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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 27.02.11

Como várias pessoas me pediram...

 

Capítulo 22

O Noivo

 

- Posso? – Perguntou Chad a bater à porta do meu quarto.

- Claro, entra. – Disse-lhe. – Estranho, quando estava na outra casa não perguntavas...

Eu estava a arrumar umas coisas. Ele entrou e sentou-se na cama.

- Estás diferente... – Começou por dizer-me.

- Estou?

- Sim, mais... sorridente, mais feliz, não sei... tem a ver com aquele rapaz que te tens encontrado desde há três noites, não tem?

- Nem por isso. – Disse-lhe, sentando-me ao lado dele. – Ele até que é um bocado chato.

- O Luc não sabe sobre ele. – Disse-me, num tom de reprovação.

- Não há nada para saber Chad. Além disso eu e o Luc acabámos, lembras-te? Somos amigos, nada mais.

- Isso significa que já não sentes nada por ele?

Baixei os olhos e tornou-se mais difícil de respirar.

- Bem me parecia. – Disse-me.

- O que eu sinto, ou não sinto por ele não tem nada a ver. As coisas entre nós acabaram e eu acho que tenho direito a sair e divertir-me sem ter que lhe dar satisfações.

- Isso significa que te divertes com o outro do bar?

- Não.

- Mas então divertes-te com quem?

Voltaram a bater à porta. Era Sue, que entrara logo depois de bater. «Obrigada» pensei.

- Então, pronta para sairmos? – Perguntou.

- Mais pronta era impossível. A Claire sempre vem? – Perguntei-lhe.

- Sim, ela vai lá ter.

- Onde é que vão? – Perguntou Chad.

- Hoje é uma noite de raparigas. – Apressou-se Sue a explicar. – Sem rapazes, desculpa.

Fomos para uma discoteca chamada F.U.N! no meio da cidade. Claire estava à porta à nossa espera.

- Estava a ver que não vinham. – Disse-nos.

- Enganámo-nos no caminho. – Explicou Sue.

Entrámos e fomos direitas ao bar. Pedi um sumo de laranja, o que as fez estranhar.

- Vais beber sumo? – Perguntou Claire, desconfiada.

- Vou, não me apetece estar a beber álcool hoje.

- Estás bem? Não é que sejas bêbeda mas há aqui tantas bebidas que são a tua cara. – Disse Sue.

- E eu hei-de as experimentar. – Assegurei-lhe.

 Fomos para o meio da pista e começámos a dançar. O DJ que lá estava a trabalhar era muito bom. Atiraram-se várias vezes a Claire e Sue, que responderam sempre que eram casadas. Os que se aproximavam de mim, eu nem lhes ligava. Ao longe vi-o, o rapaz de quem Chad falara mais cedo, Jim. Assim que me viu aproximou-se de mim.

- Tu aqui? Estás-me a seguir ou alguma coisa parecida? – Perguntei-lhe.

- Foi apenas coincidência. – Disse-me. – Queres beber qualquer coisa?

- Eu vim com umas amigas.

- Então convida-as também. Eu vou buscar bebidas ao bar. Espero-te naquela mesa. – Disse, apontando para uma mesa a um canto. Este tipo tem cá uma lata…

Fui ter com Claire e Sue e disse-lhes quem encontrara. Também lhes pedi que em quinze minutos me fossem chamar. Fui ter com ele à mesa.

- Então as tuas amigas não vêm?

- Não.

- Melhor ainda, assim ficamos mais à vontade. Como é que estás?

- Ouve, eu não sei do que é que estás à procura mas seja o que for não sou eu, eu não estou numa de namoros agora.

- Muito bem. Beberemos a isso então.

Bebi um gole e olhei para ele. Foi a primeira vez que o observei bem. Era moreno, olhos castanhos muito escuros e muito bem constituído. Usava um colar ao pescoço. Comecei a sentir-me bastante atraída por ele. Claire e Sue chegaram.

- Bem Jô, está na hora de irmos. – Disse Claire.

- Vão vocês. – Disse-lhes. – Eu fico mais um bocado.

Elas pareceram muito surpreendidas.

- Tens a certeza? – Perguntou Sue.

- Absoluta. – Respondi, sem tirar os olhos de Jim.

