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One Shot - Rebeldia Angelical

por Andrusca ღ, em 21.02.11

E aqui está o conto que fiz com a M. e a N. para Português ^^

Ao principio não sabíamos sobre o que fazer, mas então na aula de Filosofia (sim, as ideias só surgem nestes momentos) eu dei uma ideia e a N. outra e assim sucessivamente, e depois quando contámos à M. ela lá arranjou um final todo fixe :D

E depois pronto, foi escrever xD

Para começar, devo dizer que me inspirei um pouco na fic do Vitor, a Eternity, para dar início ahah

Sente-te lisonjeado, sim? c:

Espero que gostem :D

 

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Enquanto contemplava a calma e a paz por detrás de todas aquelas nuvens com forma de algodão, sentia que qualquer coisa viria perturbar o meu sossego.

Eu morri nova, tinha apenas 19 anos, desde então que me tornei um anjo. A morte foi fácil, não senti dor e muito menos deixei alguém para trás.

Desde que me elevei aos céus – há aproximadamente nove anos –, que a paz tem sido eterna. Não preciso de dormir, e as comidas são divinais. É o melhor sítio onde alguma vez poderia ter vindo parar.

Vi Gabriel, um dos anjos com os postos mais altos do céu, dirigir-se a mim.

O seu cabelo castanho caía-lhe sobre os ombros, e o seu olhar estava preso à minha figura.

Levantei-me da minha cama confortável feita de nuvem e dei poucos passos na sua direcção. Parecia preocupado.

- O que se passa? – Perguntei-lhe.

- Kim, nós temos uma missão para ti, minha irmã. E é uma de grande responsabilidade.

Uma missão? Porque é que os anjos me dariam a mim uma missão? E ainda por cima sendo uma com grande importância?

- Que missão? – Perguntei.

- Tu deves descer à terra e encontrar um dos filhos do Diabo, que aos poucos está a criar o caos por toda a parte.

- Um filho do Diabo? Mas Gabriel, com todo o respeito, não deveria ir um dos anjos mais experientes? Porquê eu?

Ele pousou a sua mão no meu ombro e a sua expressão aliviou, chegando mesmo quase a mostrar um sorriso.

- Desta vez é contigo – proferiu – Se te escolheram é porque sabem que és capaz.

- Mas… - ele levantou o dedo em sinal que eu me calasse e retomou a fala.

- Deves partir imediatamente.

E assim foi. Fui levada a uma pequena sala branca – como são todas as outras no Céu –, e lá fui ajudada, por outros anjos, a trocar o meu longo vestido de veludo branco, idêntico ao que todos usam, por uma roupa mais normal na Terra. Vesti uma blusa também ela branca, e umas calças de ganga, e enfiei os meus pés – que se encontravam, como sempre, descalços – num par de ténis.

E meu longo cabelo loiro permaneceu na trança em que já se encontrava, e adicionei-lhe apenas um pequeno gancho prateado, que me permitiria comunicar com os outros anjos e esconder as minhas asas.

E assim, depois de receber instruções e algum dinheiro para me orientar, desci à terra com a ajuda das minhas asas angelicais.

Aterrei num pequeno descampado aparentemente longe de tudo, na cidade de Ohio e depois de tornar as minhas asas invisíveis, escondendo-as assim dos humanos, comecei a caminhar.

Passada meia hora de estar a andar, finalmente entrei na cidade, e senti, instantaneamente, a falta da paz à qual já me tinha acostumado.

As pessoas andavam de um lado para o outro feitas baratas tontas, e as buzinadelas dos carros eram deveras irritantes.

Comecei a olhar em volta à procura de caos, mas comparada com o Céu, toda esta cidade o era.

Procurei por alguém que permanecesse calmo, imperturbado pelo barulho e toda a confusão que só as pessoas conseguiam fazer, e essa pessoa seria o filho do Diabo. Mas infelizmente, não tive sorte.

Só de pensar que há apenas nove anos eu vivia neste mundo… mas nem tudo é mau e barulhento. Vê-se perfeitamente que há sentimentos, emoções, espalhadas por todo o lado.

Parei num daqueles carrinhos que vendem gelados e decidi comprar um de baunilha.

Ia a fazer uma curva quando esbarrei num homem mais alto que eu, com o cabelo escuro e olhos negros, e o meu gelado foi directo ao seu fato preto.

