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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 09.03.11

Capítulo 34

Velhos Amigos

 

- Temos uma óptima notícia para vocês! – Disseram Chad e Luc ao mesmo tempo, ao entrarem na cozinha.

Eu estava a ajudar Sheilla a fazer o almoço.

- Então queridos, o que é? – Perguntou Sheilla.

- O Jared e o Paul vêm-nos visitar. – Disse Chad, com um sorriso contagiante.

- O Jared e o Paul? – Perguntei.

- Sim, Jared e Paul Contgury. São dois amigos nossos do futuro e vêm-nos visitar. – Respondeu Luc, com um brilho no olhar.

- Boa.

- Eles podem ficar cá instalados mãe? – Perguntou Chad.

- Por mim, ficam no quarto de hóspedes, um dorme na cama e o outro no divã. – Respondeu Sheilla. – Quando é que chegam?

- Daqui a umas duas horas se calhar. – Respondeu Luc. – Enviaram-nos agora a notícia. Ah, outra coisa, eles são humanos.

- Então como é que vêm? – Perguntei eu.

- Um amigo bruxo deles envia-os. – Respondeu Luc.

- E eles estão confortáveis, com o facto de vocês serem bruxos e de virem para uma casa de bruxos? – Perguntou Sheilla, pondo os pratos na mesa.

- Eles já estão habituados. – Disse Chad, rindo-se.

Almoçámos e depois subi para o quarto para arrumar a roupa. Luc subiu comigo. Ele estava entusiasmadíssimo com a vinda dos amigos e um bocado impaciente. Sentou-se em cima da cama enquanto eu arrumava a roupa.

- Sabes, eles são esplêndidos, a sério. Tu vais adorá-los, não mais do que me adoras a mim, claro, mas mesmo assim, adorá-los. Mal posso esperar para lhes apresentar a minha namorada super gira. – Dizia ele.

- Estou a ver que devem ser mesmo porreiros. – Disse-lhe eu.

- São… mas vê lá, não tão porreiros como eu. – Disse ele na brincadeira.

- Não acho que seja um problema.

Ouvimos Chad a rir na sala com outras vozes e descemos para ver o que se passava.

Ao pé de Chad, Sheilla, Louis e os pequenos estavam dois homens, aparentavam ter a mesma idade que Chad. Um era muito grande, cheio de músculos e com muitos caracóis, o outro também era enorme mas não tinha tantos músculos nem caracóis, eram ambos morenos.

Assim que os viu, Luc abraçou-os.

- Jô, vem cá. – Disse ele.

Cheguei-me para ao pé deles.

- Jared, Paul, esta é a minha namorada, Joanna. – Disse Luc. – Jô, estes são o Jared e o Paul. – Disse-me, apontando respectivamente.

Jared, o dos caracóis chegou-se ao pé de mim e eu comecei a sentir-me meio tonta.

- Uau, a Joanna. – Disse Jared, dando ênfase ao «a». – Namorada? Sabes, deves ser mesmo especial, acho que é a primeira vez que o Luc nos apresenta uma namorada. Bem, uma namorada para valer…

- Obrigado. – Respondi, sentando-me no sofá.

- Estás bem? – Perguntou Luc, sentando-se ao meu lado.

- Claro, eu só… não é nada, deixa lá. – Disse-lhe.

Jared e Paul pareciam tão bons como Luc e Chad tinham dito. Passámos a tarde toda a falar e com o passar das horas e depois de lhes observar melhor as feições tive esta estranha sensação de que os conhecia de algum lado, mas depressa descartei essa possibilidade. Concordámos em jantar depressa e depois irmos para o High Spot comemorar a vinda deles. Jantámos e fui para o quarto, ainda um bocado enjoada e vesti uma saia de ganga e uma blusa cor-de-rosa, com uns brilhantes prateados, calcei umas botas pretas e dei uma penteadela no cabelo, não me apetecia nada sair mas Luc estava tão contente que não lhe ia fazer essa desfeita.

Fomos para o High Spot e pedimos bebidas, sentámo-nos na mesa habitual e esperámos por Sue, Josh, Rick e Claire. Após eles chegarem e de estarmos a conversar durante um bocado, estava a começar a ficar com falta de ar e a ver tudo à roda de novo. Fui pedir um copo de água e sentei-me no sofá de canto. Respirei lentamente e quando estava a recuperar quase todos os sentidos Paul senta-se ao meu lado, pondo-me indisposta de novo.

