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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 27.09.10

Desculpem postar só a estas horas, mas vocês sabem, escola e tal...

Espero que gostem

Bjs

 

Capítulo 20

Mudança de Comportamento

 

Quando acordei, Derek ainda estava ao meu lado.

- Bom dia – disse-me, baixinho.

- Bom dia – então reparei que estava abraçada a ele, e desviei-me em seguida – Desculpa, eu a dormir sou um perigo.

Ele deu uma gargalhada.

- Sim, eu reparei, acho que tens os dedos dos pés negros – e voltou a rir-se.

- Não tem graça.

- Estou só a brincar. Vais-te levantar já?

- Vou – Olhei para um puff que estava a pouco mais de dois metros da cama e não vi lá a minha roupa.

- Do que é que estás à espera?

- Tu viste a minha roupa?

- Ah, sim, a Verónica passou por cá e levou-a. Deixou-te alguma dentro daquela mala ali – e apontou para uma mala que estava encostada à parede, ao pé da aparelhagem.

- Hum… - agora vou ter que ir até lá para ir buscar roupa, e ainda por cima tenho esta coisa minúscula vestida.

- Então… não te levantas?

- Levanto… quando tu saíres.

- Porquê?

- Porque me vou vestir…

- Ah ok, desculpa, não sabia. Pensava que só te ias vestir depois do pequeno-almoço.

Pois, com esta coisa vestida, descer para o andar de baixo e ficar ao pé desta gente toda? Não me parece.

- Pois, mas vou-me vestir agora.

- Ok – e desapareceu. Ouvi a porta a bater levemente.

Levantei-me e pus a mala em cima da cama, tirei lá de dentro umas calças de ganga e uma blusa roxa, e um sutiã.

Vesti as calças e depois o sutiã, e depois vi a porta abrir-se de repente e pus a camisola à minha frente. Vi Derek a olhar para mim como se estivesse hipnotizado, que vergonha!

- Precisas de alguma coisa? – Perguntei-lhe.

- Não, vinha-te só dizer para quando estiveres despachada desceres, temos o pequeno-almoço na sala de jantar – e continuou parado a olhar para mim.

- Ok… já podes ir.

- Oh, certo, desculpa. Eu não vi nada, só para saberes – disse-me, ao fechar a porta.

Eu quero acreditar nisso, a sério que sim.

Vesti a blusa e calcei os ténis e encontrei a minha escova dentro da mala. Penteei-me e lavei a cara na casa de banho de Derek, que tinha uma porta directamente para o quarto.

Saí do quarto e ao ver Derek encostado à parede dei um pulo, não estava à espera.

- Vamos? – Perguntou-me.

- Vamos.

Começámos a descer as escadas e ele aproximou-se mais de mim, até quase encostar os seus lábios ao meu ouvido.

- Sutiã preto, sexy – sussurrou-me, desviando-se em seguida.

- O quê? Tu disseste que não tinhas visto nada!

- Pensava que não acreditavas na palavra de um vampiro.

- Acho que estou a amolecer.

Chegámos à sala de jantar e eu fiquei pasmada a olhar para a mesa. Tinha desde ovos até croissants, desde leite a sumos de vários sabores, e até queijos e presuntos. Abby e Gwen estavam as duas a comer como se não houvesse amanhã, enquanto Gary e Verónica as observavam.

- Eu não sabia do que gostavam – justificou-se Verónica, por causa daquele enorme festim.

- Por isso arranjámos um bocado de tudo – continuou Gary.

Engoli em seco. Tanta comida… há quanto tempo é que não vejo tanta comida junta?

- Isto é… uau – murmurei, sentando-me – Eu acho que morri e vim parar ao céu…

- Não sejas parva – disse Gwen – e aproveita enquanto podes. Acredita, eu desde ontem à noite que ando a pensar que estou a sonhar. O melhor que tens a fazer é ir com a maré, aproveitares.

- Queres bolo de laranja ou torta de maçã? – Perguntou Verónica – Se não gostares há mais coisas, há pão, outros bolos… porque é que não dizes nada?

