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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 13.03.11

Capítulo 38

Histórias de Encantar

 

Acordei de manhã e olhei para Luc, estava ainda adormecido, tão sereno, apesar de durante o dia andar em pulgas por causa do casamento. Levantei-me e desci as escadas, fui tomar o pequeno-almoço e depois mudei de roupa para sair. Fui ter com Sue e fomos dar uma volta a pé pela cidade.

- Pareces preocupada… - Disse ela, cautelosamente.

- É por causa do casamento… é suposto dar tantas dores de cabeça?!

- É, mas no dia vale a pena, devias ver como foi o planeamento do meu.

- Pois… se não fosse pelo Luc nem sequer pensava nesta ideia. Já viste o trabalho que dá organizar tudo só para um dia?!

- Estás reticente na tua decisão?

- Não, eu quero ficar com o Luc, só… eu não sei, enquanto namoramos parece tudo mais descontraído, apesar de sério, é mais descontraído, mas um casamento já é um grande compromisso, e como é que eu sei que não vou fazer asneira nisto tudo?!

- Tentando. Olha, tu ama-lo, ele ama-te, qual é o problema? Vocês até já vivem juntos e tudo…

- Mas não vamos ficar na casa da Sheilla para sempre Sue.

- Sim, mas as coisas vêm com tempo.

- Tens razão é só que às vezes quando penso nisso fico com um friozinho na barriga…

- Isso é bom, significa que tens medo de perder alguma coisa, significa que tens alguma coisa a perder. Mas não deixes que o medo tome controle.

- Tens razão, vai correr tudo bem.

- Então e vocês já escolheram alguma coisa?

- Vamos ver alianças hoje, mas o Luc ficou de procurar locais e depois dizer-me alguma coisa…

- Ele quer que saia tudo perfeitinho… conhecendo-o como conheço, não pode esperar para estar casado e a criar família.

Engasguei-me.

- Família… como filhos?! – Perguntei, sentando-me num banco.

Ela riu-se e disse que estava a brincar, mas que era melhor que eu me fosse preparando psicologicamente para esse tipo de conversas com Luc.

Quando voltei a casa estava estafada e deitei-me na cama a ouvir música. Luc entrou no quarto com vários papéis e sentou-se na cama, ao meu lado.

- Olha, encontrei restaurantes muito giros para as festas de casamento e muito em conta… também vi várias igrejas… - Começou ele por dizer.

- Óptimo, mas isso parece tudo muito grande, não tínhamos concordado numa coisa pequena?

- Sim, mas assim podemos levar mais pessoas e fazer uma festa ainda mais inesquecível.

- Luc, odeio dizer isto mas… nós não conhecemos lá muita gente… como é que vais encher uma igreja como essa? – Perguntei, apontando para um dos papéis com a imagem de uma igreja.

- És capaz de ter razão… bem, vamos comprar as alianças? – Respondeu, depois de ponderar um bocadinho.

- Agora?

- Sim, porquê, tens mais alguma coisa para fazer?

- Não, vamos lá.

Pus o MP4 em cima da mesa-de-cabeceira e encaminhámo-nos até à ourivesaria. Quando estávamos cerca de duas ruas antes, ouvimos uns gritos e olhámos um para o outro, e desatámos a correr na direcção dos gritos, já era instintivo. Estava um demónio a atacar uma mulher, explodi-o e acalmámos a mulher, depois de a deixar segura na casa dela, voltámos a ir para a ourivesaria, mas esta já se encontrava fechada para a hora de almoço e dizia que já não abria mais durante o resto do dia.

- Raios! Se tivéssemos vindo mais cedo isto não acontecia! – Disse Luc, furioso.

- Pois, mas se tivéssemos vindo mais cedo aquela mulher tinha morrido.

Fomos dentro deste assunto até casa, ele estava visivelmente chateado, mas eu por outro lado, sentia-me aliviada…

Subi até ao quarto e voltei a deitar-me na cama com os fones nos ouvidos. Deixei-me de dormir e acordei tapada, com uma camisa de dormir branca, até aos pés. Levantei-me e fui até ao espelho, sentia-me relativamente estranha. Olhei-me ao espelho e estava loira, um loiro muito dourado, com o cabelo do mesmo comprimento mas com caracóis nas pontas. «Que raios?!» fui até ao guarda-roupa e vi que só lá estavam vestidos até aos pés, haviam verdes, azuis, castanhos e cor-de-rosas. Desci as escadas ainda em camisa de noite e vi Sheilla, Sue e Claire de volta de um manequim a fazerem um vestido. Elas tinham varinhas mágicas e estavam constantemente a mudar a cor e feitio do vestido.

