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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 29.09.10

Desculpa tammy_love, mas ela não se torna vampira, não nesta história pelo menos, mas tenho andado a fazer a continuação... Agora depende de vocês se querem que a poste, ou não ^^

Agora, isto da Chloe estar sempre em apuros e o Derek está sempre lá está a ficar repetitivo, por isso vamos mudar os papéis.

Espero que gostem :D

 

Capítulo 22

Pânico

 

O chão aproximava-se a alta velocidade, mas pareceu-me demorar longos minutos em vez de segundos, até quase lhe conseguir tocar. Quando estava prestes a aterrar, a espatifar-me no chão e a estilhaçar os meus ossinhos todos, caí em cima de um par de braços que não estavam cá há um segundo atrás, mas que eram tão rijos quanto o chão.

Verónica pousou-me no chão lentamente, e ficou a agarrar-me até eu me equilibrar.

Quando as minhas pernas pararam de tremer e me consegui aguentar em pé sozinha, e o pânico abrandou na minha cabeça, corri pela casa dentro e subi as escadas até ao primeiro andar. O quarto estava de pernas para o ar, completamente de pantanas, e de Derek nem sinal.

Sentei-me na cama, ainda a recuperar a respiração e olhei para Verónica e Gary, que já lá estavam a olhar para mim. Abby chegou poucos segundos depois, estafada de subir as escadas a correr, e agarrou-se a mim.

- Ele não está aqui – pronunciei, com esforço para que as palavras saíssem.

- Nós cheirámos intrusos. Só queria ter chegado mais cedo – lamentou-se Verónica.

- O que é que aconteceu? – Perguntou Gary.

- Estás bem? – Perguntou Abby, assustada.

- Sim – na verdade dói-me as costas, a aterragem podia ter sido muito melhor, mas visto a alternativa acho que tive bastante sorte – Eu estava a falar com o Derek aqui, e depois ele ficou alarmado. Acho que demorou quase um minuto até Josh e Kevin entrarem aqui. O Kevin injectou qualquer coisa no Derek. Há alguma anestesia para vampiros?

- Era provavelmente água benta, ela deixa-nos paralisados – respondeu Verónica.

Então cruzes, estacas e prata não funcionam, mas água benta sim? A ficção de vampiros é tão melhor que a realidade. Não que eu prefira alguma… eu não prefiro, acho eu…

- Depois o Kevin agarrou-me e mandou-me pela janela. O resto vocês já sabem – e olhei para o chão.

- Sabes para onde é que o levaram? – Perguntou Gary.

- Não, quando me mandou pela janela ainda aqui estavam os três. Acho que saíram nos poucos segundos da queda.

- E tu estás bem? – Perguntou Verónica.

- Estou preocupada. Nós temos que o encontrar.

Descemos para o rés-do-chão e telefonámos a Dylan e a Gwen para virem para a casa. Quando eles chegaram, pedi a Abby que fosse para o andar de cima e nós ficámos os cinco em pé, especados no hall.

- Vá lá malta, temos que pensar – disse Verónica – Para onde é que o podiam levar?

- Bem, considerando que são vampiros e humanos juntos, o sítio não deve ser à vista - pensou Gwen em voz alta.

- Um armazém talvez? – Perguntou Dylan.

- Talvez, mas nunca o vamos encontrar, o que não falta aqui são armazéns – disse Gary –, além disso deve ser para ao pé do bosque… foi lá que encontrámos o outro vampiro pela primeira vez.

- Mas podia estar só de passagem – disse Gwen.

- Então e uma casa velha? – Perguntou Verónica.

- Pode ser – concordou Gwen.

- Ou então pode ser um laboratório por baixo da cidade, todo construído por eles – murmurou Dylan, com mais entusiasmo do que devia.

Afastei-me deles e sentei-me no sofá. Um armazém… faz sentido. Um armazém grande, espaçoso, e quando é pago antecipadamente ninguém faz perguntas sobre o que se passa lá dentro. Uma casa velha é possível. Uma casa velha e afastada de tudo, daquelas com um exterior de casa assombrada para manter visitas indesejadas longe. Um laboratório secreto… pois, isto não faz sentido. “Vá lá Chloe, pensa”, exigi-me, em silêncio. Estamos a ficar sem tempo, e o Derek está lá com eles.