- Eu… não sei o que dizer. Eu estou pasmada com isto tudo pessoal – respondi-lhe.

Quando Dylan desceu, teve a mesma reacção que eu, e Verónica e Gary voltaram a dizer o que me disseram a mim.

Comemos até não podermos comer mais, e depois enquanto Abby via televisão e Gwen fazia mais perguntas sobre vampiros aos Thompson, Dylan pediu-me para falar comigo.

Saímos os dois e começámos a andar pelo jardim.

- Como é que estás com esta história toda? – Perguntei-lhe.

- É estranho… eu tenho tipo um milhão de perguntas, mas quando as posso perguntar não me vem nenhuma à cabeça.

- Eu conheço a sensação. Há alguma coisa que eu possa fazer?

- Sim, podes-me contar a verdade.

- O que é que queres saber?

- O pai foi mesmo morto por um vampiro?

Enfiei as mãos nos bolsos das calças e olhei para o chão enquanto andava.

- Foi.

- Qual deles?

- Eu não sei. Só sei que tinha o cabelo até aos ombros, escuro e liso. E tinha um cavanhaque.

- O pai sofreu?

- Eu sinceramente não sei. Só sei que foi rápido, muito rápido.

- Como é que a Abby se consegue lembrar?

- Adorava saber.

- Há quanto tempo sabes do Derek e dos irmãos?

- Há algum. Soube poucas semanas depois de eles chegarem à escola.

- E estás bem com o facto de eles serem… vampiros? Ainda é difícil de pronunciar…

- Não estava, mas agora sim, acho que estou. Dylan, eles são bons.

- Mas monstros.

- Sim, mas talvez sejam monstros bons.

- Pensava que não acreditavas nessas coisas.

- Pois, eu já nem sei naquilo em que acredito. É só que eles já me salvaram tanta vez e começo a pensar que se me metesse em algum sarilho era a um deles que telefonava, percebes? Eu… conto com eles.

- Eles nunca te magoaram?

- Não, eles têm um auto-controlo espectacular.

- Eu não fazia ideia que estas coisas existiam… e tu sabias durante todo o tempo.

- Sim.

- Desde que tinhas dez. Isso não parece justo.

O meu irmão a dizer isto? Ele está com pena de mim? É que isso era uma reviravolta interessante.

- Onde é que queres chegar Dylan?

- Só que lamento. Tudo.

- Lamentas? Dylan, foi uma escolha minha não vos dizer nada, e é culpa do vampiro o nosso pai estar morto.

- Não é por isso – agora também ele mirava o chão –, é pelas coisas que eu fiz. Lamento muito.

Estou a ouvir bem? Eu já ouvi isto antes, tantas mas tantas vezes, mas desta vez está dito com um novo tom, um tom que parece mesmo sinceridade… será possível? Será que o Dylan caiu mesmo na realidade e percebeu as parvoíces todas que fez?

Desviei os olhos do chão e olhei para ele. Ele também olhou para mim e agarrou-me no braço para me fazer parar de andar.

- Dylan…

- Eu sei que fiz asneira, tantas vezes, e também sei que estamos nesta alhada toda por minha causa, se não fosse comprar a droga nunca tínhamos conhecido o vampiro e ele não te ia querer matar… Chloe, ontem à noite, eu fiquei mesmo aterrorizado. Quando o vi frente a frente contigo pensei mesmo que fosses morrer.

- Sim, por momentos também eu – admiti.

- E se morresses, então estavas mesmo morta, e não havia volta a dar. Eu pensava que te ia perder de vez. Eu sei que digo sempre que és uma chata e que te quero ver longe mas… se eu te tivesse perdido ontem… - vi os seus olhos começarem a ficar enlagrimados e puxei-o para mim num reflexo, abraçando-o.

- Eu sei, mas eu estou bem, está tudo bem.

- Eu prometo que vou mudar – disse, ao meu ouvido – Eu paro com as drogas, paro com o álcool, paro de andar com aqueles chungas mas… por favor não me deixes.

