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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 14.02.11

Capítulo 6

Dominic

 

Depois daquela conversa com os irmãos, Luc voltou a ser o rapaz divertido e simpático que conheci no centro comercial. Os treinos com ele agora eram mais fáceis porque em vez de me tentar evitar, ensinava-me. Em muito pouco tempo ele e Chad tornaram-se nos meus melhores amigos.

As coisas estavam-se a compor, até porque o livro que recebi tinha imensas coisas que facilitavam a caça aos demónios.

Continuava intrigada sobre o homem que mo tinha entregado, Dominic. Não parecia ser um médico normal, tinha qualquer coisa, não sei porquê mas não conseguia confiar nele, havia qualquer coisa que não batia bem.

- Que estás a pensar querida? – Perguntou Sheilla.

- Nada de especial, estava a tentar arranjar uma maneira de encontrar o homem que me deu o livro.

- Andas há uma semana a pensar como encontrá-lo, já pensaste que se calhar não o encontras porque ele não quer ser encontrado?

- É possível... mas mesmo assim, não vou desistir tão facilmente.

A verdade é que eu andava mesmo um pouco distante, não só por causa de Dominic mas também pelo facto de que sabia que ia morrer em breve. Mas esta noite, no High Spot, era para me divertir e desanuviar.

- Aqui estão as bebidas. – Disse Luc, pousando-as na mesa.

A seguir juntou-se a nós, com Chad e Louis.

- A Claire telefonou e disse que não vem, está a fazer as malas para ir passar o fim-de-semana à casa dos pais de Rick. – Disse Louis.

- Bem, então somos só nós, a Sue está num jantar de trabalho e o Josh foi-se deitar cedo, disse que andava cansado por causa das pessoas que tinha que “guardar”. Disse que lhe foram designadas novas pessoas e que lhe dão mais trabalho. – Afirmou Sheilla.

- A minha não dá trabalho nenhum. – Disse Luc, rindo-se.

- É bom saber… - Disse eu.

- Bem, nesse caso, danças? – Perguntou ele, olhando para mim.

- Porque não?

A música mexida que estava a dar acabou mal nos levantámos e começou uma balada, muito romântica, muito calma. Dançámos juntinhos. Ele cheirava tão bem… por muito que não quisesse, gostava dele muito mais do que devia.

Cheguei a casa, já deviam ser umas três horas da manhã, vesti o pijama e fui dormir.

Esta noite já não foi tão calma como as outras, pelo contrário. Sonhei que este homem, Dominic, estava ser perseguido por uns dos maus da fita e que fora morto por eles. Acordei sobressaltada, eram sete e meia da manhã. Ainda era cedo para ir contar sobre o sonho aos Connor por isso sentei-me a ler o livro, a ver se via o demónio que ia atacar Dominic.

Ouvi um barulho. Levantei-me e deixei o livro em cima do sofá, onde o estava a ler. Fui até à cozinha, depois ao quarto mas nada. Voltei para a sala. O livro já não estava lá. De repente ouço um estrondo vindo das traseiras do prédio. Da minha janela vi duas pessoas a correrem com o meu livro, uma delas tropeçou e caiu, desci pelas escadas de emergência e imobilizei-os. Agarrei no livro e desviei-me um pouco. Vi quem eram, pelo aspecto, eram dois caçadores de recompensas. Aparentemente o livro era muito mais valioso do que pensei, como tem os segredos para os matar, faz com que seja mais valioso que um tesouro.

Desmobilizei-lhes as cabeças, de maneira a poderem falar.

- Bruxa! – Disse um, com um tom de ofensa.

- Demónio! – Retorqui.

- Isto não fica assim, esse livro vai ser do nosso Mestre, não voltaremos sem ele, nem que nos mates enquanto tentamos. – Disse a rapariga, que estava ainda com o livro nas mãos.

- Bem... isso não vai ser um problema. – Disse, explodindo-a e agarrando no livro. – Agora, tu vais voltar e dizer ao teu Mestre que este livro é meu, se ele o quer, ele que o venha buscar. Estamos entendidos?

- Sim... – Afirmou ele, com a voz trémula.

Eram 10 horas, fui ter à casa dos Connor. A porta estava destrancada como sempre, por isso entrei.

- Luc, Chad. – Chamei em voz alta.

Luc apareceu, lindo como sempre, agora com o seu constante sorriso de anjo de orelha a orelha.

- Algum problema?

- Tentaram roubar o livro para o Mestre, mas há mais, tenho mesmo que encontrar o Dominic.

- Jô, outra vez a história do Dominic, podias-te preocupar com o livro em vez de com quem to deu.

- Eu sonhei que ele era morto por um demónio.