Sue deixou-me as chaves do carro dela e foram-se embora. Eu fiquei muito tempo a olhar para Jim, sem pronunciar uma palavra. Sentia-me perdida, mas de uma boa maneira. Era como se o meu coração estivesse finalmente curado e não tivesse restos do que se passara entre mim e Luc. Ao estar ali, sentada ao pé de Jim, sentia-me bem, sentia-me livre, sentia-me... como me costumava sentir ao pé de Luc. Era oficial, estava perdidamente apaixonada.

Após muito tempo com Jim naquela discoteca, fui para casa e deitei-me. Não tive nem sinais de pesadelos. Sonhei com Jim. Fui acordada com alguém a bater à porta.

- Sim? – Perguntei, um bocado rabugenta.

- Sou eu. – Disse Chad, entrando. – Acordei-te?

- Acordaste, mas não faz mal. Senta-te. – Disse-lhe, desviando os pés para ele se sentar. Ele obedeceu.

- Então, como é que foi a saída de raparigas? – Perguntou.

- Maravilhosa. – Pronunciei.

A cara dele alterou-se.

- Como assim? – Perguntou.

Eu sentei-me, encostada à cabeceira e com um sorriso contagiante continuei.

- Eu estou apaixonada Chad!

- O quê?! Por quem? – Ele parecia em pânico.

- Por aquele rapaz, Jim, tu sabes, o do bar. Ai Chad, ele é maravilhoso!

- Jim?! Então e o Luc?

- O Luc já foi à história. Sabes, estava a pensar fazer uma tatuagem a dizer “Jim”, não sei se meto uma borboleta ao lado ou um coração. O que é que achas?

- Tu estás maluca?

- Maluca não digo... tenta antes apaixonada.

- Mas nem conheces este tipo Joanna!

- Conheço o suficiente.

Ele saiu do quarto e eu voltei a deitar-me, a sonhar acordada. Após um tempo levantei-me e vesti uma mini-saia cor-de-rosa bebé, uma blusa branca e pus uma bandelete também cor-de-rosa no cabelo. Calcei uns ténis-bota pretos e desci para tomar o pequeno-almoço.

- Bom dia! – Exclamei sorridente, sentando-me e servindo-me.

- O que é que se passa contigo? – Perguntou Louis, a olhar-me de alto a baixo.

- Está maluca. – Disse Chad.

- Eu não estou maluca! Estou apaixonada. É diferente.

Nessa altura Luc entrou na cozinha e ficou imóvel a olhar para mim.

- Não é óptimo? – Perguntei-lhe. Ele deu meia volta e saiu. Eu continuei. – Olha, ele é que está maluco.

Chad levantou-se.

- Como é que podes estar tão insensível?! – Perguntou-me, indo atrás do irmão.

Eu encolhi os ombros e comecei a comer. Louis olhava para mim com uma cara muito desconfiada apesar de eu lhe garantir de todos os modos possíveis que estava bem, feliz e sobretudo, apaixonada.

Depois do pequeno-almoço saí e fui ter com o Jim. Passei o dia inteiro com ele e voltei para casa já de noite. Isto repetiu-se por três dias. Andava completamente perdida de amores. Na terceira noite, Sheilla estava no sofá à minha espera.

- Jô, tu estás bem? – Perguntou-me, com uma cara de preocupação.

- Super. – Respondi, sorridente.

- Tu andas a cantarolar e a escolher tatuagens e eu já te vi apaixonada e não é assim que ficas. Tu não estás bem Joanna.

- Porque é que vocês têm que ser assim?! Não me podem deixar ser feliz?!

Subi e fui dormir. No outro dia de manhã a campainha tocou e eu apressei-me a abrir. Era Jim. Eu tinha-o convidado a ir lá a casa para conhecer oficialmente os Connor. Viu-se na cara de Luc que ficou desfeito mas eu estava tão feliz que nem liguei. Fiz com que se sentassem todos, incluindo Luc, e Jim e eu demos uma notícia esplêndida. Íamo-nos casar! Luc levantou-se e foi para a cozinha. Eu fui atrás dele.

- Não estás feliz por mim? – Perguntei.

- Só podes estar a gozar certo?! Tu nem o conheces Jô. Como é que podes estar noiva dele? Logo tu, que não gostas de casamentos nem da ideia de criar família!

- Estás assim por não ser contigo não é? Luc, vê por este modo. O Jim é educado, tem dinheiro e pode dar uma óptima vida aos nossos futuros filhos. Se eu ficasse contigo nunca iria ter isso. Eu nunca iria acabar com uma pessoa como tu! Mereço melhor.

