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Uma Rosa Para Todo o Sempre

por Andrusca ღ, em 06.02.11

E é isto. Chegámos ao fim.

Espero que tenham gostado de todos os capítulos das três histórias, e que continuem a ler o que irei postar em seguida ^^

Este capítulo é mais pequenino porque é só para dar uma ideia de como a vida da Chloe vai ser daqui em diante.

Espero que gostem ^^

 

Capítulo 20

Uma Rosa Para Todo o Sempre

 

Saí do carro de Derek e contemplei aquele edifício. Não era propriamente o que tinha em mente para o meu primeiro feito como ser imortal, mas sentia que era uma coisa que tinha que fazer. Não porque queria, mas porque precisava.

Fazem duas semanas desde que acordei vampira, e desde então que tenho experienciado todo o tipo de coisas. Umas boas, outras que metem medo, e outras… que estão no meio.

Ao contrário do que pensava, alimentar-me foi fácil. Verónica meteu o sangue que tinha trazido do hospital num copo e passou-mo para as mãos. A princípio pensei que em fosse custar, ou até que vomitasse mesmo, mas mal senti aquele cheiro mudei de ideias. Não é um odor que se consiga explicar, é uma coisa sem igual, uma coisa da qual eu preciso e não me importo em obter.

Depois da primeira refeição, Derek levou-me até ao pé do lago ao pé da escola para me mostrar que subir a árvores e saltar de lá era simples. Subi como ele disse, mas descer foi o mais complicado. Eu amo-o, e confio nele, mas quando o ouvia dizer-me que só tinha que me deixar cair para o chão não conseguia acreditar. Devia ser mais difícil que isso, certo?

Pois, aparentemente não. Como viu que eu estava reticente, Derek deu-me um empurrão e eu aterrei perfeitamente no chão. Repetimos isto umas três vezes, foi uma daquelas experiências que podia ficar o dia todo a fazê-la.

Também passei tempo com os meus irmãos, como é óbvio.

Abby contou-me logo mil e uma curiosidades daquelas que só ela sabe, e eu decorei-as todas, graças à minha “super memória”.

Dylan tem-me ajudado a empacotar as nossas coisas para trazer para a casa dos Thompson, visto que agora vamos todos ficar cá a viver.

O quarto de hóspedes foi remodelado e decorado ao gosto de Abby, e o escritório do andar de cima também, para ficar a ser o quarto de Dylan.

Eliah tem ficado por perto, e quando digo perto é mesmo perto. Ele e Verónica não se largam, é como se estivessem em algum universo paralelo em que apenas existem os dois. E eu fico feliz por eles.

Charlotte também tem andado mais junta dos Thompson, o que até é bom. Apesar de tudo eu até gosto – um bocadinho – dela.

Ela e Verónica já não se dão tão mal. Sim, continuam a detestar-se, mas ao menos nota-se que fazem um esforço para controlar isso.

Acho que Verónica teve essa iniciativa porque apesar de Charlotte lhe ter “tirado” Eliah no passado, voltou a fazer com que ficassem juntos.

Gwen e Gary andam mais que felizes os dois juntos. Tudo bem que ela não se tornou vampira da melhor maneira possível, mas agora que tudo passou e as coisas correram bem, não podiam estar melhor.

Eu e Derek também não nos temos largado, já bastaram aquelas semanas infernais. Agora andamos sempre juntinhos, e a minha mudança para a sua casa já está mesmo no fim, faltam apenas levar algumas roupas.

Resumindo, estamos todos bem.

Mas ainda me faltava fazer uma coisa. Não era uma coisa que quisesse fazer, mas uma que preciso mesmo.

O meu primeiro feito como imortal, que nada tem a ver com o resto das coisas que já concretizei.

- Chloe – disse Derek, chamando-me de volta à realidade, quando viu que eu estava parada ao lado do carro – Não vens?

- Claro – respondi, ao que ele me sorriu. Aquele sorriso maravilhoso que só ele sabe dar.

