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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 28.02.11

Este capítulo é estúpido mesmo, não há outra palavra para o descrever.

Não gosto dele, ponto.

Quero saber o que acham ^^

 

Capítulo 23

Vida Tripla

 

Há uma semana que estava de cama, com uma constipação horrível. Sheilla levava-me comida e Chad e Luc passavam lá muito tempo, apesar de eu dizer que era melhor não ou também iriam apanhar a gripe. Eu acho que mais que doente, estava cansada, o último mês tinha sido completamente louco mas também muito bom.

Hoje quando acordei já estava melhor, só me doía um pouco a garganta, por isso decidi levantar-me e ir ter com Sheilla à cozinha. Desci as escadas e ouvi-a a falar ao telemóvel. Ela estava com o computador portátil na mesa da cozinha e quando desligou o telefone foi ao Youtube. Aproximei-me para ver o que é que ela estava a ver.

- Já estás de pé? Sabes que devias estar a descansar Jô. – Disse-me, com uma voz à mãezinha.

- Não te preocupes, eu estou bem. – Disse-lhe, sentando-me ao lado dela.

- Pois, pois.

- Não te preocupes, eu não vou sair… a não ser que aquele demónio chato me obrigue.

Desde que ficara doente que havia um demónio a vir e a ir, sempre a chatear. Eu estava só à espera de recuperar as forças para o ir procurar.

- Olha, conheces esta cantora? – Perguntou-me, metendo o vídeo do Youtube a dar. – Chama-se Chelsea Mills e canta pop-rock. Há quem diga que na parte do pop, vai destronar a Madonna. Num mês lançou dois álbuns e dezoito singles.

- Sim, eu conheço. Mas estás a ouvir porquê?

- Porque ela esta noite vai para o High Spot.

- Ela vai o quê?! – Perguntei, quase em pânico. – Eu tenho que ir à casa de banho, volto já.

Subi até ao meu quarto, peguei no telemóvel e liguei ao Francis, um agente de música à escala mundial.

- Estou, Francis? Sim, é a Chelsea. Que história é essa de eu ir cantar a um bar hoje?

- Era uma surpresa. É genial não é?

- Não muito. Eu não posso ir.

- Como assim não podes ir?

- Não posso. Não me sinto bem. Telefona já e desmarca. – Desliguei o telefone sem lhe dar hipótese de dizer mais nada.

Quando voltei a descer, Sheilla continuava na cozinha mas agora estava com uma cara triste.

- Afinal a cantora já não vai. – Disse-me, meio destroçada.

- Então?

- O agente dela telefonou a cancelar. Raios!

- Mas podes sempre contratar outra pessoa certo? Ainda é de manhã Sheilla.

- Eu sei que é cedo mas ela estava no topo, e hoje eu precisava mesmo do topo. Ela é loira, sexy e canta bem. Eu não te queria preocupar mas o bar não tem estado a dar muito lucro e acabei por ficar com umas dívidas. Ela era a minha única hipótese de conseguir 400 dólares para entregar amanhã.

- 400 dólares?! – Perguntei chocada.

Ela acenou com a cabeça.

- Eu posso-te emprestar o dinheiro Sheilla. Sabes que eu tenho e que não preciso. Porque é que não pediste?

- Porque eu consigo resolver isto. Não quero que me emprestes dinheiro, a sério.

- Mas Sheilla, eu já cá estou a morar há tanto tempo e tu não me deixas pagar, a sério, deixa-me ajudar.

- Eu não aceito o dinheiro Jô, a sério. Não te preocupes, eu arranjo-me.

Deu-me pena vê-la assim. Voltei a subir para o meu quarto e voltei a telefonar para Francis.

- Francis, afinal mudei de ideias. Eu vou ao bar esta noite.

- A sério?

- Sim, absolutamente.

- Óptimo. Vem ter ao estúdio para falarmos de pormenores.

- Agora?

- Claro, o espectáculo nunca pode parar.

- Claro que não. Até já.

Vesti umas calças roxas, uma blusa branca e um casaco com um padrão de xadrez, preto e branco. Desci as escadas e ia a sair de casa quando Luc apareceu.

- O que é que pensas que estás a fazer? – Perguntou, puxando-me para dentro.

- Eu ia só dar uma voltinha. Juro.

- Pois, mas hoje não há voltinhas para ti, quem é que te mandou sair da cama?

- Luc vá lá, eu não sou criança nenhuma.

- Às vezes pareces. Vá lá, vai lá para cima.

