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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 05.02.11

Capítulo 19

Despertar

 

Abri os meus olhos com brusquidão e completamente ofegante, apesar de não me faltar o ar. Estranhei esta sensação, e parei de respirar por segundos. Era verdade, estava ofegante devido ao sonho que acabara de ter, e não da falta de ar. Eu não precisava de respirar.

Levantei-me e em menos de um segundo estava em frente à janela e olhei rapidamente para a cama. Como é que tinha chegado aqui tão depressa?

Olhei pela janela do quarto de Derek para o jardim, e a melhor coisa que vi foi a ausência do sol.

Sentia-me esquisita. Conseguia ouvir o vento a soprar, ainda que muito suavemente; conseguia ouvir os ramos das árvores e as próprias folhas, tudo a bater umas coisas nas outras; ouvia a água da piscina a movimentar-se lentamente devido ao vento; e ouvia um milhão de outras coisas. E tudo ao mesmo tempo.

Como?

Olhei para o reflexo no espelho do quarto e aproximei-me, agora num passo já normal, enquanto observava a minha figura. Tinha as mesmas roupas de quando a minha mãe me torcera o pescoço, mas estava diferente. Sentia-me diferente.

Quase… imbatível.

A minha face era a mesma. Também era o meu corpo. Mas dentro de mim eu sabia. A minha garganta queimava, e eu sabia o que era preciso para que parasse. Sabia o que sempre iria ser preciso.

Os meus pensamentos foram interrompidos ao ouvir um soluço ao longe. Era incrível o alcance que a minha audição tinha.

Deixei que vários odores me invadissem as narinas e demorei um pouco a separá-los a todos. Conseguia cheirar tudo, tal como ouvia, e era no mínimo impressionante.

Conseguia automaticamente ligar os cheiros às pessoas, ou às que conhecia pelo menos, e às coisas, tal como ao orvalho ou ao cloro da piscina.

Conseguia cheirar tudo até uma distância considerada longe, e sabia quem se encontrava no andar de baixo, na sala dos Thompson, e o que fazia.

Não conseguia esperar mais, tinha que os ver. Apesar de os ouvir, de sentir os seus odores, tinha que os ver com os meus próprios olhos para conseguir descansar por completo.

Corri a uma velocidade extraordinária pelas escadas abaixo e parei encostada à parede que dava à sala. Quando fiz a curva, lentamente, deparei-me com todos os vampiros da sala a olhar para mim, como se me esperassem, expectantes. Aliás, eles sabiam que eu vinha, tal como eu sabia que eles aqui estavam.

Verónica observava-me cuidadosa, como se temesse alguma coisa, tal como Gary e Charlotte, porém Gwen estava simplesmente surpreendida e radiante ao mesmo tempo.

Abigail, o meu anjinho, que estava toda encolhida no sofá ainda a soluçar devido a uma vontade de chorar, levantou a cabeça – que se encontrava pousada sobre as pernas –, lentamente, e olhou para mim com uma lágrima a escorrer-lhe.

Também o meu irmão Dylan se encontrava a encarar-me surpreso.

Conseguia ouvir dois corações a baterem plenamente, e cada vez com mais força, e mais estranho, conseguia distingui-los um do outro.

Quis correr para eles e abraçá-los; dizer-lhes que nunca os ia abandonar e que estaria sempre disposta a ajudá-los, mas tive medo de os assustar mais do que já estavam. Tive medo que sentissem medo de mim.

Mas vi uma coisa no rosto de Abby que me fez avançar para eles. Foi uma coisa mínima, uma coisa que provavelmente nem notaria se não fosse agora uma imortal. Um pequeno trejeito com a boca deu-me a parecer que queria que avançasse.

Sorri-lhe, tanto a ela como a Dylan, e dirigi-me a eles, que se levantaram e me abraçaram com toda a força que possuíam. Eu, porém, tive o cuidado de lhes tocar com a mínima força possível. Agora não sabia a imensidade da minha força, a rapidez dos meus reflexos, e por isso não queria arriscar magoá-los.

