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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 23.02.11

Capítulo 16

Fantasmas

 

As flores começaram a desabrochar e Luc convidou-me para um passeio no parque, seguindo-se de um piquenique. Estava tudo pronto para ser um dia inesquecível.

Luc apareceu na minha casa logo pela manhã com um cesto de piquenique nas mãos e fomos andando para o parque. Durante o caminho divertimo-nos, falámos e namorámos durante um bocado até passarmos por uma casa muito velha e em muito mau estado. Estremeci.

- Passa-se alguma coisa? – Perguntou.

- Não, é só esta casa. Dá-me arrepios, só isso.

- Ah, é como os hospitais portanto.

- Engraçadinho.

- Fantasmas! – Gritava um velho que vinha a correr de dentro da casa. – Fujam! Salvem-se! A vida após a morte vem-vos apanhar! – Ia a correr em direcção á estrada.

Avistei um carro e desatei a correr na direcção do homem mas Luc agarrou-me. Houve um grande estrondo.

- Jô! Estás maluca?! Podias ter morrido. – Disse-me.

Olhei para a estrada e vi o velho estendido no chão, morto. Olhei de novo para a casa. Fiquei muito mais arrepiada e voltei a olhar para o homem. Ele virou a cabeça na minha direcção, apesar de estar morto.

- Afasta-te! – Disse, numa voz com muitas interferências.

- Luc, ouviste isto? – Perguntei, virando-me para ele e abraçando-o.

- Ouvi o quê?

- O homem. O homem a dizer para me afastar.

- Ok, já percebi que isto te abalou. – Disse, abraçando-me com mais força.

Afastei-me.

- Eu não estou maluca. – Afirmei-lhe. – Eu sei o que ouvi. Ele disse para me afastar.

- Ele está morto Joanna.

- Exacto. Mas disse para me afastar.

Comecei a andar em direcção à casa dos Connor com Luc a acompanhar-me, sempre a tentar convencer-me de que estava errada. Chegámos à porta da casa.

- Luc, desculpa ter estragado o nosso dia romântico. A sério, lamento profundamente mas eu sei o que ouvi. – Disse-lhe, entrando.

- Bem, a saída romântica acabou cedo. – Disse Chad, que estava no sofá a ver televisão com Sheilla enquanto os pequenos brincavam no chão.

- Pois. – Disse Luc num tom sarcástico. – A Jô acha que um morto falou com ela.

- Whoa, whoa, whoa. – Disse Sheilla. – Calma, crianças aqui. Meninos, vão brincar lá cima, sim?

Os pequenos levantaram-se e começaram a subir as escadas.

- O que é que aconteceu? – Perguntou depois.

- Eu não acho. Eu sei. Sheilla, o que é que sabes sobre aquela casa velha em frente ao parque?

- A mansão Treston?

- Essa mesma.

- Não muito. Moraram lá os Treston, daí o nome. Jonnathan Treston matou a sua mulher Theresa e o seu filho de poucos meses e suicidou-se de seguida. As crianças e alguns adultos brincam ao dizer que a casa é assombrada.

- Será que é só brincadeira?

- O que queres dizer com isso?

- Será que não é verdade? Quer dizer o homem estava a dizer «cuidado com os fantasmas» e outras coisas.

- Esse homem era maluco Jô, toda a gente sabe disso. – Disse Luc.

- Sim, mas eu não sou. E sinceramente acredito nele. Talvez ele esteja a dizer a verdade. Fazemos assim, passamos lá a noite. Se não acontecer nada, então sim, eu paro com esta história ok?

- Tu queres mesmo passar a noite numa suposta casa assombrada? – Perguntou Chad, levantando o sobrolho.

- Sim, quero e além disso pensem bem, já lá houveram mortes estranhas.

- Sim, de pessoas malucas, como esse velho. – Chad agora olhava-me como se fosse maluca. Como se ele não tivesse tido ideias piores.

- E se não forem malucas? E se houver lá um grande perigo? Não custa nada tentar. – Disse, juntando as mãos a implorar.

- Tudo bem. – Disse Luc por fim. – Passamos lá a noite. Se nada acontecer este assunto fica encerrado certo?

- Claro, absolutamente.

Fui a casa fazer a mala. Meti lá um fato de treino e roupa lavada para o outro dia juntamente com uma escova de dentes e pasta, e um pente para o cabelo. Pus também um pacote de sal e fósforos.

Quando cheguei, já ao pôr-do-sol, à entrada da casa, Chad e Luc já me esperavam.

- Vieste bem prevenida. – Admirou Chad.

- Claro, se é para passar a noite é para passar bem. Trouxeram as lanternas?

- Confirmado.

Ao passarmos a porta encontrámo-nos numa sala muito poeirenta e com montes de teias de aranha. Os móveis estavam cobertos com plástico e demorou muito tempo até que Chad conseguisse pôr as luzes a funcionar. As luzes eram muito fraquinhas por isso optámos por ter as lanternas à mão caso falhassem.

Fui à casa de banho lavar os dentes e vesti o fato de treino para estar mais confortável. Calcei os ténis na mesma. Tinha o pressentimento que ia ser uma longa noite. Voltei para a sala e sentei-me no sofá entre Chad e Luc, encostando-me ao último.

- Estou mesmo a ver que isto vai ser super divertido. – Disse Chad. – Então, o plano é ficar aqui sem fazer nada?

- Não, o plano é esperar que o fantasma apareça. – Respondi.

Ouvimos uns passinhos muito pequeninos e virámo-nos para trás.

- Ratos. – Murmurei.

- Yap. – Disse Luc, a olhar para mim com cara de quem se queria ir embora.

