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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 25.09.10

E uma vez mais... espero que gostem ;)

Bjs

 

Capítulo 18

Perigos do Bosque

 

Tal como eu pensava, Dylan não acreditou em nada do que viu no cemitério e continuou a tentar arranjar explicações, sendo a preferida dele, a droga. Ele procurou durante vário tempo pelo frasquinho, que segundo ele, lhe desapareceu misteriosamente das mãos.

Não falou nada disto ao pé de Abby, ainda bem.

De manhã ainda estava a tentar arranjar explicações, e eu ainda não percebi bem do que é que ele se lembra.

Eu ia falar com Derek, mas ele não foi à primeira aula, por isso não tive oportunidade de lhe falar do sangue de vampiro que o traficante deu ao meu irmão.

Quando a aula acabou e tocou para o intervalo, ao dirigir-me ao exterior da escola, esbarrei em Gwen, que quase me incinerou com o olhar.

- Mas tu és maluca?! – Oh não, Gwen… eu esqueci-me de lhe telefonar a dizer que estava bem e viva…

- Gwen, eu peço imensas desculpas, eu esqueci-me completamente de te telefonar…

- Tu foste sozinha?! E se ele te matasse? E se levasses um tiro?! – Depois deve ter reparado no curativo no meu braço direito – Oh meu Deus! Levaste um tiro?!

- O quê? Não!

- Então como é que fizeste isso?

Eu não posso dizer que fui atirada ao ar por um vampiro…

- Eu caí… das escadas.

- É verdade? Não aconteceu nada com o traficante? Não sei se acredito, tu andas a cair das escadas demasiadas vezes…

- Sim, é verdade. Não aconteceu nada de especial, eu cheguei e telefonei para a polícia – que deve ter pensado que gozei com eles, porque quando chegaram já não estava lá ninguém – e depois o Derek chegou e depois agarrámos no Dylan e trouxemo-lo para casa.

- Hum… tiveste sorte, foi o que foi – concordo plenamente.

- Eu sei. Desculpa por te ter preocupado… a sério.

- Qualquer dia dás-me um ataque cardíaco – puxou-me para ela a abraçou-me.

Enquanto estava abraçada a ela vi Derek a sair para o exterior da escola e lembrei-me que tinha mesmo que falar com ele.

- Tenho que ir, até já – disse, largando Gwen e começando a correr pelo corredor atrás de Derek.

Ele saiu e quando eu passei pela porta já não o vi. “Se ele usou a velocidade vampiresca bem posso esquecer”, pensei.

Olhei em volta e o meu olhar parou no bosque. Ele não ia usar a velocidade em frente aos alunos que aqui estão, por isso, e para eu não o ver, só podia ter ido para lá.

Desci as escadas e caminhei até à entrada do bosque. Eu tenho meia hora até à próxima aula, só tenho que o encontrar, falar com ele e depois voltar.

Entrei no bosque e comecei a andar de um lado para o outro, mas não o encontrei e acabei por desistir. Quando cheguei à sala, ele estava sentado no lugar dele, aproximei-me. Só cá estávamos nós.

- O que é que foste fazer ao bosque? – Perguntou-me.

- Eu fui… como é que sabes isso?

Vi pela cara dele que tinha sido apanhado desprevenido.

- Eu… eu…

- Vampiros agora são gagos, é? – Ele ficou a olhar para mim sem saber o que dizer – Tu seguiste-me, não seguiste? Depois de eu ontem te ter explicitamente pedido para não o fazeres, tu seguiste-me na mesma.

- Só para me certificar que não te acontecia nada…

- Seguiste-me a manhã toda? Mas não estavas na aula.

- Mas estava a observar. Eu quero manter-te em segurança e…

- Pára com isso! Derek, muito obrigado por me teres salvado a vida, mas eu não gosto que me sigam para todo o lado. Tu sabes isso.

- Eu sei mas…

- Nada de “mas”. Se eu precisar de alguma coisa eu telefono-te, ok? Pára de me seguir.

Vi dois colegas nossos entrarem e fui-me sentar no meu lugar.

Acabei por não falar com Derek sobre o sangue de vampiro, mas tempo não falta.

Abby hoje vem de boleia com a mãe de uma colega, por isso assim que as aulas acabaram dirigi-me a casa.

Fiz os trabalhos de casa em cima da cama e quando Abby chegou foi-me dar um beijo ao quarto.

- Como foi a escola? – Perguntei-lhe, depois de ela me dar o beijo.

- Foi boa. Oh, é verdade, eu acho que o Derek gosta de ti – e começou a sorrir como se não houvesse amanhã.

- Porque é que dizes isso? – Por favor que a resposta não seja a que estou a pensar.