Onde poderia Josh esconder-se? Onde poderia o vampiro que assassinou o meu pai conviver com humanos? E tem que ser um sítio onde ainda caibam mais vampiros e mais humanos. De um momento para o outro um laboratório secreto construído por baixo da cidade inteira não me soava uma ideia tão ridícula assim. Uma casa velha… um laboratório… uma casa velha… debaixo da cidade… talvez eles estejam todos certos.

- Uma casa velha – murmurei. Viraram-se todos para mim e aproximaram-se do sofá – Uma casa velha escondida no bosque ao pé da escola.

- O quê? – Perguntou Gary – Que casa velha?

- Não é muito grande – comecei a reviver memórias há muito tempo reprimidas – e é de madeira. O chão range quando é pisado, e tem teias de aranha em todo o lado – agora olhava em frente, directamente para o enorme televisor que se encontrava desligado. Mas eu não olhava para ele, eu olhava para a casa, enterrada no mais fundo sítio da minha memória – Só há uma porta, e as janelas estão tapadas com mais madeira.

- Chloe, do que é que estás a falar? – Perguntou Gwen.

- A casa tem um segredo. Na cave, há uma passagem secreta. Mais dois lanços de escadas abaixo, em que as paredes já são de cimento e não estão pintadas, só com uns bocados de tinta aqui e outros ali, há uma porta enorme. É assustador ao descer. Há uma sala enorme depois de a passarmos.

- Ela está em algum tipo de transe? – Perguntou Dylan.

- Essa parte já não é de madeira nem frágil. É de cimento e tem as paredes pintadas de castanho, com o rodapé bege. Há pessoas lá. Pessoas más.

- Chloe, consegues ouvir-me? – Perguntou Gary, balançando a sua mão à frente dos meus olhos.

Sim, eu consigo, mal, mas consigo. Consigo senti-los a mexerem-se e a observarem-me, mas não lhes consigo responder, estou cem por cento concentrada nas memórias, sem sequer saber bem porquê.

- Alguém sorri, e eu entro… entro na casa velha escondida no bosque ao pé da escola.

Verónica estalou os dedos e eu dei um pequeno pulinho ao acordar subitamente do meu sonho enquanto estava acordada. Olhei para eles. Tinha ouvido tudo o que perguntaram, mas não lhes tinha respondido a nada.

- Achas que eles estão nessa casa? – Perguntou Verónica, quando viu que eu estava de volta.

- Não – respondi, como se ela tivesse dito a coisa mais ridícula à face da terra –, claro que não.

- Porquê? – Perguntou Gary – Parece perfeita.

- Sim, à excepção de ser um sonho – agora olhavam para mim, todos eles decepcionados – Alguns dias antes de o meu pai morrer sonhei com isto. E depois outra vez quando passei para o nono ano e mudei para a escola onde estamos.

- Tens a certeza que não é real? – Perguntou Verónica.

- Acho que não.

- Talvez seja. Talvez não fosse um sonho, uma recordação talvez – disse-me Gwen, sentando-se ao meu lado – Pensa, já alguma vez lá estiveste?

Demorei uns quantos segundos a responder, enquanto ponderava na resposta que devia dar. Mergulhei nas memórias que tinha, e tentei desvendar as que não estavam ao meu alcance, mas não consegui nada que tivesse a ver com aquela casa a não ser os dois sonhos.

- Não – respondi, por fim –, não que eu me consiga lembrar.

- Lembras-te, no sonho, de como lá chegaste? – Perguntou Gary.

- Hum… está enevoado. É… eu estou à entrada do bosque, e depois sinto qualquer coisa a atrair-me para dentro dele, depois começo a fugir de qualquer coisa e acabo à frente daquela casa. Mas é só um sonho…

- Então porque é que te lembraste dele agora? Foi o teu primeiro palpite sobre onde eles poderiam estar Chloe – disse Dylan.

- Eu não sei, só… veio-me à cabeça.

- Se sonhasses com isso outra vez, podias fixar o caminho? – Como é que Verónica quer que eu sonhe outra vez com aquilo? Eu não controlo o que sonho, se controlasse não tinha metade dos sonhos que tenho. Acho que o facto de ela já não dormir há anos lhe está a afectar a memória no que diz respeito a esse assunto.

