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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 20.02.11

Capítulo 13

Julgamento

 

Acordei no meio de uma sala redonda. Tinha o chão e as paredes brancas, só tinha uma porta, enorme, também branca, que se encontrava aberta. À volta da sala estavam várias pessoas, sentadas em círculo.

Levantei-me um pouco tonta, tive uma grande dificuldade em equilibrar-me. As minhas lembranças estavam um pouco distorcidas. Reparei que no chão havia um género de um lago. Um homem veio ter comigo.

- Como te sentes? – Perguntou.

Reparei pela túnica que era um Criador e quando olhei melhor em volta vi que todos eles eram. No meio daquela multidão toda estava o Criador que eu tinha visto na casa dos Connor, quando os conheci.

- Mais ou menos, onde é que eu estou? – Perguntei, já menos tonta.

- Estás num Conselho.

- Num Conselho? – Perguntei. De repente veio-me uma grande lembrança à cabeça. – O Mestre?

- Acabaste com ele. E sim, estás num Conselho, aqui reunimo-nos cada vez que alguém de grande importância morre.

Senti um grande frio na barriga e fiquei em pele de galinha.

- Isso significa que eu afinal acabei por morrer. – Disse, tentando conter as lágrimas. – Então e porque é que se reúnem?

- Para ver se essa pessoa merece uma segunda oportunidade ou não. Tu estás aqui para nos dizeres motivos pelos quais deves continuar viva, nós vamos votar e decidir se ficas ou não. Vamos dar início ao Conselho.

As portas fecharam-se e calaram-se todos. O Criador que estava a falar comigo sentou-se também numa cadeira, que parecia estar a flutuar no ar e começou a falar.

- Gostas de estar viva?

- Isso só pode ter alguma rasteira. – Respondi. – Claro que gosto de estar viva.

- Eu estou aqui para te aconselhar o que responder. – Disse-me outro, que se chegou ao pé de mim.

- Esperem lá. – Disse. – Isto é como no tribunal? Advogados e tudo?

Acenaram que sim. Continuei.

- E é assim que decidem se as pessoas vivem ou morrem. – De repente senti uma necessidade imensa de largar uma gargalhada. – Isso é ridículo! Eu não preciso de advogado, obrigada. – Disse, virando-me agora para o meu “advogado”.

- Que insolência é essa? – Perguntou outro, levantando-se no meio da multidão, indignado. – Esta rapariga nunca fez nada por nós e não nos respeita. Nem percebo a dúvida que há acerca da sua morte.

- Desculpe?! – Perguntei num tom sarcástico. – Eu também não gosto de vocês, mas não vos desejo a morte. E por acaso já fiz muito por vocês. Destrui centenas de demónios por vocês e agora morri a combater outro.

Ele sentou-se de novo.

- Prosseguindo. – Continuou o que me fazia as perguntas. – Tens a certeza que não queres um “advogado”, como tu dizes?

- Absoluta.

- Muito bem, continuando, porque achas que tens mais direito a viver que as outras pessoas?

Não estava à espera dessa pergunta e fiquei sem palavras. Recompus-me e avancei.

- Eu não acho que deva viver mais que as outras pessoas.

- Não. Interessante, é a primeira vez que alguém me diz isso. Porquê então?

- Todos devíamos ter o direito igual de viver. Eu não sou mais importante que a minha vizinha ou que o homem da tasca, sou apenas diferente. Não interprete mal, eu não quero morrer, mas também não quero viver à custa da vida de outra pessoa. Eu adoro a minha vida e adoro ser uma bruxa, apesar de às vezes ser muito complicado e dar muitas chatices.

- Interessante…Se pudesses voltar à vida, o que farias em primeiro lugar?

- Dizia ao Luc o que sinto por ele.

Ficaram todos pasmados a olhar para mim.

- É verdade. – Reforcei.

- E tens a certeza que não te achas com mais direitos a viver do que outras pessoas? Quer dizer, tu já salvaste muitas vidas…

- Eu sei. Mas não, não tem nada a ver. Mas posso garantir que se me concedessem a minha segunda oportunidade eu poderia eventualmente salvar a minha vizinha ou o homem da tasca. Sem mim lá os Connor vão ficar sem tempo para nada, como era antes. Os demónios vão começar a avançar e a ficar mais fortes e vão haver muitas mortes. Talvez mortes que eu poderia evitar. Ninguém ganha nada se eu ficar morta. – Arrebatei.

- É verdade. Iremos reunir-nos, saberás a resposta dentro de instantes.