- Sua ignorante! – Gritou ele, nesse mesmo instante.

- Peço imensa desculpa! – Disse-lhe, a tentar limpar-lhe o fato com o guardanapo que trazia.

- Larga-me! – Ao dizer isto, olhou para mim pela primeira vez e foi como se tivesse ficado completamente hipnotizado. À medida que ele se perdia nos meus olhos, eu perdia-me nos dele. Não sei o que havia naquele belo estranho, mas havia alguma coisa que me impedia de deixar de olhar para ele. Era como se quando desviasse o meu olhar do seu, o mundo pudesse ruir logo a seguir.

Mas eventualmente ambos tivemos que acordar e regressar ao mundo real. Eu fui a primeira a quebrar o silêncio constrangedor.

- Foi sem querer – disse-lhe.

- Não faz mal – murmurou. Fiquei surpreendida com esta sua resposta, especialmente a julgar pela maneira como me falou da primeira vez.

Mais uma vez o silêncio reinou e como não sabia que mais dizer, contornei-o e dei poucos passos em frente.

- Espera! – Fui agarrada por um braço e virada para ele – Queres ir tomar um café?

Tomar um café? Primeiro discute comigo por causa de um acidente, e agora convida-me para um café? Mas o mais estranho é que na verdade eu queria aceitar. Algo me puxava para aquele homem com um aspecto um pouco misterioso, e eu não queria recusar o seu pedido. Mas tinha que manter em mente que tinha uma missão a cumprir, tinha que encontrar o filho do Diabo e depois regressar ao Céu.

- Não posso – acabei por dizer, a custo.

- Porquê?

- Eu tenho… uma coisa para fazer. Desculpa mais uma vez desculpa por te ter sujado o casaco e a camisa.

Voltei a tentar retomar o meu caminho, mas ele ainda não me tinha largado o braço.

- Vá lá – pediu, pondo-se à minha frente – É só um café, olha que eu não vou desistir.

- Está bem… mas é um café rápido.

- Anda por aqui – virou-se para o sítio para onde se dirigia antes de embater em mim e eu segui-o – Como te chamas?

- Kim, e tu?

- Luke.

Entrámos num café com um aspecto muito fino e perguntei-me se não seria mais simples termos ido a um menos elegante, e se ele costumava frequentar este tipo de locais. Mas porque é que me importa tanto percebê-lo?

Sentámo-nos numa mesa, um em frente para o outro, e em seguida a empregada chegou para nos perguntar o que queríamos. Ambos pedimos um café.

Estivemos a conversar durante mais tempo do que tinha previsto e quando dei por mim tinha desperdiçado um dia em que podia estar a cumprir a missão, com um rapaz que ainda há pouco conheci. E surpreendentemente não me arrependia.

Ele disse-me que tinha vindo de Miami e que estava aqui também de passagem.

Passaram-se duas semanas e tenho estado cada vez mais afastada da minha missão. Ao longo deste tempo tenho-me encontrado com Luke.

Descobri com ele sentimentos que desde que não tinha uma vida humana, não sentia. Continuava com plena consciência que não era humana, mas ao lado dele sentia-me como tal. Era oficial, estava-me a apaixonar por um rapaz que tinha conhecido há pouco menos de meio mês.

Passados uns dias, Luke e eu decidimos marcar um encontro, desta vez ia ser algo mais sofisticado.

Levou-me ao restaurante mais fino da cidade, no entanto para mim bastava apenas a sua companhia, mas ele insistiu.

Já a meio do jantar começou a parecer estranho, estava nervoso, repetia palavras, parecia que ia fazer algo importante.

Quando dei por mim ele agarrou-me na mão e um choque eléctrico percorreu o meu corpo, fazendo mesmo aparecer uma pequena faísca entre as nossas mãos. Eram como opostos. E eram, de facto, opostos na realidade. Nesse momento o meu coração partiu-se em mil bocadinhos. Agora sabia quem Luke, o rapaz que me fizera sentir eu novamente, era de facto. Ele era a minha missão. Ele era… o filho do Diabo.

Aí também ele percebeu que eu não era mortal, que era um anjo. Consegui ver no seu olhar desilusão e dor, tal como eu também sentia.

