Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 20.02.11

Este é um dos capítulos importantes :o

São todos, mas pronto, vocês percebem

 

Capítulo 12

O Confronto

 

Após voltar para casa depois do coma tive duas semanas muito calmas. Matei apenas dois demónios. Os Connor fizeram de tudo para que eu não tivesse que me esforçar ao mínimo, apesar de eu afirmar que estava bem. Chad e Luc foram a várias caçadas, guiando-se pelo meu livro para saberem como os matar. Sheilla, Claire e Sue também iam. Só fui naquelas duas porque eles foram feitos reféns. Passei a maior parte dos meus dias a brincar com os pequenos Chad e Luc. Já faziam quase sete meses desde que tinha voltado a São Francisco e conhecido os Connor. O tempo passara num piscar de olhos.

Agora estava em casa, sentada no sofá, a ler um livro sobre homicídios quando Sue entrou pela porta, assustando-me.

- Sue! – Exclamei. – Tens mesmo que parar de fazer isso, qualquer dia dá-me uma coisinha má.

- Desculpa, desculpa, só vim ver como estavas.

- Estou bem, quantas vezes é que é preciso dizer?

- Várias. – Riu-se.

Falámos durante a tarde quase toda. Quando ela se foi embora fui aquecer comida para jantar. Depois vi televisão mas quando eram dez e meia da noite já estava na cama.

Tive uma noite muito calma.

Era sábado e tinha que ir ajudar nos preparativos do High Spot para o dia de São Valentim na segunda-feira. Não era das minhas datas preferidas mas mesmo assim não detestava. Fui ter com eles ao bar e enfeitámos tudo. Divertimo-nos bastante, eu, Sue e Chad. Luc tinha ido com Sheilla caçar. Almoçámos juntos e passámos a tarde em casa dos Connor. Quando fui para casa já estava de noite. Voltei a comer restos.

Tive um pesadelo horrível. Acordei aos gritos e toda transpirada. Sentei-me na cama e respirei fundo, tentando acalmar-me. Era aproximadamente sete da manhã.

Vesti umas calças de ganga com uma blusa de manga comprida e calcei uns ténis. Corri até à casa dos Connor e pelo caminho arrependi-me de não ter carro. Seria uma coisa que teria que pensar seriamente em comprar… isto se conseguisse. Cheguei ofegante, abri a porta, que como sempre não estava trancada, e subi as escadas a correr, tentando não fazer muito barulho por causa dos pequenos. Entrei no quarto de Chad e Luc e acordei-os.

- Chad, Luc, vá lá, acordem, têm que me ouvir. Estão a ouvir? Acordem!

- O que foi? – Perguntou Chad, com uma voz sonolenta.

- É… eu… e depois… É hoje! – Exclamei, quase sem fôlego e completamente em pânico.

- Podes ser mais explícita? – Perguntou Luc, com um tom parecido ao do irmão.

- É hoje que eu morro.

Luc levantou-se de um salto e veio ter comigo. Na sua cara estava o pânico.

- Como é que sabes?

- Eu sonhei.

- Mas sabes que as coisas podem mudar Jô, se tu sabes o que vai acontecer podes mudar, essa é a principal razão para teres esses sonhos. – Disse Chad, agora sentado na sua cama e já bem acordado.

- Eu sei mas... – Sentei-me na cama de Luc e este sentou-se ao meu lado. – Eu sonhei que ele vinha ter cá a casa, mas ao contrário do que vocês dizem do futuro, ele não me mata só a mim. Primeiro faz-me ver as vossas mortes, de todos, dos vossos pais, da Claire, da Sue, do Rick, do Josh... e da vossa versão mais pequena. – A voz começou-me a falhar por causa do pânico.

- Tem calma, vai correr tudo bem, nós vamos arranjar qualquer coisa, não te preocupes. – Disse Luc, pondo a sua mão nos meus ombros, tentando acalmar-me.

- Eu não quero morrer. – Sussurrei.

