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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 19.02.11

Capítulo 11

Coma

 

Acordei na casa dos Connor, no sofá. Sheilla e Louis tinham saído para um jantar romântico enquanto Chad e Luc foram caçar. Eu fiquei lá em casa com os pequenos.

Quando chegaram eu já devia ter adormecido e não me devem ter tentado acordar, talvez por pena.

- Bom dia bela adormecida! – Exclamou Louis. – Então, dormiste bem?

- O quê? Nesta maravilhosa cama? Fantasticamente. – Brinquei. Depois continuei com um tom mais sério. – Mas tive um pesadelo. Mas não te preocupes, só tenho que ir explodir um demóniozinho.

- Não é dos mais perigosos?

- Não, no sonho não pareceu.

- Estranho, é suposto tu sonhares com os que são mais perigosos, os que constituem uma maior ameaça.

- Sim, é verdade, talvez me estejam a dar uma folga de demónios perigosos, esta foi uma semana em cheio. Dei cabo de cinco. – Disse, com um sorriso nos lábios.

- Verdade, mas Jô, não achas que te estás a pôr em demasiado esforço? Não irá o teu corpo responder negativamente quanto a isso? – Parecia preocupado.

- Ele tem razão. – Disse outra voz, vinda de trás. A voz de Luc. – Tens treinado demasiado. Eu sei que digo que tens que treinar, mas não assim, estás-te a esforçar demais.

- Não sejam assim. Eu estou bem, a sério. Agora tenho que ir, senão falto ao meu encontro com o Sr. Demónio.

- Não queres que vá contigo? – Perguntou Luc.

- Não, não vale a pena, volto num instante.

- E não comes?

- Como depois, até já.

Fui até à rua em que o demónio estava e explodi-o, mas quando me estava a virar senti umas tonturas e para piorar a situação toda senti uma coisa a bater-me na cabeça, senti-me ficar mais fraca e caí no chão. Desmaiei.

Acordei no hospital. Estava deitada numa cama, num quarto só para mim. Sheilla, Chad e Luc estavam ao lado. Louis estava à porta a falar com Rick, que lá trabalhava. Os pequeninos estavam também lá. O pequeno Chad estava ao colo de Sheilla e Luc estava na sua caminha portátil. Estavam todos com uma tristeza no olhar.

- Eish, que dor! – Disse, levantando-me. – O que é que se passou?

No entanto nenhum deles olhava para mim. Ignoravam-me, como se não me ouvissem, como se eu não estivesse lá.

- Olá! Estão-me a ouvir? Sheilla! Luc!

Nada. Olhavam para a cama, em que me encontrava agora ao lado, de pé. Não levantavam um olho sequer para olharem para mim. Olhei para baixo, para a cama e vi-me lá deitada, ligada a montes de fios. Congelei. Estarei morta? É impossível.

Tentei lembrar-me do que acontecera mas não conseguia. Não me lembrava de nada.

- Isto é culpa minha. Eu estava sempre a dizer para ela treinar e para se esforçar mais e agora isto aconteceu. – Disse Luc. Notava-se o desespero na sua voz.

- Tem calma, vai ficar tudo bem, ela é forte tu sabes disso. – Disse Chad para o confortar, colocando-lhe a mão no ombro.

- Tu não sabes como é. É horrível teres a mulher que amas assim, numa cama de hospital, em coma.

«A mulher que amas» corei.

- Coma? O quê? Luc, olha para mim, estou mesmo à tua frente, eu não posso estar em coma! Luc! – A esta altura já estava a gritar apesar de não dar em nada.

- Se eu não fosse demasiado rígido com ela talvez isto não tivesse acontecido. – Continuava Luc.

- O quê? Não, isto não é culpa tua, é minha, eu é que sou teimosa, eu é que não sei quando parar. Oh meu Deus, o que é faço agora?

Estava a andar de um lado para o outro do quarto quando reparei que haviam uns pequenos olhinhos a seguir-me. Aproximei-me do pequeno Luc.