Até parecia que conseguia ouvir Gabriel a dizer-me que eu tinha uma missão e que tinha de cumpri-la. No entanto não tive coragem. Simplesmente não era capaz de destruir o rapaz que me fez restituir a minha humanidade e experimentar sentimentos tão únicos como estes.

Ambos ficámos em pânico e especados por um bocado, já com as mãos afastadas. Acho que nenhum de nós sabia o que dizer. Ainda estávamos os dois em choque.

Senti os meus olhos a ficarem enlagrimados e levantei-me repentinamente dirigindo-me à saída. Eu não merecia isto. Se fui boa o suficiente para ir para o Céu, porque estaria agora a ser castigada ao viver um amor impossível?

Senti um toque no ombro e virei-me para trás e lá estava ele. Já não me tinha dado um choque. Eu sabia do que tinha sido aquilo, ele tinha-me tentado transformar em má, para assim podermos estar juntos. E eu não o culpo, afinal, eu transformá-lo-ia em bom se pudesse.

Ele simplesmente abanou a cabeça, baixando-a em seguida e começou a caminhar.

Não sei o que se passou pela minha cabeça, só sei que não o podia deixar ir. Não o podia perder. Sei que não o conheço há tempo suficiente para dizer que é para sempre, mas é assim que me sinto, e neste momento não me importam as consequências.

Num acto de desespero agarrei-lhe a mão e beijei-o como nunca antes beijei alguém, talvez por saber que nunca mais ia amar alguém como o amava a ele ou simplesmente por saber que um de nós iria ter de morrer.

- Aconteça o que acontecer, quero que saibas que foste a primeira e última pessoa que amei – disse-me ele, com um tom de sinceridade incrível que nunca pensei que alguém vindo do Inferno conseguisse usar.

Passei dias sem saber o que fazer, o que diria Gabriel quando descobrisse tudo?

Já não aguentava mais, não ia esconder o que sentia, não o poderia fazer. Foi então que decidi ir ao Céu, e falar com Gabriel.

-O que te trás por cá Kim? Já terminaste a tua missão? – Perguntou ele com um ar curioso.

- Pois Gabriel… Era sobre isso que eu queria falar contigo… a verdade é que já encontrei o filho do Diabo, mas eu… - parei a meio. Não sabia como o dizer. Ainda bem eu própria tinha percebido como algo deste género tinha acontecido, não seria capaz de lhe explicar. Mas tinha que dizer qualquer coisa, porque ele estava a olhar para mim com a maior atenção possível – Eu… eu apaixonei-me por ele Gabriel. Apaixonei-me por um dos filhos do Diabo – disse-lhe, a medo da resposta que me viria a dar.

- Estás louca? Tu nem por humanos te podes apaixonar, quanto mais por um diabo! – Gritou-me Gabriel, com um ar demasiado autoritário.

Do nada ouviram-se relâmpagos, o que outrora era um sítio pacifico era agora um cenário de guerra. Ficou tudo negro, e quando dei por mim tinha todos os meus amigos anjos a olharem para mim de lado. Senti-me como uma aberração num circo. Gabriel chamou-me à parte e disse-me:

- Sempre foste um anjo exemplar Kim, por isso tens vinte e quatro horas para transformares o filho do Diabo num ser bom, se conseguires fazer isso podes ficar com ele, e todos nós vos aceitaremos aqui no Céu, no entanto se não fizeres isso em vinte e quatro horas, serás banida daqui e terás de viver novamente na Terra. Boa sorte.

- Obrigado Gabriel, não te vou desiludir!

- Vinte e quatro horas – repetiu.

Após regressar à Terra, procurei Luke por toda a parte mas não o encontrei, de repente senti alguém atrás de mim. Virei-me e vi um homem bastante atraente, por quem os anos pareciam ter sido bastante generosos.

- Posso ajudá-lo? – Perguntei. Um sorriso desenhou-se nos seus lábios, mas ao olhar para os seus olhos vi que sentiam tudo menos vontade de sorrir por bondade.

Um calafrio trespassou-me o corpo todo e de um momento para o outro senti medo, algo que não sentia há muito.

- Está na hora de acabar contigo – disse ele de forma bruta e a agarrar-me no braço com uma força extrema.