- Não há garantias de que o tenha outra vez – disse-lhe –, e se tivesse podia levar meses, até anos. Além disso eu não vou conseguir dormir até saber que o Derek está a salvo.

- Sim, nós percebemos – disse Gary – Eu voto para irmos vasculhar o bosque. Podemos não encontrar nada, mas a verdade é que é um sítio óptimo para se esconderem, e assim não ficamos sentados a especular.

- Sim, eu concordo – disse Gwen – O que é que fazemos?

- Vocês os três vão jantar e depois descansar – respondeu Verónica, para mim, Gwen e Dylan – e nós vamos ver se vemos alguma coisa no bosque.

- O quê? Nem pensem. Eu não vou ficar sem fazer nada – afirmei.

- Vais sim – Verónica agora estava a usar o seu tom autoritário, um tom que nunca tinha usado comigo.

- Não, não vou – levantei-me e fiquei mesmo à frente dela.

Os olhos dela ficaram cinzentos e os vasos sanguíneos vermelhíssimos, consegui ver os seus caninos pontiagudos a descer um pouco. Era a primeira vez que via Verónica assim. A primeira vez que olhava para ela como uma verdadeira vampira. Senti um frio na barriga e um arrepio a percorrer-me a espinha.

- Tu vais ficar aqui, porque nós não te podemos proteger, percebeste? – Credo, agora parece chateada comigo, como se isto fosse tudo culpa minha.

- Não – ela ficou perplexa a olhar para mim, e eu calculei porquê – O quê? Pensavas que só porque mostravas os dentes eu ia desistir? Pára com isso Verónica, eu já me decidi.

Ela revirou os olhos e depois voltou ao normal.

- Nós não te podemos proteger Chloe, esta conversa acaba aqui – e dirigiu-se à cozinha.

O quê? Quem é que ela é, a minha mãe?

Fui atrás dela enquanto os outros observavam a nossa discussão com a maior das cautelas.

Ela estava apoiada na bancada, a olhar pela janela para a rua.

- Eu quero ajudar – disse-lhe, mais calma –, por isso, por favor, deixa-me ajudar.

- Tu não és forte o suficiente! Não percebes? – Virou-se para mim – Vão lá estar vampiros, não faço ideia de quantos, e depois ainda há os seguidores deles, os humanos, que farão de tudo para os ajudar. Não sejas estúpida Chloe.

- Não estou a ser. Verónica, é o Derek, ok?

- Sim, e ele ia odiar-me por te deixar passar por esse perigo.

- Não se me transformasses.

- O quê? – Agora parecia chocada – Estavas disposta a fazer isso?

- Sim. Ele disse que era rápido, que eram dores insuportáveis mas que duravam poucas horas. Tudo o que eu tinha que fazer era morrer com o teu sangue no sistema. É simples.

- Transformavas-te por ele? Oh meu Deus, estás apaixonada por ele.

Baixei o olhar e reflecti um pouco nas palavras dela. Ela tem razão? Será que a Gwen tem razão ao dizer que eu estou a resistir? Talvez sim. Eu acho que sim. A verdade é que não consigo suportar a ideia de Derek assim, sozinho, no meio daquela gente desprezível e sem coração.

- Talvez esteja.

Ela aproximou-se de mim e levantou-me o queixo para me fazer olhar para ela.

- Eu não te vou transformar. Porque se o fizesse passavas a eternidade como vampira. Se o fizesses, ias-te odiar para toda a eternidade.

- O quê? Mas…

- Tu não queres ser uma vampira. Queres ajudá-lo, mas não queres que seja permanente, e a transformação não é uma coisa que se possa reverter. Não ganhas nada ao transformares-te em vampira.

- Verónica…

- Nós vamos encontrar outra solução.

Voltámos para a sala e eles fingiram que não ouviram nada. Eles continuaram a insistir no bosque e na casa esquisita do meu sonho, até que Abby nos interrompeu.

- Eu conheço essa casa – disse ela –, já lá estive.

- O quê? – O que é que ela quer dizer com aquilo?

