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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 22.02.11

Capítulo 15

3 Vidas

 

Acordei sobressaltada no meu quarto, agarrada a Luc, que depois de sairmos do High Spot me trouxe e passou a noite. Deviam ser cerca de nove horas e eu estava exausta. Normalmente tinha um pesadelo mas depois dormia bem no resto da noite, desta vez foi muito pior, tive três pesadelos de seguida.

Levantei-me sem acordar Luc, mudei de roupa e fui até à casa dos Connor para ver se via os atacantes no livro. Para meu espanto Chad já estava acordado e a tomar o pequeno-almoço.

- Então, caíste da cama? – Brinquei.

- Que engraçadinha que estás hoje. – Disse ele. – Olha que tu também não pareces ter dormido muito. Isto do meu maninho passar lá as noites é puxado.

- Não é nada disso. – Disse-lhe, empurrando-o na brincadeira. – Tive pesadelos.

- Ui, quem é o sortudo de hoje?

- Sortudos. São três.

- Bem, não deves mesmo ter dormido nada. – Disse Sue que entrara na cozinha sem nós repararmos.

- Pois...

- Então, quem são? – Perguntou.

- Não sei. No sonho nº1 um homem é atacado por um demónio num beco qualquer, mas não sei quem é o homem nem onde é o beco. No sonho nº2 é uma mulher, de cabelos compridos aos caracóis e ruivos, que é atacada por um vampiro numa gruta qualquer. Finalmente no sonho nº3 a mulher que foi atacada por um vampiro, agora já vampira, mata outra mulher.

- Bem, vais ter muito trabalho.

- Não me digas. Nem sei por onde começar. O primeiro sonho acontece por volta do meio-dia, ouvi as badaladas no sonho. O segundo durante a tarde mas o terceiro já é à noite.

- Eu posso procurar a ruiva. – Disse o Chad.

- Pois, pois, o que tu queres sei eu.

Olhei para a televisão e vi a terceira vítima.

- É ela. – Disse apontando. – A vítima nº3. É a apresentadora. Samantha Lingmar.

- Eu vou vigiar essa. – Disse Sue. – Vocês tentam encontrar os outros dois.

- Óptimo, alguma ideia? – Perguntou-me Chad depois de Sue sair.

Peguei num bocado de papel e desenhei um esboço da gruta em que vira a segunda vítima entrar.

- Precisamos de reforços! – Exclamei. – Luc, anda cá, precisamos de ti.

Ele apareceu de seguida.

- Já saíste há muito tempo? – Perguntou, ao que eu afirmei. – Podias-me ter acordado.

- Estavas a dormir tão bem que achei melhor deixar-te descansar. – Disse-lhe, entregando-lhe o papel com o esboço.

- Não sabia que desenhavas tão bem… Que gruta é esta?

- Agora não posso explicar, mas preciso que a encontres rapidamente, é uma questão de vida ou de morte. Pede ajuda à Claire e à Sheilla. Eu e o Chad vamos tentar encontrar um homem.

- Ok, boa sorte.

Chad e eu andámos às voltas por São Francisco para ver se eu reconhecia o homem ou o beco mas nada. Soaram as badaladas do meio-dia e quando estava prestes a desistir ouvi um grito de um homem vindo do beco por trás de mim. Desatei a correr na sua direcção, com Chad a seguir-me, e vi-o, o homem do meu sonho, frente a frente com o demónio que supostamente o mata. Chad tratou do demónio enquanto eu afastava o homem dali.

- Como é que se chama? – Perguntei.

- Mark, Mark Smith.

- Oi Mark. O meu nome é Joanna Cronwell.

- Acho que é mais anjo da guarda.

Esbocei-lhe um sorriso. Chad chegou entretanto ao pé de nós.

- Fugiu. – Disse, com desânimo.

- Não faz mal, nós vamos apanhá-lo. – Disse-lhe.

- O que é que era aquela coisa afinal? – Perguntou Mark.

- Pois, aquela coisa era... um demónio.

Apesar do meu medo inicial, ele recebeu a notícia muito calmamente e concordou em ir connosco para casa dos Connor para o protegermos. Quase que não abriu a boca e não se mostrava muito assustado. Quando chegámos Sue estava lá com a mulher do noticiário, Samantha Lingmar, a 3ª vítima. Agora só faltava a segunda.

- O que é que estás aqui a fazer?! – Perguntou Samantha a Mark.

- Eu? Então e tu?

- Esperam lá. – Interrompi. – Vocês conhecem-se?

- Se nos conhecemos?! Nós éramos casados. – Disse Mark.