- Luc, consegues ver-me? – Perguntei-lhe. Ele riu-se e eu continuei. – Consegues! Que bom. Luc, querido, preciso que te concentres ok? Este é o momento perfeito para as tuas primeiras palavras. Pode ser algo do género «A Joanna não está morta, está aqui!» o que achas?

Fez-me uma cara que me lembrou muito o outro Luc. Afinal, apesar de estar mais crescido continuava com as mesmas feições. Só que agora, enquanto um olhava para o meu corpo deitado na cama com uma cara de pura tristeza, o outro olhava directamente para mim, com uma cara de incompreensão.

- Pois, é claro que não vais falar agora. Tudo bem, não faz mal... vou ter que encontrar uma maneira de lhes dizer que estou bem. – Veio-me um pensamento à cabeça. Será que estaria bem? Para estar fora do meu corpo talvez estivesse morta. Mas não podia ser, eu só ia morrer contra o Mestre. Voltei a andar de um lado para o outro quando o médico entrou.

- Tem algumas novidades doutor? – Perguntou logo Luc.

- Infelizmente nada de bom. Ela continua num coma profundo. Durante os três últimos dias temos feito todos os testes possíveis e não tem havido resposta.

- Três dias?! – Perguntei chocada, já convencida que não ia receber resposta.

-... Achamos que a pancada foi demasiado forte e o seu cérebro parou.

- Quer dizer que... – Disse Luc, com uma lágrima a cair-lhe. – Ela pode não acordar.

- Sim. Há 95% de hipóteses dela não acordar. O que faz com que seja praticamente inútil estar a usar este equipamento nela, quando há quem precise mais e que possa fazer diferença. Neste momento as máquinas estão a viver por ela. Sei que devem estar em grande dor, mas trouxe os papéis que são precisos assinar para desligar as máquinas. Façam o que acharem melhor, mas preparem-se para o pior porque nestes casos, é raro uma pessoa acordar.

- O quê? Vocês não podem desligar nada! – Gritei.

Caiu-me uma lágrima pelo rosto e apressei-me a limpá-la. Sue, Claire e Josh entraram agora no quarto. Estavam todos a fazer um enorme esforço para conter as lágrimas e decidiam se deviam ou não desligar as máquinas.

- Ela não ia querer viver assim, ligada a uma máquina. – Dizia Sue, enquanto uma lágrima lhe caiu.

- Mas nós não podemos desligar, não ainda. – Dizia Luc, como se estivesse a implorar.

- Joanna. – Disse uma voz baixa e frágil. Todos se viraram para o pequeno Luc, incluindo eu. – Joanna! – A sua primeira palavra. Disse a sua primeira palavra e foi o meu nome. Sorri.

- Boa Luc! – Disse-lhe. – Obrigada.

- Não vamos desligar nada. Não ainda. Ela merece mais que três dias. – Disse Sheilla. Todos concordaram, incluindo eu claro, apesar de a minha opinião não ser ouvida naquele momento.

Decidi que não estava a fazer ali nada a não ser ficar mais em pânico a cada minuto que passava.

Saí pela porta, apesar de poder atravessar as paredes, e andei pelos corredores. Passei por um quarto em que estavam a desligar as máquinas de uma rapariga, aproximadamente da minha idade, também em coma. A família estava destroçada. Choravam abraçados uns aos outros. Reparei que o médico que estava a desligar-lhe as máquinas era o mesmo que me queria desligar a mim. De um momento para o outro a rapariga apareceu à minha frente. Era ruiva e usava uma bata do hospital, tal como eu.

- És tu. – Disse-me.

- Sou eu? Sou eu o quê? – Perguntei confusa.

- Eu vou para o Céu. Mas disseram-me que ainda não é a tua hora. Ajuda-me. Trata do meu corpo. – E depois evaporou-se.

- Ok, se isto é estar morta, não me parece muito divertido. – Resmunguei.