- Eu estou aqui, não vou a lado nenhum.

Devemos ter ficado quase cinco minutos abraçados, sem pronunciar uma única palavra. Eu quero acreditar nele, e ele parece sincero, mas e se não for? Não, não desta vez. Desta vez é diferente, eu sei que é. Tenho fé que desta vez o Dylan mude mesmo.

Verónica chamou-nos pela janela e apressámo-nos a ir ter com ela à sala. Estavam lá todos.

- Chloe, porque tu sobreviveste a três ataques e porque já gostas mais ou menos de nós, eu achei justo recompensar-te – disse-me Verónica, enquanto os outros aguardavam na expectativa.

- Do que é que estás a falar? – Perguntei.

Ela estendeu-me a mão e eu fui ao encontro dela, ao pé da janela. Olhei pela janela e vi as nuvens deixarem o céu, e o sol começou a brilhar.

- O sol… - murmurei. Há séculos que não via o sol brilhar…

- Vocês têm piscina, e agora também têm sol – disse Gary – Aproveitem.

- O quê? Estás a falar a sério? – Perguntei, ainda sem acreditar.

- Yap, divirtam-se – disse Derek.

Gwen, Dylan e Abby estavam radiantes com a ideia de passarem o sábado na piscina, mas ao olhar para Derek, Gary e Verónica, não tive a certeza se um dia cheio de sol era o que queria ter.

- Mas… então e vocês? – Perguntei, a olhar para Verónica.

- Nós vamos ficar por casa hoje – respondeu-me, com um sorriso de orelha a orelha.

- Vai ser uma fuga à rotina – disse Gary.

- Sabes, eu aposto que se puseres a temperatura mais alta não precisamos do sol, e assim vocês também passavam o dia na piscina – disse, ainda para Verónica.

- Chloe, do que é que estás a falar? Tu adoras dias de sol… - retorquiu Derek.

- Pois, eu sei – fiz uma cara pensativa durante uns momentos só para os pôr na expectativa e depois sorri – Acho que gosto mais de vampiros – ficaram todos a olhar para mim, como se tivesse dito a maior barbaridade do mundo – Bolas, acho que estou mesmo a amolecer – soltou-se uma gargalhada geral.

- Tens a certeza? – Perguntou Verónica.

- Tenho.

- Ok…

Voltei a olhar para o céu, que, em questões de segundos se voltou a encher de nuvens, cobrindo o sol por completo. Nós, os humanos, comemos pizza ao almoço, enquanto os vampiros aproveitaram a sua dose de AB+. Vimos televisão até fazermos a digestão e quando finalmente se aproximou a hora, a primeira a falar foi a Verónica.

- Eu trouxe a roupa para a piscina da vossa casa, espero que não se importem – disse ela.

- Claro que não, vamos lá, estamos a perder tempo – disse Gwen, apressando-se para as escadas.

Fui para o quarto de Derek e procurei pelo biquíni na mochila. Depois de vestir o biquíni, que era azul, castanho e bege, pus um lenço castanho, meio transparente, em volta da cintura e atei-o com um nó na ponta. Calcei as chinelas brancas que também estavam dentro da mochila e quando abri a porta para sair do quarto, dei com Gwen especada em frente à porta.

- Gwen, precisas de alguma coisa? – Perguntei.

- Na verdade sim, nós temos que falar – entrou e sentou-se na cama. Também já estava despachada, com o seu biquíni vermelho e preto.

- Ok, o que é que aconteceu?

- É sobre o Derek. Bem, não só mas também – ela não parecia estar muito à vontade.

- Ok, o que é? – Sentei-me ao lado dela.

- Ele contou-me uma coisa que te quer contar a ti mas não consegue.

Franzi as sobrancelhas e comecei a pensar no que seria.

- O quê? – Perguntei, ao fim de alguns segundos de silêncio.