Fiquei boquiaberta, não sabia o que dizer nem o porquê deles estarem os dois no meu sonho e de aparentemente deverem morrer no mesmo dia. O meu telemóvel tocou.

- Joanna? – Chamou Luc do outro lado da linha.

- Sim, diz.

- Encontrámos a gruta.

Chad ficou com Mark e Samantha, e eu e Sue fomos para lá. Avistei a mulher ruiva. Parecia que tinha estado à luta com alguém e estava a chorar. Corri até ela.

- Olá. Desculpe, o meu nome é Joanna Cronwell.

- Olá. Eu não quero comprar nada.

- Hã? Há, sim, não se preocupe, eu não vendo nada.

Ela continuava a andar num passo apressado e eu quase a correr atrás dela.

- Ouça, preciso mesmo que pare por um bocadinho está bem? – Pedi.

- Deixe-me em paz. Foi ele que a mandou não foi?! – Agora parecia apavorada.

- Ele? Ele quem?

- O meu marido! Não se faça de parva.

- Você está em perigo, não pode entrar nessa gruta. – Agarrei-a. – Pare! Eu não conheço o seu marido mas estou aqui para ajudar, se entrar nessa gruta vai morrer.

Agora que olhava bem para ela vi que estava em muito mau estado. Com muito esforço consegui que ela não entrasse e que fosse comigo e com Sue para casa dos Connor enquanto Luc, Sheilla e Claire matavam o vampiro.

Já era quase de noite e as três vítimas estavam na sala dos Connor, juntamente com toda a família e eu. Rick fez uns primeiros socorros em Kate, a segunda vítima. Agora só tínhamos que encontrar o demónio da 1ª vítima e destrui-lo para todos poderem ir para casa, incluindo eu que estava esgotada.

- Eu tenho que ir à casa de banho. – Disse Samantha.

- É na 2ª porta depois das escadas, à esquerda. – Indicou Sheilla.

Kate estava sentada no sofá, sozinha e muito assustada. Sentei-me ao pé dela.

- Vai ficar tudo bem. – Disse-lhe. – Kate, eu sei que não é da minha conta mas há pouco, você estava a fugir do seu marido não estava?

- Estava. – Respondeu de cabeça baixa.

- Ele bate-lhe. – Afirmei.

Ela acenou com a cabeça.

- Kate, você tem que se impor, não pode deixar que ele lhe faça isso.

- Eu pedi-lhe o divórcio mas ele não mo dá. Cada dia é pior, já não aguento.

- Porque é que não sai de casa?

Escorreu-lhe uma lágrima.

- Ele matava-me. Perseguia-me e matava-me.

- Podia ir aquelas associações de apoio. Eles escondiam-na.

- Não servia de nada. Ele encontrava-me.

Ela parecia mesmo muito assustada, mas não com o facto de estar numa casa cheia de bruxas.

- Ai de algum homem que me levantasse um dedo. – Murmurei. – Acordava numa cama de hospital.

Ela esboçou um sorriso.

- É pena nem todas as pessoas serem assim tão corajosas e fortes. – Disse-me. – E com bons namorados. O seu parece um rapaz às direitas.

- E é. Kate, eu prometo, quando isto acabar, o seu marido nunca mais lhe vai tocar. E vai-lhe conceder o divórcio. E não se esqueça, eu cumpro sempre as minhas promessas.

Ouvimos um barulho vindo do andar de cima e Chad e Luc teletransportaram-se para lá, descendo segundos depois.

- Ela desapareceu. – Anunciou Luc.

- Só pode ter sido o demónio que queria matar o ex-marido dela. – Continuou Chad.

Lembrei-me de uma parte do sonho que até agora estava um pouco enublada. Levantei-me rapidamente.

- Esse demónio estava a trabalhar com o vampiro! – Exclamei. – Quando vi a 2ª vitima a ser transformada estava lá uma terceira figura. Era esse demónio. Kate foi apenas ocasional, quem eles queriam mesmo eram a Samantha e o Mark. A Kate foi apenas usada para os apanhar.

- Mas porquê nós? – Perguntou Mark.

- Espera lá, vocês eram casados certo? – Perguntou Luc.

- Correcto.

- Não tem a ver com vocês em pessoa, tem a ver com vocês sendo divorciados de fresco. Eu vi um destes demónios no futuro. Alimentam-se da energia e da fúria que os divorciados sentem uns pelos outros.

- Isso é completamente louco. – Disse Claire.

- Pois é, mas se pensarmos bem o nosso dia-a-dia não faz lá muito sentido. – Disse Chad.

- Ele levou a Samantha para a gruta do vampiro. – Afirmei.