- Oh não, nós não saímos daqui até ao nascer do sol. Com ratos ou sem ratos Luc, é o combinado. – Disse-lhe.

Passado algum tempo acordei gelada, ainda agarrada a Luc, sentada no sofá. Tínhamo-nos deixado de dormir.

Levantei-me tentando não os acordar e fui dar uma volta pela casa. Subi as escadas que levaram a um longo corredor. Vi no relógio que eram três horas da manhã.

- Vá lá. Eu sei que estás aqui ok? Aparece! – Disse, para o ar.

Ouvi uma porta bater atrás de mim e voltei-me rapidamente. Nada. Pelo menos nada que eu visse.

- És o Jonnathan certo? Já ouvi a história...

Senti um empurrão muito forte e fui de encontra à parede.

- Auch. Agora tenho mesmo a certeza que estás aqui. – Sussurrei.

Ouvi passos apressados a virem ter comigo e avistei Chad e Luc.

- Ouvimos um estrondo, estás bem? – Perguntou Luc, ao ajudar-me a levantar.

- Estou. Foi ele. Foi o fantasma que me mandou contra a parede e fechou uma porta.

- Jô, vá lá.

- Não acreditas em mim? Luc estou a dizer-te. Foi o fantasma.

Outra porta fechou-se com força.

- Ok, talvez acredite. – Disse-me.

- Eu acredito a 100%! – Exclamou Chad.

- Só pode ser o Jonnathan certo?

Fui de novo empurrada contra a parede.

- Eles também cá estão, sabes?! – Disse-lhe em voz alta, levantando-me. – Escusas de vir só a mim.

- Obrigadinha. – Disse Chad.

Os móveis começaram a mexer e fomos obrigados a descer as escadas.

- Nós temos que queimar os ossos. Ele não se vai embora se não o fizermos. – Disse Chad, quase em pânico.

- Estás com medo? – Perguntei-lhe.

- Não. Porquê, tu estás?

- Um bocado.

- Também eu! – Exclamou. – Odeio fantasmas, não sei como é me obrigaram a vir cá parar!

- Ei, tu é que ofereceste!

- E agora? – Interrompeu Luc. – Como é que vamos queimar os ossos se, primeiro não sabemos onde estão, e segundo, não temos nem sal nem lume.

- Quanto ao primeiro problema não sei, mas eu tenho sal e fósforos na mala. – Disse-lhe.

Encontrávamo-nos agora na sala da entrada de novo, e as coisas continuavam a voar à nossa volta.

- Agora já sei porque é que eles eram loucos. – Disse Luc.

As portas da rua abriram-se e Chad e Luc foram expelidos da casa. As portas fecharam-se de novo. Corri até elas.

- Não! Luc, Chad, ajudem-me! Luc! – Gritei, enquanto batia na porta.

Tentámos de tudo para abrir as portas mas nada resultava. Voltei a virar-me para a parte de dentro da casa e respirei fundo. Fui muito devagar até à sala e tirei o sal e os fósforos da mala.

- Ok Jô, pensa. – Dizia para mim mesma. – Ele matou a família e suicidou-se. Se o corpo não foi encontrado deve estar possivelmente na cave. Ou no sótão talvez...

Comecei pela cave, que estava mais próxima, mas encontrei vários obstáculos até lá chegar, desde ter que imobilizar facas voadoras até explodir portas. Na cave não encontrei nada.

Tentei subir as escadas para o sótão vezes sem conta e fui sempre empurrada para trás, o que fez com que tivesse a certeza de que os ossos estavam lá. Com muito esforço e já toda arranhada e dorida consegui subir e chegar ao sótão. Desatei a explodir com tudo mas não os encontrava em lado nenhum. «Isto é ridículo.»

Ia a andar para a outra ponta do sótão quando o chão começa a ranger e eu com a pressa tropeço numa caixa, que faz com que vá contra uma parede, que caiu com a força do meu encontrão. Caí no meio da madeira. Levantei-me.

- Ahhh! – Gritei, dando um salto para trás.

«Ok, acalma-te» pensei para mim mesma.

Pus sal sobre o esqueleto e quando ia lançar o fogo fui empurrada. Fiz um esforço enorme para me levantar e explodi tudo à minha frente para abrir caminho. Usei a telicnese para lançar o fósforo, já aceso, para os ossos, que se incendiaram instantaneamente. Só tenho pena que este fantasma não se tivesse mostrado, apenas movido as coisas. Ia gostar de ver a cara dele quando me viu a mandar o fósforo…

Desci as escadas muito lentamente por estar muito dorida. Quando desci até ao rés-do-chão vi Luc correr até mim.

- Jô. – Disse, abraçando-me com força a mais. – Estás bem?

- Auch! – Exclamei. – Pareço bem?!

Passámos por casa de Sue, que me curou e Luc levou-me a casa. Já era de madrugada.

- Agora precisas de dormir. – Disse-me. – Aceitas um lanche? Logo, no parque?

- Adorava. – Respondi.

Dormi e passadas umas horas fui ter com Luc ao parque. Dei com ele a observar a “casa assombrada”.

- Tens a certeza que já não há lá fantasmas? – Perguntou-me.

- Absoluta. O ambiente está muito mais leve, já nem me dá arrepios. Mas… não me deixes lá sozinha ok?

- Ok. – Disse, rindo-se. – Bem, vamos ao nosso piquenique?

- Mal posso esperar!

 

Estou a ter menos comentários, que se passa?

No próximo capítulo vai acontecer uma coisa :o

(é que isto não podem ser só maravilhas, né?)

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