- O que é que se está a passar? – Perguntei, chegando-me ao pé delas.

- Aurora, querida, ups, não era suposto veres isto, é a tua prenda de aniversário, mas agora já está. – Disse Claire, dando um risinho.

- Aurora? Quem é a Aurora? – Perguntei, ainda mais confusa.

- Tu és. Não sejas tonta. Anda comer, queres que meta algum doce nas tostas? – Perguntou Sue.

- Porque é que estão a falar assim? – Perguntei eu, enquanto Sue me empurrava para a cozinha.

- Nós temos uma enorme surpresa para ti! – Exclamou Sheilla, com uma felicidade patente na voz.

- Além do vestido, do novo nome e do guarda-roupa modificado? Não sei se aguento… Sheilla, vá lá, já chega. – Pedi.

- Sheilla? Não querida. Estás bem? Eu sou a tua fada-madrinha, bem, uma das tuas três fadas-madrinhas. Não deves ter dormido muito bem… - Disse Sheilla.

- Acredita, acho que ainda estou a dormir. – Murmurei.

- Não sejas tonta. – Disse Claire, entrando na cozinha com o vestido nas mãos. – Aqui está a tua prenda! O vestido ficou perfeito, a Flora queria em rosa mas eu preferi em azul por isso é assim que fica. – Quem raios é que é a Flora?!

O vestido era lindo, era azul, até aos pés, era de apoiar nos ombros e nessa parte tinha uma tira branca, a partir da cintura era rodado.

- Mas… ok, dêem-me um minuto, estou a enlouquecer… - Pedi.

- Não sejas tonta Aurora… aqui tens a outra parte da prenda. – Disse Sue, dando-me uma grinalda de ouro para as mãos.

- Whoa… podem parar de me chamar tonta? Ou… Aurora?

Finalmente percebi, três fadas madrinhas em guerra por causa da cor de um vestido, o meu cabelo dourado e só vestidos compridos no guarda-roupa, o nome Aurora... dirigi-me a uma janela e só vi bosque, com aquela confusão toda nem reparei que a casa estava diferente. Estava dentro de um dos maiores clássicos de princesas, a Bela Adormecida.

- Perfeito, suponho que agora me queiram levar a um castelo qualquer para ver os meus pais de quem fui separada à nascença por causa de uma fada-madrinha má… - Disse eu, encarando-as.

- Eu sabia que estavas só com sono! – Disse Sue, com um sorriso enorme. – Vá, veste o vestido, penteia-te e mete a grinalda, está quase na hora de irmos.

- E eu com esperança de poder ir à floresta cantar com o meu príncipe encantado… - Sussurrei.

Subi as escadas de novo e vesti o vestido, calcei uns sapatos azuis e penteei o meu longo cabelo dourado, pondo-lhe depois a grinalda. Quando desci as escadas novamente, elas tinham uma capa com um capuz para eu pôr, para a fada má não me reconhecer. Fomos até ao castelo. As ruas estavam completamente diferentes, como na era medieval, tal e qual como eram descrevidas nos livros e apareciam nos filmes. Elas deixaram-me à porta do castelo e eu entrei. Era enorme e muito majestoso, subi umas escadas, ainda sem perceber o que tinha que fazer e fui ter a uma sala com várias coisas velhas, entre elas uma roca. «Pois, como se eu fosse mesmo pôr lá o meu dedo».

Estava dentro de uma história de encantar, mas com que propósito? Qual era a finalidade de me estar a fazer passar pela Bela Adormecida? E além disso… a história nem sequer está a ser igual…

Ouvi passos e virei-me para trás. Estava lá uma mulher, com o cabelo curto, preto e os olhos muito escuros. Tinha um vestido em tons de roxo, até aos pés e calçava uns sapatos pretos. Tinha uma capa preta com pêlos roxos no fim. Percebi logo de quem se tratava, era a fada má que me queria matar. Mas ao contrário das outras personagens que eu conhecia, como era o caso das fadas madrinhas, Sue, Claire e Sheilla e do porteiro, Chad, esta mulher eu não conhecia.

