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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 02.02.11

Finalmente ela vai encontrar os irmãos e os amigos...

Estarão bem?

Haverá alguma surpresa?

Quem é que ajuda a mãe dela?

Porque é que a Abby grita?

Descubram ;)

 

Capítulo 17

O Adeus

 

Eliah estacionou o jipe mesmo em frente ao hospício e senti o meu corpo todo a falhar-me ao olhar para aquele edifício.

Não queria lá entrar. Sabia que tinha que o fazer, e que teria que salvar Derek, mas tinha medo do que poderia acontecer. Tinha medo da minha reacção ao olhar para a cara de Margaret Simms.

Sabia que devia ser mais corajosa, que eles contavam comigo para os ajudar tal como eu contei com eles para me tirarem deste hospício. Mas a diferença é que eu tenho as possibilidades para os ajudar, e só paro porque sou demasiado cobarde.

- Não vens? – Perguntou Charlotte, quando viu que eu estagnei depois de sair do carro.

- Achas que ela está lá? – Fiz o que odeio que me façam: respondi com outra pergunta.

- Está – disse ela.

- Não te preocupes – disse Eliah –, nós vamos proteger-te.

- Ela sabe que aqui estamos – acrescentou Charlotte, o que não me deixou nada tranquila. E se agora que sabe que aqui estamos mata Derek e a minha família e amigos? Não, ela não iria fazer isso. Não iria matar os próprios filhos… iria?

Tomei uma grande golfada de ar e comecei a mexer as pernas, andando atrás deles.

Odiava este cenário, nós, a entrar num hospital de malucos em plena noite.

Charlotte abriu a porta e Eliah fez-me sinal para que entrasse entre eles os dois, talvez para me proteger de qualquer coisa, não sei.

Assim que entrámos, Eliah fechou a porta e acendeu a luz. O hospício encontrava-se totalmente “às moscas”. Era ainda mais sombrio do que ver os malucos todos juntos.

Charlotte pareceu concentrar-se durante um pouco e depois descontraiu e virou-se para mim.

- Lá em cima, o primeiro quarto – disse-me – Tu tens que ir lá e libertar os pacientes.

- Eles estão lá presos? – Sussurrei.

- Porque é que estás a sussurrar? – Perguntou Eliah.

Sim, realmente, porque é que estava a sussurrar? Acho que é o que se faz quando não se quer ser encontrado mas… com um ouvido super potente como os dos vampiros é escusado.

- Esquece – disse-lhe.

- Chloe, concentra-te! Ambos vocês! – Repreendeu Charlotte – Tira-os daqui já. Depois encontra-nos na cave.

- Vão lá sozinhos? – Não gostava desta ideia. Mas ainda gostava menos do facto de ter que ir lá acima completamente sozinha.

- Vai! – Mandou Charlotte.

- Está bem, está bem… - murmurei.

Comecei a andar lentamente até às escadas e pousei a mão no corredor enquanto me inclinava para olhar para cima e sentia outro calafrio percorrer-me a espinha. “Vá lá Chloe, agora não é altura para seres cobarde”, pensei. Já tinha chegado até aqui, logo não ia ser agora que ia desistir.

Subi as escadas lentamente e a olhar para todos os lados, e vi que Charlotte e Eliah já não estavam na entrada, o que não me fez sentir nada segura.

Cheguei ao primeiro andar e ao rodar a maçaneta da primeira porta não aconteceu nada. Estava trancada.

Encostei o ouvido à porta para ver se ouvia qualquer coisa, mas nada. Ora bolas, não queria gritar…

- Olá? – Sussurrei – Está alguém aí preso?

- Chloe? – Perguntaram do outro lado.

- Liz?! – Era ela, de certeza – Estão bem?

- Não… tira-nos daqui!

- Espera um bocado – pedi.

Olhei em volta e pensei no que poderia usar para abrir a porta, mas não havia absolutamente nada. Mas porque é que Charlotte me mandou vir abrir uma porta trancada quando ela a podia facilmente arrombar?!

Lembrei-me de ir ver ao quarto que me fora designado nesta… instituição de apoio às pessoas mentalmente doentes, e corri até lá.

Abri a porta e vasculhei a gaveta da mesa-de-cabeceira sem sequer me preocupar com o misto de emoções que ao voltar a entrar neste quarto senti.

Um gancho foi a única coisa que encontrei. Bem, teria que servir.