Dito isto, virei as costas e dirigi-me à sala, que se encontrava agora vazia. Tive uma grande dor no peito e depois, tudo se tornou claro. Voltei atrás e abri a porta da cozinha. Luc já lá não estava.

Corri até ao meu livro e procurei nele a imagem de Jim. Era um demónio de nível médio, chamado Jimlliavag. Fiz a poção para o destruir e um feitiço para o localizar. Quando cheguei ao esconderijo dele, escondi a poção nos bolsos e lembrei-me de como era quando estava falsamente apaixonada por ele. Olhei-me a um espelho partido e arranjei o cabelo. Tinha uma mini-saia preta com uma blusa de atar ao pescoço amarela clarinha e uma bandelete branca. Tinha umas sandálias de salto alto, de atar na perna, pretas.

Avancei para a sala em que ele se encontrava. Vi-o a falar com os Connor, que se encontravam amarrados numa parede. Estavam lá todos, até Luc. Avancei para dentro da sala, fazendo o meu papel o melhor possível.

- Olá amor! – Exclamei, sorridente, aproximando-me dele. – Meu Deus, não é de estranhar que nunca me tivesses trazido cá. Mas não faz mal, quando casarmos podemos contratar um decorador. Eles fazem maravilhas.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntou-me Jim, aflito.

- Vim ter contigo é claro. Há tantos pormenores do casamento que temos que falar. Olha, convidaste os meus amigos. Tão querido! – Disse, com um sorriso enorme. Parei de sorrir e continuei. – Mas sabes, eu não gosto muito que os convidem nas minhas costas.

Dei-lhe um pontapé, mandando-o ao chão.

- Como é que o fizeste hã? Um feitiço de amor? Ou não, espera, talvez uma poção na minha bebida! – Exclamei, dando-lhe outro pontapé antes que se levantasse.

Agarrei nele e encostei-o à parede.

- Estiveste tão perto... o teu único azar foi eu ter magoado aqueles que realmente amo. Se não, por esta hora ainda estava perdida de amores por ti. Credo, só de pensar nisso…

Ele deu-me um pontapé mandando-me ao chão. Levei a mão ao bolso.

- Já que foi tudo falso deixa-me dizer que acabou tudo. – Disse-lhe, mandando-lhe em seguida a poção, matando-o. – E já agora… nunca foste um bom namorado.

Levantei-me e desamarrei os Connor, um a um.

- Desculpem, a sério, eu fui tão parva. – Disse-lhes. – Cada vez que me lembro de metade das figuras que fiz…

- Não foi culpa tua. Até estou surpreendida em como te conseguiste libertar. As poções de amor são muito fortes. – Disse Claire.

- Pois. Mas acredita, há coisas mais fortes. – Disse-lhe Chad, a olhar para mim e para Luc.

Eu sorri. Iam-se todos embora quando chamei Luc à parte.

- Sobre o que eu disse... quero que saibas que foi o feitiço a falar. Eu nunca pensei assim, juro.

- Eu sei. – Disse-me.

Fomos todos para casa e à noite encontrámo-nos no High Spot. Sentámo-nos na mesa do costume e falámos, divertimo-nos. Desta vez bebi um martini. Estávamos todos num bom clima apesar das coisas entre mim e Luc estarem estranhas de novo, o que já parecia quase uma tradição.

Ele levantou-se e veio até à minha cadeira. Estendeu-me a mão.

- Danças? – Perguntou.

Devo ter ficado a olhar para ele durante quase um minuto antes de responder, espantada.

- Claro, porque não?! – Acabei por responder.

Dançámos agarrados, a música era calma. A certo ponto parámos e ficámos a olhar um para o outro, ele inclinou-se para me beijar mas eu virei a cara.

- Luc…

- Sem problemas. Eu não quero forçar nada. – Disse-me, com um sorriso nos lábios. Parecia extremamente sincero. Mas até quando?

Tenho a certeza que não vai ficar à minha espera para sempre… quanto tempo demorará a fartar-se e a seguir com a vida? Se ao menos eu tivesse maneira de saber se queria ou não voltar para ele… mas tudo o que sei é que neste momento, acerca de Luc, estava a decorrer um enorme debate na minha cabeça.

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