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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 24.02.11

Capítulo 17

A Separação

 

- Pronta para ir às compras? – Perguntou Sue, encostada ao seu carro, à espera de Sheilla.

- Mais era impossível. – Respondi-lhe, sarcasticamente, enquanto me aproximava.

- Vai ser super giro.

- Ui, então não vai? Temos é que escolher um vestido prático senão estamos feitas.

- Para uma festa de gala? Temos que estar apresentáveis. E acerca dos convites?

- Pois, não consegui nenhum, mas não te preocupes, eu ponho-nos lá dentro.

Era de manhã e eu, Sue e Sheilla íamos comprar um vestido para usarmos numa festa super fina e requintada. Estávamos a tentar apanhar um demónio que se misturou na sociedade dos mais ricos e famosos, e agora ia a esta festa, logo nós também lá estaríamos. Quando Sheilla se despachou e foi ter connosco ao carro fomos direitas ao Shopping. Corremos montes de lojas até que vimos a montra de uma que nos chamou a atenção. Os manequins eram mulheres verdadeiras a usarem a roupa da loja. Decidimos entrar.

- Eu adoro este. – Disse Sue agarrando num vestido azul-escuro de alças, até um pouco abaixo dos joelhos e com um pouco de roda.

- Eu também gosto. Experimenta. – Disse-lhe Sheilla.

- Sim, vou experimentar, vejam se gostam de alguma coisa que já vos venho chamar.

Sue dirigiu-se aos provadores e eu e Sheilla continuámos a ver as roupas.

- Ela gosta mesmo disto não gosta? – Perguntei.

- Bastante, acho que se tivesse dinheiro andava sempre nestas lojas de alta-costura e sempre a comprar os últimos gritos da moda. Tu é que não pareces gostar muito.

- Não é das minhas coisas preferidas mas não é das piores que me podem mandar fazer. – Disse, agarrando num vestido preto até aos pés e com uns folhos da cintura para baixo. – Devias experimentar este. – Disse-lhe, entregando-lhe o vestido. – É a tua cara.

Ela pareceu gostar.

- Para quem não adora fazer compras sentes-te muito confortável nas lojas, sabes logo o que agarrar. – Observou.

- O que posso dizer? Sou uma Cronwell, está-me no sangue. – Disse, rindo.

Sue saiu dos provadores e nós adorámos vê-la com o vestido. Sheilla foi também experimentar o que eu tinha escolhido para ela e também gostou. Acabaram as duas por os comprar. Fomos almoçar a um dos restaurantes de lá e depois retomámos a nossa missão de encontrar um vestido para mim.

- De certeza que não gostas de nenhum desta loja? – Perguntou Sue pela milionésima vez.

- Não. – Disse-lhe.

Estávamos prestes a desistir quando o vi na montra. Era vermelho, de atar ao pescoço e com um decote bastante generoso, era comprido e tinha uma racha do lado direito até um pouco acima do joelho. Entrei e experimentei. Elas ficaram sem fala.

- Então, que acham? – Perguntei, um pouco envergonhada.

- É totalmente perfeito! – Exclamou Sue.

- Fica-te lindamente Jô. Só tenho pena da Claire não te poder ver assim. E o Luc ia-se babar todo. – Disse Sheilla.

- Não tenhas, eles vão ver. Afinal, ninguém vai perder esta festa de arromba. – Disse-lhe. – Então, vai este!

- Óptimo! – Exclamou Sue de novo. – Agora só faltam sapatos.

- Óptimo. – Disse eu, com pouco entusiasmo.

Apesar de não estar muito confiante a escolha dos sapatos foi mais fácil que a dos vestidos. Sue comprou uns sapatos de salto alto, brancos e de bico e Sheilla comprou uns também de bico, com uns enfeites de lado mas pretos. Eu comprei umas sandálias de salto alto de atar à perna.

Quando chegámos a casa já era quase de noite. Chad e Luc já estavam de smoking e Louis, Rick e Josh estavam-se a preparar enquanto o jantar fazia.

