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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 31.01.11

Foram 7... mas eu sou boazinha...

 

Capítulo 16

Mulheres de Armas

 

Agora que sabíamos o que realmente se passava tínhamos que fazer algo.

Sabia que não podia deixar os meus amigos e a minha família com a minha mãe e sabe-se lá quem mais. Sabia que os tinha que ir salvar. Mas não estava nada contente com a ideia.

Sim, queria vê-los, queria abraçá-los e senti-los junto a mim, mas algo me dizia que isto não ia correr nada bem.

Não sei que reacção vou ter ao enfrentá-la. Vai ser uma situação no mínimo bizarra.

A nossa relação nunca foi a melhor, aliás, nunca se pôde sequer dizer que tínhamos uma boa relação. A verdade é que eu sempre a odiei. Sempre a detestei por ter fugido quando o meu pai morreu e por me ter deixado com os meus irmãos. Sempre a detestei por ter estragado a minha infância e por me ter feito crescer rápido demais.

Mas alguma vez a imaginei a fazer-me isto? Isso não. Nunca na minha vida pensei que a pessoa que me carregou durante nove meses me fosse fazer passar por uma coisa destas. Já me fez passar por muito, mas esta foi a pior coisa que alguma vez me fez. Foi a pior situação à qual me sujeitou.

Quando Aisaec me contou da sua relação com a mulher-que-me-deu-à-luz, acreditei até certa parte. A parte em que se apaixonaram quando ela era adolescente sim, até porque aconteceu o mesmo comigo; mas a parte em que ela sabia que ele matar o meu pai para ficarem juntos não, também porque Derek me disse que sabia que isso era mentira. Mas será que era mesmo?

Agora olho para trás só consigo ver uma mulher de cabelos loiros, sedenta por vingança, por isso pergunto: será que ela não sabia que Aisaec ia matar o meu pai? Será que não estava a torcer por isso?

Uma parte de mim quer acreditar que não. Mas a outra parte já perdeu completamente a fé por essa mulher.

Mas mesmo assim não consigo deixar de sentir calafrios cada vez que penso nas parecenças que tenho com ela. Fisicamente sou mais parecida com ela que com o meu pai, sempre fui, e descobri no hospício que aparentemente sou boa mentirosa, apensar de me ter apenas moldado à situação, e agora adiciona-se a isso o facto de ambas nos termos apaixonado por vampiros.

Às vezes não consigo parar de evitar pensar que talvez me vá tornar como ela. Quer dizer, ela com dezoito anos não devia ser tão bruxa como é agora, certo? E se mudou apenas mais tarde? E se eu mudar tal como ela?

A minha cadeia de pensamentos deprimentes foi interrompida quando Charlotte entrou na sala com duas bolsas de sangue do hospital e se sentou ao meu lado no sofá a bebê-las como se não fosse nada.

Olhei para ela e tentei que aquilo não me afectasse, mas não consegui porque aquele cheiro a ferrugem vindo do sangue estava-me a começar a incomodar. Sei que quando tinha Derek ao pé, beber sangue para passar uma eternidade com ele parecia um preço baixo a pagar, e ainda parece, porém acho que vai ser complicado pelo menos nos primeiros meses.

- O que foi? – Perguntou-me, olhando para mim directamente desde que tinha começado a sua refeição.

- Nada – menti.

- Sentes-te incomodada – constatou – Sabes… vampiros têm que beber sangue…

- Eu sei Charlotte.

- E tu queres ser vampira. Por isso…

- Eu vou ter que beber sangue – completei.

- Exacto. Aguenta-te.

- Tudo bem, já sabia isso. É só que… - comecei a sentir-me mal disposta, sabia que ia ter que beber sangue mais cedo do que calculava, e isso incomodava-me um bocadinho.

- É só que o quê? – Insistiu.

- Charlotte… nós temos que os ir salvar. Tipo agora – disse, mudando o tópico da conversa.

- E vamos. É só acabar de me alimentar, tenho que ficar o mais forte possível. Não te preocupes, nós vamos reavê-los.

Ainda não conseguia acreditar que todo aquele tempo estiveram tanto tempo ao pé de mim e nunca dei por nada. Também, primeiro estava vidrada em fugir de lá, e depois comecei a acreditar nas mentiras, não se pode dizer que tenha tido muito tempo livre para perceber alguns sinais que me possam ter mandado. Se é que mandaram, pois eu nunca reparei em nada.

