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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 04.03.11

E logo quanto parece que a Joanna e o Luc se vão entender...

 

Capítulo 27

A Nova Mamã

 

Eu e Luc estávamos a ficar muito próximos de novo e uma parte de mim queria voltar para ele e tenho que admitir que ele já esteve bem mais longe de ter o que quer. Apesar de tudo eu ainda me sinto bem ao pé dele e quem sabe, talvez num futuro próximo voltássemos ao antigamente.

- Jô! Estás-me a ouvir?! – Gritou Sue, à minha frente no meu quarto.

Tirei os fones dos ouvidos.

- Desculpa, o que é que disseste? Estava distraída.

- Que estavas distraída sei eu. – Respondeu-me ela. – Estava-te a perguntar se querias ir dar uma volta.

- Claro. Dois segundos.

Levantei-me e fui até à casa de banho dar uma penteadela no cabelo. Voltei e calcei os ténis. Descemos as escadas juntas e enquanto ela se foi despedir do resto do pessoal eu fui para a porta. Fui interceptada no hall por Luc.

- Então, vais sair? – Perguntou.

- Vou dar uma volta com a Sue.

- Ouve… logo à noite queres tentar um novo primeiro encontro?

- Tudo bem, desde que não seja como os últimos três. É que com demónios eu já conto agora ratos nos restaurantes e formigas na comida foi novidade.

- Foi para esquecer mas o restaurante parecia óptimo… até lá se entrar. Então até logo, jantar e depois High Spot?

- Isso ainda se pergunta?

- Claro que não! – Disse-me. Sue chegou ao pé de nós, já pronta. – Vai lá ao teu passeio.

- Até logo.

Ele subiu as escadas e eu e Sue dirigimo-nos à porta.

- Bem, as coisas entre ti e Luc estão-se a compor. – Disse-me, enquanto eu vestia o casaco.

- Ainda é muito cedo para dizer alguma coisa. – Disse-lhe rindo-me com ela.

Ao abrir a porta, ia a olhar para Sue que estava atrás e fui de encontra a uma rapariga que lá estava parada. Fiquei em estado de choque. Tinha ido de encontra a uma rapariga morena, com o cabelo quase pelo meio das costas e … grávida. Não demorei nem um segundo a reconhecê-la. Era a mesma rapariga com que Luc me traíra, apesar de na altura ela ter o cabelo mais curto e bem… não estar grávida. «Isto é tão pior que ratos no chão e formigas no comer» pensei, quase a entrar em colapso.

- Desculpa. – Disse-lhe, ainda chocada.

- Oh não faz mal. O Luc está? – Perguntou, toda sorridente.

- Sim está. – Respondeu Sue. – Tu és?

- A pessoa que carrega o filho dele.

Vieram-me lágrimas aos olhos e uma vontade enorme de gritar mas contive-me. Sue olhou para mim, com um ar preocupado.

- Ele está lá dentro. – Disse eu à rapariga, com a voz a tremer. – Podes entrar. Sue, podes ir com ela?

- Claro querida. Estás bem?

- Estou. Só preciso de apanhar um bocado de ar. Não te preocupes comigo, não me demoro.

Ela acenou com a cabeça e eu comecei a andar num passo apressado pela rua abaixo, quase a ficar sem forças para conter as lágrimas. Devo ter andado durante horas pelas ruas de São Francisco a dar voltas à cabeça e a pensar no que fazer a seguir. Já estava a anoitecer e tinha que ir para casa apesar de esse ser o último sítio em que queria estar neste momento. Fui até ao parque e fui até ao meu sítiozinho mágico de lá, o sítio escondido que tinha a cascata. Sentei-me na relva e pensei no que dizer à rapariga se a visse novamente, nisto Chad aparece à minha frente e senta-se ao meu lado.

- Então, como é que te estás a aguentar? – Perguntou, pondo o braço dele à volta dos meus ombros para me aquecer. Até àquela altura nem tinha percebido a quão gelada estava.

- Como é que achas?

- Vai correr tudo bem Jô. Tem que correr tudo bem.

- Pois, sim. Diz isso à mulher grávida.

Ficámos em silêncio durante um tempo e quando já escurecera completamente caminhámos em silêncio até casa. Entrei e vi os Connor com a rapariga na sala. Disse boa noite e comecei a subir as escadas.

- Joanna ouve…

- Luc, pára. Eu não consigo fazer isto agora. Falamos depois ok? – Não lhe dei tempo para responder e subi as escadas a toda a velocidade para me enfiar no quarto. Só me apetecia desaparecer ou ser invisível. Ouvi baterem à porta e Sue entrou de seguida, com tabuleiro com comida.

- Trouxe-te o jantar. – Disse, num tom de voz muito solidária.

- Não tenho fome, obrigada na mesma. – Respondi.