- Não vou pôr o meu dedo na roca. – Afirmei eu, logo.

- Tenho que dizer que não me decepcionaste, dás uma Bela Adormecida maravilhosa.

- Queres dizer Bela, porque adormecida ainda não estou.

- Estás enganada, é o destino da bela princesa Aurora picar o seu dedo na roca e dormir eternamente, seja quem for que faça as personagens. – Disse ela, mandando-me um raio verde, que me deitou ao chão.

Tentei lutar, mas o meu vestido comprido não me ajudou muito e acabei por ser mandada de encontro à roca. A fada má chegou-se ao pé de mim e só com o olhar começou a mover o meu dedo para a agulha. Tentei usar os meus poderes mas depois percebi que eu não era eu, era a Bela Adormecida, uma princesa indefesa sem poderes. O meu dedo tocou na ponta da agulha e perdi todas as forças, caindo no chão.

Acordei num espaço muito pequeno, quase que não cabia lá e empurrei o tecto para cima, abrindo o que parecia ser uma caixa. Sentia-me estranha. Estava debaixo de água «pronto, já fui, agora é que é de vez, morro afogada!», comecei a nadar o mais rápido que consegui mas de repente parei e reparei que estava a respirar, com o pânico todo nem reparara que tinha um rabo de peixe. Tinha um rabo de peixe, verde e a parte de cima de um biquíni cai-cai, lilás, tinha o cabelo enorme e ruivo. Estava numa das minhas histórias preferidas, a Pequena-Sereia.

Deitei uma gargalhada e comecei a nadar de um lado para o outro. Passado um pouco aproximou-se um caranguejo de mim.

- Por onde é que andaste? – Perguntou ele.

Quando vi bem, tinha a cara de Chad. Fiquei sem reacção.

- Uau, este tem sido um dia muito estranho. – Murmurei eu, dando ênfase ao “muito”.

- Ariel, faltaste ao espectáculo. – Ralhou ele, meio chateado.

- Ao espectáculo? Ahh, o espectáculo, desculpa, eu… esqueci-me… - Disse eu, nadando até à superfície.

- Onde é que pensas que vais?! O teu pai, o rei dos oceanos, nunca me vai perdoar se te deixar ir até à superfície, pára imediatamente! – Ordenou ele.

- Desculpa, mas esta história é das poucas que me deixa ver o meu príncipe, tenho que ver se o Luc está aqui algures…

- Entraram-te muitas bolhas para o cérebro? É proibido ir à superfície, enlouqueceste?!

- Às vezes acho que sim. Até logo!     

Quando cheguei à superfície da água, era de noite e estava a acontecer uma festa num barco, aproximei-me dele e espreitei.

Apareceu uma gaivota com a cara de Claire. Deu-me uma imensa vontade de rir mas tive que me controlar, acabei por mandá-la embora porque estava a fazer muito barulho.

Vi Luc a andar de um lado para o outro do barco, tão confuso quanto eu e chamei-o várias vezes mas ele não me ouviu, um cão chegou-se ao pé de mim e começou a ladrar, indo ter com Luc e puxando-o para ao pé de mim, «Claro, o cão é que ajuda à coisa» mas o mar começou-se a agitar e algo me puxou para baixo. Fui arrastada para as superfícies e quando finalmente tive o controlo das barbatanas, tentei subir, mas uma mulher impediu-me, era a bruxa do mar.

- Isto não acontece assim, eu é que venho ter contigo. – Sussurrei, mais para mim que para ela.

- Como é que estás? Vamos directas ao assunto, eu dou-te pernas em troca…

-… Da minha voz. – Interrompi eu, revirando os olhos.

- Óptimo, temos acordo? Sim, maravilhoso!

Reconheci a bruxa, era a mesma que a fada madrinha má da Bela Adormecida.

Não me deixou dizer nada e de um momento para o outro acordei numa cama grande e muito fofinha, bastante cómoda. Levantei-me e vi-me num espelho até ao tecto, estava com uma camisa de noite até abaixo dos joelhos com um lacinho em cima, azul clara.