Fui jantar para a minha casa e preparar-me. Íamo-nos encontrar às nove horas em frente ao casarão onde a festa ia ter lugar. Vesti o vestido que tinha comprado e as sandálias. Pus espuma no cabelo de modo a fazer caracóis e prendi uma madeixa de cabelo no lado esquerdo com um gancho em forma de flor, vermelho e um pouco reluzente. Pus uma pulseira de ouro e uns brincos compridos, também de ouro. Tinha as unhas das mãos e dos pés pintadas de preto. Pus sombra e risco preto nos olhos e usei um batom vermelho. Pus uma encharpe preta pelos ombros e fui ter com eles. Já lá estavam todos mas quando eu cheguei ficou um longo silêncio enquanto me olhavam de alto a baixo.

Luc veio ter comigo e deu-me um beijo.

- Uau, tu estás… Uau. – Disse-me, um pouco atrapalhado.

- Eu estou Uau? Isso é bom, certo? – Perguntei a rir-me.

- É óptimo. Estás deslumbrante. – Disse-me de seguida.

- Obrigada. Tu também não estás nada mal.

«Como é que vou pôr esta gente toda lá dentro sem ter convites?!» pensei. Chegámos ao pé do porteiro que pediu os convites. Abri a minha pequena mala preta de cerimónia e fiz uma cara de espanto.

- Oh meu Deus! – Exclamei. – Têm que estar aqui. E se não estiverem? Têm que estar!

Após ter tirado tudo da mala as lágrimas começaram-se a acumular nos meus olhos e já estavam prontas a sair. Ainda a olhar para o porteiro, deixei cair uma.

- Esqueci-me. – Disse, entre soluços. - E agora? O que é que eu faço? Esta é a festa do ano, eu não posso faltar. Vai estragar a minha reputação. Você sabe quem é que eu sou? Sabe?

- Não menina. Não sei. – Respondeu o porteiro, meio atrapalhado.

- Joanna Cronwell! Simplesmente a próxima Heidi Klum! A próxima grande Heidi Klum. E agora?

Depois de um quarto de hora a fazer fitas deste género, o porteiro, com alguma pena e meio aflito pela fila que se formara atrás de mim, deixou-nos entrar.

- Tu foste espectacular! – Exclamou Claire.

- Foi canja. – Disse.

- Não sabia que eras tão boa actriz. – Disse Rick.

- Sinceramente, nem eu. – Respondi.  

Olhei em redor. Estava tudo muito luminoso e brilhante. A sala tinha bastante luz, o que a fazia parecer ter um tom dourado. Para qualquer lado que olhasse via vestidos maravilhosos, curtos, compridos, de seda, ou até lantejoulas. Havia de tudo um pouco. Havia música a tocar e tinha uma mesa de buffet encostada a uma parede.

Dividimo-nos e cada um foi para seu lado. Sabíamos como o demónio se parecia por isso sabia o que procurar. Fui até à mesa de buffet e dei uma vista de olhos entre os pares que dançavam. Ninguém se parecia com o demónio que estava à procura. Vi Claire e Rick a dançar.

Senti agarrarem-me pela cintura por trás, com muita suavidade.

- Danças? – Sussurraram-me ao ouvido.

Virei-me.

- Não sei, não acho que o meu namorado vá achar muita piada.

- Também não acho que vá. – Disse Luc rindo-se e agarrando-me para dançarmos. – Não pareces estar a gostar muito disto. – Disse-me, enquanto dançávamos.

- Não é bem o meu tipo de festa. Tu sabes disso.

Avistei o demónio. Estava a usar um fato prateado e estava agora a subir para o 1º andar. O problema é que não se podia subir.

- O demónio foi para o 1º andar. Alinha comigo. – Sussurrei ao ouvido de Luc.

Fingi desmaiar, indo de contra ao peito de Luc, que me agarrou, percebendo logo o meu plano. Deitou-me no chão.

- Socorro! Alguém… ajudem-me. – Gritou.

Ouvi uma voz de homem e duas de mulher e depois ouvi o que queria.

- Talvez seja melhor levá-la lá para cima. – Disse a voz de homem.