Percebi que não valia a pena discutir, no fim eu acabava por ceder e por subir na mesma por isso poupei-nos tempo e subi logo. Entrei no quarto e pus umas almofadas debaixo dos lençóis para fingir que estava lá a dormir. Fui até à varanda e olhei para baixo. Mandei a minha mala para o chão e pensei no melhor sítio para me empoleirar para descer. Consegui descer sem muitos problemas porque já estava habituada a sair às escondidas apesar de ainda não o ter feito na casa dos Connor.

Comecei a correr pela rua e mais abaixo apanhei um táxi que me levou à discográfica. Entrei e fui para a casa de banho que estava vazia. Tranquei a porta e vesti um vestido preto, brilhante com um cinto roxo à volta da cintura e um lenço à volta do pescoço. Calcei umas sandálias e guardei a outra roupa e os ténis na mala, que deixei lá escondida. Olhei-me ao espelho e, com o feitiço que me ajudara a enganar o Mestre, mudei de aspecto. Agora estava loira, com o cabelo comprido aos caracóis e com os olhos verdes. Saí da casa de banho e fui ter com Francis.

- Querida, finalmente. – Disse-me, cumprimentando-me.

- Desculpa, tive um contratempo.

- Nada de grave espero.

- Nada que me pare.

Combinámos a hora e outros pormenores sobre o High Spot e depois voltei a mudar de roupa e de aspecto na casa de banho. Voltei para a casa dos Connor e entrei, com muito esforço, pela varanda. Sentia-me completamente esgotada e a ferver. Levei a mão à testa e notei que estava quentíssima. Tomei um comprimido, vesti o pijama de novo e deitei-me a ler. Passado pouco tempo Chad trouxe-me o almoço.

- Outra vez sopa? – Perguntei. – Tenho comido isso a semana toda Chad.

- É para ficares melhor. Vá lá, não te queixes.

- Tudo bem. – Disse, comendo a sopa contrariada, apesar de saber que até não era má ideia até porque me estava a começar a sentir um pouco pior e precisava de forças para o show da noite.

Depois de eu acabar de comer, Chad, que ficara lá o tempo todo, levou o tabuleiro para baixo e juntou-se ao resto da família. Passei a tarde toda na cama, a poupar-me a mim e à voz, e ao jantar foi a vez de Luc me levar a sopa. Tal como Chad, Luc ficou lá à espera que acabasse de comer e depois levou o tabuleiro para baixo. 

Ouvi a campainha tocar por isso desci. Eram Claire e Rick.

- Então, sentes-te melhor? – Perguntou Rick.

- Assim, assim…

- Mas tens tomado os medicamentos e repousado? – Perguntou Claire.

- Como me foi mandado. Relaxem.

- Bem Jô, nós vamos para o High Spot, se precisares de alguma coisa telefona. – Disse Louis, preparando-se para sair.

- Não queres que fique contigo? – Perguntou Luc.

- Não vale a pena. Só vou ficar a ver televisão. Vai ser uma seca, vai, diverte-te.

Após muita conversa e de me dizerem pela centésima vez para os chamar se houvesse algum problema, foram-se embora.

Subi para o quarto e espreitei pela janela da varanda. Já tinham arrancado, o carro já não estava lá, por isso voltei a vestir a roupa de há pouco, tomei outro comprimido e saí. Comecei a correr enquanto rezava para que passasse um táxi. Infelizmente, não tive essa sorte e cheguei um bocado atrasada ao bar. Entrei pela porta das traseiras e dirigi-me à sala onde as bandas convidadas ficam para se prepararem.

Entrei e mudei logo de aspecto, mudando de seguida de roupa. Para vestir tinha um vestido cai-cai, às riscas na horizontal, pretas, prateadas e roxas, que brilhavam. Calcei uns sapatos fechados, com o mesmo tom de roxo do vestido e prendi o cabelo com um totó, virado para o lado direito. Deixei algumas madeixas soltas. Quando acabei de me maquilhar bateram à porta e eu ordenei para entrarem.

- Finalmente chegaste! – Disse Francis, notavelmente furioso.

- Desculpa… perdi a noção do tempo.

- Pois perdeste, deves ter perdido mesmo.

- Desculpem. – Ouvi Sheilla dizer, entrando na sala. – Passa-se alguma coisa? O público está a começar a ficar um bocadinho agitado.

- Não se passa nada. – Respondi-lhe. – Vou já começar.

Ela foi-se embora e eu tossi.

- Estás doente? – Perguntou Francis.

- Nem por isso. Vamos?