Durante este abraço a três ouvi os seus corações dispararem ainda mais, e os seus odores invadiram-me de novo as narinas. Eles cheiravam tão bem… era quase irresistível. Parei de respirar com medo de perder o controlo, apesar de não pensar neles como comida, como um alimento. Não, eles são os meus irmãos e nunca pensarei neles de maneira diferente.

Mas que os seus cheiros me cativam, isso sim.

Quando o demorado abraço acabou, recuei um passo e observei-os, tal como eles fizeram, e todos ficámos em silêncio.

Dentro da sala apenas se ouviam as respirações conjuntas das pessoas, e notei que todos nós respirávamos, apesar de mais de 50% de gente desta sala não necessitar. Acho que o Derek tinha razão, são reflexos, hábitos.

Derek… perguntava onde estaria ele. Em que outro lugar poderia estar senão aqui.

Mas não me atrevi a perguntar isto em voz alta. Não ia arriscar arruinar este momento, até que alguém o fez por mim.

- Como é que isto é possível? – Perguntou uma voz por trás de mim, que identifiquei logo com a de Charlotte. O que é que ela quis dizer? É óbvio que tinha passado pelo processo de transformação.

- O que queres dizer? – Perguntei, virando-me agora para ela.

- Chloe tu… - Verónica hesitou antes de continuar – tu não tinhas batimento cardíaco. Nada.

Se o meu coração continuasse a bater, de certeza que neste momento teria parado por breves segundos. Eu não tinha batimento cardíaco?

- E é normal ter-se batimento cardíaco durante a transformação? – Perguntei.

- É – quem me respondeu foi Gary.

Mal ele acabou de falar senti-me agarrada. Abraçada. Sorri ao perceber quem me abraçava.

- Pensava que não abraçavas pessoas – gozei.

- Agora és uma vampira – desculpou-se Charlotte, largando-me – Não sei como é que isto aconteceu, mas surpreendentemente, estou feliz que tenha acontecido. Não estou acostumada a isso…

Uau, Charlotte a abraçar-me. Nunca pensei.

Apesar da felicidade que sentia, tinha várias perguntas em mente, tais como: o que é que aconteceu depois de me ter sido torcido o pescoço? O que aconteceu à Margaret? Quando tempo estive “morta”?

- O que é que aconteceu à Margaret? – Perguntei. As cabeças de todos baixaram simultaneamente, incluindo as dos meus irmãos, o que me fez recear obter uma resposta, mas mesmo assim insisti – Pessoal! Eu quero saber.

- O Derek matou-a – disse Abby, baixinho.

- O Derek matou-a? – Repeti, em tom de pergunta.

O meu Derek? Matou-a?

Não que o culpasse, porque não culpo, mas matou-a em frente a todos? Em frente aos meus irmãos? Aos filhos dela?

- Foi um reflexo – explicou Verónica – Ele queria tirar-te dos braços dela mas ela torceu-te o pescoço e…

- E ele ama-te – interrompeu Charlotte – Eu faria o mesmo.

Voltei a dirigir a minha atenção para os meus irmãos. Tudo bem que Margaret nunca fora nossa mãe, mas eles não podem estar bem depois de a terem visto a ser assassinada, certo?

- Dylan, Abby… - ia eu a dizer, porém o meu irmão levantou a mão como se me pedisse para me calar, e eu obedeci, deixando-o a ele seguir a conversa.

- Nós estamos bem – afirmou. A sua voz saía rouca, talvez por ter estado a chorar – Não porque vimos alguém morrer, mas era isso mesmo que ela era, alguém. Nunca foi nada nosso, percebo isso agora. Desculpa se fui estúpido para ti quando ela vinha à cidade. Desculpa por dizer que não és minha mãe e que ela é que é porque… ela nunca foi minha mãe. Nossa mãe. Tu foste – arrepiei-me ao ouvi-lo dizer estas palavras, mas não o interrompi, queria ouvi-lo até ao fim – Sempre foste mais que nossa mãe. Tomaste conta de mim e da Abby e… eu sei que nem sempre foi fácil, a maior parte devido a mim, mas mesmo assim nunca desististe. E o que senti quando pensei que nunca mais ias acordar… - os seus olhos agora estavam a começar enlagrimados, e eu estava também a ficar um pouco comovida – O que senti não foi nada comparado ao que senti quando vi o Derek matá-la. Nada mesmo. Não senti que tivesse perdido uma mãe, apenas senti que alguém tinha morrido à minha frente.