- E não vais, não do que depender de nós. – Disse Chad, agora já sentado ao meu lado.

Chad e Luc acordaram o resto da casa e chamaram o resto da família, menos Rick que não iria lá fazer nada sem ser ajudar a criar mais pânico. Falámos de vários planos, técnicas, distracções, mas não chegámos a nenhuma conclusão. Estava quase na hora em que eu tinha visto o Mestre aparecer, meio-dia exacto, e agora faltavam apenas vinte e cinco minutos. Eles tentavam não mostrar mas estavam tão assustados como eu. Louis tinha ido levar os pequenos à sua sogra mas agora já regressara e juntara-se para tentar ajudar a encontrar uma solução. Faltavam dez minutos quando Luc subiu e foi buscar uma coisa ao quarto. Eu segui-o mas fiquei no corredor. Quando ele saiu do quarto começámos a falar.

- Tem calma, vai correr tudo bem. – Disse-me.

- Pois, claro que sim, não temos plano, nem sabemos como o matar, mas sim, não há nada para me preocupar, ele só nos vai matar a todos. – Respondi, usando o sarcasmo para esconder o meu pânico.

- Jô. Nós vamos fugir, eu levo-te para um sítio seguro, um sítio em que ele não te encontre e depois volto. Tu és a única que o pode matar.

- O quê?! Tu não deves estar bom. Ele mata-vos a todos na hora. Nem penses, eu não vos vou deixar.

- Jô vá lá, não sejas assim.

- Eu posso ser muita coisa mas não sou cobarde, e não deixo os meus amigos para trás. Eu não vou fugir e não me vou esconder e sobretudo não vos vou abandonar.

Nisto soaram as badaladas do meio-dia e ouvimos barulho lá em baixo. Reconheci a voz que tinha ouvido no futuro. A voz do Mestre.

- Desculpa. – Disse Luc. – Tu não me deixas alternativa. – E levantou a mão, pronto a teletransportar-me. – Para o caso de não ter uma altura melhor para dizer… Amo-te.

- Luc não! – Tarde demais, encontrava-me agora em plena Chinatown. – Luc! – Gritei. – Luc leva-me de volta! Luc!

As pessoas passavam e olhavam todas para mim.

- O que foi? Nunca viram? Sim estou a gritar sozinha. – Dizia-lhes.

Levei as mãos à cabeça, em pânico. Não sabia o que fazer. Pelo menos as crianças estavam a salvo… por agora.

Comecei a andar e tive a sorte de encontrar boleia. Deixaram-me duas ruas abaixo da casa dos Connor e fui a correr até lá. Quando cheguei a casa estava uma desgraça. Móveis com queimaduras, possivelmente dos poderes de Sheilla, enquanto se tentava defender, papéis por todos os lados, vidros partidos, era como se um tornado tivesse passado por ali.

- Luc. – Sussurrei, deixando escorrer uma lágrima. – Também te amo.

Ouvi um barulho vindo detrás de mim e vi pelo reflexo de um vidro uma bola de fogo a vir contra mim. Tive tempo de me desviar e virar-me. Imobilizei-o. Tinha o cabelo ruivo, pelos ombros, roupa toda preta, de cabedal e um bigode. Desmobilizei-lhe a cabeça.

- Quem és e o que queres? – Perguntei, com a voz rígida.

- Quero-te a ti.

Explodi-lhe um braço. Ele deitou um grito de dor.

- Eu não tenho tempo para brincadeiras por isso vamos tentar outra vez. O que é que fazes aqui?

- Mandaram-me. Para te matar e levar-te para o Mestre.

- Isso faz de ti um caçador de recompensas.

- E de ti a minha garantia de que a vou receber.

- E, supostamente, tens que me entregar morta certo? – Um plano começava a formar-se na minha cabeça…

- Se deres muita luta, mas bem, até mete pena matar-te, esse corpinho...

Explodi-lhe o outro braço.

- Eu disse para parares de brincar, não te esqueças que ainda tens muitos membros, o próximo é um dos dedos dos pés. Responde à pergunta.