- Ele preocupa-se contigo, muito, mas às vezes tem um bocado de receio de te dizer certas coisas porque acha que não o vais ouvir até ao fim e…

- Gwen, o que é que ele me queria dizer?

- Ele só te queria proteger, não é para ficares chateada com ele como ficaste das outras vezes. Ele contou-me de quando te seguiu e as outras coisas, e eu sei que tens problemas com vampiros mas por favor, ele não é um vampiro qualquer, pelo menos para ti – ela está para aqui a tagarelar e não vai chegar ao assunto tão depressa.

- Gwen! – A não ser que eu a apresse – Conta-me o que é.

Ela respirou fundo e começou a falar. Ao longo que a conversa decorria era-me cada vez mais difícil acreditar no que ouvia e manter-me calma.

- E foi isso – disse ela, por fim.

Eu estava em estado de choque. Como é que ele me pôde ter escondido isto?! Porquê? Eu acho que merecia saber. Eu merecia saber.

Usei todas as minhas forças para impedir as lágrimas de caírem, e quando controlei a primeira, as outras foram mais simples.

Olhei pela janela e vi que ele estava sozinho na piscina.

- Vai falar com ele – pediu Gwen – Para o bem de ambos. Eu empato o resto da malta aqui.

- Sim, ok – murmurei, com a voz quase a falhar-me.

Desci as escadas e saí para o jardim. Contornei a casa e aproximei-me da piscina. “Ele só te estava a tentar proteger” dissera-me Gwen.

- Olá, olha para ti – Disse Derek, ao acenar-me – Sabes, eu ainda prefiro o sutiã preto.

Soltei um sorriso, embora não muito grande, apesar de não ser forçado. Continuei a aproximar-me da piscina, tirei o lenço e sentei-me na borda, pondo as pernas para dentro da piscina. A água estava óptima.

Derek nadou até mim e pôs-se ao meu lado, apoiando os braços na borda da piscina.

- Está tudo bem? – Perguntou, a estranhar o meu silêncio.

- Mais ou menos – respondi.

Ele franziu as sobrancelhas e subiu para a borda da piscina, sentando-se ao meu lado.

Com ele assim ao meu lado, todo molhado, e com os abdominais perfeitamente definidos, era quase uma missão impossível concentrar-me. Decidi olhar para a frente em vez de olhar para ele, era mais fácil.

- Eu sei do outro vampiro – disse-lhe, por fim – O outro vampiro que estava lá em casa.

- Gwen… - ouvi eu, porém muito baixinho – Além do cheiro do humano e do vampiro morto, eu cheirei um outro vampiro. Ela disse-te, não disse?

- Disse. É verdade? É o mesmo vampiro que matou o meu pai?

- Sim – respondeu, embora hesitante.

- Tu podias-me ter dito, porque é que não disseste?

- Eu… eu queria poupar-te. Desculpa.

- A Gwen disse que às vezes tinhas medo de me contar coisas, porque achas que eu não vou ouvir ou que vou julgar.

- Ela disse mesmo tudo, hã? – Não era uma pergunta para mim – É que…

- Eu percebo – interrompi –, a sério – olhei finalmente para ele – Eu julguei-vos tantas vezes, e chamei-vos nomes, e também nunca te ouvi. Por isso eu percebo.

- Vem aí um “mas”, certo?

- Mas, eu gostava que confiasses em mim. Fala comigo Derek, eu não quero ser só aquela pessoa que fala contigo quando precisa de alguma coisa. Eu não sou essa pessoa.

- Eu sei, é só que… tu já tens tantas coisas na tua vida que pensei que não precisavas dos dramas da minha. Pensava que não querias ouvir.

E olhou directamente para os meus olhos.

- Se é importante para ti, então quero ouvir – afirmei.

- Ok, mas depois não te queixes – e sorriu – E acerca do outro vampiro…

- Eu não quero falar disso. Não hoje. A temperatura está espectacular e temos uma piscina. Podemos deixar os meus dramas para amanhã?

- Assim que responderes a uma pergunta.

- Diz.