- Cinderela! – Gritou uma mulher histérica. – Anda cá imediatamente, quero o meu pequeno-almoço!

«Cinderela. Primeiro Bela Adormecida, depois princesa dos oceanos e agora a desgraçada que serve as meias-irmãs e a madrasta. Este dia já não pode piorar muito mais!»

Vesti um vestido castanho e prendi o meu cabelo, agora loiro novamente mas pelos ombros, com um gancho. Demorei um bocado a ir ter com elas porque não encontrava o caminho para a sala de jantar. Finalmente dei-lhes o pequeno-almoço, mas a madrasta não estava lá. Subi novamente para o meu quarto, estavam lá quatro ratos, um tinha a cara de Claire, outro de Rick, outro e Sue e o último de Josh. Assustei-me quando começaram a falar. Apesar de a Cinderela ser uma das histórias de eleição das raparigas novas, nunca foi a minha preferida por isso só sabia o básico: rapariga mal tratada vai a um baile, apaixona-se e fica com o príncipe e como nos outros contos vivem felizes para sempre.

Os ratos tinham-me feito um vestido cor-de-rosa que me ficava lindamente, era comprido e perfeito para usar no baile mas as “minhas” meias-irmãs viram e destruíram-no. Depois de um tempo foram para o baile e eu fui dar uma volta pelo quintal, Sheilla apareceu num raio de luz ofuscante.

- Deixa-me adivinhar, fada madrinha? E agora dás-me um vestido lindo? – Perguntei sarcasticamente.

Ela ficou surpreendida mas abanou com a varinha e eu fiquei com um vestido azul, muito clarinho vestido, que era muito lindo. Tinha um carrapito muito bem feito e uma grinalda também azul clara e tinha uns sapatos de cristal calçados. Ela transformou uma abóbora numa carruagem e os quatro ratos em cavalos, que me levaram ao baile. No caminho para lá deu-me um sono incrível e deixei-me de dormir.

Acordei numa cama pequena, e estavam a bater à porta com muita brutidão, vi-me ao espelho, tinha agora o cabelo pelos ombros, preto com uma fita vermelha que fazia um laço, era muito branca e tinha os lábios muito vermelhos, estava inegavelmente bonita.

Tinha um vestido até aos pés, que era azul da parte de cima com umas tiras vermelhas e amarelo da cintura para baixo. Tinha uns sapatos azuis com um laço vermelho. Arrombaram a porta e vi Rick, muito brutamontes com um machado na mão. Ainda não sabia em que história estava mas de certeza que seria melhor fugir do que ficar ali.

Ele ia-se aproximando enquanto eu tentava abrir a janela, mas estava trancada, quando já estava muito perto de mim, baixei-me e fiz-lhe uma rasteira, aproveitei que ele tinha caído e saí porta fora.

A casa em que estava era muito bonita, era parecida ao castelo da Bela Adormecida, porém menos rica e majestosa. Ele vinha a correr atrás de mim, saí pela porta da rua e comecei a correr pelo bosque, com ele sempre atrás. Já tinha corrido bastante e o vestido estava a começar a atrapalhar quando ele me apanhou e me deitou ao chão, levantou o machado, pronto para o deixar cair em cima de mim, mas de súbito parou, olhou para mim e estendeu-me a mão. Fiquei desconfiada mas agarrei-a. Ajudou-me a levantar.

- Fuja. A sua madrasta não irá procurar uma coisa que pensa que está morta, por favor, fuja e nunca mais volte. – Disse-me ele, desatando a correr.

«Que raio é que está a acontecer?!» comecei a andar pela floresta até anoitecer e passadas umas horas vi uma casinha a cerca de 40 metros. Aproximei-me dela e bati à porta, era tão pequena. Como ninguém abriu empurrei-a e entrei. «Por favor, não me digam que sou a Alice e que estou no País das Maravilhas».

Olhei em volta, as coisas eram todas em ponto pequeno e a minha cabeça quase rasava no tecto. Fui ter a uma pequena salinha com dois sofás, uma lareira e uma televisão. Olhei-me de novo ao espelho, quem seria desta vez? A história não me era estranha mas não me conseguia lembrar.

Ouvi cantorias vindas da rua e fui espreitar, vinham sete homenzinhos, três iguais a Chad, dois iguais a Louis e dois iguais a Josh, excepto pelo facto de serem muito pequenos.