Voltei para ao pé da porta e estive a tentar destrancá-la com o gancho durante poucos segundos, até que ouvi um estalinho e rodei o puxador, vendo uma multidão de gente toda presa neste quarto minúsculo.

Alguns conhecia apenas de vista, e passavam por mim enquanto lhes dizia para saírem daqui a correr, e eles obedeciam; outros não fazia a mínima ideia de quem eram, mas dizia-lhes o mesmo; e depois havia Liz, Morris, Donny e Carol, que também lá estavam.

Estes pararam mesmo à minha frente, provavelmente à espera que lhes dissesse algo mais que “corram para a saída”.

- Vocês têm que ir – pedi.

- Para onde? – Perguntou Liz.

Essa era uma boa pergunta. Por muito que me custasse admitir, este sítio era a casa deles, não tinham mais nenhum lugar para onde ir.

- Pois… - murmurei – Vão para o meu quarto, não saiam de lá independentemente do que ouvirem, perceberam?!

- Sim comandante – disse Morris, a sorrir e a encaminhar-se para aquele quarto que outrora fora designado como meu.

- Tu ficas bem? – Perguntou Liz, sorrindo.

- Fico – confirmei.

Ela sorriu-me e abraçou-me, seguindo em seguida com Donny e Carol também para o quarto.

Quando eles saíram, saiu uma outra pessoa do quarto. A última pessoa. O maldito médico que era tão obediente à minha mãe. Parecia meio atordoado.

- Vá lá – disse-lhe –, saia daqui.

Ela assentiu com a cabeça e caminhou à minha frente, calmo demais. Eu fui andado atrás, ainda mais devagar que ele. Não confiava nele, tinha um sexto sentido que me dizia que era melhor precaver-me.

- Então Chloe, o que te fez regressar? – Perguntou.

- Nada de especial – limitei-me a dizer.

Ele parou de repente e virou-se para mim. “Oh não, oh não, oh não”, pensei, ainda antes de ver o que se seguia. Os seus olhos ficaram com os vasos sanguíneos totalmente carregados, e as presas desceram, fazendo-me engolir em seco.

Eu sabia que a minha mãe não podia ter feito isto tudo sozinha. Era impossível.

Não sabia o que fazer, estava completamente petrificada, quando, por trás daquele médico odioso, vi Eliah que se mandou a ele com uma velocidade fascinante, mandando-os aos dois direitos ao chão.

Lutaram e lutaram, e os meus olhos tentavam acompanhar aquilo tudo, mas era demasiado difícil para um par de olhos humanos acompanharem tais movimentos a tamanha velocidade.

- Vai ter com a Charlotte à cave! – Disse-me Eliah, num intervalo entre murros e pontapés, em que se conseguiu afastar do médico por breves momentos.

Fiz o que me mandou sem pestanejar e corri escadas abaixo, os dois lances, até dar com Charlotte em frente à porta meio aberta. Já não parecia molhada, o que era bom, pois agora sabendo a história toda, fazia todo o sentido se fosse água benta.

- Anda lá – disse-me Charlotte.

Entrámos as duas e caminhámos durante pouco tempo, porém fomos dar a uma espécie de túneis completamente húmidos e cheios de canos soltos, que não eram nem de perto nem de longe como o sítio a que eu imaginaria que ia chegar.

Estava-me a sentir cada vez mais ansiosa. Sentia o espaço entre mim e Derek diminuir a cada passo que dava, e não podia desejar mais nada sem ser estar com ele. E com o resto dos meus amigos e os meus irmãos, claro.

- Há mais alguém com ela – disse Charlotte, quando chegámos a uma porta de metal que parecia estar bastante ferrugenta – Outra vampira.

Bem, isso alterava mais um pouco as coisas. Agora já não tínhamos Eliah connosco, mas também… quando criámos o plano originalmente também não tínhamos.

- Devemos esperar? – Perguntei.

- Não – ela estava firme na sua resposta – Já esperámos demasiado, ele já não demora.

Charlotte forçou a porta, que se abriu, e ambas entrámos para uma sala relativamente grande, escura e húmida. Era redonda, e a única porta que tinha era aquela pela qual tínhamos entrado. Mas mal reparei nesses míseros pormenores.