- Porque ele está lá fora a olhar para a casa mas pediu-me para não te dizer – e encolheu os ombros – Tu gostas dele?

- Neste momento? Nada mesmo – levantei-me e dirigi-me ao andar de baixo, abri a porta da rua e vi-o em pé, do outro lado da estrada, a olhar para a casa.

- A isto chama-se perseguição, sabias? – Isto tem mesmo que parar, eu preciso de paz, sossego, e especialmente privacidade.

- Preferias homicídio? Porque é isso que pode acontecer se eu me for embora – o tom sarcástico não lhe fica nada bem agora.

Atravessou a estrada e parou à minha frente.

- Derek, por favor, vai-te embora.

- Não posso fazer isso. Desculpa, mas não te vou deixar morrer por teimosia.

- Derek vai-te embora! – Agora já não era pedido nenhum.

- Não.

- Porque é que não consegues deixar-me em paz?!

- Estou a tentar impedir que te matem, sabias?!

- Então pára! É muito improvável que ele venha à minha procura, eu não significo nada para ele – não é exactamente verdade, mas vale tudo – por isso por favor deixa-me em paz. É preciso implorar?

- Eu vou, por agora – e já não estava à minha frente.

Pois sim, no momento em que entrar em casa ele volta. Depois do jantar fui para o quarto, sentei-me na cadeira da secretária e fui fazer uma pesquisa para um trabalho de Biologia que tenho que fazer. Quando acabei abri a gaveta da secretária e tirei de lá o pequeno frasquinho com o sangue de vampiro e fiquei a olhar para ele por momentos. Porquê dar sangue de vampiro como droga a humanos?

Fui dormir cedo, sentia-me exausta apesar de o dia até ter sido calmo. Se Derek me vigiou, ao menos deu-se ao trabalho de se esconder bem porque não o vi mais vez nenhuma.

Passei a manhã inteira à procura dele, mas não o consegui encontrar. À hora do almoço também não estava no refeitório, por isso fui até à mesa onde Gary e Verónica estavam para lhes perguntar onde é que o podia encontrar.

- Olá – disse eu.

- Olá, é verdade, como é que estás? Eu era para te perguntar ontem mas esqueci-me – disse Verónica, um bocadinho envergonhada.

- Como é que estou? Porque é que…

- Por causa do… traficante – elucidou Gary.

- Ahh, isso. Estou bem, não se preocupem. Sabem onde é que está o Derek?

- Não – Uau, este não foi demasiado rápido. Das duas uma, ou está a mentir, que é o mais certo, ou então por ser vampiro pensou em tudo numa questão de dois segundos.

- Eu também não – disse Verónica.

- Ok, obrigado.

Voltei para o meu lugar e acabei de almoçar. A minha professora de Psicologia faltou, por isso já não tinha que cá ficar.

Enquanto me dirigi ao carro olhei para o bosque e pareceu-me ver um vulto a passar por entre as árvores, mas não tenho a certeza…

- De qualquer maneira tinha que fazer tempo para ir buscar a Abby… - pensei, em voz alta.

Mudei de rumo e entrei no bosque. Andei durante talvez dez minutos e já estava bem infiltrada no bosque quando ouvi passos atrás de mim. Virei-me de repente e não vi ninguém. “Acho que estou a ficar paranóica de mais…”. É procurar Derek, achá-lo e depois sair daqui, é simples.

Continuei a andar e desta vez ouvi um galho a partir-se do meu lado direito. Ok, eu não alucinei, este som foi real. Gelei completamente e virei a cabeça lentamente para ver o que era. Também não vi nada. Dei uma volta completa e observei tudo o que os meus olhos me permitiam, e mesmo assim não consegui ter imagem nenhuma que não fosse árvores, arbustos, flores. Resumindo, não consegui ver ninguém ou nenhum animal. Então senti uma brisa direita às minhas costas e virei-me de repente porque hoje ainda não tinha havido uma única brisa. Nada outra vez.

- Ok, eu sei que estás aqui… - murmurei, com algum desagrado bem explicito na voz. Se Derek me está a tentar assustar, não tem graça, até porque está a conseguir.

Ouvi um pequeno rugido que parecia de um leão mas mais assustador e voltei-me de novo para trás. Já me tinha voltado tantas vezes que já nem sabia por que lado é que tinha vindo.

Comecei a correr em frente e senti qualquer coisa atrás de mim, não sabia o que era mas calculava. Estava gélida de medo e as minhas pernas continuavam a mover-se o mais rápido que conseguiam.

- Derek! – Gritei. Se ele me anda a vigiar de certeza que me ouviu, mesmo que ainda esteja longe, porque de certeza que o que vampiros não têm é falta de audição.

