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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 18.02.11

Capítulo 10

Festa de Aniversário


- Bom dia. – Disse, sorrindo, quando cheguei à casa dos Connor. – Parabéns!

Agarrei no pequeno Luc ao colo e comecei às voltas com ele.

- Já estás tão crescido. Dois anitos. Toma o teu presente. – Disse-lhe. Ele sorriu-me, ainda não falava nada, mas já tinha finalmente largado a fralda.

- Jô, não precisavas. – Disse Sheilla, ajudando Luc a abrir.

- Claro que precisava. E além disso não é nada de mais, reparei que ele precisava de um mais quentinho agora para o Inverno.

- Um pijama. Tão lindo, não é filho? – Dizia Sheilla enquanto Luc sorria.

- Bem, venha daí a pequenada! – Vociferei, com um sorriso nos lábios.

- Estás muito animada. – Disse Sheilla.

- Tenho algum motivo para não estar? – Perguntei.

- Claro que não.

Era o dia do aniversário de Luc. Sheilla, Claire e Sue estavam a enfeitar a casa pois ia haver lá a festa de anos, com os colegas de Luc. Haviam doces espalhados pela mesa, vários bolos, gomas, rebuçados, chupas... Sheilla tinha pedido a minha ajuda, pois eram cerca de quinze crianças. De repente lembrei-me, se o pequeno Luc fazia anos, o grande também fazia. Neste momento Chad desceu as escadas.

- Então e o que vamos fazer ao Luc? – Perguntei.

- Como assim? – Perguntou Sheilla. – É a festa.

- Sim, para o pequeno, eu estava a falar do maiorzinho. Acho que uma festa de crianças não é a melhor prenda.

Ficaram todos muito sérios a olhar para mim.

- Esqueceram-se, não foi? – Perguntei, com um ar de reprovação.

- E agora? Como é que me fui esquecer disto?! Ele é meu filho…

- Tem calma mãe, vamos arranjar uma solução, sei lá, compramos uma prenda de última hora. – Disse Chad, tentando acalmar Sheilla.

- Espera, quantos anos é que ele faz mesmo? – Perguntou Claire.

- Vinte e três. – Respondeu Chad.

- Então tu tens vinte e cinco, certo?

- Sim tia Claire.

- Só para confirmar.

Já passavam das três horas, os colegas de Luc já deviam estar a chegar.

- Mas o que é que fazemos agora? Acerca do Luc crescido? – Perguntou Sue.

- Não se preocupem com isso. – Disse eu. – Sheilla, como hoje fechaste o bar, eu vou lá e enfeito-o, à noite levamo-lo lá e fazemos a festa. Que acham? Eu compro umas prendas também.

- É óptimo.

- Têm é que se arranjar com os miúdos sem mim.

- Sem problemas. – Disse Chad. – A pequenada vai-me adorar.

- Não duvido! – Exclamou Sue. – Eu vou contigo Jô, assim ajudo-te. Não se preocupem, eu volto rápido, é só para dar um avanço nas coisas.

- Ahh, ninguém dá os parabéns ao Luc adulto. Assim a surpresa é maior. – Disse Claire.

Sue teletransportou-nos direitas para o High Spot. Ainda havia algumas decorações que não se tinham estragado no Halloween, pudemos aproveitar algumas mas a maior parte não tinha muito a ver com uma festa de anos.

- Então, como estás? – Perguntou Sue.

- A aguentar-me.

A notícia que eu ia morrer abalou-a muito e apesar de ter concordado em não contar a mais ninguém, notava-se que estava sempre preocupada comigo.

- De certeza?

- Sue, não te preocupes tanto, a sério, eu vou ficar bem. Não é como se fosse combater o Mestre amanhã. E quanto ao Luc eu fico bem, a sério. Relaxa um bocadinho.

Felizmente achámos umas caixas com mais decorações de outros anos, fizemos uma faixa que dizia «Feliz Aniversário Luc» e preparámos as bebidas. Decidimos passar pela mansão antes de irmos ao centro comercial comprar as prendas.

Aparentemente a festa estava a correr muito bem. O pequeno Luc andava com os amigos de um lado para o outro, com Chad a brincar com eles, mas o outro Luc estava encostado à parede, um bocado triste. Cheguei-me ao pé dele.

- Então, bela festa hã?

- Sim, não há melhor. – Respondeu, sendo sarcástico.

Passámos um bocado na festa e depois fomos às compras. Passámos por um beco, o beco em que tinha conhecido Luc ainda sem saber quem ele era, e reparámos que a parede estava a tremer. Fomos empurradas contra ela e caímos.

Quando me levantei estava numa selva, com Sue ao meu lado. Era um portal entre tempos. Começámos a andar de um lado para o outro, à procura de outro quando ouvimos um grande barulho vir na nossa direcção. Fez-se uma grande sombra e quando olhámos para cima estava um T-Rex a olhar para nós.

- Corre! – Gritou Sue.

Corremos até chegarmos a uma rocha e entrámos para uma fenda onde o T-Rex não pudesse chegar.

- Oh meu Deus, estamos no passado. Num passado muito, muito distante. Um passado muito Pré-Histórico. – Dizia Sue.

- Tem calma, havemos de sair daqui.

Vi um portal mais à frente.

- Vamos ter que correr. – Disse, apontando para o portal. – Pronta? Vamos.

Atravessámo-lo e fomos parar à idade média.

Havia cavaleiros por todo o lado, a cavalo dos seus cavalos, a usarem armaduras e com espadas à cintura. As mulheres tinham lindos vestidos até aos pés, mas havia muita pobreza.

- O que é que fazemos agora? – Perguntei.