- Sim, morta.

- Ele tem os meus amigos lá?

- Sim, e em breve, vais-lhes fazer companhia.

- Bem podes apostar.

Explodi-o.

- Obrigada. – Disse, para o ar. – Acabaste de me dar uma óptima ideia.

Fui até ao escritório onde estava o livro escondido e abri-o. Vi os dois únicos feitiços de que ia precisar. Um para me transformar noutra pessoa, mudando tudo, corpo, cabelo… e outro para transformar um objecto noutra coisa.

Comecei por esse do objecto. Fui buscar uma bola ao quarto dos pequenos e pus em cima da secretária. Sussurrei o feitiço e imaginei no que queria que a bola se transformasse. A bola tomou a forma da minha cabeça, como se tivesse sido decapitada, o que fez com me arrepiasse dos pés à cabeça. Era demasiado real, de certeza que ninguém iria duvidar.

De seguida pus-me em frente ao espelho, fechei os olhos e sussurrei o outro feitiço, este faria com me transformasse na imagem que imaginava. Quando voltei a abrir aos olhos estava-me a ver ao espelho, mas em vez de estar a olhar para mim, olhava para uma rapariga completamente diferente. Agora estava loira, com o cabelo até meio das costas, apanhado numa grande trança e de olhos pretos. O corpo não estava muito diferente do meu, apenas um pouco mais alto, e as feições não tinham nada a ver.

Fui até ao sótão e abri a arca com os disfarces de Halloween dos outros anos. Eu guardara lá os meus porque não havia sótão no meu prédio e não tinha espaço para tanta roupa. Vesti um top preto, de cabedal, muito justinho e muito curtinho, a mostrar o umbigo, com uns calções curtinhos também pretos, de cabedal e umas botas pretas de salto alto até acima dos joelhos. Olhei-me de novo ao espelho, estava completamente como uma demónia. Estava a tremer o queixo de frio mas tive que me recompor pois os demónios não sentem o frio, apenas o calor. Pus uma faca no cinto e decorei um feitiço, feito por mim, que supostamente destruiria o Mestre, apesar de ser o primeiro que tinha escrito. Preparei uma poção que me levaria para onde eu desejasse e agarrei no saco com a minha “cabeça” lá dentro. Já era praticamente de noite, mandei a poção ao chão e num piscar de olhos estava em frente a um homem-demónio gigantesco.

- Posso ajudar? – Perguntou.

«Ui, estamos tão civilizados.»

- Vim para ver o Mestre. – Respondi sem pensar duas vezes apesar de estar a ficar aterrorizada.

- Ha, ha, ha. Ele não está a receber ninguém.

- É importante, tenho uma coisa que ele quer.

- Ai sim? E isso seria o quê?

- Isto. – Abri o saco, mostrando-lhe a cabeça.

- Qual é a senha?

«Senha?!». Agarrei-o e mandei-o contra a parede, tirei a faca e encostei-lha ao pescoço.

- Eu preciso de ver o Mestre, o que é que ainda há para perceber?!

- Senha correcta, podes entrar.

Entrei para uma caverna escura. Havia apenas a iluminação das tochas, que não eram muitas. Os Connor estavam dentro de uma cela, ao fundo da caverna. Por um instante fiquei aliviada, mas depois vi-o. O Mestre. Estava tal e qual como quando o tinha visto no futuro, não mudara nem um bocadinho, excepto pela cicatriz que tinha e que supostamente eu lhe tinha feito, que ainda não estava lá.

Veio ter de frente para mim. Lembrei-me que tinha que pôr em prática os meus dotes como actriz, não ia deitar tudo a perder agora.

- Tenho uma coisa que lhe vai agradar Mestre. – Disse, abrindo o saco enquanto ele se aproximava para ver.

Lançou um riso maléfico que se ouvia perfeitamente.

- Como é que uma demóniazinha como tu conseguiu tal proeza? – Perguntou.

Ri-me.