- Oh. – Disse ele, espantado. – Nesse caso não há tempo a perder. Já sabes algo de novo sobre ele?

- Não, sem ser o nome e que é médico, não há nada de novo. Mas sei como posso arranjar mais informações.

- Que tens em mente?

- Uma pequena loucura. Alinhas em assaltar os registos civis?

Ele acenou que sim e riu-se. Teletransportou-nos até ao pé da porta das traseiras do edifício, por onde entrámos. Ao longo que íamos avançando eu ia imobilizando as pessoas para ninguém nos ver, e explodindo as câmaras de segurança.

Finalmente entrámos na sala onde arquivavam as pastas de cada pessoa. Demorámos um bocado mas encontrámos a dele.

- Estranho, ele trabalha no hospital mas eu já lá fui à procura dele.

- Se calhar ele suspeitou que ias e tirou umas férias.

- Para o bem dele espero que estejas errado.

- Bem, ficar só a pensar não serve de nada certo? Vamos ao hospital?

- Vamos.

Ia-me agarrar para nos teletransportar.

- Espera. Não podemos simplesmente andar? É só daqui a umas 4 ruas.

- Ok como queiras.

Começámos a andar. Estávamos ambos calados. Apercebi-me que só falávamos sobre trabalho, demónios e o resto dos monstros, no final, não sabia nada dele.

- Então, – Comecei. – Como é que vieste aqui parar, tu e o Chad?

- Viemos ajudar. Tu já sabes isso.

- Sim mas, porquê agora? Depois de tanto tempo, deve ter havido uma razão.

- Sabes que não é suposto saberes coisas do futuro certo?

- Sim mas... eu também sei que vou morrer, já me preparei para quase tudo. – Consegui ver o seu rosto a ficar rijo depois de dizer que ia morrer. Era óbvio que não se sentia nada confortável com o assunto. – Desculpa, não quis…

- Não faz mal. Bem, depois do combate com o Mestre, ele assumiu o controlo, tornou a minha família e todas as bruxas e bruxos que pôde encontrar em escravos. Eu e o Chad conseguimos fugir e afastar-nos, foi então que o Chad se lembrou que havia um feitiço que nos permitia voltar ao passado e remediar as coisas. Procurámos e quando estávamos quase a desistir, encontrámo-lo. Mas já tínhamos vindo ao passado mais vezes, mas nunca durante tanto tempo, ainda não tínhamos encontrado um feitiço forte o suficiente. Agora podemos ficar até querermos, para sempre se quisermos.

- Isso foi tudo culpa minha.

- Ei, ainda não fizeste nada de mal, não te esqueças.

- Pois, ainda...

Chegámos ao hospital e dirigimo-nos à secretária.

- Bom dia, como posso ajudá-los?

- Gostaria de saber se o doutor Dominic está de serviço.

- Ambos os doutores estão um pouco atrasados.

- Ambos? – Perguntei confusa.

- Sim, o neurocirurgião, Dominic Helton, e o cardiologista, Dominic Billinghton. Qual deles estava à espera?

- Pois, não sei o último nome... nem a especialidade… nós esperamos.

Sentámo-nos. Eram duas e meia e ainda nada de Dominic. Luc levantou-se e foi à máquina automática, tirou duas sandes.

- Passa-se alguma coisa? Não pareces muito confortável, não gostas da sandes?

- Não, não é isso, a sandes está boa é só... hospitais, dão-me arrepios.

- Deixa ver se percebi, és forte o suficiente para não te assustares com monstros, mas com hospitais ficas toda arrepiada. – Soltou uma gargalhada.

- Sinceramente, nem eu percebo. – Disse, rindo-me com ele.

Finalmente avistei Dominic. Ele começou a correr mal me viu, eu e Luc fomos atrás mas ele entrou para uma área restrita.

- Oh vá lá, devem estar a brincar! – Exclamei, para o ar.

- Desculpem, não podem entrar aí. – Disse-nos um segurança.

- Quer apostar?!

Imobilizei-o sem que ninguém visse e passámos. Dominic estava agora de frente para nós. Os seus olhos estavam diferentes, estavam... com medo.

- Podemos falar? – Perguntei.

- Como é que entraram aqui? Vou chamar a segurança.

- No parque deste a entender que me conhecias, por isso deves saber que um segurança não me vai impedir de falar contigo. – Disse eu, aproximando-me.

- Afasta-te de mim, eu não quero mais nada a ver com vocês. – Ele parecia mesmo assustado.

- Como assim? Ouve, eu não sei quão envolvido neste mundo estás, mas se não vieres connosco vais estar metido num grande problema. Eu vi-te a ser perseguido por demónios. Nós podemos proteger-te, mas não aqui.

Agora já só nos encontrávamos a um passo de distância.