- É só isto? – Perguntei desconfiada.

- Esperavas mais?

- Não sabia muito bem o que esperar.

Aproximei-me do lago. Vi os Connor, em pé, ao pé do meu corpo, que estava deitado numa cama.

Passado um pouco senti uma dor aguda no peito e acordei. Estava deitada na cama de Luc, ainda com a roupa que tinha usado para me disfarçar para combater o Mestre mas já com o meu aspecto normal. Sentei-me, ainda um bocado atordoada e olhei para o relógio. Eram oito da noite. Como quando tinha ido ver o mestre eram quase oito, percebi que já tinha passado um dia.

- Obrigado! – Exclamei, a olhar para cima e a sorrir.

Levantei-me e corri escadas abaixo. Sheilla, Louis, Claire e Sue estavam na sala. Fiquei parada nas escadas por uns instantes a ouvi-los a falar.

- E agora? Quem é que me vai dar conselhos de moda? – Dizia Sheilla entre soluços.

- E quem é que vai dizer que vai ficar tudo bem, mesmo quando o mundo está a acabar? – Perguntava Sue, com uma lágrima a cair.

- Ela não merecia. Vou ter tantas saudades. – Afirmava Claire, enquanto Louis e Josh as tentavam acalmar a todas.

- Calma. – Disse eu, das escadas. – Está tudo bem, eu estou bem.

Eles viraram-se para mim e ficaram em estado de choque por uns segundos, mas quando passou vieram a correr ter comigo. Entre abraços e saudações lembrei-me de Chad e Luc. Luc, precisava de falar com ele urgentemente. Agora que estava viva e sem perigo de morrer, pelo menos por agora, as coisas no que dependesse de mim, iam mudar. Fazia questão que ele soubesse como me sentia.

- Onde é que está o Luc? – Perguntei, por fim.

Ficaram a olhar para mim. Por fim Claire respondeu.

- Voltaram para o Futuro.

- O quê? Quando? Não podem! – O pânico instalou-se em mim.

- Foram ter há pouco com os Criadores, para os mandarem de volta. – Continuou Claire.

- Mas… - Caiu-me uma lágrima. – Mas… ele não se pode ir embora, não agora.

- Jô querida….

- Leva-me até eles. – Implorei a Sue.

- Querida, nós não sabemos se eles já não foram. – Respondeu-me.

- Não interessa, tenho que tentar, Sue, por favor, imploro-te. Eu amo-o.

- Muito bem, vou tentar. Dá-me a mão. Aviso já que não sei ao certo onde é, apenas nos vou poder pôr dentro do mesmo espaço.

- É óptimo.

Chegámos a uma sala com muita luz, definitivamente muito diferente do covil do Mestre. Corremos aquilo de um lado ao outro mas nada. Estava a começar a desesperar. «Luc!» gritava durante todo o tempo. Fizemos uma curva e avistei-os, Chad e Luc, prestes a entrarem num portal.

- Luc! Luc não! – Gritava enquanto corria até ele. – Não vás!

Quando parei quase a dois metros dele estava morta de cansaço.

- Jô… - Disse-me, com uma lágrima a cair-lhe. – Tu estás viva!

- Sim, eu estou viva. – Disse, inclinada com as mãos nos joelhos, tentando recuperar o fôlego.

- Mas como?

- Não interessa, Luc não vás, não me deixes.

- Jô…

- Eu amo-te. Se eu soubesse que ia sobreviver tinha-te dito logo desde o primeiro momento que te conheci, mas tinha a certeza que ia morrer e preferia que chorasses a morte de uma amiga que de uma namorada, desculpa, mas agora que não morri contra o Mestre morro se tu te fores embora.

- Tem calma. – Disse aproximando-se lentamente de mim.

- A sério, eu… - Endireitei-me e olhei para ele.

- Tu falas demais. – Disse-me, agarrando-me e beijando-me de seguida.

Ficámos uns momentos a olhar um para o outro até que Chad falou.

- Rico dia de São Valentim não é maninho? – Perguntou no gozo, dando-lhe uma palmada nas costas e piscando-me o olho. – Mas a sério Jô, ainda bem que estás bem.

Voltámos para casa dos Connor e Sheilla ficou felicíssima por ter os filhos mais velhos por mais tempo. À noite fomos todos para o High Spot, para a festa do dia dos namorados e depois fui para casa. Tive um sonho maravilhoso. Sonhei com o meu novo namorado, Luc.

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