- Então Joanna, tens que comer, vá lá. Eu sei que isto parece muito mau, mas se calhar quando acordares amanhã de manhã nem vai parecer assim tão mau.

Ela sentou-se eu pousei a minha cabeça no seu colo.

- Eu acho que ainda vai parecer pior Sue.

O resto do tempo foi horrível, estive sempre fechada no quarto, deitada às voltas na cama sem conseguir pregar olho. De manhã levantei-me e fui para a cozinha tomar o pequeno-almoço. Vi Luc a dormir no sofá mas nem liguei. Quando entrei na cozinha lá estava ela, a rapariga grávida, Sue tinha-me dito que se chamava Holly. Tentei respirar fundo apesar de ser difícil e continuei a andar.

- Bom dia! – Disse-lhe eu, com uma cara de felicidade fingida.

- Já de pé? Devem ser o quê, umas oito horas? – Perguntou-me risonha demais.

- Sete horas e quarenta e oito minutos. Então e tu, passaste cá a noite?

- Sim. Os Connor deixaram-me ficar a viver aqui por causa do bebé. Dizem que é mais seguro. Mas também não dormi grande coisa, ele não parou de dar pontapés a noite toda.

- Ele… o bebé?

- Quem mais?

Tomei o pequeno-almoço entre falsos sorrisos e conversas sobre o bebé dela e do homem por quem eu estava apaixonada, até que Sheilla entrou na cozinha, libertando-me daquele pesadelo.

- Bom dia! – Exclamou. – Então, dormiram bem?

- Não. – Respondemos as duas em coro. A Holly achou muita graça e desatou-se a rir.

Sheilla sentou-se connosco e Holly continuou a falar sobre o bebé que tinha na barriga. Levantei-me bruscamente, não aguentando mais.

- Eu tenho que ir! – Exclamei.

- Fazer o quê? – Perguntou Sheilla.

- Coisas minhas Sheilla, vá, até logo.

- É pena. – Disse Holly. – Mas deixa, vamos ter muito tempo para nos conhecermos.

Corri para o quarto e vesti o fato de treino. Saí porta fora e fui correr para o parque. Fui até ao sítio com a cascata e comecei a explodir tudo, desde folhas a árvores. Estava completamente devastada. Deixei-me cair, esgotada na relva e olhei para o céu, por um momento desejei ter ido para o Japão mas arrependi-me logo. Claro que as coisas com Luc estavam horríveis outra vez mas ele não era tudo o que eu tinha, também tinha Chad e Sheilla e o resto da família. As coisas iriam melhorar, depois de muito esforço, iam melhorar.

- Então é aqui que te escondes. – Disse-me Luc, aparecendo à minha frente.

- Luc, vai-te embora se faz favor. – Respondi-lhe, pondo-me de pé.

- Não podemos falar?

- O que é que queres falar Luc? Aquela rapariga está grávida, de ti! Tu devias era estar com ela neste momento, não aqui.

- Lembras-te quando eu pensei que tu estavas grávida? Antes de namorarmos.

- Sim…

- Foi bem melhor que isto. Isto foi um erro Jô. Um dos maiores que já fiz, se não o maior mesmo.

- Erro ou não está feito e não há como voltar atrás. Agora que já falámos…. Podes ir?

- Desculpa. – Pronunciou ele, cuidadosamente. – Por tudo.

Devo ter ficado no parque por umas três horas e acabei por comer um hambúrguer no caminho para casa. Assim que entrei dei de caras com Holly.

- Oh! Estás aqui, que bom! Podes-me ajudar a mudar o sofá? – Perguntou, eufórica.

- Mudar o sofá?

- Sim, aqui fica um bocado mal, estava a pensar mudá-lo para ali, mas não posso fazer muitos esforços.

Chad entrou.

- O Chad ajuda-te. – Disse-lhe eu. – De certeza que não se importa. Com licença.

Entrei no quarto, pus um CD na aparelhagem e deitei-me na cama a ouvir a música. Perdi a noção do tempo. Chad entrou no meu quarto e começou a refilar sobre Holly e como ela o fez mudar as coisas todas de sítio e como Sheilla ia ficar quando chegasse a casa.

- A sério. Eu não gosto nem um bocadinho dela. Tantas miúdas por aí e o meu irmão tinha que engravidar logo aquela. – Reclamou.

- Chad… podemos falar de outra coisa… por favor?

- Claro, desculpa. Então… o que é que fizeste hoje?

- Estive a explodir coisas no parque.

- A explodir…

- A descarregar Chad, tem calma, ninguém me viu.