- Porque não perdeste uma mãe – quem o interrompeu foi Abby –, porque não podemos perder o que nunca tivemos.

Eles tinham razão acerca de algumas coisas, claro, mas mesmo assim uma parte de mim não queria que ficassem a pensar assim. Não queria que vivessem com este desapontamento, esta ideia de nunca terem tido uma mãe. Apesar de ser a realidade.

Aproximei-me deles e olhei-os aos dois, e deixei que se desenhasse um pequeno sorriso nos meus lábios.

- Ela correu atrás dos seus sonhos – disse-lhes –, e infelizmente não fazíamos parte deles. É mau, sim. Mas nunca precisámos dela. Tínhamo-nos uns aos outros. Temo-nos um aos outros.

- Chloe – quem me chamou foi Gwen, e virei-me para ela nesse mesmo instante –, tu tens que falar com o Derek.

- Eu sei – e é tudo o que mais quero neste momento – Onde é que ele está?

- Não sabemos – disse Gary –, ele ficou ao teu lado durante toda a semana e…

- Toda a semana? – Isto saiu-me involuntariamente, e ele assentiu antes de continuar. Não tinha ideia que tinha estado naquele estado por tanto tempo.

- Ele saiu há algumas horas, disse que precisava de estar sozinho. Ele…

- Ele não pensou que fosses acordar – ajudou Verónica. – Mas antes de ires, tens que te alimentar, não podes perder o controlo.

- Posso-me alimentar depois – insisti – Agora o que preciso mesmo é ele. E sei exactamente onde o encontrar.

- Mas… - Verónica ia ripostar, porém Gary mandou-me umas chaves de um carro, e eu apanhei-as com a maior das facilidades, apesar da força e da velocidade com que foram mandadas.

- Leva o meu carro – disse-me ele, sorrindo.

Dei um sorriso aos meus irmãos e a Charlotte, e um abraço a Verónica e a Gary em simultâneo, visto que ainda não lhes tinha dedicado tempo nenhum, e em seguida corri até ao carro de Gary, que se encontrava estacionado à porta.

Cheguei lá em menos de dois segundos, era impressionante a velocidade que conseguia atingir, e mesmo assim não perder o controlo nem embater em nada.

Entrei para o carro e pu-lo a trabalhar logo a seguir. Conduzi até ao portão e quando lá cheguei este já se encontrava aberto. “Como eu os adoro”, pensei.

Agora percebia como Derek e Charlotte conseguiam conduzir tão depressa mesmo sem prestar muita atenção. Era incrível as coisas que ainda conseguia fazer mesmo sem olhar. Todos os meus sentidos estavam ao rubro, e mesmo com os sons dos carros, conseguia ouvir outras coisas, como uns pássaros aqui e ali, pessoas a andar de skate ao longe, e uma imensidade de outras coisas. Esperava enlouquecer com todo este alarido dentro da minha cabeça, mas não. Eu conseguia identificar e “guardar” as coisas, seleccionando apenas aquelas que queria ouvir. Era uma sensação inexplicável.

Conduzi até ao estacionamento do liceu e saí do carro apressadamente. O estacionamento estava completamente deserto, e não havia ninguém por perto, segundo todos os meus sentidos.

Desatei a correr para o bosque, a uma velocidade inimaginável.

Era incrível como a esta velocidade ainda conseguia reparar em pormenores que não conseguia quando andava normalmente. Era estranho como conseguia sentir tudo ao mesmo tempo, ver coisas minúsculas pelas quais nunca tinha notado, como pequenas fendas em algumas árvores, e ainda conseguia ouvir alguns dos bichinhos a tratarem das “suas vidas”. E no meio de tudo, nunca me distraía do meu caminho.

O odor que já sentia ainda dentro do carro começou a intensificar-se indicando que me estava a aproximar dele. De Derek. Finalmente.

