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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 02.03.11

Capítulo 25

Novo Emprego

 

- Vá lá Jô. Sai daí. – Dizia Chad, do lado de fora da porta do meu quarto.

- Tem calma! – Gritava-lhe eu. – Ok, vou sair, não gozes.

Abri a porta e saí, ele ficou espantado a olhar para mim.

- Tu estás… bem, estás… nada tu. – Disse-me.

- Pois… mas pareço profissional certo?

- Bastante. Não te vais começar a vestir assim pois não? É que prefiro o visual descontraído com os ténis e os calções.

Tinha vestido um vestido até abaixo do joelho, preto e com um corte muito maduro. Tinha umas rendas no sítio do peito a enfeitar. Pus um colar e uma pulseira de pérolas. Fiz um carrapito, deixando apenas algumas madeixas de cabelo soltas à frente e calcei uns sapatos de salto alto, de bico.

- É só por hoje. Descemos?

- Vamos lá.

Descemos as escadas e fomos ter com Sheilla que estava a pôr os pratos na mesa da sala de jantar.

- O que é que te aconteceu? Foi um demónio? – Perguntou, a olhar para mim.

- Credo. – Disse Luc, ao entrar com os talheres. – Desculpa dizer-te isto mas parece que vais a um funeral.

- Não acho que esteja assim tão mal. – Disse Louis, que acabara de entrar com os guardanapos.

- Mas isso é porque não percebes nada de moda querido. – Disse-lhe Sheilla. – Jô, eu nem percebo porque é que queres tanto impressionar esta mulher, ela parece ser tudo aquilo que tu odeias e queres evitar.

- Sim, e é um bocadinho mas eu gosto deste trabalho por isso tenho que lhe agradar.

Há aproximadamente uma semana tinha arranjado emprego numa empresa que avalia os filmes. A empresa é duma mulher um bocado fina e fútil demais, Elisa Matthes, mas o trabalho é tal e qual a minha cara. Este emprego era exactamente o que eu precisava para separar a minha vida de bruxa da vida de humana.

- Então e quando é que a rainha chega? – Perguntou Luc.

- Já não deve demorar muito. Muito, muito obrigada por estarem a fazer este almoço aqui. Salvaram-me o emprego, literalmente.

- Pois, pois. E ficas-nos a dever uma. Das grandes. – Disse Sheilla. – Pronto, está tudo posto. O que é que achas?

- Está perfeito Sheilla. E vem um cheirinho óptimo da cozinha.

- Espero que a madame goste de peru… - Disse ela.

- Acho que sim… - Disse eu, mais a pensar para mim.

A campainha tocou e eu fui abrir a porta. Lá estava a minha nova chefe, vestida de prada da cabeça aos pés, incluindo a mala, com a sua “seguidora” pessoal, Sonya. Sonya esforçava-se para se vestir tão pomposa como Elisa mas não chegava nem perto por isso seguia-a e fazia-lhe todas as vontades e favores, quer tivesse a ver com o trabalho ou não.

- Bom dia Elisa. – Disse-lhe, agarrando-lhe e pendurando-lhe o casaco. – Olá Sonya.

- Bom dia Joanna. Espero que esteja tudo pronto, estou cheia de fome. – Disse-me Elisa, entrando pela casa dentro.

Despachei-me a pendurar as coisas e corri até ela e Sonya, que já se encontravam na sala de jantar, com os Connor.

- Elisa, estes são o Luc, Chad, Louis e Sheilla. – Disse-lhe, apontando respectivamente para cada um. – Pessoal, esta é a minha chefe, Elisa.

Eles ficaram espantados a olhar para ela. Apesar de eu já ter falado bastante sobre Elisa, eles nunca a tinham conhecido. Parece que não os preparei muito bem.

Cumprimentaram-se e sentámo-nos. Elisa parecia estar a gostar da comida, o que era o que se pretendia.

- Tenho que admitir Joanna, não estiveste nada mal, nunca pensei que conseguisses organizar isto com tão pouco tempo de antecedência. – Disse Elisa, pousando os talheres de lado, no prato.