Luc agradeceu e agarrou-me ao colo, levando-me pelas escadas acima. Quando chegámos a um corredor onde não fôssemos vistos pousou-me.

- Duas actuações no mesmo dia, estás imparável. – Disse-me.

- O que é que pensavas?

Corremos o primeiro andar de uma ponta à outra, mas não encontrámos ninguém, estávamos prestes a desistir quando ouvimos vozes. Voltámos para trás e tentámos seguir as vozes.

- Sabes… - Disse-me. – Não acho que vás lutar lá muito bem com essa roupa fina.

- O problema não é a roupa acredita, os sapatos é que me estão a matar. – Brinquei.

Entrámos numa sala em que já tínhamos estado. Olhámos em volta mais uma vez mas não vimos nada fora do comum.

- Jô… aquele relógio não estava ali em cima da mesinha ao lado do sofá?

- Estava… e agora não está. – Sorri. – Finalmente.

Andámos às pancadinhas à volta da parede para ver se havia alguma sala secreta até que Luc me chamou.

- Achei. – Disse-me, forçando a parede, que se abriu como uma porta.

Entrámos e fomos dar a uma sala rectangular, tinha umas luzes vermelhas acesas e o que parecia ser um altar de sacrifício mesmo no centro.

- Arrepiante. – Disse Luc. – Aposto que quem comprou a casa não sabe desta maravilhosa salinha.

- Sabes como é, mesmo as pessoas finas e reluzentes têm os seus segredos obscuros. – Disse-lhe, avançando até ao meio da sala.

Ao lado do altar havia uma pequena mesa de pedra com frascos com várias partes humanas, como olhos, dedos… tinha também um crânio e um caldeirão pequeno, ainda com restos de sangue fresco.

- Que nojo. – Disse. Luc permaneceu calado. – Não sei como é que alguém consegue fazer estas coisas, demónio ou não. Luc? Luc estás a ouvir?

Virei-me mas não o vi em lado nenhum.

- Luc? Perfeito. Bem-vindo a casa Krothingue. Estávamos à espera. Vá lá, não te escondas. – Disse eu, para o demónio.

Senti um pontapé nas costas e caí para a frente, virei-me rapidamente de barriga para cima e vi-o com uma lança na mão, pronta a ser deixada cair em cima de mim. A lança caiu tão depressa que só tive tempo de me desviar para o lado. Levantei-me num ápice e dei-lhe um pontapé fazendo-o recuar e cair de costas. Ele levantou-se, agarrou na lança e veio a correr até mim. Rasgou-me um bocado do vestido.

- Sabes, eu até gostava desse vestido! E além disso foi super caro! – Disse-lhe.

- Mata-me e nunca mais vês o teu namoradinho.

- Quanto é que apostas? – Disse, desarmando-o em seguida e atirando-o ao chão umas quantas vezes, explodi-o várias vezes mas ele voltava sempre a formar-se, precisava da poção. Vi Luc surgir de uma curva que dava à sala onde tínhamos encontrado a passagem e distraí-me, permitindo que o demónio me mandasse contra a parede e pegasse na lança.

- Diz adeus boneca. – Disse-me, pronto para espetar a lança em mim.

- Adeus boneca. – Disse-lhe, vendo-o ser em seguida reduzido a pó pela poção mandada por Luc.

Voltámos para o andar de baixo e ficámos na festa durante mais umas horas acabando por chegar a casa já de madrugada. Ainda bem que os pequenos tinham ficado com o avô.

Todos se divertiram numa festa que para mim era mais de aparências que outra coisa, mas no fim até não foi muito mau, percebi que não é onde se está, mas sim com quem se está.

Passou-se uma semana desde a festa fina e glamourosa e eu e Luc íamos para a Grande Bahama, a quarta maior ilha das Bahamas, nas Caraíbas. Já tinha as malas feitas e ia ter à casa dos Connor depois do almoço.

Almocei e arrumei a cozinha de modo a não ter nada para fazer antes de ir. Luc ia-nos teletransportar até lá e depois íamos ficar num hotel que supostamente era dos melhores.

