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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 30.01.11

Que bom, consegui os oito comentários! :D

(e isto sem contar com a avó e com o gato da annie xD)

Sim, porque descobri que o gato dela mia quando ela lê xD

Enfim... Prontos para descobrir então o que se passou?

 

Capítulo 15

Explicações

 

***

 

Sentia-me a cair, a afundar numa grande neblina de preto, que não me deixava ver nem a mim. Senti-me atordoada e depois um grande zumbido nos ouvidos, e em seguida a minha pele a queimar cada vez mais.

Era horrível, era como se me estivessem a tocar com tochas de fogo, deixando as chamas pegarem-se ao meu corpo, apagando-as segundos depois e depois recomeçando tudo de novo.

Um grito formou-se na minha garganta, que arranhava e ardia mais que nunca, mas não saiu. Não me sentia com forças para o fazer sair.

Sentia-me cada vez mais fraca, cada vez a afundar mais, e a ser cada vez mais queimada. Era uma sensação horrível sem explicação que não desejo a absolutamente ninguém.

E então parou.

Consegui recuperar um pouco e voltar a ter os sentidos básicos, tais como a audição e o olfacto, pois os meus olhos encontravam-se fechados e tinha pavor de os abrir, pavor de ver fosse o que fosse que estivesse à minha frente.

Ouvi passos a afastarem-se e a porta a fechar, mas o mais surpreendente foi ter ainda conseguido ouvir os passos por bastante tempo.

Agora que a dor já quase se extinguira, conseguia concentrar-me melhor e ouvir também respirações, enquanto captava odores, todos eles diferentes, e todos eles maravilhosos. Havia dois que pareciam melhores que os outros. Três que sobressaíam de entre os cinco que sentia. Sim, já os conseguia identificar como cinco odores diferentes. Não sei o que fazia destes dois melhores, mas sentia ânsia por eles, era como se precisasse de seguir o meu instinto e agarrar aqueles dois odores tão diferentes um do outro mas tão cativantes para mim da mesma maneira. Como se a minha sobrevivência dependesse disso.

- Estás bem? – Ouvi, ficando logo em pele de galinha.

Eu conhecia esta voz. Não a ouvia há demasiado tempo, mas conhecia-a e bem. Verónica.

Abri os olhos nesse momento, sem sequer me voltar a preocupar com o que me poderia deparar ao fazê-lo, e a vista que tive comprovou grande parte dos meus medos.

Mexi-me menos de um centímetro e a minha pele queimou de novo, fazendo-me quase soltar um grito de dor.

Verónica e Gary estavam do meu lado esquerdo, Gwen e os meus irmãos do direito.

Uma lágrima caiu pelo meu rosto ao vê-los tão perto de mim… e no entanto tão longe.

Todos nós estávamos acorrentados, e tal como eu, Verónica e Gary também faziam expressões de dor cada vez que se mexiam por um milímetro que fosse.

- Vocês estão bem – murmurei.

Talvez bem não fosse a definição correcta, afinal, se estamos amarrados e presos num sítio qualquer, não estamos bem. Mas mesmo assim, isto era o melhor que tinha visto desde que tinha sido levada para aquele hospital de malucos.

Senti um cheiro quente que acompanhava de novo passos que se dirigiam de novo cá, onde quer que o ‘cá’ fosse.

A porta abriu-se e um odor fabuloso entrou-me pelas narinas fazendo-me arrepiar, mesmo antes sem ver quem o acompanhava.

Aisaec.

Neste momento soube que estava a sonhar. Tinha que estar a sonhar, afinal, não há hipótese nenhuma de ele estar vivo.

Ele olhou para mim e sorriu, tirando de trás das suas costas quatro pacotes de sangue, provavelmente roubados do hospital.

Senti um calafrio ao perceber que tinha ficado vidrada naquele líquido vermelho, e que era dele que me vinha o odor tão fantástico que pairava no ar fechado desta sala, que mais parece uma cave ou uma arrecadação.

Aisaec sorriu e eu contraí-me para não começar a tremer desalmadamente. Isso seria horrível, especialmente visto que as correntes me queimam tudo e mais alguma coisa. Mas como?

Ele metia-me medo. Lembrava-me perfeitamente de quando matou o meu pai… mas também da sua expressão quando lhe espetei com a agulha cheia de água benta, possibilitando a Derek e aos irmãos matarem-no.

- Estás com sede? – Perguntou, a olhar para mim.

Eu? Com sede? De sangue? Isso é ridículo, eu não sou vampira. Ainda. Ainda não sou vampira.