- Estás muito chateada?

- Tu podias-me ter dito, mas não. Eu percebo que me estavas a tentar proteger e blá-blá-blá…

- Ok, obrigado – levantou-se num instante e mandou-se para dentro da água, salpicando-me – Anda, a água está espantosa!

Respirei fundo e levantei-me, mergulhando em seguida para dentro da piscina. Nadei por baixo de água até ele e então voltei à superfície.

- Pois está – concordei.

- Queres fazer uma corrida? Quem chegar ao outro lado ganha.

- Não, porque sei que vais usar a velocidade dos vampiros e o facto de não precisares de respirar para me ganhares.

- Por isso, não queres fazer uma corrida, porque não queres perder.

- O quê? Não, não quero porque vais fazer batota.

- O quê? – Aproximou-se de mim e mandou-me água – Eu nunca faço batota.

Mandei-lhe água também e olhei para ele.

- Ao usares os poderes de vampiros, fazes batota. Ainda estou eu na primeira braçada já tu foste e vieste.

- Isso é porque és lenta.

- Não, é porque sou humana.

- Está bem, mas daqui a nada vais ver uma corrida entre mim e os meus irmãos. Com eles não é considerado batota, é? – E aproximou-se ainda mais.

- Não, não é – olhei para ele e vi que estava a olhar para mim com uma cara séria – Eu vou adorar ver-te perder.

- Sim… - quase que não o ouvi, mas acho que foi isto que ele disse.

Ele envolveu a minha cintura nos seus braços e começou a aproximar o seu rosto do meu. Estava completamente centralizada naqueles olhos verdes cintilantes, e não mexia um único músculo para que eles parassem de se aproximar de mim. Já conseguia cheirar o seu hálito e os seus lábios estavam prestes a entrelaçar-se com os meus, fechei os olhos e então…

- O que é que estão a fazer? – A voz de Abby, completamente inesperada, fez-nos regressar à realidade e afastámo-nos um do outro rapidamente.

- Nada – respondi eu, apressadamente.

- Abby! – Era Gwen, que vinha a correr ter connosco – Eu peço tanta desculpa, perdi-a de vista por dois segundos e…

- Não faz mal – interrompi eu, olhando para Derek em seguida – Já tínhamos acabado de falar.

- Pois já – concordou Derek.

- Finalmente, eu queria vir para a piscina – disse a minha irmã, que começou a despir os calções.

- Sim, ok – voltei a olhar para Derek, que também me fitava. Não sei dizer que expressão se via na minha cara, mas quase que aposto que é uma mistura de pânico disfarçado com embaraço – Eu vou… eu vou lá dentro, eu… sim, vou lá dentro – comecei a subir as escadas da piscina e peguei no lenço. Fui a escorrer água até à entrada, mas depois Verónica apareceu e deu-me uma toalha. Apanhei o cabelo com o elástico que tinha no pulso para que este não me molhasse ainda mais, e subi até ao quarto de Derek. Sinceramente nem sei bem porque é que vim para aqui, não tenho nada para fazer em casa, mas também não podia ficar na piscina, não depois de quase beijar Derek pela segunda vez. Eu sei que ele me pode arrancar a cabeça num instantinho, por isso porque é que estou arrependida de não o ter beijado?

- Estou a ficar maluca – lamentei-me, enquanto olhava pela janela e os via todos a divertirem-se na piscina.

Mas também quem é que lhe dá o direito de vir assim, para cima de mim, todo molhado e charmoso, e com aqueles músculos e abdominais à vista. “Concentra-te Chloe”, pensei. Mas não conseguia. A única coisa em que conseguia pensar era nele. Na sua voz, nos seus olhos hipnotizantes, nos seus lábios… abanei a cabeça para fazer estes pensamentos esvoaçarem e mandei-me para cima da cama. Não me apetecia voltar para a piscina, não queria ter que olhar de novo para Derek porque não sei se lhe vou conseguir resistir. Mas se não voltar então toda a gente vai suspeitar que alguma coisa aconteceu. Sinceramente não sei o que é pior. Olhei para o relógio da mesa-de-cabeceira, eram quatro da tarde.