- Eu vou apanhar-te… - era pouco mais de um sussurro mas parecia vindo da direcção para onde eu estava a ir.

Travei subitamente e voltei para trás. “Derek vá lá, por favor não me digas que me ouviste desta vez e que me deixaste em paz, por favor…”. Continuei a correr em frente e nem sinal de Derek, a única coisa que ouvia era um barulhinho aqui e outro ali de vez em quanto, mas eu sei que ainda não estou safa, sei que ele continua atrás de mim. Ouvi uma curta gargalhada rouca, como se tivesse estado a beber aguardente sem parar durante uma semana, e continuei a correr.

O Derek finalmente deu-me ouvidos e fez o que lhe pedi. Parou de me seguir. Se fosse em qualquer outra situação eu ter-lhe-ia agradecido, mas nesta acho que ouvir-me foi a pior coisa que ele já fez. E eu dizer-lhe para me deixar em paz foi a pior que eu fiz.

As minhas pernas começaram a fraquejar e vi um homem a talvez trinta metros de mim, em cima de um pequeno monte de terra salpicada de relva.

Dei meia volta para recomeçar a fugir mas quando olhei ele já lá estava, à mesma distância, aproximadamente. Tentei ir por todos os lados, mas sempre que me virava ele estava lá.

- Tu fugiste de mim uma vez – disse ele -, não penses que consegues fugir outra vez.

Engoli em seco e agarrei no ramo mais grosso que encontrei no chão. “Um ramo, que ideia gloriosa, é claro que um ramo impede um vampiro de te matar Chloe”, pensei, sarcasticamente.

Agarrei no telemóvel e marquei o número de Derek o mais rápido que consegui e assim que carreguei no botão para chamar, o vampiro veio direito a mim à velocidade toda e mandou-me contra uma árvore. O telemóvel caiu-me não sei para onde.

- Meu, eu odeio mesmo quando fazes isso – reclamei.

Ele apareceu à minha frente. Sim, eu sei quem ele é, e por muito que deteste ter que admitir, Derek estava certo. Era o traficante vampiro.

- Tu consegues perceber o porquê de eu não te poder deixar viver, não consegues? – No tom dele estava puro gozo.

- Oh sim, eu percebo plenamente – E no meu estava sarcasmo -, assim como tu percebes o porquê de eu fugir agora.

Levantei-me e comecei a correr de novo, mas ele meteu-se à minha frente e deu-me um encontrão que me mandou talvez para dez metros atrás. Piquei a mão num ramo afiado e fiquei sentada no chão a tentar ver onde é que ele estava, mas não conseguia.

Senti uns braços levantarem-me de senti estar em andamento a uma grande velocidade.

- Ahh! – Gritei, em pânico. É agora, adeus vida.

- Shh, tem calma, eu vou ajudar – esta voz suave e que nada tinha a ver com a outra ajudou o meu coração a recuperar um ritmo mais normal, embora ainda um pouco acelerado.

Olhei para a cara do meu portador e vi quem já sabia que ia ser, Derek. Afinal ele sempre me achou. Olhei para a frente e o meu coração voltou a disparar. Íamos a uma velocidade à qual não acho possível haver maior, e tal como da primeira vez que Derek me transportou, só via o arvoredo a aproximar-se de mim, mas de uma maneira ou de outra, nunca me tocava. Mas desta vez era ainda mais assustador, não só por estarmos a ser perseguidos mas também porque desta vez eu vou à frente e ele não pode usar as mãos para o que precisar.

Derek começou a diminuir a velocidade e correu a um ritmo humano. Agora já conseguia ver mais que um manto de verde a vir-me directo à cara, conseguia ver que estávamos em cima de uma ponte que nem sabia que existia, e que por baixo havia um pequeno lago com a água muito calma e muito cristalina.

- Ele vem aí – disse Derek -, desculpa.

- Desculpa? Desculpa por quê? Tu salvaste-me… - neste momento senti um grande impulso vindo de baixo e quando dei por mim estava a nadar para voltar para a superfície. Agora percebi o pedido de desculpas… Derek tinha-me mandado para o lago, fazendo ainda com que eu desse um mortal para trás. Com a força com que ele me mandou, se não toquei com os pés no fundo, foi por uma questão de milímetros.

Quando cheguei à superfície nadei para fora do lago, e fiquei encostada aos pés da ponte, a vê-los – ou pelo menos a tentar – lutar.

De um momento para o outro ficaram os dois imóveis, em posição de ataque, a olhar um para o outro a pouco mais de vinte metros de distância, e o traficante olhou para mim.

- Para a próxima – e apareceu-lhe um sorriso endiabrado nos lábios – não vais ter tanta sorte.