Contornou o carro e pôs o seu braço à volta da minha cintura enquanto ambos caminhávamos para entrar.

Abri a porta e entrei, vendo logo várias pessoas conhecidas dos últimos tempos.

- Tens a certeza disto? – Perguntou-me ele. Notava-se um pouco de preocupação na sua voz, apesar de já lhe ter dito duzentas vezes que queria mesmo fazer isto.

- Tenho – afirmei, dando-lhe um beijo leve nos lábios.

- Então vamos lá.

Derek aproximou-se de um médico que estava ao pé das escadas e mostrou-lhe um papel, que afirmava que o Hospital Psiquiátrico de Helena pertencia agora aos Thompson.

Porque é que pedi ao meu namorado e à minha nova família para comprarem o sítio que me infernizou a vida durante dois meses? Por todas as pessoas que aqui conheci. Porque sem o médico que mandava em tudo isto, e sem a minha mãe a pagar as coisas, o hospício ia fechado.

Em tempos foi tudo o que quis, mas não agora. Não podia permitir que Liz, Donny ou até mesmo Carol fossem para a rua por causa de um plano de vingança da Margaret Simms. Não seria justo para eles, quer dizer, para onde iriam? A maior parte das pessoas que aqui está não têm casas, não têm lares nem famílias. Não podia deixá-los sair daqui sem terem sítio para onde ir. Não os podia deixar desamparados e abandonados. Porque, por muito que me custe a acreditar, este é o único sítio a que eles podem realmente chamar de lar.

Senti uma presença atrás de mim e ainda antes de me virar sabia quem era. Liz. Quando a olhei, ela sorriu-me e abraçou-me.

Antes de virar vampira, pensei muito sobre como seria querer beber o sangue de todas as pessoas que visse, mas nada do que pensei estava correcto. Consigo ouvir os corações bater, e consigo cheirar o odor perfeito do sangue e quase que o sinto a correr nas veias das pessoas, e isso apela-me imenso, mas mesmo assim controlo-me bem. Derek diz que eu sou das vampiras mais bem comportadas que ele já conheceu, e tal elogio deixou-me radiante de felicidade.

Quando Liz me largou, retribui-lhe o sorriso.

- Não acredito que compraste isto – disse-me ela, como se me estivesse a agradecer.

- Foi por ti. E por todos eles – disse-lhe – Acho que vos devia dar qualquer coisa para agradecer terem feito a minha estadia aqui menos… infernal.

- Obrigada.

Após mais um abraço, afastou-se e foi-se sentar ao pé de Donny e Morris.

Derek estava a falar de umas coisas com o tal médico, por isso fui até ao pequeno jardim. Ainda bem que Verónica já tinha retomado os hábitos de controlar o tempo, porque lembro-me bem que quando cá estava e via o sol me sentia deprimida.

Sabia que não ia estar sempre por cá, por Helena ou Great Falls, porque havia de chegar um momento em que as pessoas iriam notar que eu não estava a envelhecer, mas nessa altura viajaria para um sítio qualquer e quando fosse seguro voltaria para casa. O mais importante é que estaria com quem amo.

Ainda não sei como vai ser com Abby e Dylan, o mais certo é trazê-los comigo, até porque a Abby está farta de dizer que quer viajar e conhecer o mundo, e o Dylan diz que não me deixa ir a lado nenhum sem ele.

Ouvi algumas conversas, ainda que sem querer, de alguns pacientes e também de Derek e do médico. Estes últimos falavam de coisas do hospício e de novos contratos, e os pacientes variavam em tudo, desde comida a fantasmas e extraterrestres.

Mas sabia que eles iam ficar bem entregues, afinal, Derek e eu escolhemos uma boa equipa para tratar deles.

Depois de quase duas horas a tratar de tudo, Derek finalmente disse-me que estava tudo pronto e que podíamos ir para casa.