Dava para sentir o desejo que ele tinha por dor. Só reconheceria este tipo de desejo de uma forma tão intensa numa criatura. Ele não é mortal, não é bom, e todos têm medo dele. Ele é o Diabo. E por planear transformar um dos seus filhos numa pessoa boa, ele queria-me morta.

Quando dei por mim estava num sítio estranho, não se vê ninguém mas ouvem-se os gritos das almas que estão condenadas a passar lá toda a eternidade. Eu simplesmente não queria acreditar que Luke, o meu Luke, aquele rapaz querido e simpático tinha nascido e passado toda a sua vida aqui, no Inferno.

Levantei-me um pouco desengonçada do chão, onde há poucos segundos atrás me encontrava desmaiada, e cambaleei um pouco ao tentar equilibrar-me.

Nunca pensei em como o Inferno seria. Claro que no Céu já tinha ouvido histórias, mas nunca ninguém cá tinha estado.

Não é nada agradável, é quente, muito quente, é como o interior de um vulcão.

A única porta da sala redonda onde me encontrava abriu-se, e vi a figura do Diabo aparecer, dirigindo-se a mim.

- Finalmente acordaste – disse, maquiavélico como sempre imaginei que fosse – Tive medo de te ter dado com força demais… afinal, tu passaste quase um dia a dormir.

E em seguida riu-se. Quase um dia? O quê? Não era possível.

- É verdade – disse-me, como se me lesse o pensamento. Aproximou o seu pulso de mim e pude ver no seu relógio que tinha mesmo passado demasiado tempo. Tinha menos de dez minutos para converter Luke numa boa pessoa, ou nem sequer valia a pena pensar em regressar ao Céu.

Neste momento, estava tudo contra mim, não tinha qualquer hipótese de sair vencedora da situação.

- Bem, espero que estejas consciente de que vais morrer aqui. É que desde que o Luke te conheceu, o caos tem diminuído de forma drástica, de repente começa a praticar boas acções, como dar gorjetas aos empregados, ou voltar a pôr as coisas no sítio certo do supermercado, depois de as ter tirado. Pensa-se que é pouco, mas essas coisas fazem diferença. Isso é algo que simplesmente não pode acontecer por isso, é com muito prazer que me despeço de ti.

No preciso momento em que ele me ia matar, um grito irrompeu nos meus ouvidos.

- Não! – Era Luke.

Vi-o dar um empurrão ao Diabo, fazendo-me cair espetado no chão, e começarem a lutar. Estava preocupada, não queria que se magoasse, mas por outro lado estava feliz, ele tinha vindo por mim.

E então Luke encostou o pai à parede e agarrou-lhe no pescoço com apenas uma mão.

- Sempre fui um bom filho – disse ele –, sempre fiz o que me pediste, agora só quero que aceites a minha decisão. Quero ficar com a Kim e ser uma boa pessoa, com ela sinto-me eu e não o filho do Diabo. Tens que respeitar a minha decisão!

- Nunca, prefiro ver te morto do que bom – disse-lhe o Diabo, mas então soltou uma gargalhada – É demasiado tarde.

Olhou para mim e voltou a rir, e então percebi. O tempo tinha esgotado, eu estava oficialmente banida do Céu. Luke tinha feito a sua boa acção, tinha-se arriscado para me salvar, mas tinha chegado demasiado tarde.

Como é que poderia agora ficar com ele?

Luke virou costas ao pai e veio ter comigo, não ligando às ameaças que o seu pai fazia sobre bani-lo do Inferno.

Saímos os dois de lá e fomos ter com Gabriel.

Tentei explicar o que tinha acontecido mas ele não podia fazer nada. Enquanto lhe caía uma lágrima pelo seu rosto apontou para uma sala, e depois de eu e Luke entrarmos lá, vimos que era um sítio onde tínhamos de escolher os nossos novos corpos, pois iríamos voltar para a Terra.

De loira passei para morena, tinha o cabelo solto e encaracolado, os olhos ficaram castanhos e de corpo pouco mudei.

Luke continuou moreno mas os olhos em lugar de pretos ficaram verdes.

Depois Gabriel, levou-nos de novo para a Terra, despedi-me de todos os meus amigos e vi que aquilo não era algo negativo, mas sim positivo.

Finalmente podia fazer aquilo que já tinha planeado, comprar uma casa, casar, ter filhos, entre outras coisas.

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