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One Shot

por Andrusca ღ, em 27.02.11

Casualidades da Vida

Parte 1

 

O telefone tocou e apressei-me logo a atender.

- Eu sei, eu sei, estou atrasada – desculpei-me assim que o levei ao ouvido.

- “Então despacha-te Annie!” – Disse o meu melhor amigo, Jonas, logo após eu falar – “Eu não arranjei esta oportunidade para nada melhor amiga. Vá lá.”

- Eu sei, eu estou quase aí. Mais dez minutos e desço.

- “Dez minutos? Malvadas mulheres…”

- Também te adoro – e desliguei.

Entrei na casa de banho e ajeitei o meu cabelo pela milionésima vez. Sabia que estava bonita, a minha maquilhagem suave contrastava mais que bem no meu tom de pele morena, e o vestido roxo de alças e acima do joelho com as sandálias pretas com um pouco de salto dava-me um ar elegante. Arriscava até pensar que nunca tinha estado mais bonita.

Peguei na minha pequena mala também ela roxa e lá dentro pus um gloss, o meu telemóvel, chaves de casa e uma pequena carteira.

Não saí do quarto sem me olhar de novo ao espelho; estava deveras nervosa.

Desci as escadas e dei um beijo aos meus pais, depois saí pela porta cheia de pressa, e quase que ia caindo enquanto aos tropeções, seguia para o carro de Jonas. Assim que entrei, ele olhou para mim estupefacto.

- Estás linda – disse-me, com um sorriso de orelha a orelha.

- Tu também estás bastante elegante – elogiei.

Ele começou a conduzir e aumentou o volume da música.

- Então, entusiasmada? – Perguntou-me.

- Muito! Já alguma vez disse que te adorava?

- Ahah, várias. Tens sorte, eu era para trazer a Erica, mas ela não quis… - a Erica é a sua namorada.

- Eu sei. E vou-lhe agradecer por isso durante os próximos dez anos!

- Tu és mesmo fanática.

Em menos tempo do que aquele que esperava, chegámos à entrada daquela mansão esplêndida que era habitada pela maior estrela da música da actualidade, Jensen Starlight. Eu sou a sua maior fã desde que me lembro, e quando Jonas me disse que tinha dois convites para a sua festa, quase que ia desmaiando. Claro que já pensei que talvez Jensen não seja como penso, talvez não seja nenhum cavaleiro andante ou príncipe encantado, mas ele é, sem sombra de dúvidas, o meu sonho de rapaz. E estou prestes a poder conhecê-lo.

Jonas estacionou e ambos saímos, ele deu a chave para que um rapaz que lá estava fosse arrumar o carro.

Assim que entrámos no enorme casarão senti as pernas a fraquejar. E se o visse? Como seria ele? Será que me falaria? Será que me cumprimentaria com dois beijos na cara? Corei só com esta suposição. “Desce à terra Annie, ele nem sabe que existes”, pensei.

Entrámos para uma sala muitíssimo bem decorada, era em tons de dourado e tinha vários posters dele na parede. Se não estivesse me público já me estava a “babar” só com aquela sua imagem sempre perfeita.

A música que dava, como não podia deixar de ser, era cantada por ele, o que ainda me fazia querer ir dançar mais. E Jonas pareceu entender isso, pois puxou-me para a pista de dança sem demoras. Aquilo estava completamente cheio.

Dançámos durante imenso tempo, mas nunca o vi. Parecia que estava fugir da sua própria festa.

- Tenho que ir à casa de banho – disse, ao ouvido de Jonas. Ele assentiu em como me tinha ouvido, e segui.

Subi a escadaria e perguntei a três raparigas onde ficava a casa de banho. Segui o caminho que me indicaram e poucas portas depois encontrei-a.

Quando me despachei, olhei-me de novo ao espelho. Tanto trabalho a arranjar-me e na volta nem o iria encontrar. Ajeitei o meu gancho que mantinha o meu cabelo apanhado e saí da casa de banho, indo de encontra a um rapaz. Assim que olhei para ele petrifiquei. Cabelo escuro, olhos verdes azulados, sorriso lindo, não podia ser… era mesmo ele.