Mas para minha grande surpresa, a minha garganta voltou a dar sinais de ardor, o que me fez sentir tudo menos confortável.

Olhei para os meus amigos e família, e pensei onde raios estaria Derek. E porque é que não estaria aqui.

- Derek… Derek… Derek… - murmurou Aisaec – Pensavas que te ias safar por teres morto a minha amada… - morto a amada? Mas que amada? Ai, não estou a gostar nada disto.

E porque é que ele está a dizer isto ao olhar para mim?

Vi por trás dele um espelho meio partido e vi lá o reflexo de Derek. Deixei sair uma exclamação de espanto. O Derek estava aqui. Eu é que não. Eu era ele. Estava no seu corpo.

- Do que é que estás a falar? – Perguntei, a Aisaec.

- Tu nunca sairias impune – disse ele, com a pior voz que já o ouvi falar – E agora podes passar a eternidade com remorsos de não teres conseguido salvar quem amavas. Ela vai sofrer, vai sofrer muito.

Eu vou sofrer? Quer dizer, eu Chloe, não eu Derek. Porquê? O que é que tudo isto tem a ver comigo? Foi por isto que não me foram salvar, que não me foram resgatar do hospício? Porque estavam aqui presos, todos eles?

Mas isso não faz sentido. Nada disto faz sentido.

Porquê aprisionarem-me num hospital psiquiátrico e prenderem-nos a eles aqui? E aos meus irmãos também, que são inocentes de tudo e mesmo que quisessem, não conseguiam mudar nada de nada nem interferir nos planos de seja quem for que fez isto tudo. Sim, porque Aisaec é impossível, ele está morto. Se bem que quando o vejo assim tão perto esqueço-me completamente disso e começo a tremer por todos os lados.

Mas porquê agora a súbita necessidade de me fazer acreditar que a minha vida nunca tinha existido?

- Porquê? – Perguntei – Do que é que não vou sair impune?

- Como te atreves?! – Agora o seu tom saiu-lhe autoritário demais e eu tremi, fazendo com que as correntes me queimassem a pele com uma intensidade imensa, fazendo-me soltar um grito, que para minha admiração, saiu mais parecido a um rugido. Um sorriso voltou a aparecer nos seus lábios ao ver que eu sofria – Tu… mataste… a pessoa que eu amo.

- O quê?! – Perguntei.

Mas de repente tudo ficou escuro como se as luzes tivessem sido apagadas de repente e senti-me mais leve que uma pluma.

E com a mesma velocidade com que desapareceu, a claridade regressou, obrigando-me a fechar os olhos devido ao choque.

Quando já os consegui abrir, vi que já era eu. Pelo menos devia ser eu, pois já tinha o meu cabelo comprido cor de avelã e roupa de rapariga – umas calças de ganga justas e um top violeta.

Vi que estava numa espécie de hospital, mas suspirei de alívio ao perceber que não era o de malucos lá de Helena.

As enfermeiras andavam malucas de um lado para o outro, e eu estava no que parecia ser a sala de espera. Os médicos também pareciam bastante atarefados, cheios de pastas e a correr para todos os lados.

Cheguei-me ao pé do balcão de atendimento e esperei que a enfermeira desligasse o telefone para começar a falar.

- Desculpe – pedi –, que hospital é este?

Ela não me respondeu, apenas limitou-se a mexer nuns papéis como se eu nem sequer estivesse à sua frente.

Esta é uma das coisas que detesto nos meus sonhos. Porque é que nunca ninguém me pode simplesmente dizer o que quero? Porque é que tem sempre tudo que ser um grande enigma?

Vi em cima do balcão uma ficha com o meu nome nela, e um número qualquer.

Um homem negro, com uma bata de médico aproximou-se e agarrou nela, começando a caminhar em seguida.

Corri até acompanhar o seu passo, afinal, se ele levava a ficha com o meu nome eu tinha que descobrir o que se passava.

Ele desceu vários lances de escadas, comigo sempre a segui-lo, e chegou a uma porta onde tinha escrito “Morgue” por cima.

Um arrepio subiu-me pela espinha acima.

- Eu não posso estar a sonhar outra vez com isto – murmurei.

Não posso estar a sonhar com a minha morte de novo. Não posso. Não devia. Qualquer dia enlouqueço de vez por causa destes sonhos.

Ele abriu a porta e eu esgueirei-me lá para dentro, como se fosse a sua sombra. Por cima de uma mesa do que parecia ser metal, vi o meu corpo apenas tapado por um fino lençol de um tom azul pálido.

Engoli em seco e um nó instalou-se na minha barriga.