- Óptimo, de que estamos à espera? – Perguntou Mark.

- Você não pode ir. – Disse Luc. – O demónio só se poderá alimentar se estiverem os dois juntos. De outra maneira não lhe saberia a nada.

Conseguimos convencer Mark a ficar lá em casa com Kate, Claire, Louis e Rick.

Fomos até à gruta do vampiro. Era muito escura e conseguíamos ouvir pingos de água a cair. Estava cheia de humidade.

- Porque é que eles escolhem sempre sítios repugnantes para morar? Não podem ir para um hotel? – Reclamei, mas por algum motivo pensaram que estava a gozar.

Avistámos Samantha amarrada a uma mesa de pedra. Em vez de irmos até ela como o demónio devia estar à espera, eu trouxe-a até nós, com o poder de telicnese. Desatámo-la e levámo-la à saída. Chad ficou lá com ela enquanto eu, Luc e Sheilla voltámos a entrar para encontrar o demónio.

- Tanto amor junto. – Disse uma voz meio rouca, que se dirigiu a mim, agarrando-me de forma a que não me pudesse soltar nem que eles pudessem atacar sem me acertarem.

- Agora já me lembro de ti. – Disse-lhe. Tinha sido o demónio que tinha atacado a Jennifer Guarld-Cond e o Mike Bulaeton. – Há três anos atrás. Foste um dos poucos que me escapou naquela altura.

- Verdade. – Concordou, rindo-se.

Dei-lhe uma cotovelada e soltei-me, permitindo que Sheilla lhe acertasse com uma bola de fogo, queimando-o.

- Como é que deixaste esta coisa fugir? – Perguntou-me.

- Foi à noite, já tinha bebido uns copos. – Disse, começando a rir. – E agora sinto-me ridícula por isso.

Luc veio ter comigo e fomos todos para casa. Chad deixou Samantha e Mark cada um na sua casa. Só faltava Kate.

- Então, ainda é cedo. Restaurante, High Spot e tua casa, que me dizes? – Perguntou Luc, num tom sedutor.

- Não há como recusar. – Respondi-lhe, beijando-o. – Só tenho mais uma promessa a cumprir. Encontro-te no restaurante. O Straccian Restaurant?

- Claro que sim, que outro mais? – Disse-me na brincadeira.

Fui ter com Kate.

- Pronta para ir para casa? – Perguntei-lhe.

- O quê? Não, eu não volto para lá.

- Claro que voltas, é a tua casa. Posso-te tratar por “tu” certo?

- Sim claro, mas não me obrigues a ir, eu não quero.

- Calma, não estás sozinha. Confia em mim.

Caminhámos até casa dela e ela ficou à porta, enquanto eu entrei.

- Está alguém? Olá? – Perguntei, acendendo uma luz.

Veio alguém por trás que me agarrou.

- Onde é que está a minha mulher? Sua estúpida! O que é que fizeste à burra da minha mulher? – Era só amor que saía da boca daquele homem. Não percebo como é que ainda há pessoas assim.

Soltei-me e corri até à outra ponta do hall. Olhei para ele. Tinha mesmo cara de brutamontes e uns olhos à maníaco. Reparei que ele tinha uma faca na mão.

- É melhor pousar a faca. – Disse-lhe com calma.

Veio a correr para mim e eu desviei-me, fazendo-lhe uma rasteira, fazendo-o cair no chão. A faca deslizou até ao outro lado do hall. Ele levantou-se.

- Não fazes ideia com quem te meteste pingarelha de meia tigela! – Ameaçou, dando-me um murro.

Dei uns passos atrás devido à força dele mas logo me recompus.

- Ooh tu muito menos! – Exclamei. – Gostas de bater em mulheres é? – Perguntei, dando-lhe um pontapé que o fez cair. – E quando são elas a baterem-te?

Levantou-se e atirou-se de novo para cima de mim. Voltou a cair. Eu levantei-o e encostei-o à parede.

- Agora ouve bem meu brutamontes, tu vais deixar a tua mulher em paz. Vai-lhe dar o divórcio e vais desaparecer porque eu juro que se volto a ouvir falar de ti não te sais só com um aviso. – Disse-lhe, mandando-o de novo ao chão.

Ele levantou-se e saiu porta fora, a correr pela rua. Kate ficou na sua casa e eu fui ter com o Luc ao restaurante.

Passada mais ou menos uma semana recebi um sms da Kate a agradecer e a dizer que o marido lhe tinha dado o divórcio e tinha comprado um bilhete de avião. Tenho que admitir, foi mais fácil do que estava à espera.

 

Vá lá pessoal, quero saber o que acharam

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