- Na verdade não tinha conseguido se não fossem eles. – Respondi-lhe.

- Pois, pormenores. A comida estava maravilhosa, não sabia que eras tão boa cozinheira.

- Eu não cozinhei, foi a Sheilla.

Ela fez uma cara de desagrado e olhou para Sheilla, mostrando-se muito superior. Comemos sobremesa e bebemos café e depois falámos dos próximos filmes que íamos ter para avaliar. Sonya só abria a boca para concordar ou repetir o que Elisa dizia. Já deviam ser quase cinco horas quando se foram embora.

- Bem Joanna, vejo-te lá no escritório na segunda-feira. – Disse-me Elisa.

- Sim, até segunda. – Respondi, fechando a porta.

Voltei para a sala de jantar para ajudar a arrumar.

- Não me leves a mal mas o que raio é que estás fazer com esta mulher?! – Perguntou-me Luc.

- Eu sei que ela pode ser…

- Chata. – Interrompeu-me Chad.

- Tem a mania que é superior aos outros. – Disse Louis.

- Fútil e mal-educada. – Disse Sheilla.

- Ok, tudo bem, eu não gosto mais dela que vocês, mas ela é a minha chefe. – Acabei por conseguir dizer. – E eu gosto do emprego, distrai-me.

- Boa sorte para a suportares. – Disse Luc, subindo as escadas.

Passei o resto da tarde a brincar com os pequenos e depois do jantar foram todos para o High Spot e eu fiquei em casa a avaliar um filme, para segunda-feira. Não me saíam ideias nenhumas de jeito por isso sentei-me na cama a ler uma revista. Os pequenos Chad e Luc já estavam a dormir por isso estive descansada. Acordei a meio da noite com Chad a chorar e a chamar por Sheilla. Já era a terceira vez seguida. Fui até ao quarto dele e estavam lá todos.

- Então o que é que se passa hoje? – Perguntei a Luc, que estava encostado à ombreira da porta.

- Não sei, ele parece muito assustado mas não diz o porquê.

- Olha lá Chad, não te lembras de nada por que tivesses passado nesta idade? – Perguntou Sheilla.

- Nem por isso mãe. – Respondeu-lhe Chad, a bocejar. – Só sei que vou voltar para a cama.

Um bocado depois fomo-nos deitar, todos menos Sheilla que dormiu o resto da noite com Chad. Não consegui dormir muito bem o resto da noite, estava a ficar preocupada com o pequeno Chad. Levantei-me deviam ser cerca de oito horas, estava sem sono. Fui para a cozinha e agarrei no pacote de leite que me escorregou e caiu no chão, entornando-se, depois cortei-me ao abrir outro pacote mas finalmente pus uma caneca de leite a aquecer no micro-ondas. Ouvi passos sorrateiros e voltei-me.

- Já de pé? – Perguntei a Luc.

- Aparentemente.

Ia pôr o pacote do leite no frigorífico quando tropecei no tapete, quase caindo.

- Bolas! Hoje estou em dia não. – Resmunguei em voz alta.

- Então acho melhor não perguntar o que ia perguntar.

- O quê?

- Se queres sair comigo… hoje à noite.

- Tipo um encontro?

- Exactamente como um encontro. Reparei que nós nunca tivemos um primeiro encontro, começámos logo a namorar… por isso, que me dizes? Queres ir num primeiro encontro comigo hoje à noite?

Fiquei a pensar por uns segundos, deixando-o ansioso mas acabei por aceitar. O meu telemóvel tocou e vi que era o número da empresa da Elisa.

- Estou? – Perguntei, atendendo.

- Joanna querida, preciso que venhas trabalhar hoje. – Disse-me Elisa.

- O quê? Mas hoje é domingo Elisa.

- E amanhã é segunda-feira. Vá lá, não te queixes, quero-te aqui em meia hora. Não te atrases. Desmarca tudo, vais sair daqui já tarde! – Ordenou-me, desligando o telefone.

Fiquei um bocado atrapalhada ao dizer a Luc que o nosso encontro tinha que ficar para a noite a seguir mas ele, apesar de um pouco desanimado, concordou.