Ficámos na conversa durante um tempo e depois descemos e fomos comer, o clima estava horrível. Sheilla mal olhava para Luc e eu muito menos, a futura mamã estava tão sorridente que até enjoava e Chad só se queria despachar para sair dali. Louis não quis comer, disse que estava doente e subiu para o quarto, claro que todos sabemos o verdadeiro motivo. Depois do jantar fui para o quarto e vesti o pijama, uma blusa de alças branca e uns calções azuis-escuros. Acordei sobressaltada durante a noite e vi um vulto sentado na minha cama ao meu lado. Acendi a luz e vi…Holly.

- Holly! – Exclamei. – Passa-se alguma coisa?

- Nem por isso. Só te queria perguntar uma coisa. Não gostas de mim pois não?

- Vieste até aqui só para perguntares isso? A estas horas?

- Pronto apanhaste-me, na realidade sou um bicho muito mau e quero-te matar. – Disse, rindo-se em seguida, apesar de eu ficar na dúvida se estaria a gozar ou não. Era impossível saber quando estava a mentir. Fiquei a olhar para ela, sem mexer um músculo. – Tem calma, não vai doer muito…ainda! – Exclamou ela, com um ar maléfico.

Em menos de um segundo estava sentada no chão do que parecia ser uma casa abandonada, com correntes que estavam agarradas à parede, à volta dos meus pulsos. Ela estava em frente, a olhar-me. Veio-me uma raiva enorme, mas de certo modo, um alívio por saber que não ia ter que levar com ela.

- Tu nem estás grávida pois não?! – Perguntei, aos gritos.

- Oh querida, claro que não, mas devo dizer que foi bem fácil fazer-vos acreditar. Esta barriga fica-me lindamente, ai… eu adoro a magia.

- Não te vais safar com isto! Eles vão-te apanhar! Espera para ver.

- Não sei se percebeste bem mas… tu já não vais cá estar quando isso acontecer e o Luc vai ficar tão destroçado por te teres suicidado por causa dele que vem a correr para os meus braços.

- Isto tudo só para ficares com ele?!

- Não, isto tudo para te matar! Algo que nunca ninguém conseguiu, mas eu vou até ao fim e depois vou ser a mais respeitada de sempre! E além disso vou ficar com todos aqueles que amas e brincar com eles… e fazê-los sofrer… até finalmente me cansar e dar-lhes o mesmo fim que te vou dar a ti! Agora desculpa mas tenho que ir, daqui a nada torna-se dia e eu tenho que lá estar.

- Eu vou dar cabo de ti!

- Claro que vais… tchau, tchau. Ahh, essas correntes… são imunes à magia.

Deixou-me sozinha e eu tentei de tudo para me livrar das correntes até que desisti e fui por um método menos convencional.

- Luc!!! Olá! Alguém… socorro!

Ninguém me parecia ouvir, onde estaria? Seria mesmo uma casa abandonada? Será que Luc não me conseguia ouvir a chamá-lo?

Já tinha amanhecido há um tempo e estava a começar a ficar cheia de fome, agora percebo o que ela queria dizer com suicidar. Se ela não me tocasse magicamente então eles nunca desconfiariam e além disso o meu comportamento de ultimamente não iria deixar muitas dúvidas.

Ela foi-me visitar a meio da tarde e voltou a ir-se embora, sem me dar nada para comer, como era de esperar.

Já voltara a anoitecer e eu ali presa quando vi Luc, à minha frente. Por momentos pensei estar a delirar, mas depois percebi que era real.

- Luc! Graças a Deus!

- Jô? Onde é que te metes-te? Procurei-te em todo o lado! O que é que se passa? Como é que viste aqui parar? – Disse, soltando-me.

Abracei-o.

- Obrigada. – Sussurrei-lhe ao ouvido, desviando-me em seguida.

- Tem calma, está tudo bem.

- Tu não vais ser pai. – Disse-lhe. – A Holly é um demónio, foi ela que me prendeu aqui.

Os olhos dele brilharam.

- Estás a falar a sério? – Perguntou, ao que eu respondi afirmativamente. – O que é que fazemos?

- Eu tenho uma ideia. – Respondi, com um sorrisinho nos lábios.

Contei o meu plano a Luc e ele foi-se embora. Quando Holly voltou eu continuava sentada no chão e supostamente acorrentada e ela começou a falar e a aproximar-se cada vez mais de mim quando eu lhe fiz uma rasteira e ela caiu. Levantei-me e começámos a lutar.

- Eu disse-te que ia dar cabo de ti! – Disse-lhe.

Lutámos e ela foi ao chão montes de vezes até eu me fartar e lhe mandar a poção que Luc me tinha trazido minutos antes de ela ter aparecido. Luc voltou e levou-me para um restaurante para eu comer qualquer coisa. Acabámos por ter o nosso primeiro encontro oficial sem sequer termos planeado.

 

13 comentários.

E olhem que acho que são capazes de gostar muito de próximo...

 

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