Cheguei à casa dos Connor e estava lá Sue e Claire, juntamente com Louis e Sheilla como é óbvio. Chad desceu as escadas e cumprimentou-me. Disseram-me que Luc tinha dito que ia ao High Spot ter comigo, estranhei mas fui ter com ele.

Quando cheguei ao High Spot abri a porta com a chave extra que Sheilla me tinha emprestado e então tudo desabou, senti um vazio enorme.

Luc estava lá, deitado no chão com uma manta por cima, mas não era à minha espera certamente. Estava com outra rapariga, devia ter uns vinte anos e poucos como eu, tinha cabelo castanho pelos ombros e estava lá, ao lado dele “numa boa”. Quando Luc pousou os olhos em mim ficou em pânico.

- Oh meu Deus! Jô! – Disse, enquanto se levantou, vestiu as calças e veio ter comigo.

Eu saí porta fora, ainda em choque com o que acabara de ver.

- Jô espera! – Chamava ele enquanto vinha atrás de mim em tronco nu.

Eu continuava a andar, incrédula.

- Jô. – Disse, agarrando-me no braço. – Vamos conversar.

- Deixa-me em paz Luc.

- Jô, vá lá, deixa-me explicar.

Continuei a andar e ele sempre atrás de mim, a um certo ponto tocou-me e de repente estávamos no quarto dele.

- Por favor deixa-me explicar. – Implorou.

- Claro, podes explicar à vontade. – Disse eu. – Podes explicar como é que foste capaz de me fazer isto, podes explicar porque é que disseste que ias ter comigo, ah, também podes explicar quem era aquela, aquela…

- Desculpa. – Disse, agarrando-me na mão.

Afastei-me.

- Desculpa? Isso é o melhor que tens para dizer?! – Perguntei, com uma lágrima a escorrer-me pelo rosto.

A nossa conversa agora já estava num tom bastante alto, tenho a certeza que se podia ouvir em toda a casa.

- Simplesmente aconteceu. – Disse-me.

- Aconteceu? Tens ideia que quantas vezes podia ter simplesmente acontecido entre mim e os rapazes que se atiravam a mim no bar enquanto tu não estavas?! Tens?! Isto não pode estar a acontecer. Nós íamos para as Bahamas Luc, para as Bahamas. Como é que pudeste? – Agora, apesar do meu tremendo esforço, as lágrimas já caiam sem que eu as pudesse controlar.

- Não foi por mal, a sério.

- Claro, tu pensaste que eu te ia ver com ela e que ia achar muita graça à coisa, não?

- Eu não pensei que tu…

- Visse, tu não pensaste que eu visse… ainda é pior. Nunca pensei que me decepcionasses tanto.

- Jô. – Disse-me, aproximando-se.

- Não te aproximes. – Disse-lhe, abanando com a cabeça. – Não agora, Luc agora nem consigo olhar para a tua cara. Já devia estar habituada afinal… acontece sempre. Não interessa quem o rapaz é, mas no fim acaba sempre por me trair com outra.

- Não me perdoas?

- O que é que achas?!

- Bem, se não confias em mim então talvez seja melhor acabarmos! – Exclamou, já com uma voz chateada.

- Primeiro, tu não me deste senão razões para não confiar e segundo, sim talvez devêssemos!

Ele pareceu ficar chocado e um tanto abalado.

- Joanna, vamos falar, pensa bem. – Pediu, já mais calmo. – Sabes que te amo, não queria dizer nada daquilo. Foi a única vez, não planeei nada. Eu amo-te a ti.

- Adeus Luc. – Disse-lhe, saindo do quarto.

- Onde é que vais?

- Para as Bahamas.

Desci as escadas ainda com as lágrimas a escorrerem, agarrei na mala e dirigi-me a Sue.

- Levas-me? – Perguntei, mais num tom de súplica do que qualquer outra coisa.

- Querida… claro.

Todo o resto da família me olhava, chocados e um bocado confusos. A última coisa que me lembro de ver antes de Sue me teletransportar foi Luc, a aparecer no cimo das escadas.

 

Isto não podia ser tudo maravilhas, certo?

(não me matem...)

btw: só posto o próximo quando tiver 14 comentários

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