Fui para o meu quarto e vesti uns calções pretos e uma t-shirt azul clarinha. Calcei umas sandálias de salto alto com umas tiras à frente e pedi a Luc para me teletransportar para lá.

- Joanna! – Exclamou Elisa, com um tom de voz chocada. – Que roupa é essa?!

- É a minha… porquê? A Elisa nunca disse nada sobre a minha roupa…

- Pois não, porque você ainda não tinha vindo trabalhar assim nesses propósitos.

- Nestes propósitos?

- Sim, assim tão desleixada.

- Elisa, eu estou normal

- Talvez sim, mas eu não a quero ver mais vezes assim vestida, por hoje passa mas tem que se começar a vestir melhor.

- Tipo… prada?

- Oh querida, claro que não, como se você tivesse dinheiro para isso. – Disse, rindo-se e a ir-se embora.

- Coitadinha, deve-lhe ter dado a pancadinha do meio-dia. – Disse eu para o ar.

Sentei-me na minha secretária e tentei escrever sobre o filme que tinha que avaliar. O filme chamava-se “O Regresso dos que nunca foram”, na minha opinião o próprio título é um bocado confuso, afinal, se nunca se foi a um lado, como é que se pode regressar? Depois de ver o filme percebi e consegui fazer então a avaliação. Fui dar uma volta pela empresa e reparei que uma colega minha estava com dificuldades em classificar um filme sobre bruxas por isso achei boa ideia ajudá-la. Elisa estava mesmo atrás de nós enquanto eu dava as ideias à minha colega e tentava que ela percebesse alguma coisa.

- Parece que você percebe desse assunto das bruxarias Joanna. – Disse-me Elisa.

- Mais ou menos.

- Muito bem, faça você a avaliação deste filme, parece mais qualificada para tal. Ah, e tem outro à sua espera na sua secretária.

- Mas eu ainda agora acabei um.

- E agora faz mais dois. Preciso deles até amanhã por isso é melhor despachar-se.

O filme das bruxas foi fácil de avaliar pois eu não tive que fazer pesquisa sobre o assunto visto que sou muito entendida nesse campo, o que me poupou tempo. Vi o outro filme lá, uma comédia romântica, mas não o consegui classificar.

Fui para casa, jantei e sentei-me à frente do computador portátil para ver se me surgia alguma ideia. Sue chegou por trás de mim, fazendo-me um susto enorme.

- Não devias fazer isso! Tiveste sorte de não te explodir. – Disse-lhe, tentando recuperar o fôlego.

- Pois, pois. Então, que estás a fazer?

- Estou a trabalhar.

- Mas não estás a ter grande sucesso vejo. Conta lá como é o filme.   

 - É uma rapariga toda certinha que se apaixona pelo bad-boy do colégio e ele por ela. Eles começam a namorar mas nunca se entendem muito bem por causa dos feitios, o que desencadeia situações cómicas, porém, quando acabam ele começa a ficar certinho e bom nos estudos e ela começa a fumar e a baldar-se às aulas. No fim ficam juntos e nem muito certinhos nem muito rebeldes.

Continuei a falar com Sue durante mais duas horas e consegui acabar tudo. Fui-me deitar e voltei a acordar a meio da noite com o pequeno Chad aos berros. Desta vez fui a primeira a chegar ao quarto.

- Então Chad, o que é que se passa?

- Tenho medo.

- Tens medo do quê querido?

- Do papão. Eu sei que a mamã diz que não existe mas eu sei que existe.

- Tens razão. O papão existe, mas a tua mãe já deu cabo dele.

- A sério? – Perguntou, a rir-se.

- A sério. Por isso o papão já não vai meter medo a mais criança nenhuma. Graças à tua super mãe. Vá, dorme lá.

Esperei até ele adormecer e saí do quarto, encontrando Sheilla à saída.

- Com que então eu dei cabo do papão. – Disse-me.

- Ele sabe que os monstros existem e também sabe que nós lutamos contra eles, eu acho que ele se sente mais seguro assim.

- Eu não sei é como é que não me lembrei disso antes.