Charlotte acabou de se alimentar e estávamos prontas a sair quando finalmente ganhei coragem para lhe dizer o que tinha que dizer, para fazer um pedido que nunca pensei ter que fazer, muito menos a ela.

Comecei a sentir náuseas ainda antes de abrir a boca para falar, mas não podia recuar, isto era uma coisa que tinha que ser feita para garantir que tudo corresse bem. Era uma coisa essencial, especialmente agora que sei até que ponto a Margaret Simms está disposta a ir.

Não me posso dar ao luxo de ir desprevenida, sem qualquer precaução para que se as coisas correrem da pior maneira, eu ainda consiga sair de lá bem de saúde.

Tinha que fazer este pedido, e sabia que mais tarde ou mais cedo iria acabar por fazer isto, mas nunca foi uma fantasia ou um sonho meu, é apenas uma coisa essencial.

Finalmente deixei que as palavras saíssem pela minha boca, lentamente ainda devido às náuseas pré-prevenção que já sentia, e primeiro a expressão da irmã adoptiva dos Thompson tornou-se completamente desprevenida e apanhada de surpresa, mas depois de poucos segundos voltou ao seu estado normal.

Charlotte forçou-me um sorriso e apesar de se notar que não gostava da ideia, tal e qual como eu, concordou que era uma boa coisa a ser feita. Talvez a única solução sólida, que nos garantia que saíamos todos de lá.

Demorámos um pouco mais do que esperava, a verdade é que não me sentia pronta para tal passo, ainda por cima consciente que provavelmente o que eu mais temia ia acontecer, mas ao fim de poucas tentativas, fomos bem sucedidas.

Saímos então de casa e senti-me ainda mais enjoada, mas Charlotte disse que ia passar em pouco minutos.

Entrámos no meu carro e ela começou a conduzir em direcção a Helena enquanto eu me remexia no banco ao lado do dela. Que boa altura para estar indisposta… realmente só a mim.

Ela conduzia de uma maneira horrível, ainda me conseguiu assustar mais a sua condução do que a de Derek da primeira vez que viajei de carro com ele, logo após nos conhecermos.

Às vezes ia-lhe dando uma olhadela, e ela olhava logo para mim, e eu estremecia por ela não estar a olhar para a estrada. Eu sei que sendo vampira e isso tem aqueles reflexos todos, mas para mim, que ainda não os tenho, faz-me impressão como é que não vão contra os outros carros ou até mesmo contra coisas tão ridículas quanto postes de luz ou árvores.

- Há algum problema? – Perguntou-me, quando olhei para ela pela milionésima vez – Sentes-te pior?

- Não, estou melhor – disse-lhe. Para dizer a verdade, desde que ela começou a carregar no acelerador, nunca mais me lembrei do meu mau estar.

A velocidade começou a diminuir e vi os seus sobrolhos começarem aos poucos a franzirem-se. Ela não estava a parar o carro?

O carro parou segundos depois, com um solavanco, e a começar a deitar fumo, o que formou um barulho que me fez dar um pulo de susto e arregalar os olhos.

- O que é que aconteceu? – Perguntei, mas quando olhei para o lado já não a vi, e quando olhei para a frente já o capô do carro estava levantado e ela inclinada sobre de onde o fumo vinha.

Suspirei uma vez mais, mas há alguma coisa que poderia correr mal e que ainda não correu?!

Saí do carro e pus-me ao lado dela, o que na verdade não servia de nada visto que não sabia nada de mecânica.

- O carro pifou de vez – disse-me ela.

- Tens a certeza? – Perguntei.

- Sim.

- A culpa é tua… puxaste demasiado por ele…

- Desculpa?! Tu é que deves conduzir à avozinha.

- Esquece – murmurei – E agora?

Comecei a olhar para os lados, e mais uma vez me vi sem transporte numa estrada escura onde poucos carros passavam.

- Agora vamos a pé – limitou-se a dizer.

- Perfeito – reclamei –, vamos chegar lá na madrugada… de amanhã.

- És tão optimista! – Exclamou, com um tom totalmente irónico – Eu carrego-te por agora, enquanto não estamos ao pé de mais ninguém.

Sem que tivesse tempo para dizer alguma coisa, ela agarrou em mim e começou a correr pela estrada fora. Já me tinha esquecido de como era sentir-me agarrada por alguém e ser levada a alta velocidade. E tenho que dizer que ser carregada por Charlotte não me faz querer voltar a repetir a experiência, enquanto que com Derek já não me importava, e havia vezes que até chegava a apreciar a viagem.