A primeira metade do concerto correu super bem, o público estava ao rubro e parecia estar a adorar o espectáculo. Os Connor estavam muito perto do palco, o que me deixava um bocadinho nervosa. A esta altura já devem ter conhecido a minha voz e quando fosse intervalo teria que falar com eles. Não queria nada que tivessem descoberto assim, planeava contar-lhes mas não ia deixar que o High Spot fechasse. A primeira parte chegou ao fim e anunciámos um intervalo de quinze minutos. Fui para o “camarim” e Claire vinha atrás.

- Desculpe. – Disse-me. – Menina Mills?

- Sim? – Perguntei, virando-me para ela. Estranho, parecia não desconfiar de nada. – Eu tenho uma amiga que infelizmente não pôde vir, mas ela gosta muito de a ouvir. Podia escrever um autógrafo para ela? – Perguntou, dando-me uma folha e uma caneta.

- Sim, claro. Para quem é que escrevo?

- Joanna Cronwell.

Fiquei comovida e muito feliz com o gesto de Claire e escrevi o autógrafo. Claire ficou a olhar para ele.

- Eu conheço-a? – Perguntou. – É que a sua letra não me parece nada estranha.

- Quem sabe…

Entrei para a sala e mudei de roupa. Vesti um vestido muito justo e muito curto, preto e calcei uns sapatos de salto muito alto. Custava imenso dançar com eles mas pelo High Spot, já que estava a dar um espectáculo doente, também me ia aguentar com os sapatos.

De repente ficou muito silêncio e como ainda faltavam dez minutos para o show recomeçar decidi ir espreitar. Vi toda a gente a olhar para mim, como que hipnotizada, fez-me lembrar a noite de Halloween, só que em vez de me atacarem, estavam quietos a olhar e vi lá ao fundo o demónio chato que me andava a perseguir ao pé dos Connor, todos imobilizados menos a cabeça.

Eles viram que eu não me encontrava como o resto das pessoas e quase que imploravam ao demónio para não me magoar.

- Tu outra vez! – Disse, para o demónio.

- Eu outra vez. Sentiste saudades?

- Nenhumas. Já chega com este vem e vai. Vamos acabar com isto. Primeiro vais deixá-los ir, isto não é nada com eles.

- Eu deixo. Se tu mostrares a verdadeira tu. Eu não quero lutar contigo assim vestida, pareces demasiado frágil.

Olhei para os Connor e sussurrei «Desculpem». Disse o feitiço e voltei a parecer-me comigo. Apesar de estar ainda com o cabelo apanhado e com a roupa do espectáculo, era eu, e os Connor ficaram de boca aberta. O demónio cumpriu e desparalizou-os e eles vieram para o pé de mim, ainda sem palavras.

- Bem, assim está melhor. – Disse ele, com ar de triunfo. – Um pequeno questionário. Darias a vida por algum deles?

- Daria a vida por qualquer um deles. – Disse-lhe, explodindo-o, mas sem efeito.

- Agora irritaste-me.

- Só agora? Tu já conseguiste esse feito há uns dias.

- Bem, se darias a vida por um deles, prova. – Disse com um ar malicioso, e atirou uma bola de energia a Luc, que se encontrava a mais ou menos cinco passos de mim.

- Luc! – Gritei. Corri até ele e pus-me à frente, acabando por ser atingida e caindo no chão. Não tinha tido tempo nem para pensar em imobilizar a bola de energia, a reacção mais rápida foi mesmo pôr-me à frente.

- Parece que não mentiste. O amor dói mesmo, não é? – Disse ele, desaparecendo. Porém, as pessoas continuavam iguais. Como zombies.

Os Connor ajoelharam-se todos à minha volta. Luc estava a fazer um esforço enorme para conter as lágrimas, enquanto me agarrava no pescoço.

- Jô… porquê? – Perguntava-me. – Oh meu Deus, tu não podes morrer, não podes.

- Tem calma. – Dizia-lhe eu, esforçando-me para as lágrimas não caírem. – Tu vais ficar bem. Vão todos.

- Jô… - Murmurava Chad.

- Saiam da frente! Eu curo-a. – Disse Sue, chegando-se ao pé de mim, tentando usar os seus poderes, porém, nada aconteceu. – Não percebo.

- Tenho frio! – Murmurei, fazendo um esforço enorme para conseguir falar.  

Luc despiu o casaco e pousou-o em cima de mim.

- Nunca pensei morrer assim vestida. – Disse, tentando aliviar o ambiente.