No outro dia de manhã já era segunda-feira e eu levei os trabalhos na minha pen-drive. Passei o dia a classificar outro filme e quando ia a sair fui interceptada pela minha querida chefe.

- Joanna, Joanna. – Chamou. – Você não pode ir.

- Desculpe?

- Eu preciso de você aqui hoje à noite.

- Elisa, eu vim trabalhar ontem e já fiz tudo e além disso tenho coisas combinadas.

- Desmarque. O que é que é mais importante? Namoricos ou o seu trabalho?

Voltei a entrar e telefonei a Luc. Disse-lhe que não podia ir e ele ficou super desanimado. Disse-me que ia para o High Spot caso eu mudasse de ideias e quisesse lá aparecer.

Comecei a tratar de uma papelada sobre os filmes quando Elisa chegou.

- Eu sei que ainda não lhe disse nada sobre a roupa de hoje mas eu pensei que lhe tinha pedido para se vestir de uma forma mais… sóbria.

- Eu tenho um vestido preto e umas sandálias pretas. Que tipo de sóbrio é que está à procura?

- A roupa até está bem, mas essas pulseiras roxas e a pena roxa na orelha é de um visual tão relaxado querida... – O meu telemóvel tocou e ela agarrou-o antes de mim e ficou a olhar incrédula para ele. – Chad… é seu namorado? Bem, nem quero saber. – Disse, rindo-se. – Era daqueles falhados daquela casa não era? Ainda bem que você teve cabecinha Joanna, para não acabar assim.

Soltei uma gargalhada e ela ficou a olhar para mim.

- Eu trabalho para si há uma semana e pouco e esforço-me imenso mas você não tem o direito de me dizer o que vestir ou se posso ou não ter namoriscos nem de ver as minhas chamadas e definitivamente não fala mal dos meus amigos porque você não os conhece! Há pouco perguntou-me o que era mais importante, se o meu trabalho ou os namoriscos. Se eu tivesse que escolher um, escolhia os namoriscos, porque trabalhar para si é quase como uma ditadura. – Tirei a pen do computador e apaguei o trabalho que tinha feito. – O trabalho está guardado na minha pen, eu amanhã volto cá às horas que quiser e entrego-lhe. Ah, eu despeço-me.

Fui para o High Spot e vi Luc sentado numa mesa com outra rapariga. Senti um aperto no coração mas também não o podia culpar, afinal eu tinha-o deixado “plantado” duas vezes, apesar de o ter avisado. Sentei-me na mesa com Chad, ficando de frente para a mesa de Luc.

- O maninho está-se a safar bem hã? – Disse-me Chad. – A rapariga não é nada de se deitar fora. Jô, já viste? Ele está sentado com uma rapariga.

Respirei fundo.

- Eu sei Chad, não precisas de estar com essas coisas.

- E não tens ciúmes? – Ele estava a fazer de tudo para que eu ficasse ainda pior.

- Não tenho que ter, nós já não estamos juntos. – Respondi, tentando ao máximo ser convincente.

Luc passou a maior parte do tempo a olhar para mim e eu para ele. Já não aguentava mais, aquela rapariga fazia-se cada vez mais a ele. Levantei-me e disse a Chad que ia para casa e saí porta fora. Após ter andado uns poucos passos senti um puxão muito suave para trás.

- Vais-te já embora? – Perguntou Luc.

- Sim, já estava farta de lá estar.

- Ok, então vou contigo.

- Não te vais despedir da tua… amiga?

- Jô, eu passei o tempo todo que estive com ela a olhar para a rapariga na mesa à frente e quando essa rapariga saiu eu saí atrás dela. Não achas que ela já percebeu?

Ri-me.

- Acho que sim.

Chegámos a casa e sentámo-nos no sofá a ver um filme e a comer pipocas. Rimo-nos bastante do filme até nos deixarmos de dormir. Acordei a meio da noite, estava encostada a Luc, que dormia profundamente. A televisão já estava desligada, o que significava que o resto dos Connor já tinham chegado. Imagino a cara de Chad quando nos viu a dormir agarrados…

Respirei fundo e voltei a encostar-me a Luc, deixando-me de dormir de novo.   

 

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