Deus… sinto tanto a falta dele.

Obriguei-me a parar por aqui. Não podia voltar a pensar nestes assuntos, já estava quase, em breve estaria com ele.

Ela começou a diminuir a velocidade algum tempo depois de ter começado a correr, e pousou-me no chão. Olhei para ela surpreendida, não percebia porque tinha parado.

- Vão passar pessoas – limitou-se a dizer, enquanto caminhava a um passo normal.

- Ok.

Caminhámos durante um pouco e depois passaram dois homens e uma mulher por nós, vinham a andar de bicicleta e nem se importaram por haver duas adolescentes – bem, uma adolescente e uma vampira secular – sozinhas nesta estrada que parecia não acabar.

As pessoas realmente andam a perder a pouca humanidade que têm…

Mas por outro lado e ainda bem que não fizeram perguntas, se insistissem em saber qualquer coisa tenho os meus medos que Charlotte os matasse na hora, por isso até fizeram bem em não se meterem.

Caminhámos normalmente durante um bocado, ambas em silêncio. Acho que não havia nenhum tema sobre o qual falar neste momento. Talvez devêssemos combinar o que faríamos quando chegássemos ao hospício, qual seria o nosso plano para os tirar de lá, mas por outro lado, sempre que fui contra vampiros, as coisas não correram como planeado e fui forçada a improvisar, por isso, para quê fazer planos?

Além disso de certeza que Charlotte vai distrair a minha mãe enquanto eu liberto Derek e os outros, e depois o quê? A minha mãe vai tentar derrubar quatro vampiros, sozinha? Não me parece…

- Obrigada por me ajudares – quebrei o silêncio, já não aguentava mais, estava-se a tornar deveras deprimente.

- Já disseste isso – aparentemente ela preferia continuar com o silêncio de morte do que falar.

Voltei-me a calar e limitei-me a mover as pernas e os pés ao mesmo ritmo que ela. Mas de súbito ela parou e eu parei também logo dois passos à frente – o tempo que o meu cérebro tinha precisado para perceber que tinha que parar de andar –, e vi que ela tinha ficado intrigada por algo.

- O que foi Charlotte? – Perguntei.

- Um jipe – disse-me, com a voz baixa como se não quisesse fazer barulho para que se concentrasse melhor.

- E…?

Ela não teve tempo de responder e comecei a avistar um jipe preto aproximar-se de nós e parou mesmo à nossa frente. O vidro baixou e lá dentro vi um rapaz com o cabelo curto, castanho claro, e umas poucas sardas espalhadas pela face.

Era o empregado que me tinha ajudado a chegar à praça de táxis quando fugi do hospício. O que é que ele estava aqui a fazer?

- Charlotte – cumprimentou.

Agora quem ficou intrigada fui eu. De onde é que eles se conhecem?

Ia precisamente abrir a boca para fazer esta pergunta quando Charlotte começou a falar.

- Como é que vieste aqui parar? – Perguntou ela, rudemente.

- Há quanto tempo… – disse ele. Ele falava em tom de brincadeira, e eu não estava a perceber absolutamente nada.

- Desculpem – interrompi e ambos olharam para mim – Como é que vocês se conhecem?

- Sim, conta-lhe Charlotte – disse o empregado do café, em tom de desafio.

- Tu é melhor calares-te – ameaçou-o ela.

- Vá lá Charlotte… porque é que não lhe contas tudo? – Ele ainda usava o mesmo tom. Será que sabia que ela era uma vampira?

- Ok, parem os dois! – Gritei – Eu quero saber exactamente o que é que se passa e quem tu és!

- Eu costumava ser o namorado da Verónica – disse-me, agora mais calmo. Estagnei completamente. O namorado da Verónica? Supostamente Charlotte tinha-o envenenado quando envenenou Verónica também… e para ele estar aqui então… ela não só o envenenou como também o transformou.

- Ele foi o primeiro humano que transformei – disse-me ela, tomando agora as rédeas da conversa – Depois de o envenenar, e à minha irmãzinha adoptiva, ela recuperou bem, mas ele nem por isso. Pensei que era a oportunidade perfeita de ver se conseguia mesmo tornar alguém num ser como eu.

- Ou resumindo: usou-me como cobaia – interrompeu ele.

- A Verónica sabe disto? – Perguntei.