Ela aproximou-se do sofá e começou a entrelaçar as suas mãos nas minhas.

- Uma vez num sonho, um pesadelo – disse ela – Tu lembras-te, eu fui dormir para a tua cama.

- O que é que sonhaste Abby? – Perguntou Gary.

- Que o Derek estava a ser magoado por vampiros – e baixou o olhar – nessa casa no bosque.

Ela sonhou com ela. Com a casa. Como? Como é que ela sonhou com uma coisa que ainda não aconteceu? Como é que ela sonhou com a mesma casa que eu? Algo me dizia para seguir em frente, para seguir os meus instintos e ir procurar aquela casa, mas depois havia a outra parte que me alertava para o facto que se estivesse errada, perderia Derek para sempre.

- Eu acredito que a casa é real – disse, por fim – É coincidência a mais.

- Bom – disse Verónica –, então temos um sítio para procurar.

- Mas como é que entramos? – Perguntou Gary.

- Pior, como é que a achamos? – Perguntou Gwen.

Eu já percebi, as chances não estão do nosso lado.

- Eu tenho um plano para entrar, mas tenho um pressentimento que ninguém vai gostar – disse eu.

Depois de dizer o meu plano, e de todos eles reclamarem e discutirem, consegui chamá-los à razão e fazê-los ver que era a opção mais confiável, a opção mais indicada. Demorei quase quinze minutos só para os fazer aceitar, todos eles. Eu nunca poria este plano em prática sem o consentimento dos meus irmãos, nunca.

Subi para o andar de cima com os meus irmãos enquanto Verónica, Gary e Gwen iam buscar pizza para o jantar. Ficámos os três no quarto de Verónica. Eles estavam reticentes acerca do plano, mas não os culpo, eu também estou.

Aproveitei que Abby foi à casa de banho para contar o resto do plano a Dylan. Esta parte não podia dizer aos outros, apenas a Dylan, porque quantas mais pessoas soubessem maior seria o meu trabalho.

- O meu telemóvel tem GPS – disse-lhe –, por isso preciso que quando chegar a altura certa chames a polícia.

- Como é que sei quando?

- Eu ainda não sei, mas fica com o teu telemóvel ao pé de ti. Qualquer sinal, e chamas a polícia. Combinado?

- Para quê? A polícia não vai conseguir prender vampiros.

- Eu sei, mas confia em mim, ok?

- Claro. Chloe, tem cuidado, por favor.

- Eu vou ter mas… toma conta da Abby, ok?

- O quê? Não! Tu vais estar cá para fazeres isso.

Puxei-o para mim e abracei-o.

- Sim, espero que sim. Deixa-me orgulhosa, ok?

- Vou tentar.

Quando Abby voltou para o quarto, ouvimos a porta da rua bater e descemos as escadas. Verónica e Gary estavam prontos, eu agarrei numa fatia de pizza e dei um beijo aos meus irmãos e um abraço a Gwen.

- Tem cuidado – disse-me ela, ao largar-me.

Acenei com a cabeça e dirigimo-nos à saída, mas ouvi passos atrás de nós e parei. Virei-me para trás e fui abraçada pela cintura por Abby.

- Promete que vais voltar – pediu, com uma lágrima a querer escorrer-lhe pela face.

- Eu volto Abby – disse-lhe.

Ela começou a mexer com as mãos atrás do pescoço e o colar com a cruz e o pentagrama começou a descair. Ela agarrou-o e levou-o à minha mão.

- Tu precisas mais que eu – disse-me.

- Obrigada – sorri – Porta-te bem, ok? Faz o que a Gwen disser e…

- Nós ficamos bem – abraçou-me com força e depois largou-me – Adeus.

- Adeus… - a minha voz quase que não saiu.

Enfiei o colar no bolso das minhas calças de ganga porque se o tivesse posto e algum dos vampiros o reconhecesse, o plano não ia resultar.

Verónica deu-me umas quantas seringas com água benta, que tinham lá em casa, nem quero saber para quê. Vi como funciona, paralisa-os completamente, agora resta saber se me consigo aproximar o suficiente para espetar a agulha em algum.

 

 

É verdade pessoal, já só falta postar mais dois capítulos para o fim... até lá, espero que tenham gostado ;)

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