Derek olhava para a porta no preciso segundo em que pisei o chão da sala. Ele sabia que o ia fazer. Os meus olhos ficaram completamente presos aos seus durante poucos segundos e senti uma faísca percorrer-me o corpo todo e o coração acelerar de uma maneira esplêndida. Senti-me como há muito já não me sentia. Finalmente conseguia olhar para ele, e daqui a poucos momentos, esperava conseguir finalmente tocar-lhe.

Depois de dar uma olhadela a todos os reféns, todos eles sentados no chão e com correntes em volta dos pulsos, olhei para a minha mãe e para uma mulher que identifiquei como uma das enfermeiras.

A Margaret permanecia calma, demasiado calma.

Estava um silêncio insuportável, e ninguém parecia dar índices de que ia começar a falar, agir ou fazer outra coisa qualquer, por isso dei um passo em frente, em direcção à mulher-que-me-deu-à-luz.

- O que é que mudou mãe? – Perguntei – A sério.

- Acho… eu finalmente percebi que vocês são o melhor que alguma vez me podia acontecer. Eu quero voltar a ser vossa mãe – Notava-se na sua voz que estava a gozar comigo. Ela estava a apreciar o momento – Eu… fiquei arrependida por tudo o que nunca vos cheguei a fazer, por nunca ter sido realmente vossa mãe, e queria compensar-vos.

Comecei a bater palmas.

- És uma melhor actriz que eu alguma vez pensei – disse-lhe – O que mudou mesmo foste tu. Tu tornaste-te uma vampira.

- Como é que sabes?

- Não sou burra. Felizmente que não te saí a ti nisso. Então como é que é? Eu mato o teu, tu matas o meu?

- Uma coisa dessas.

Ela deu uns poucos passos na minha direcção, mas recuou mal eu senti uma presença ao meu lado e olhei, vendo Eliah.

- O médico já se foi – disse ele, calmamente.

Pelo menos era menos um com o qual nos tínhamos que preocupar.

- Nunca o devias ter morto – disse Margaret Simms, com um rancor na voz que nunca tinha ouvido – Nada disto teria acontecido se tivesses ficado quieta.

- E o quê? – Fui rápida na minha resposta – Deixava-o matar o rapaz que amo tal como matou o pai? Para quê? Para que tu ficasses feliz?

- Chloe, Chloe, Chloe… tu simplesmente não percebes, pois não? – Sorriu cinicamente – Podias ter trazido dez vampiros, e mesmo assim isto tinha o mesmo fim.

Eu sabia isso. Tinha sonhado. Lembrava-me claramente de me ver dentro de um caixão, com toda a gente triste e de luto por mim. Lembro-me de pensar que seria lá posta por Charlotte, mas não. Não desta vez. Charlotte era agora minha aliada, não inimiga. Quem me fez deitar naquele caixão foi a pessoa que mais odiava neste mundo. Que mais me fez sofrer. A minha fingida e odiável mãe.

- Quem é que te transformou? – Perguntei.

- Importa? Já está morto de qualquer maneira… confiava em mim e pobre coitado… bem, antes ele que eu – incrível, até matou o ser que a fez ficar imortal. Ela não tem mesmo qualquer ponta de humanidade.

Mal a vi mandar-se a mim, só sei que num segundo estava de pé e no outro tinha sentido em empurrão e estava sentada no chão encostada à parede, com dores nas costas. Eliah tentava dominar a minha mãe, enquanto que Charlotte lutava com a enfermeira.

- Chloe! – Gritou a irmã adoptiva dos Thompson, mandando-me uma chave sem sequer me dar tempo para reagir.

Apanhei a chave do chão e corri até às correntes que prendiam Verónica, que era quem se encontrava mais perto de mim.

Abri-lhe as correntes e ela levantou-se.

- Eles alimentam-vos? – Perguntei, ao que ela assentiu, segundos antes de desatar a correr.

Libertei em seguida Gary e finalmente cheguei a Derek. Sabia que no momento em que lhe tocasse iria perder a total concentração do que tinha que fazer, por isso esforcei-me ao máximo para me manter focada na minha parte da missão.

- Chloe – murmurou ele, abraçando-me fortemente, já solto.

- Amo-te – sussurrei-lhe, ao ouvido. Sabia que mais de 50% das pessoas nesta sala tinham ouvido, mas não interessava, este momento pertencia-nos apenas a nós – Vai. Lutar agora, matar saudades depois.

Ele levantou-se e deu-me um beijo rápido demais para o meu gosto, mas eu tinha que me manter concentrada no que tinha que fazer.