- Não faço a mínima ideia. Os meus poderes não funcionam.

- Isso é porque ainda não nasceste.

- Pois é, tinha-me esquecido desse pormenor. Olha, está ali outro.

Fomos parar a uma cidade muito parecida com São Francisco, mas toda destruída. As pessoas estavam todas vestidas com roupa rota e sem sapatos. Quando olhei para cima vi uns homens a voarem e num impulso puxei Sue para debaixo de um telheiro. Perguntei-me quem seriam. Demos uma volta por lá, tentando não dar nas vistas, com esperança que encontrássemos outro portal. Em que tempo estaríamos?

- Olha quem é ela. – Ouvi uma voz rouca dizer.

Virámo-nos instantaneamente. Era um homem arrepiante, não tinha muitos músculos mas notava-se que era muito forte, usava uma túnica até aos pés, vermelha-escura. Tinha a cara muito deformada e um olho vermelho e outro preto. Pelo que vi não precisei de pensar muito para descobrir quem era, ou onde estava.

- O Mestre. – Sussurrei.

- Ele? – Perguntou-me Sue.

Acenei afirmativamente.

- Estamos no futuro. – Murmurei.

Ele estalou os dedos e nós encontrámo-nos numa sala completamente fechada.

- Todas aquelas pessoas… - Continuava eu a sussurrar. – Todas elas, a sofrer, a serem maltratadas, é tudo culpa minha. Eu fiz isto acontecer.

- Tem calma Jô, isto ainda não aconteceu, ainda pode mudar.

- Espero que tenhas razão.

Eu estava aterrorizada. Tinha acabado de olhar para o meu assassino. Tinha acabado de ver a miséria que criei por não o ter conseguido derrotar, e de um momento para o outro percebi o porquê de Luc querer que eu treinasse tanto. Não se tratava só de mim, tratava-se também de todas as outras pessoas que não se podiam defender. A porta de ferro abriu-se e veio um homem, de estrutura média, com um sorriso nos lábios, era o mesmo homem que nos tinha empurrado contra o primeiro portal. Reparei que trazia um colar muito brilhante posto, um colar que não me era estranho. Vieram mais dois homens atrás dele e fizeram-nos ir com eles.

Fomos para uma espécie de templo. Havia uma enorme estátua do Mestre e outra a ser construída. Ele estava sentado num trono, com pessoas a abanarem-no. Os outros homens mandaram-nos com uma força excessiva, o que fez com que caíssemos aos pés do Mestre. Levantei-me de imediato.

- Como ousas levantar-te?! – Perguntou um deles.

- Deixa estar Grynther. – Disse o Mestre, levando-se e caminhando para mim. – Ela não seria ela se não se levantasse, não estou certo?

- Completamente.

- Sabes, lembro-me perfeitamente de ti, fizeste-me esta marca. – Disse, apontando para uma cicatriz no rosto. – Mas no fim, eu matei-te. – Riu-se.

- Não te rias muito, pode cair um dentinho. Não te esqueças que isso ainda não aconteceu.

- Ahh, mas vai acontecer, e quando acontecer eu mato-te de novo e volto a construir este pequeno paraíso. – Agarrou em Sue e mandou-a contra uma parede.

- Pára! – Gritei.

- E vou fazer deles meus escravos, até me fartar. – Riu-se de novo.

Fartei-me, ele estava a fazer de mim parva, e de todos os outros.

- Tu não prestas! – Comecei.

- Pois nã...

- Cala-te! É a minha vez de falar. Tu não prestas e podes ter a certeza que eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes. Tu não vais ganhar, não desta vez, eu não vou deixar que isto aconteça e até me podes matar, mas não vou abaixo sozinha. Olha bem para mim, pois eu sou a pessoa que te mata.

Em questões de semi-segundos movi o colar do pescoço do outro demónio e parti-o, com toda a força contra o chão. Já me lembrava de onde o tinha visto, foi numa das páginas do meu livro, estava lá um aviso sobre ele, porque tinha o poder de criar portais temporais.

Sue e eu estávamos de novo de volta ao beco. Tudo parecia normal, excepto que já anoitecera. As lojas já tinham fechado, por isso voltámos para a casa. Decidimos caminhar para pôr as ideias em ordem. Quando chegámos a casa estavam todos preocupados, já tinham telefonado e tinham procurado por todo o lado. Quando dissemos o que acontecera Chad e Luc ficaram ainda pior.

- Estás bem? – Perguntou Luc.

- Não sei. Mas sei uma coisa. – Olhei para ele. – O futuro, aquele futuro de onde vens, não vai acontecer, garanto-te.

Apesar de tudo o que tinha acontecido, seguimos o nosso plano para a festa depois do jantar. Com um pouco de esforço arranjámos um bolo e umas prendas que levámos para o High Spot. Esconderam-se todos e eu chamei por Luc até que ele apareceu.

- Surpresa! – Gritámos todos.

- Não acredito. Pensava que não se lembravam.

- Achas mesmo que nos íamos esquecer assim de ti? A festa é a minha prenda. – Disse-lhe.

- Obrigado, a sério.

Estávamo-nos todos a divertir-nos e a dançar. Tive que ir buscar uma bebida. Chad estava a fazer de bartender nesta noite.

- Um martini para a senhora? – Perguntou, num tom muito profissional.

- Não, acho que vou ficar por sumos esta noite, dá-me um de laranja se faz favor.

- Como queiras. – Respondeu, rindo-se e dando-me o sumo. – Sabes, a festa ficou fantástica, parabéns.

- Não foi nada de mais. Foi a minha prenda de anos para ele.

- Pois, mas eu acho que ele queria outra prenda vinda de ti Jô.

- Pois...

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