Respirei fundo e levantei-me. Desci as escadas o mais lentamente possível e voltei para a piscina. Derek já lá não estava.

- Onde está o Derek? – Perguntei.

- Foi à tua casa, disse que ia avaliar os estragos – foi Gwen quem me respondeu.

- Hum, ok.

- Sabes, por aquilo que vi de manhã, e se eu e o Derek trabalharmos todos os dias depois da escola, temos aquilo pronto numa semana – disse-me Gary.

- O quê? Eu posso contratar pessoas para isso – retorqui –, vocês não têm que trabalhar lá.

- Não custa nada – insistiu ele. – Assim poupas na mão-de-obra.

- E no material – interrompeu Verónica.

- O quê? Nem pensem.

- Nós falamos disto depois, ok?

- Não – mas ela não me ligou e imergiu. É mais certo eu cansar-me do que ela voltar à superfície. Tenho que admitir que isto de não se precisar de respirar não é mau de todo.

Passámos o resto da tarde na piscina, e quando Derek chegou foi directo à casa. Gwen telefonou à mãe dela e convenceu-a a deixá-la ficar mais uma noite e o dia inteiro de domingo na “minha casa”.

Quando começou a anoitecer fomos cada um tomar duche, três de cada vez, visto que era o número das casas de banho que havia. Depois de tomar banho fui para o quarto de Derek e procurei por um pijama que, apesar de ter demorado a encontrar, encontrei.

Depois de estarmos despachados, jantámos. Verónica tinha feito rolo de carne, e estava salgado e picante, mas nós aguentámos e fingimos que estava bom. Ninguém teve coragem de lhe tirar o orgulho de ter feito um bom prato.

Depois do jantar os meus irmãos ficaram a ver televisão, Derek foi ao quarto dele fazer qualquer coisa, os irmãos dele foram sair e eu e Gwen fomos para o quarto de Gary. Conversámos durante quase uma hora.

- Gwen… podes-me emprestar aquele livro que tanto gostas?

- Qual deles?

- “Crepúsculo”

Ela fez uma cara de choque misturada com felicidade. Via-se à distância que era fingida, por isso não consegui evitar e soltei uma gargalhada.

- Sim, só não acredito que o queiras ler.

- Pois, mas acho que não vou morrer se o ler – e encolhi os ombros.

Ela inclinou-se sobre a mochila cor-de-laranja que também estava em cima da cama e tirou-o de lá.

- Aqui tens.

- Tens o livro aqui? Mas…

- Eu estava a lê-lo, por isso levei-o para a tua casa. Quando a Verónica trouxe a minha mala pequena ele veio lá dentro.

- Andas a lê-lo outra vez?! Ok, está decidido, para o teu aniversário dou-te um livro.

Ela riu-se.

- Ficavas muito chateada se te dissesse que queria dormir?

- Não, eu vou para o quarto de Derek – levantei-me e dirigi-me à porta.

- Uhh, quarto do Derek – e deu uma risadinha.

- Boa noite – Disse-lhe, fechando a porta em seguida.

Dirigi-me ao quarto do Derek e abri a porta, ele ainda lá estava a mexer nos CD’s.

- Oh, desculpa. Não sabia que ainda cá estavas – disse eu, voltando para trás.

- Não, não. Eu vou já sair – e dirigiu-se à porta – Até amanhã.

- Ok, até amanhã.

Sentei-me na cama e abri o livro. Primeira página cá vamos nós. Fiquei a ler durante quase duas horas, até que finalmente me deitei e desliguei a luz. Devo ter ficado acordada durante também quase duas horas, acho que estava na expectativa que Derek aparecesse, mas ele não apareceu.

Se calhar não sou só eu quem anda com estas questões todas na cabeça. O quase beijo para ele deve ter sido como foi para mim, ou então sente-se estranho e não quer falar, por isso evita-me.

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