- Eu tentei encontrá-la – disse ele – Mas…

- Ele é um idiota – Charlotte revirou os olhos e depois prosseguiu – Ele tentou procurá-la e perguntou-me onde a encontrar, mas não teve a coragem de ir ter com ela.

Vi ele direccionar o seu olhar para o volante, indicando que o que Charlotte disse era de facto verdade. Mas mesmo assim quis uma confirmação.

- É verdade? – Perguntei.

- É – disse-me, ainda com os olhos fixos no volante – Antes de a Charlotte nos ter envenenado, eu e a Verónica tivemos uma grande discussão e bem… não acabou da melhor maneira. É claro que a continuava a considerar minha namorada mas… naquela altura simplesmente virei costas sem lhe dizer uma única palavra. Podia ouvi-la a chorar e a implorar que ficasse para falarmos mas… não liguei. E esse foi o pior erro da minha vida porque… uma semana depois estava neste estado. Sabia que não podia estar ao pé dela. Sabia que me ia descontrolar a qualquer momento, por isso decidi partir.

- Durante pouco tempo viajámos juntos – continuou Charlotte –, mas depois ele preferiu continuar sozinho, e bem, eu queria-me divertir à minha maneira.

- Anos depois descobri que também os Thompson se tinham tornado vampiros, e não resisti e tive que a ir ver. Mantive-me a uma distância segura, em que não conseguisse sentir o meu odor nem ver-me, mas que eu a conseguisse ver a ela. Ela continuava perfeita, apesar de usar roupas diferentes, continuava a Verónica pela qual me tinha apaixonado.

- Então porque é que não foste ter com ela? – Perguntei.

- Ela parecia… feliz – encolheu os ombros e olhou para mim directamente, o que me fez baixar o olhar devido à intensidade dos seus olhos, mas depois voltei a elevar os meus e olhei-o directamente. Se ia mostrar esta fraqueza com ele, que não parece querer fazer-me mal, como é que ia enfrentar a minha mãe?!

- Sabes… - murmurei – Nem tudo o que parece é. Desculpa, como é que te chamas?

- Eliah.

- Eliah, eu sou a Chloe – ele riu-se, ainda se lembrava, óbvio – Ouve… a Verónica costumava falar de ti, e de alguma maneira, ela nunca referiu o teu nome. Tu eras sempre “o meu namorado”, como ela te designava. Eu nunca lhe disse isto porque pensava que estavas morto e não queria tocar mais na ferida mas… Eliah, ela não te esqueceu. É impossível. A maneira como ela costumava falar de ti… simplesmente não é possível.

- Eu sabia que a conhecias – disse-me, quando acabei de falar – Foi por isso que me prontifiquei a ajudar e…

- Me fizeste tantas perguntas sobre para onde ia e se alguém ia estar à minha espera – concluí.

- Exacto. Senti o seu odor em ti e… eu só queria saber como ela estava. E depois quando fui a Great Falls, por me teres dito que ias para lá, senti o odor da Charlotte e tenho-vos seguido desde então. Sempre muito atrás… ainda bem que o vosso carro se avariou.

- Ei, era um bom carro! – Defendi – Era velhinho, sim, mas vocês também são!

Soltaram os dois uma gargalhada.

- Eliah, a Verónica e os irmãos estão com problemas – disse Charlotte.

- Pois, já tinha calculado. Entrem, eu dou-vos boleia.

Ambas obedecemos, Charlotte sentou-se ao seu lado, no lugar do pendura, e eu atrás.

Depois de lhe explicarmos tudo o que se tinha passado, enquanto ele conduzia em direcção ao hospício, dava a entender que cada vez mais ele acreditava menos na história.

-… E foi isto – conclui, ao chegar à parte em que o encontrámos.

- E estavam a pensar irem resgatá-los sozinhas? – Perguntou, com uma voz um pouco de gozo.

- Claro – disse Charlotte – Não tínhamos mais ninguém, tivemos que arregaçar as mangas. Mas agora já não temos que nos preocupar, não é? Afinal, já temos alguém que nos ajude.

Charlotte tinha razão, agora ia correr tudo bem. Já não estávamos sozinhas, uma vampira e uma humana, a tentar salvar as grandes razões de eu viver. Agora tínhamos ajuda, por isso agora sim, mais que nunca, tinha razões para acreditar que isto ia ter um final feliz.

 

E é já no próximo capítulo

que ela reecontra o Derek

e o resto dos amigos e os

irmãos ^^

Ansiosos?

Então comentem ;)

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