- Quando se trata de humanos, só temos que saber onde acertar, foi só saber que os seus amiguinhos estavam mortos, que quase implorou para ser morta, apesar de ser mentira… mas isso ela não sabia. – Sorri, maleficamente.

- Não! – Gritava Luc. – Ela não está morta, não pode!

O Mestre tirou-me o saco e mandou-o contra a parede, fazendo com que a cabeça caísse. Vieram as lágrimas ao rosto de toda a família. Louis, Claire, Josh e Sheilla tentavam fazer-se de fortes mas Sue, Chad e Luc estavam inconsoláveis, especialmente o último.

- Eu vou matar-te. Eu juro que te mato! – Gritava ele, para mim.

O Mestre riu-se uma vez mais.

- Bem, fico feliz, muito feliz mesmo. Podes sair, a tua recompensa espera-te. – Disse-me.

- Não! – Exclamei.

- Como?! – Parecia indignado.

- A recompensa é boa, mas para o trabalho que tive, mereço mais. Quero mais.

- Como o quê?

- Bem, para começar quero mais poderes. Sabe, sempre quis voar… depois podemos aumentar-me os direitos e as imunidades, sim, porque aqui ninguém me respeita. E mais uma coisa, quero-me tornar sua esposa.

- Como?!

- Pense bem, geraríamos um herdeiro, o mais forte e temido dos herdeiros. Seria o puro Mal.

- Não me desagrada.

- E depois, podia fazer o que quisesse comigo, sendo eu sua mulher é claro.

- Se eu aceitar?

- Não se irá arrepender.

Parecia estar a acreditar, o que era óptimo para mim. Os Connor continuavam a observar-me. Custou-me imenso ter que os fazer acreditar que estava morta mas de outra maneira não resultaria. Isto já não tinha absolutamente nada a ver com o meu sonho.

- Eu aceito. – Acabou o Mestre por dizer, enquanto tentava dar-me um aperto de mão.

- Um aperto de mão? Nós vamos casar-nos, eu mereço mais. – E dei-lhe um abraço, tirando muito discretamente a chave que abria a cela onde eles estavam. Comecei a sussurrar-lhe ao ouvido. – Sabes, o vosso grande problema é a ambição, isso estraga tudo.

E depois, com o meu poder de telicnese mandei-o contra a parede mais afastada. Corri até à cela e tentei abri-la. Eles não percebiam nada do que se estava a passar.

Senti puxarem-me e empurrarem-me contra uma parede. Caí, deitada no chão de barriga para baixo. Virei-me, o Mestre estava mesmo junto a mim.

- Pensavas que me enganavas Bruxa?!

- Na verdade não. Mas a verdade é que enganei.

Voltou a levantar-me e a mandar-me contra outra parede. Levantei-me, tentei mandá-lo ao chão ou fazer com que recuasse, apesar de não me servir de muito. Mandou-me de novo contra outra parede, fazendo com que ficasse mais perto da cela, ainda fechada.

- Luc. – Disse, com a voz a fraquejar. – Dá-me a mão, rápido.

Eles já tinham percebido tudo e Luc obedeceu sem um piscar de olhos.

- Mão com mão partilhamos os poderes – Comecei a dizer alto. – O poder usado para destruir o Mestre. Ele deverá morrer sem retornar. Vai decompor-se e não vai voltar.

O Mestre, que vinha a toda a velocidade contra mim começou a desfazer-se em pó até desaparecer completamente. Levantei-me e abri a cela.

- Vês? Não fugi e ainda estou viva. – Disse a Luc, sorrindo. Nesse preciso momento senti-me toda a fraquejar, voltei a ter a minha aparência e perdi as forças, caindo de contra a Luc, que me agarrou. A última coisa que me lembro foi de Luc estar a chamar por mim.

 

E agora? Será que morreu? Será que não morreu?

Comentem ^^

btw: o próximo capítulo é uma miniatura, logo se comentarem ainda o posto hoje ^^

27 comentários

Comentar post

Pág. 1/2