Continuei a correr enquanto ia absorvendo aquele cheiro sem qualquer descrição possível, até desviar os últimos ramos de árvores e últimos arbustos.

Poderia ser? Será que finalmente iria estar com ele?

Ele estava virado para mim e os seus olhos verdes esmeralda olhavam-me como se vissem a melhor coisa do mundo, como de certeza que eu o olhava também. Um sorriso desenhou-se no seu rosto e em menos de um segundo estávamos abraçados.

Apesar de ter vindo ter comigo a uma velocidade maior que o normal, pude ver todos os seus movimentos e preparar-me para que quando me abraçasse, o recebia de braços abertos.

Ficámos parados por um pouco, apenas agarrados um ao outro.

Se ainda fosse humana estaria com todas as certezas a deitar lágrimas de felicidade, mas assim não. Como vampira, limito-me a sorrir.

Sabia bem estar de novo nos seus braços, tocar-lhe de novo e sentir-me também tocada por ele. Sabia bem cheirar este seu cheirinho, que apesar de ser diferente para mim agora que me tornei vampira, continua igual. Continua dele.

Constatei que, tal como os irmãos e Gwen, ele não estava frio. Estava à mesma temperatura que eu, coisa à qual não estava nada habituada.

Afastei-me dele com um pouco de esforço e olhei directamente naqueles olhos magníficos, que também me olhavam com desejo, paixão…

Se pudesse, estaria a corar.

Aproximei os meus lábios dos dele e sem demora voltámos a sentir-nos apenas um. Era como se não houvesse nada à volta e só houvéssemos nós. Éramos nós, e depois era tudo o resto. E neste momento nada importava, apenas que estava com ele e ele comigo.

Foi ele quem interrompeu o beijo, para meu grande espanto, e abraçou-me de novo.

- Pensava que nunca mais te iria voltar a ver… - murmurou.

- Eu sei – disse-lhe – Mas estou aqui. Amo-te.

- Eu sei – senti-o suspirar, junto a mim – Também te amo.

Tinha tantas coisas que lhe queria dizer sobre este tempo todo.

Tantas perguntas para fazer…

Mas neste momento não quis saber de nada disso. Neste momento só me ia preocupar com ele e comigo, nós.

Sentámo-nos à beira do lago e eu encostei-me a ele, enquanto ele brincava com o meu cabelo. Sentia saudades disto.

Passadas quase duas horas, decidimos que tínhamos que voltar, afinal, o resto do mundo continuava a existir mesmo que só quiséssemos que houvesse apenas “nós” neste momento.

Fomos no carro dele, ele disse que depois viria buscar o carro de Gary, porque na verdade não nos queríamos separar nem um segundo. Já tinha bastado todo aquele tempo longe um do outro.

Ele foi a conduzir, e durante todo esse tempo não parei nem um segundo de o encarar. Nunca voltaria a esquecer o mínimo traço da face. Nunca.

Ainda antes de chegarmos à casa, notei um cheiro estranho. Era bom, mas era desconhecido. Derek notou que eu tinha tomado um ar mais sério.

- É só o Eliah – disse-me, o que me fez acalmar logo – Ele está lá com a Verónica.

Será que se tinham entendido?

Quer dizer, depois de ela o ver comigo quando os fomos resgatar deve ter ficado um bocado difícil para ele fugir, e numa semana dá para mudar muita coisa…

Derek estacionou e pôs o seu braço à volta da minha cintura enquanto caminhávamos para entrar. Não me queria separar dele por nada.

Entrámos e fomos logo ter à sala.

Sabia que tinha que falar com os Thompson sobre o ocorrido, por isso pedi aos meus irmãos que fossem lá para cima, apesar de saber que eles tinham presenciado tudo.

A princípio não queriam ir, mas Eliah disse que ia com eles e piscou-me o olho, e eu dirigi-lhe um sorriso a agradecer.

Assim que eles saíram do nosso campo de visão, desviei-me um pouco de Derek e fiquei à sua frente.

- Tu já sabias que a minha mãe ia fazer isto, não sabias? – Perguntei, a olhá-lo nos olhos.