Vi o médico levar o corpo da rapariga uma maca para uma sala. Rick tinha-me dito que não são os médicos quem os transportam por isso decidi segui-lo. «Trata do meu corpo» dissera-me ela. Que quereria isso dizer? Ele levou-a para uma sala, no andar de baixo do hospital. Na sala havia caixas de papelão, sacos, coisas velhas, mas ele foi até uma parede e empurrou-a. Levou a rapariga lá para dentro. Entrei também e vi várias macas, com várias raparigas em cima, todas aproximadamente da minha idade. Havia uma maca coberta. Ele levantou-a e eu vi uma “pessoa”, se é possível chamá-la assim. Tinha um braço e duas pernas diferentes, apesar de serem do mesmo tamanho. Não tinha cabeça e tinha várias costuras. Parecia um zombie. Como o Frankenstein. Reparei nas cores da pele e eram igual às das raparigas nas outras macas, também cada uma delas, com um membro a faltar. Senti-me a ficar sem ar. Aquele médico, humano, estava a fazer experiências com raparigas inocentes. E todo este tempo eu a pensar que os piores eram os demónios. A falta de ar estava ficar pior até que me senti a ser puxada.

Acordei muito lentamente e muito sonolenta na cama do hospital, primeiro mexi a mão direita e depois abri os olhos. A família olhou para mim, espantada mas muito feliz.

- Eish, que dor! – Exclamei, levando uma mão à testa. Reparei que estavam a olhar para mim. – Conseguem-me ver?

- Jô, estás acordada, que alívio. – Disse Luc.

Levantei-me subitamente, tirando os fios e fui até ao pé do pequeno Luc. Agarrei-o ao colo.

- Obrigado. – Disse sorrindo para ele.

- Do que é que estás a falar? – Perguntou Louis, confuso.

- A primeira palavra dele foi o meu nome. – Respondi, vaidosa.

- Como é que sabes? – Perguntou Chad.

- Da mesma maneira que sei que uma coisa muito má está a acontecer aqui.

Ouvimos a voz do médico a vir.

- Prestem atenção – Disse, deitando-me de novo. – Eu estou em coma, ainda não acordei e vocês vão desligar as máquinas, não demorem muito porque não aguento muito tempo sem respirar, eu depois explico tudo prometo. Ahh, e chamem a polícia.

Disse-lhes para onde mandarem a polícia ir e assim fizeram. Passado um pouco o médico tinha-me levado, com uma manta a tapar-me, para a sala onde tinha os outros corpos. Parou a minha maca ao lado da do corpo sem cabeça.

- Deixa-me adivinhar, eu vou ser a cabeça, certo? – Perguntei, levantando-me e destapando-me, pregando-lhe um susto enorme.

Ele ficou pálido.

- Mas... mas como? – Disse, tremendo por todos os lados. – Tu estás morta.

- Não, estou bem vivinha. E tu estás bem tramado.

Agarrou numa faca, a que usava para fazer as dissecções nas pessoas de quem usava os membros, e começou a atacar-me. Defendi-me como pude. Apesar de num dia normal o conseguir pôr no chão em três tempos, tinha acabado de sair de um coma profundo e ainda estava fraquinha. Mesmo assim desarmei-o. A polícia chegou e prendeu-o. Os Connor vinham atrás. Tanto a polícia como eles ficaram escandalizados com o que viram.

Fiquei no hospital mais três dias para observação e quando a enfermeira disse que podia voltar para casa foi como se me tivesse dado o mundo.

- É verdade… - Disse, chegando a casa dos Connor. – Quem é que me deu uma pancada na cabeça?

- Foi um ladrão. – Disse Luc.

- Um ladrão? Eu combato demónios e um ladrão mete-me em coma?

- Acredites ou não. Encontraram-no com a tua carteira. Já não era a primeira vez que punha alguém em coma, aparentemente trabalhava para o médico, foram os dois presos.

- Uau, e eu a pensar que os piores que podia encontrar eram os demónios.

- Por falar nesses, vais levar as coisas com mais calma certo? – Perguntou Louis.

- Não foram bem eles que me puseram em coma...

- Não interessa. Promete que vais levar as coisas com mais calma. – Pediu Luc.

- Tudo bem, prometo.

 

Vá lá ghosts'zinhos, não me falhem ^^

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