- Eu não posso abandonar os meus pacientes assim. Alguns deles não sobrevivem sem as cirurgias.

- Se não fores connosco podes nunca mais fazer uma.

Ele não pareceu mudar de opinião.

- Bem, – Continuei. – Quais são as mais urgentes? Que não possam mesmo ser adiadas.

- Apenas uma.

- Quanto tempo?

- Talvez duas horas, depende se houver complicações ou não.

Luc, que esteve calado durante toda a conversa, interpôs-se.

- Nós esperamos que faça a sua cirurgia, desde que depois venha connosco. Ou podemos sempre levá-lo num piscar de olhos.

- Muito bem. Vou cancelar todas as outras.

Voltámos para a sala de espera, enquanto Dominic cortava o cérebro de alguém. Eram cinco e meia quando chegou ao pé de nós. Dirigimo-nos para a casa dos Connor.

- Ainda bem que chegaram, o pequeno Luc tem que mudar a fralda e a mãe e o pai deixaram-me sozinho com os pequenos... – Disse Chad, meio atrapalhado e um pouco desconfortável.

- Tudo bem, eu mudo. – Respondi. Não seria a primeira vez, e definitivamente a última.

- Tu?! – Luc parecia em pânico. – Não me parece, que dizer, esse sou eu e... bem… eu mudo, fica com o Sr. Médico.

- Ok...

- Eu admiro-te sabes? – Disse Dominic, sentando-se no sofá.

- Não sei bem porquê. Ei, como é que sabias a altura certa para me dar o livro?

- Não sabia.

- Mas disseste...

- Acho que qualquer altura seria boa, mas aqui em São Francisco, acho que te vai dar muito jeito. E além disso, se é teu, eu não ia ficar com ele. Aliás, eu nem o conseguia abrir de qualquer maneira.

- Bem visto.

- Então e agora? Eu guardei o livro, mas não percebo nada disto. Que se faz a seguir? Com quem está a trás de mim.

- Bem, agora montamos uma armadilha.

- Sendo eu a isca. – Afirmou com um tom sarcástico.

- Não é perfeito, mas nós somos bons no que fazemos, vais ver que sais de lá melhor que quando entraste.

Eram sete horas da noite. Fomos até ao beco em que vi Dominic ser morto. Dei-lhe o livro e escondi-me atrás de uns caixotes de lixo com Chad, Luc e Sheilla.

Dominic ia a atravessar o beco quando chegaram. Eram seis demónios intermédios e, como a maioria dos demónios intermédios, lançavam raios.

- Onde vais? Estás com pressa? – Disse um deles para Dominic, que agia muito assustado.

Saímos de trás dos caixotes e atacámos. Após um grande esforço matámo-los todos.

- Bem, obrigado. – Disse Dominic sorridente, a ir-se embora.

- Não te estás a esquecer de nada? – Perguntei, pretendendo que a pergunta fosse retórica.

- Não, porquê?

- Pareces muito confortável com o meu livro, só isso.

- Pois, quanto a isso...

Não o deixei acabar a frase. Imobilizei-o todo, excepto a cabeça.

- Não precisas de dizer nada. Sabes, não és o único que sabe investigar. Enquanto estavas na tua “operação” eu fiz uma investigaçãozinha por conta própria. Não me tinhas dito que te tinhas mudado recentemente. Mas porém, mereces uma medalha por me teres investigado tão bem. Só erraste numa coisa, o vosso problema é subestimarem-me, mas por alguma razão os bons ganham sempre. Foi inteligente dares-me o livro como um simples desconhecido envolvido nesta história toda, depois puseste os teus amiguinhos na hora certa no sítio certo e de alguma maneira manipulaste o meu sonho. Foi tudo muito bem planeado na verdade. Eu abria o livro e depois tu ficavas com ele. O teu azar foi eu ter visto a tua cara no livro. Mas fica pior, também lá diz como te destruir. – Disse-lhe, piscando o olho.

Tirei uma poção do bolso e mandei-lha, fazendo uma pequena explosão.

Voltámos a casa dos Connor, estava lá toda a família, Sue, Josh, Claire, Rick e claro Louis e os pequenos.

- Bem, estou a ver que voltei a ter a casa cheia. – Disse Sheilla sorrindo.

- O fim-de-semana foi cancelado. – Disse Claire.

- Que desperdício de dia. – Reclamei, deixando-me cair no sofá, exausta.

- Ao menos ele não levou a melhor. – Disse Chad.

- Ao menos isso. – Afirmou Luc.

- Ficas para jantar Jô? – Perguntou Sheilla da cozinha.

- Já que ofereces. – Respondi sorrindo.

 

No próximo capítulo coisas vão começar

a acontecer entre a Jô e o Luc ^^

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