- Desculpa – disse, tão rápido que tenho até dúvidas que ele tenha percebido.

- Tanto faz – respondeu-me, rudemente enquanto se dirigia a uma porta.

- Espera! – Eu nem pensei, a palavra simplesmente me saiu, e agora tinha-o a olhar para mim e tinha que dizer qualquer coisa – Eu chamo-me Annie.

- Óptimo. Eu sou o Jensen, mas sei que sabes isso. Aproveita a festa.

Voltou-se de novo para a porta mas a minha voz voltou a ecoar.

- Tu não vais? Para a festa?

- Estou cansado, ok? Vai.

- Ok…

Fiz o que me pedira e regressei para junto de Jonas. A festa agora já não estava a mesma coisa. Só conseguia pensar em como o tinha conhecido e ele nem sequer se tinha importado.

Quando eram duas da manhã decidi que estava na hora de ir para casa, mas via que Jonas não se queria ir embora ainda. Disse-lhe que ia embora, e apesar de ele me querer levar, recusei e disse que ia de táxi. Após alguns minutos ele lá aceitou a minha decisão.

Saí da mansão e caminhei um pouco até à estrada, que comecei a seguir a pé. A verdade é que não me apetecia apanhar um táxi, a brisa quente da noite de Verão sabia-me bem.

A rua estava completamente deserta, o que me fazia sentir completamente à vontade. Descalcei as sandálias, que devido aos saltos já me começavam a magoar, e levei-as na mão contrária à que agarrava na mala.

Andei pouco tempo até ouvir passos atrás de mim, e quando me virei para ver deparei-me com dois rapazes, um deles com uma navalha apontada a mim.

- Dá-nos a mala – mandou.

Não sei o que me deu, nem porque o fiz, mas em vez de obedecer tentei dar-lhes com os sapatos, e nem quando um deles me agarrou obedeci, bem pelo contrário, ainda me tentei soltar com mais força. E então senti uma dor aguda nas costas e tornou-me mais difícil de respirar a cada golfada de ar que inspirava. Perdi as forças e o rapaz que me amparava deixou-me cair e ouvi os seus passos a fugir, tal como o seu compincha. Tinha-me esfaqueado. E nem sequer tinham levado a mala, que ainda agarrava na minha mão.

- Annie! – Ouvi. Era a voz do meu melhor amigo, que pelos passos, corria até mim.

Depois disso tudo ficou negro.

Quando acordei estava deitada no mesmo sítio, no chão do passeio, com uma pequena poça de sangue por baixo do meu corpo. Levantei-me a medo que me doesse alguma coisa, mas pelo contrário, estava completamente bem.

A rua agora já estava num reboliço, carros a buzinar, pessoas a andar de um lado para o outro… e no entanto ninguém parecia dar por mim.

Como já não tinha nem a mala, nem as sandálias, decidi que o melhor seria ir até casa de Jensen Starlight, apesar de não saber como me receberia ou o que lhe iria dizer.

Caminhei lentamente, sentia-me estranha, com se algo não estivesse bem.

Ao chegar à porta, respirei fundo e quando tentei bater a minha mão passou directamente por ela, fazendo com que por momentos parasse de respirar. O que é que se estava a passar?!

Respirei fundo e dei um passo em frente, passando para o interior da casa. Senti uma coisa molhada percorrer-me a cara e apressei-me a limpar a lágrima com a mão, apesar de chorar ser o que mais me apetecia fazer.

Estava confusa com os detalhes, apenas me lembrava de ter sido atacada por dois rapazes e esfaqueada em seguida… e depois acordei, e ninguém deu por mim.

Senti um aperto no coração ao perceber o porquê: ninguém me conseguia ver.

Ninguém me via, conseguia passar por portas, não conseguia tocar em coisas… tudo isto apenas queria dizer uma coisa: era um fantasma.

Mais lágrimas se criaram quando cheguei a esta conclusão, e deixei-me cair no chão a expulsá-las do meu sistema.

Empregados passavam e ninguém dava por mim, era como se não estivesse realmente aqui.

Apenas levantei a cabeça quando uma sombra tapou a luz que me chegava, e ao fazê-lo vi os seus olhos azulados a observar-me.