Senti o meu coração voltar a disparar enquanto o vi desaparecer de um piscar de olhos para o outro.

Derek relaxou-se e veio ter comigo.

- Estás bem? – Perguntou-me.

Num reflexo rápido, pelo menos para mim, abracei-o.

- Obrigado por me ajudares.

- Sabes… estás-me a molhar todo – e apareceu-lhe um sorriso de gozo nos lábios.

Larguei-o e dei um passo atrás.

- Sabes… para a próxima não me oiças, ok?

- Combinado.

Decidimos sentarmo-nos na relva até eu secar, e ainda faltava uma hora para ter que ir buscar Abby.

- Eu não fazia ideia que isto existia – disse eu, referindo-me ao lago, que reflectia o céu como se fosse um espelho, à nossa frente.

- Sim, descobri-o há quase cinquenta anos – não consegui evitar dar um risinho – O que foi?

- “Há cinquenta anos”, não há muitos adolescentes que podem dizer isso.

- Pois, acho que tens razão. E o lugar é lindo.

- Sim, pois é – comecei a olhar em volta e vi que ao contrário do resto do bosque, aqui, além de árvores e arbustos, havia várias flores, incluindo rosas, lírios e orquídeas, além de malmequeres – É fantástico.

- Apesar de ter nascido em Boston esta é a única cidade em que me sinto em casa, e volto cá a cada dois anos. De todas as vezes que tenho que me ir embora, volto aqui para me despedir – consigo perceber porquê, o sítio é digno de uma paisagem de filme – Sabes… se não tivesses ligado podias ter morrido, mas mesmo assim correste um enorme risco Chloe.

- Oh, raios! O meu telemóvel, temos que o achar.

- Está partido.

- Oh, perfeito. Mas acho que podia ser pior, podia ser eu.

- Exacto.

E então lembrei-me da conversa que tanto precisava de ter com ele.

- Derek, porque é que um vampiro daria do seu sangue a humanos?

- Porque é que perguntas?

- O traficante… ele não deu heroína ou cocaína ao Dylan. Deu-lhe sangue de vampiro. Quando estava prestes a matar-me disse-me.

A cara dele ficou tensa e mostrou um ar bastante preocupado.

- Há vários motivos. Há humanos que gostam porque se sentem invencíveis, apesar de ser mentira, e há outros que pensam que se tornam em alguma coisa especial no tempo em que o têm no sistema. Há humanos que não aguentam bem o sangue, quer seja de humano, de vampiro ou de animal, e esses são os que formam os vampiros mais fracos, se alguma fez forem transformados.

- Hum… faz sentido… - olhei-lhe directamente nos olhos – Tu já me salvaste várias vezes, por isso não te vou mentir. Ele disse-me que quem gostava suficientemente do sangue de vampiro, ele recrutava para se juntar a um grupo de futuros vampiros.

- Como é que sabes isso tudo?

- Ele ia matar-me, por isso comecei a improvisar, a tentar ganhar tempo. Acho que é por isso que ele me quer morta a qualquer custo. Foi por causa dele que os outros drogados da televisão desapareceram. Se eles gostaram e quiseram, juntaram-se ao grupo, e se não, foram mortos.

- Não só mortos. Provavelmente foram o almoço ou o jantar – consegui ver pelo tom de voz que Derek também não estava nada confortável nesta situação.

- As pessoas fazem isso? Grupos para depois se transformarem em vampiros?

- Não que eu alguma vez tenha ouvido, mas não duvido. Eu vou investigar isto, acho que deve haver aqui mais qualquer coisa do que sabemos.

- Ok, acho que fazes bem. É verdade, porque é que faltaste às aulas?

- Isso é preocupação? – E fez um ar vaidoso a mais.

Revirei os olhos e assoprei. O que é que perco?

- Um bocadinho – admiti.

- Tive que ir buscar sangue ao hospital, e estava a manter a distância porque não me querias ao pé de ti. Quando ouvi o telemóvel vim logo a correr. Soube onde estavas pelo barulho de fundo, eu passo tanto tempo aqui que tudo o que ouço daqui é único.

- Não, eu não te queria era a seguir-me.

- E ainda estás chateada por eu o ter feito?

- Não, não estou.

- E por não ter sido completamente sincero em relação ao teu pai?

Pressionei os lábios com força um no outro e depois tentei relaxar-me mais.

- Tu tens sorte, sabias? – Perguntei – Cada vez que fico furiosa contigo, salvas-me a vida.

- E isso é sorte?

- Para ti sim, para mim não. Eu não consigo ficar chateada contigo quando passas a vida inteira a salvar-me.

- Perfeito – e esfregou as mãos, com um sorriso malandro.

- Mas não abuses.

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