- Ainda não – respondeu-me. Notei que estava a ser sincero – Sabia que havia uma nova vampira na cidade, porém não reconheci o seu cheiro, quando as pessoas se transformam mudam radicalmente de essência. Mas mesmo assim adivinhei logo problemas.

- Ele contou-nos disso – prosseguiu Verónica – e começámos a procurar a portadora daquele cheiro, e nunca a conseguíamos apanhar ou chegar demasiado perto para identificar.

- Não foi por falta de esforço, acredita – disse Gary.

- E naquela noite? – Perguntei, de novo para Derek – Porque é que me pediste para nunca me esquecer de ti, para me lembrar que nós éramos reais?

- Eu tive… pode-se chamar pressentimento. E queria que acontecesse o que acontecesse, tu te ias lembrar sempre do que vivemos juntos.

- E o que é que aconteceu depois? – Interrompi.

- Depois tu adormeceste… eu fiquei à tua beira por um pouco e depois fui para o meu carro para ir para casa pesquisar mais sobre quem poderia ser aquela pessoa. E depois… - ele parou subitamente e eu fiquei expectante à espera.

- Depois o Derek voltou a sentir o cheiro – foi Gary quem continuou – por isso ele voltou atrás.

- Quando chegou à casa, viu lá a tua mãe e o Dylan, porém a Abby já lá não estava – disse Verónica.

- A tua mãe começou a correr com o Dylan, enquanto ele gritava por ajuda, e eu… - Derek voltou a parar, mas prosseguiu logo a seguir – eu comecei a correr atrás dela. Sabia perfeitamente que nunca me perdoarias se alguma coisa acontecesse aos teus irmãos, e eu mesmo queria protegê-los. Mas era uma armadilha.

- A tua mãe usou os teus irmãos para nos atrair e para nos prender, deixando-lhe o caminho livre para chegar a ti – disse Verónica – Ela tinha mais dois vampiros com ela – o médico e a enfermeira, portanto –, e assim foi fácil apanhar-nos. Tivemos receio que se déssemos luta, ela poderia magoar os teus irmãos… Infelizmente a Gwen fez birra e…

- Não fiz birra! – Interrompeu Gwen, tomando as rédeas da explicação – Eu estava com o Gary, e vi que havia problemas. Não os ia deixar ir sozinhos.

- Onde é que a Charlotte entra nesta história toda? – Perguntei, já sem me preocupar quem me respondia.

- Como não sabíamos com o que lidávamos – disse Gary –, decidimos criar algum tipo de segurança em como se nos acontecesse alguma coisa, ias ficar bem.

- Não sabíamos que ela chegar tão tarde – disse Verónica, com uma voz de repreensão, que claramente era dirigida a Charlotte.

- Desculpem lá – defendeu-se esta –, mas vocês fazem sempre grandes escândalos, sabia lá eu que desta vez era uma coisa mesmo séria.

De súbito lembrei-me de uma coisa que ainda não me tinha ocorrido.

- E os pacientes do hospício? – Perguntei.

- Nós fomos buscar alguns ao quarto onde os deixaste – disse Gary –, mas agora o Hospital Psiquiátrico foi entregue ao Estado. Pelo que sei os pacientes foram capturados de novo e continuam lá provisoriamente.

Derek aproximou-se de mim e levou a mão ao bolso das calças, tirando de lá o meu colar do crucifixo com o pentagrama, e o anel que ele me tinha dado. Estendeu a sua mão na minha direcção, e eu agarrei nos meus pertences.

- Eu tirei-tos – disse-me –, antes de começar a correr atrás da tua mãe. Pensei que se ela te visse com eles… bem… iria tirá-los ela própria, e sei como o colar é importante para ti…

- Obrigada – pronunciei – Fizeste bem. E é importante, e o anel também.

- Então, estás pronta para a eternidade? – Perguntou Charlotte.

- Sim, estou – afirmei – E até já sei qual vai ser o meu primeiro feito.

Todos os olhares se viraram para mim, à espera que desenvolvesse a conversa.

 

Então que tal?

O próximo capítulo é já o último...

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