- O que é que tu tens? – Perguntou-me Jensen.

- Tu consegues-me ver? – Perguntei, surpreendida. Era impossível.

- Porque é que não poderia?

- Porque… eu sou um fantasma.

Ele revirou os olhos, agora parecia completamente enfadado.

- Ouve, eu não sei quem és, mas vou chamar a polícia – tirou o seu telemóvel do bolso dos jeans que trazia vestidos e eu sei pensar tentei tirá-lo das mãos, mas tal como antes, a minha mão passou directamente por ele e por conseguinte pela mão de Jensen.

Ele, com o choque, deixou cair o telemóvel no chão e ficou a olhar para mim a medo.

- Eu lembro-me de ti – murmurou – És a rapariga da casa de banho. O que é que aconteceu?

Não lhe respondi, fiquei a divagar na sua frase “Eu lembro-me de ti”. Ele lembrava-se de mim… senti as minhas bochechas a arder, devia estar mais corada que sei lá o quê.

- Anda – disse-me.

Começou a subir as escadas e eu fui atrás, desviando-me as pessoas que passavam visto que elas não se desviavam de mim e não queria mesmo nada passar “por dentro” delas.

Chegámos até à mesma porta por onde ele entrara da outra vez e ele abriu-a, deixando-me passar antes de a fechar.

- Estás… morta? – Perguntou, com dificuldade, enquanto se sentava na cama.

Eu fiquei em pé, apenas a observar o quarto. Era em tons de azul e tinha montes de posters nas paredes, uma guitarra, um plasma e uma aparelhagem de sonho.

- Não sei – respondi, por fim – Há quanto tempo é que vês fantasmas?

- Não vejo – olhei para ele e ele reformulou a frase: - Quer dizer, nunca vi.

- Eu devia ir… - murmurei – Depois de amanhã tenho aulas, e os meus pais devem estar preocupados e…

- E o quê? És um fantasma, eles não te vão ver – apesar de saber que não o fez por mal, as suas palavras doeram. Mas tinha razão – Não tens sítio nenhum para ir, ninguém te vê além de mim.

- Então o que pretendes fazer? – Encolhi os ombros – Queres que fique aqui para toda a eternidade?!

- Deus me livre… - murmurou.

- Uau… parabéns, és mesmo um idiota – virei costas e ia em direcção à porta quando ele se pôs à minha frente.

- Foi sem querer. Não vás, eu posso descobrir o que te aconteceu. Mas só se ficares aqui.

Pareceu-me sincero, mas mesmo assim não gostava da ideia.

- Eu posso ir contigo – afirmei – Afinal, ninguém mais me vê.

- Não. Tu ficas, eu vou e descubro coisas, ok? Ou nada feito.

- Tudo bem.

- Fica – reforçou, enquanto saía.

- Ão-ão – murmurei, revirando os olhos.

Deixei-me cair para a sua cama e inspirei aquela essência. Acho que sempre fora o meu sonho estar aqui; desde que me lembro que o quero conhecer, mas agora que finalmente conheci não é a mesma coisa.

Fiquei quieta deitada na sua cama durante minutos ou horas, não sei bem, sei apenas que só me levantei quando ele entrou no quarto e se sentou ao meu lado.

- Tenho boas notícias – disse-me – Tu estás em coma!

- Boas notícias?! – Gritei.

- Pelo menos não estás morta! – Gritou-me – Fogo, que histérica!

Em coma? Eu estava em coma? E se não acordar? Posso ficar assim para sempre… oh não, oh não, oh não, estava a começar a entrar em pânico.

- Oh miúda, tem lá calma, tu hás-de acordar – disse ele.

- “Oh miúda”?! – Repeti – Tu nem sabes o meu nome, pois não?!

Ele encolheu os ombros e agarrou numa revista sobre automóveis que começou a ler. Fantástico, eu estou em coma e a única pessoa que me consegue ver é nada mais nada menos que o tipo com quem sempre sonhei que afinal é um atrasado mental de primeira.

 

Se quiserem posto a parte 2 depois ^^

Ps. Não revi, logo peço desculpa pelos erros...

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