Despedi-me de Liz e do resto dos meus amigos – sim, acho que lhes posso chamar de amigos –, e acompanhei Derek ao carro, ainda a pensar na loucura que toda a gente neste hospício possuía. Mas também, se não fossem tão loucos, eu provavelmente não gostava deles assim tanto.

Derek conduziu até à casa dele, e futura minha, e estacionou.

Assim que entrei, Abby correu até mim e abraçou-me.

- Sabias que a formiga cai sempre para o lado direito quando é intoxicada? – Perguntou. É claro que não sabia, mas quem é sabe estas coisas?

- E sabias que as mulheres piscam os olhos quase duas vezes mais que os homens? – Perguntei-lhe, para ver a sua resposta.

Ela fez uma cara engraçada enquanto pensava e depois sorriu, triunfante.

- Isso é mentira se forem vampiras – disse-me –, tu não precisas de pestanejar.

Tenho que admitir que me apanhou de surpresa, não estava à espera de uma resposta destas.

- A Charlotte foi-se embora – disse o Dylan, do sofá.

- Quando? – Perguntei.

- Há cerca de meia hora – disse ele.

- Não me surpreende… ela não foi feita para ficar parada só num lugar – murmurei.

Sabia que havia de a voltar a encontrar, aparentemente ela nunca fica longe por demasiado tempo.

- Chloe, tens alguma coisa para fazer agora? – Perguntou Derek.

- Ia arrumar o resto das minhas coisas, porquê? – Perguntei-lhe.

- Isso pode esperar, acabei de me lembrar de uma coisa – agarrou na minha mão e puxou-me para fora de casa – Adeus Abby! Adeus Dylan! – Gritou, ao mesmo tempo que eu.

Voltámos para o carro e vi que começou a dirigir-nos à escola, onde o estacionou.

- Do que é que te lembraste? – Perguntei-lhe.

- De que precisava de um tempo contigo desesperadamente – respondeu, com um sorriso de gozo.

Revirei os olhos, porém a sorrir. Já não me lembrava o quão romântico o meu namorado conseguia ser quando queria.

Começámos a dirigir-nos até ao lago de mãos dadas, passando pelos vários canteiros de rosas e outras flores, e caminhámos pela ponte, parando mesmo no meio.

- Chloe… - ele puxou-me a mão e virei-me para ele, apenas para constatar que os seus olhos brilhavam enquanto me observavam, e que sorria como nunca – Vais ser minha para sempre? – Após perguntar isto tirou de trás das costas a outra mão, onde segurava uma rosa vermelha, perfeita.

- Para sempre – reforcei, ao agarrar na rosa e a sorrir-lhe – Vou sempre amar-te.

- É tudo o que preciso de saber.

E dito isto juntou de novo os seus lábios aos meus apenas para me fazer sentir nas nuvens de novo, como se fosse a primeira vez.

Depois de um beijo repleto de amor, desejo e vários outros sentimentos lá para o meio, deixou-se ficar apenas com a testa encostada à minha enquanto os seus olhos cor de esmeralda penetravam nos meus.

Neste momento finalmente percebi algo. Não precisava de um príncipe encantado, porque tinha o Derek, o meu vampiro bom. Não precisava de ser uma princesa, porque apesar de ser uma vampira era tratada como se fosse da realeza, sempre com mimos e surpresas. E não precisava que me resgatassem porque sou suficientemente boa para me livrar dos problemas sozinha. Fi-lo quando o meu pai morreu, quando Dylan se meteu nas más vidas, quando resgatei Derek por duas vezes, e agora quando me livrei do hospício para ir salvar de novo o amor de toda a minha existência.

Não gostava de histórias de amor nem de contos de fadas, mas a verdade é que a minha vida é um conto de fadas. E como todos os contos de fadas, a minha vida acaba feliz. Ou melhor… não acaba.

Neste momento, ao olhar para ele, finalmente percebi que tinha alcançado o meu “felizes para sempre”. E melhor, percebi que o meu “felizes para sempre” era completamente eterno.

 

Fim

 

Então, que acharam?

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