Libertei os meus irmãos, dando um abraço a cada um, e disse-lhes para ficarem quietos e fora da “zona de combate”.

Simplesmente, e apesar de estar no meio de um combate, não conseguia pôr em palavras as emoções que sentia, a felicidade que sentia.

Finalmente cheguei à minha melhor amiga, e apesar de não se ver nada por fora, sentia que ela estava diferente. Não era uma coisa que conseguisse explicar, era apenas uma coisa que sentia dentro de mim.

- Gwen… - murmurei.

- Sim – confirmou, como se soubesse exactamente o que eu estava a pensar – Foi a tua mãe.

Não conseguia acreditar nisto. A minha mãe teve mesmo a coragem de transformar a minha melhor amiga numa vampira.

Depois de lhe tirar as correntes dos pulsos, ela levantou-me e abraçou-me.

Senti-me bem enquanto envolta nos seus braços. Tive saudades do seu cheiro, a meiguice com que me tratava. Tive saudades de toda ela. Nunca tinha estado tanto tempo longe de Gwen, e não queria voltar a estar.

E o mesmo se referia a Verónica, Gary, Derek e os meus irmãos. Apesar de quando ter conhecido os Thompson os odiar, hoje não sou nada sem eles. Não consigo pensar em mais nada sem ser neles. Não consigo fazer nada sem eles.

Sou independente, sim. Não preciso que façam as coisas comigo.

Preciso apenas de saber que se precisasse, eles estariam comigo para me ajudar. Sempre.

Ouvi um grito estridente de fúria e soltei-me de Gwen instantaneamente, virando-me para trás.

Vi Derek ser mandado contra uma parede e cair. Não me contive. Não consegui. Não pensei e acabei por correr até ele, passando pelo corpo da enfermeira, já sem cabeça, estendido no chão.

Não via por onde ia. Apenas queria chegar a ele.

E então fui agarrada e a terra parou de rodar por breves segundos. Fez-se silêncio enquanto todos me observavam com a maior cautela.

Sentia uma mão fria agarrar-me no pescoço, uma mão forte, e sabia exactamente de quem era.

Afinal, eu sabia como isto ia acabar. Mas também sabia que iria ficar tudo bem. Morreria aqui, hoje, pela mão da minha mãe, mas tudo se iria resolver.

Estava tudo a andar à roda. Não sei se era da adrenalina, mas era como se tivesse acabado de sair de uma montanha russa e não tivesse força nas pernas.

Enquanto sentia as mãos de Margaret no meu pescoço, prontas a virá-lo e a parti-lo a qualquer altura, sentia as gotas de suor a escorrerem pela testa e o corpo todo a tremer. Tinha medo, muito medo.

Medo de que deixasse tudo para trás, apesar de não acreditar muito nisso.

Via Derek aflito, tal como os seus irmãos e os meus, e Gwen, mas depois a visão mudou: parecia estar tudo em câmara lenta.

Não tinha qualquer controlo sobre os meus sentidos, ou andavam a mil à hora, ou praticamente parados.

- Agora – ouvi Margaret dizer – vão todos saber como me senti.

- Não! – Ouvi, antes das mãos de Margaret fazerem força sobre o meu pescoço. Era uma voz estridente que gritava o mais que podia enquanto lágrimas escorriam pela cara. Era a voz da minha irmã. A voz da minha Abigail.

E do nada, estava tudo escuro. Tinha finalmente tudo acabado. Estava morta.

Nem senti Margaret partir-me o pescoço, não senti absolutamente nada. Fiquei à espera da dor excruciante que Derek tanta vez me tinha dito que ia ter. As poucas mas dolorosas horas de tortura, mas nada chegou.

A verdade é que tive tanto tempo para me preparar para a minha nova vida, para fazer as escolhas todas, para ficar com Derek para sempre e para ser ele a transformar-me, que nunca pensei que fosse acabar assim. A minha escolha tinha sido finalmente feita, e não saiu nada do que tinha planeado. Não fui transformada deitada numa cama fofinha, nem por Derek, nem sem ter avisado os meus irmãos previamente. Não. Em vez disso a minha cabeça tinha sido rodada a 360º por uma mulher que nunca mais me vai ser nada.

A única pergunta para este vazio é: onde está a minha tortura estonteante?

 

Comentem, sim? c:

E sabem o que gostava mesmo?

Que os fantasminhas também dissessem qualquer coisa...

E não se preocupem que ainda não acabou...

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