- Estás bem? – Perguntou ele. – Não estás com muito boa cara.

- Pois, não me estou a sentir lá muito bem, mas isto já passa. – Respondi. – Vamos voltar para a mesa?

- Claro.

Ao levantar-me perdi as força e deixei-me cair no sofá. Paul aparou-me a queda e Luc, que me tinha visto a cair, correu até mim.

- Estás bem Jô? Precisas de alguma coisa? – Perguntou preocupado.

- Não, estou bem. Eu acho que… eu acho melhor ir para casa. – Disse-lhe.

- Tudo bem, eu vou contigo. – Disse Luc.

- Não é preciso, a sério, fica, diverte-te. – Insisti.

- E deixo-te ir assim nesse estado sozinha? Nem pensar. Vou só buscar o casaco. Não mexas nem um músculo ouviste? – Disse ele.

- Tudo bem. – Respondi.

Luc levou-me para casa e a partir do momento que saí do High Spot comecei a sentir-me muito melhor. Já não estava nem enjoada nem tonta quando chegámos a casa mas resolvi deitar-me e descansar. Apesar de dizer para Luc voltar para o bar ele não fez caso, disse que estava preocupado e que não me queria deixar sozinha. Assim que me deitei, adormeci. Tive o último pesadelo que ia desejar, sonhei com a morte dos meus pais. Acordei muito exaltada, já havia claridade, olhei para o lado, Luc estava a dormir profundamente.

Levantei-me, vesti o robe e desci as escadas. Sentei-me no sofá a pensar o que é que aquele sonha significaria. Sem pensar muito fui ver o meu livro, não sei bem à procura de quê, mas fosse aquilo que fosse, não encontrei porque senti uma grande desilusão.

Ao descer as escadas tive uma tontura e tive que me agarrar com força ao corrimão para não cair. Que estranho, porque é que isto continua?

Sentei-me no sofá da sala a pensar o que me poderia fazer ficar assim. Será que tinha apanhado algum vírus? Oh não… será que estou grávida? Conhecendo Luc como conheço sei que vai ficar deslumbrado, mas eu não quero estar grávida, não ainda…

Fui para a casa de banho e procurei por um teste de gravidez dentro da gaveta das minhas coisas. Sei que o tenho aqui algures. Depois de o encontrar e de o fazer fiquei mais descansada. Gravidez é uma possibilidade a descartar.

Tomei o pequeno-almoço e voltei para o quarto. Vesti umas calças de ganga e uma blusa preta, calcei os ténis, penteei-me e fui dar uma volta. Estava a andar por umas ruas quando ouvi uma mulher gritar. Corri na direcção de que tinha vindo o grito e fui dar a um beco. A mulher estava estendida no chão, imóvel e ao seu lado estavam… Paul e Jared. Fiquei imóvel, a encará-los e numa décima de segundo veio-me todo o tipo de explicações à cabeça. Os enjoos agora faziam sentido, agora lembrava-me de onde os conhecia, agora pareciam bem mais jovens, talvez uns vinte anos, mas os traços estavam lá.

- Vocês mataram os meus pais. – Murmurei, ao aperceber-me da situação. – Vocês não são humanos, são monstros! – Gritei, cheia de raiva.

- Então e se matámos? – Perguntou Paul. – Nunca ninguém vai acreditar em ti.

Jared agarrou-me por trás.

- Até porque se tu dizes a alguém que não somos humanos, nós matamos o teu querido Luc e o resto da familiazinha de que tanto gostas. – Sussurrou-me ao ouvido.

Escorreu-me uma lágrima mas não por tristeza ou medo, por raiva. Senti uma onda enorme de raiva a inundar-me. Estavam ali, ao fim de todos aqueles anos, estavam ali, os assassinos dos meus pais, e agora estavam a ameaçar matar o resto das pessoas de quem gostava.

- Larga-me. – Ordenei-lhe, enquanto me agitava para me soltar.

- Tudo bem, mas espero que saibas o que é bom para ti e para o teu amorzinho, porque se eu descubro alguma coisa, ele é o primeiro a pagá-las. – Disse Jared, largando-me.

- Já agora, os teus paizinhos foram o auge da nossa carreira, apesar de terem sido alvos fáceis. – Disse Paul. – Se não fossem eles, nunca tínhamos chegado onde chegámos.

