentir o seu cheiro e estar no mesmo lugar em que estive tantas outras vezes na sua companhia, dava-me uma pontinha de esperança.

Eu ia encontrá-lo. Ia encontrá-los a todos.

Fui descalça até à casa de banho onde tirei a toalha do cabelo e o penteei, com um dos muitos pentes de Verónica, e deixei-o seco.

Voltei para o quarto e deixei-me cair na cama que outrora Derek tinha comprado de propósito para mim, quando Aisaec me tinha invadido a casa ainda sem eu saber e os Thompson acharam melhor virmos todos para aqui por segurança.

Apertei a almofada que lá estava em cima, e deixei-me ficar assim, a relaxar.

Lembrei-me de Charlotte lá em baixo, e também o quão fácil seria para ela matar-me assim que adormecesse, mas para minha surpresa não tive medo. Não achava que ela me fosse tentar magoar desta vez, e quer quisesse quer não, era ela a única pessoa com quem podia contar.

Poucos minutos depois de várias discussões interiores, o sono finalmente tomou controlo de mim e adormeci por completo.

 

 

O que é que acharam?

Fantasminhas e etc, toca

a deixar opiniões, sim?

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