O médico aproximou-se de outro homem que estava a examinar o meu corpo, um que suponho que seja médico legista, e entregou-lhe a minha ficha.

- É trágico – disse o médico legista.

- Pois é – concordou o outro.

Era tal e qual como assistir CSI, mas a vítima era eu, e eles não eram polícias. E bem, isto é real e não uma série de televisão.

Mas talvez isto fosse uma coisa boa, talvez agora pudesse descobrir o que me levou a sonhar com o meu funeral.

- Não compreendo como alguém pode fazer uma coisa assim – desabafou o médico legista.

“Quem?”, queria perguntar, “Quem é que me fez isto?”. Mas sabia que era escusado. Sabia que não me iriam ouvir, e que a frustração que iria sentir depois disso ainda ia ser pior do que o esforço que tinha que fazer para ficar calada.

- É uma maldade terrível – concordou o médico.

Ai que raiva, isto era tortura!

- Ela nunca teve uma chance, pois não? – Perguntou ele.

- Não. O pescoço foi torcido com bastante força ela… morreu instantaneamente – disse o médico legista.

Óptimo… não são algumas pessoas que dizem que gostavam de saber como vão morrer? Eu acabei de obter a minha resposta sem nunca ter feito a pergunta.

- Não apanharam quem fez isto, pois não? – A pergunta desta vez veio da boca do médico legista.

- Não… mas só pode ser um monstro autêntico – tremi ao ouvir estas palavras. “Monstro autêntico”… talvez tivesse sido morta por um vampiro. Ou fosse ser morta por um. Talvez… talvez ele não estivesse errado e fosse um monstro a acabar com a minha vida.

Mas quem? Todos os vampiros que conheço que não sejam bons, à excepção de Charlotte, estão mortos, e se Derek confiou nela o suficiente para me deixar à sua guarda, então não pode ser ela. Não é ela.

- O que vais dizer à família? – Perguntou o médico legista.

- Eles viram tudo – disse o outro – A irmã está neste momento a falar com a psicóloga, enquanto o irmão está com o resto dos amigos, que também viram tudo. Estão inconsoláveis, claramente.

Deu-me um aperto no coração ao pensar pela primeira vez no que poderia acontecer aos meus amigos, à minha família, se eu realmente morresse.

Decidi sair deste espaço que me deixava sem oxigénio, por isso abri a porta e à minha frente seguia um longo corredor. Eu já o conhecia bem, infelizmente.

Olhei para a minha roupa, e verifiquei exactamente o que esperava que fosse mentira: tinha umas calças brancas e um top da mesma cor, e sentia o meu cabelo preso num rabo-de-cavalo.

Tive que repetir várias vezes mentalmente que isto era apenas um sonho, que eu não tinha voltado para o hospício, e só depois de me convencer totalmente disso é que comecei a caminhar até ao extremo do corredor.

Vi uma maçã no chão e ouvi um riso em seguida. Não era um riso daqueles que os bebés fazem que deixam as pessoas derretidas. E também não era daqueles que os vilões fazem nos filmes a indicar que são maléficos. Não. Este riso estava no intermédio dos dois. Era ao mesmo tempo querido e fofinho, e maléfico e sedento. E arrepiava-me.

Estava mesmo ao pé das escadas, e do nada, a maçã moveu-se e começou a cair por elas abaixo. Não sei porquê, mas senti uma grande necessidade de a seguir.

Lembrava-me claramente de isto ter acontecido quando estava aqui fechada.

Desci as escadas atrás da maçã e quando cheguei ao rés-do-chão ela continuou a descer, porém eu parei. Era estranho isto estar tão quieto, não havia gritos, não havia risos nem pessoas a tentarem fugir ou simplesmente a querer brincadeira. Ficava ainda mais sinistro vazio do que cheio de doentes mentais.

Voltei-me para a escadaria por onde a maçã já tinha acabado de descer e comecei também eu a percorrer os poucos degraus. Quando acabei, vi que a maçã estava mesmo encostada àquela porta que me tinha feito impressão, mas não curiosidade suficiente para investigar melhor. Bem, não haveria melhor altura que esta.

Abri a porta com esforço porque se encontrava bastante enferrujada, e nem a consegui abrir completamente, tive que me apertar para passar pelo pequeno estreito que consegui arranjar.

Estava bastante escuro, e a única luz que conseguia penetrar neste espaço era a que vinha de trás de mim, do outro lado da porta talvez um quarto aberta.

Respirei fundo e dei um passo em frente, mas não senti chão por isso o meu corpo foi todo atrás do pé, fazendo-me iniciar uma queda livre que iria dar a qualquer sítio que provavelmente não era agradável.