- Tem um bom passeio Jô. – Disse Jared, juntando-se ao suposto irmão e indo-se embora.

- Vão pró Inferno. – Gritei-lhes.

Corri até à mulher, mas esta já se encontrava morta. Chamei uma ambulância e fui-me embora.

Caminhei por todos os lados. O que é que ia fazer agora? Não podia contar a Luc, até porque ele nunca acreditaria e corria o risco de que o matassem. Não podia contar a ninguém, não tinha ninguém para me ajudar. Teria que lidar com tudo sozinha, mas como? Não podia contar a ninguém mas também não os podia deixar sair impunes. Não podia viver debaixo do mesmo tecto que aqueles demónios, mas também não os podia enfrentar. Não dizia nada sobre eles no livro e eu já vira os seus poderes, e definitivamente eu não podia ir contra eles sem estar preparada.

Quando dei por mim estava na praia, a olhar para as ondas. Descalcei os sapatos e fui molhar os pés, a água estava gelada, era Inverno mas eu não me importei, só queria esquecer tudo. Fiquei na praia durante todo o resto do dia e só decidi regressar a casa à noite. Não comi nada durante todo o dia mas não tinha fome, e definitivamente não queria voltar a casa, mas tinha que voltar, não iria deixar os meus amigos e o meu namorado à mercê de dois demónios.

A minha cabeça podia estar a andar à roda de tantas perguntas sem resposta mas de uma coisa eu tinha a certeza, não ia deixar aqueles demónios apanharem a minha família outra vez, isso não iria acontecer. 

Abri a porta e entrei, Sheilla estava com o telemóvel na mão, em pânico.

- Joanna! – Exclamou. – Mas onde é que andaste? Porque é que não atendeste o telemóvel?! Estávamos a morrer de preocupação, está toda a gente à tua procura!

- Desculpem, fiquei sem bateria e perdi a noção do tempo. – Disse, dirigindo-me às escadas.

- Onde é que vais? Não queres comer qualquer coisa? – Perguntou.

- Não, obrigada, não tenho fome. – Respondi, subindo as escadas.

Entrei no quarto, fechei a porta e mandei-me para a cama, com lágrimas a escorrerem.

Bateram à porta e entraram.

- Posso? – Perguntou Paul. – Disseram-me que já tinhas voltado, estávamos todos tão preocupados, não te aconteceu nada?

- Sai do meu quarto! – Disse-lhe.

- Fico feliz em saber que estás bem. – Disse ele, sorrindo.

- Eu disse para saíres! Já! – Gritei.

Após ele se ir embora, atirei uma almofada à porta.

- Que raiva! – Gritei.

Luc entrou.

- Então, onde é que… Jô, estás a chorar? – Perguntou, sentando-se na cama, com uma mão em cima das minhas costas.

- Eu quero sair daqui Luc. Tira-me daqui, por favor. – Implorei, abraçada a ele a chorar.

- Shhh, está tudo bem Jô, shhh. Vai ficar tudo bem. Não me queres dizer o que se passou?

Abanei a cabeça.

- Só quero sair daqui. Por favor. – Pedi.

- Tudo bem, deixa-me ir buscar um casaco.

Fomos para a rua e andámos às voltas até eu parar de chorar. Sentámo-nos num banco, no parque.

- Mais calma? – Perguntou.

- Um bocado. – Respondi, ainda com voz de choro.

- Não me queres dizer agora o que é que se passou?

- Não foi nada de especial. – Garanti.

- Nada de especial? Jô, viste o estado em que estavas? Em que ainda estás? Eu não diria que não foi nada de especial.

- Eu amo-te, sabes disso, certo?

- Claro que sim, mas…

- Então está tudo bem, porque eu estou contigo e tu estás comigo e vai ficar tudo bem. – Disse eu, em voz alta, mais para me convencer a mim do que a ele.

- Jô…

- Simplesmente, vamos esquecer isto ok? Vai ficar tudo bem, juro. – Disse eu, beijando-o.

Eu sabia que esquecer isto seria completamente impossível, mas antes de ter a certeza de que conseguiria dar a volta à situação não os iria alarmar, para entrar em pânico já chegava eu. Além disso, as coisas já não poderiam piorar certo?

 

Que problemas é que estes dois irão trazer?

13 comments para descobrirem (amanhã)^^

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