- Jô, olha para mim, tu não vais morrer. Não podes. Nem te atrevas a deixar-me aqui assim percebes? – Disse-me Luc, ao que tentei acenar.

Um Criador apareceu, ao fim de alguns segundos de Sheilla, Claire, Sue e o resto da família, menos Luc, que me agarrava, agora na mão, o estarem a chamar.

- Finalmente! – Disse Claire. – Cure-a está à espera do quê?!

- Tenho muita pena mas não posso. – Disse, pronunciando cada palavra com o maior cuidado possível.

- Não pode?! Como assim não pode?! – Disse-lhe Chad, indignado. – Depois de tudo o que ela fez, como é que se atreve a dizer que não pode?! 

- Não depende de mim. – Disse o Criador. – Não é o meu destino curá-la. É o de outra pessoa.

- Como essa pessoa não parece estar aqui, podia tentar não?! – Disse Sue.

- Lamento imenso. Adeus. Abençoados sejam.

- Luc. – Disse-lhe. – Estou mesmo com muito frio. Desculpem não ter conseguido salvar o bar. – Perdi as forças por momentos e só ouvi um suave murmúrio «Joanna, eu amo-te» dizia Luc.

Senti um calor enorme e as minhas forças começaram a voltar. Quando abri os olhos vi as mãos de Luc a brilhar, sobre o meu corpo, enquanto a minha ferida sarava. Já me sentia muito melhor, bastante mais aliviada. Tinha-me curado.

- Vocês simplesmente não me conseguem deixar morrer em paz pois não?! – Perguntei, em tom de gozo, apoiando-me em Luc, que me ajudava a levantar.

- Nunca mais tentes uma destas. – Disse-me.

- Acredita, vou fazer os possíveis. Obrigada.

Lançámos um feitiço para manter as pessoas imobilizadas e fomos procurar o demónio. Chegámos ao seu covil, que, para variar era escuro e com uma decoração de teias de aranha e mais teias de aranha e encontrámo-lo bem relaxado. Fui por trás e mandei-o ao chão.

- Mandaste-me uma bola de energia! Não foi muito simpático da tua parte! – Disse-lhe, dando-lhe um pontapé enquanto estava no chão.

- Tu? Não é possível! – Dizia.

- Aparentemente é! Porquê? Não tinhas saudades minhas?! É que eu tenho que ser sincera. – Tirei um frasco de poções do bolso do casaco de Luc, que se encontrava agora vestido em mim. – Eu estou morta para fazer isto há quase uma semana. – Mandei-lhe a poção.

Voltámos ao bar e desfizemos o feitiço, como o tempo tinha parado, ainda me restavam os dez minutos de intervalo. Fui para a sala e Sheilla foi comigo.

- Então és tu… - Disse-me.

- Desculpa. Eu ia contar, só não sabia como. Era para ser só um hobby mas depois tornou-se algo muito maior e eu sabia que ao vir aqui, hoje, vocês iam descobrir mas…

- … Mas vieste na mesma. Mas tu estás doente Joanna…

- Tinha que vir. Não ia deixar o meu bar preferido fechar. Sheilla, para a próxima aceita logo o dinheiro quando eu to quiser emprestar ok? Tornas-me a vida muito mais fácil.

Ela começou-se a rir e eu também.

A segunda parte de espectáculo correu ainda melhor que a primeira pois agora eles já sabiam, o que tornava as coisas mais simples. No fim do espectáculo Louis fechou o bar e eu fingi ir embora como Chelsea, mas voltei momentos depois como Jô. Ajudámos Sheilla a contar o dinheiro e no fim de todas as contas…

- 550, 580, 600, 650, 700, 720. 720 dólares numa noite! – Disse Sheilla, eufórica depois de todas as contas feitas.

Abraçou-me e quase me deixou sem ar.

- Bem, ainda bem que ajudei. Agora vou para casa, não me estou a sentir muito bem. No fim de contas, continuo doente.

- Desculpa. – Disse-me Luc. – Só posso curar feridas feitas por demónios ou magia.

- Não te preocupes com isso.

Na manhã seguinte fui ter com Francis, como Chelsea e despedi-me. Disse-lhe que queria viajar e que ir para a Austrália. Apanhei o avião e aterrei lá. Luc foi-me buscar e trouxe-me de volta para São Francisco, pondo um ponto final na história de Chelsea Mills.

- Tenho pena que tenhas desistido dela. – Disse-me Luc.

- Eu não. Foi giro no princípio mas eu não tinha vida para aquilo. Mais coisas hão-de vir.

 

Mais para a noitinha posto o resto da one-shot :D

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