 

***

 

Abri os olhos e dei um solavanco ainda com a impressão de que ia a cair. Mas não. Estava tudo bem, estava de volta ao quarto de Derek, de volta à realidade.

Voltei-me na cama e soltei um guincho ao assustar-me com Charlotte, que me observava de uma maneira no mínimo estranha.

- Raios Charlotte! – Reclamei.

- Estás bem? – Perguntou.

- Não. Que horas são?

- Quase sete. Tiveste um pesadelo? O Derek mencionou que às vezes tinhas sonhos que previam o futuro. Foi um desses?

- Charlotte…

- Se queres que te ajude tens que confiar em mim e contar-me. Eu sei que te tentei matar no passado, e que nunca fui boa pessoa nem faço intenções de o ser, mas cumpro a minha palavra. E dei-a ao Derek ao dizer que te protegia.

O seu discurso incrivelmente bem preparado foi interrompido por um ronco da minha barriga, a indicar que tinha fome.

Ela revirou os olhos mas tentou disfarçar com um sorriso.

- Veste-te, eu vou-te fazer o pequeno-almoço – disse-me – Despacha-te, tens que me contar tudo.

- Espera – pedi – Porque é que me estás a ajudar?

Ela revirou os olhos de novo e aproximou-se da cama.

- Não estou – disse – Estou-me a ajudar a mim. Não penses que tenho qualquer tipo de simpatia por ti, porque não é verdade. Salvei-te a vida e salvaste-me a minha e acabava aí. Mas sei que se me recusasse a ajudar-te, os Thompson viriam atrás de mim e culpar-me-iam da tua eventual morte. E essa é a última coisa que quero que aconteça. Agora despacha-te, quanto mais depressa os encontrarmos mais depressa me vejo livre disto.

E num piscar de olhos já estava outra vez sozinha no quarto.

Fiz o que me tinha dito e quando me despachei desci as escadas e ela passou-me uma tigela com cereais para as mãos. Óptimo, cereais às sete da noite… bem, acho que podia ser pior.

Enquanto comia sentada no sofá da sala, ia-lhe contando sobre o meu sonho, a tentar não escapar nenhum detalhe. Ela ouviu tudo em silêncio, e depois começou a disparatar ideias para o desvendar, cada uma pior que a outra.

Mas pior que isso, era que as ideias vindas de mim também não faziam qualquer sentido.

Não conseguia perceber como podia estar no corpo de Derek e onde eles estavam presos. Não conseguia entender o que é que eles estarem presos tinha a ver com a minha morte, se depois segundo o médico estavam já todos juntos e bem de saúde. E não percebo aquela porta no manicómio.

Tinha que haver qualquer coisa que se destacasse… mas que no entanto me estivesse a escapar completamente ao lado.

Aisaec, no sonho, dissera-me que tinha morto o amor da sua vida, e por isso o amor da minha vida teria que sofrer. Mas… nós nunca matámos nenhuma vampira. Nunca acabámos com a vida de alguém que tivesse alguma relação com Aisaec.

Nada fazia sentido.

Acabei a última colherada de cereais e pousei a tigela na mesa de vidro em frente ao sofá, enquanto olhava para Charlotte que andava de um lado para o outro inquieta enquanto pensava.

E então, se súbito, sem qualquer esforço da minha parte, todas as peças do puzzle se encaixaram, apesar de não gostar do resultado final.

- Charlotte – chamei, fazendo-a olhar para mim –, eu acho que descobri tudo.

- Fala – mandou.

- No princípio sonho eu não era eu, era o Derek. Era a pessoa que amo. E se o Aisaec não fosse o Aisaec mas sim a pessoa que o ama? E se é essa pessoa que quer vingar a sua morte fazendo-nos sofrer? Assim essa pessoa tinha-os apanhado, aprisionado e posto-me no manicómio. E eles nunca estiveram longe.

- Como assim? – Perguntou, agora confusa.

- Eles estiveram lá a toda a hora, atrás de uma porta na cave. Charlotte, eles nunca se foram embora!

- E quem seria a suposta pessoa que fez isso?

- Charlotte… essa pessoa… essa pessoa é a pior pessoa que alguma vez conheci em toda a minha vida. A pior mentirosa, a mais cobarde. A mais egoísta…

- Quem Chloe?!

- A minha mãe.

Na sua cara reinou o choque, e eu contive-me muito bem para não me desfazer e começar a berrar de raiva pela mãe que tinha.

 

Que tal? Eu sei que isto da mãe é um bocado extremo,

mas ela também nunca foi boa, né?

Esperavam, não esperavam?

Deixem comentários ^^

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