- Anões… - Sussurrei. – Branca de Neve e os sete Anões!

Eles entraram e queriam-me expulsar, mas usei os mesmos métodos que a Branca de Neve usara nas histórias que li. Deixaram-me lá ficar e até me ofereceram uma cama, mas eu não cabia nela, além disso não estava muito disposta a dormir, queria saber o que estava a acontecer, porque é que estava dentro de histórias e como sair. Eles foram dormir e no outro dia saíram cedo para irem trabalhar para a mina.

Achei muita graça a serem tal e qual a cara dos meus amigos.

Segundo a história, iria aparecer uma mulher, a “minha” madrasta má, transformada numa velha, a vender maçãs envenenadas.

Passadas umas horas ouvi uma voz feminina à porta e abri. Lá estava ela, uma velha, cheia de rugas com um cesto na mão.

- Quer comprar uma maçã linda menina? – Perguntou ela.

- Pois, não acho que precise, já as comprei ontem, obrigada na mesma. – Disse eu, tentando fechar a porta. Ela pôs o pé encostado, de modo a que me dificultou a tarefa.

Olhou para mim muito séria.

- Coma uma maçã, coma esta maçã. – Disse ela, estendendo-me uma maçã.

Senti uma grande necessidade de cumprir com a ordem dela e sem forças para resistir, agarrei na maçã e dei uma trinca, caindo no chão, enquanto ouvia um riso maléfico.

Acordei dentro de um caixão muito bem enfeitado, cheio de flores, com a cara de Luc muito junta à minha e com os anões à volta. Luc olhava para mim desconfiado.

- Luc… - Sussurrei, aliviada.     

- Graças a Deus, estava a ver que me ias chamar príncipe. – Disse ele, beijando-me.

- E és, és o meu príncipe. Afinal, só o beijo do meu príncipe encantado é que me poderia acordar certo?

- Certo.

Senti um sobressalto e fui levada de volta à carruagem da Cinderela, tinha chegado ao baile. Saí apressadamente e corri, muito desajeitadamente por causa dos sapatos, até ao palácio. «Sapatos de cristal… como é que alguém consegue fazer alguma coisa com isto?!»

Entrei e ficaram todos a olhar para mim, procurei Luc e aproximei-me rapidamente, puxei-o para dançar.

- O que é que se está a passar? – Perguntou ele, confuso enquanto dançávamos.

- Não sei bem, estamos em histórias de encantar, não sei porquê ou como, agora estamos na Cinderela.

- Alguém nos pôs. Tens suspeitos?

- Não… - Disse, enquanto ele me rodava. Ao rodar vi a mesma mulher que fizera de fada má e de bruxa do mar, senti um calafrio. – Afinal tenho.

- Quem?

- Aquela mulher ali, é a fada má em a Bela Adormecida e a bruxa do mar na Pequena-Sereia e agora está aqui…

- É melhor que nada.

Ao contrário da história, saímos do baile juntos e ela foi atrás, caindo na nossa armadilha. Luc agarrou-a.

- Quem és e porque é que estás a fazer isto? – Perguntei eu.

- Contos de fadas não devem acabar sempre bem, devem ser como na vida real, ninguém vive feliz para sempre! – Disse ela.

Luc espetou-lhe com um bocado no meu sapato de cristal, que tínhamos partido de propósito, matando-a, esperando que tudo voltasse à normalidade.

Encontrávamo-nos agora na praia, eu usava um vestido pelos tornozelos, azul-escuro na parte de cima e azul mais claro da cintura para baixo, tinha uns sapatos azuis e o cabelo ruivo. Estávamos de volta à Pequena-Sereia.

- O que é que vamos fazer? – Perguntei, apercebendo-me que não tinha saído nenhuma voz, porém Luc ficou a olhar para mim confuso.

Eu tinha pernas, logo a bruxa tinha ficado com a minha voz. Tentei explicar-lhe isso mas não consegui.

A bruxa do mar apareceu e puxou-o para a água, mandei-me também, a nadar atrás dele, uma vez mais, o final não correspondia à história. Ela estava a usar vários tipos de poderes quando apareceu Josh, com um ceptro com três pontas, dourado e me transformou em sereia, permitindo-me respirar, era óbvio que naquela história, ele era o meu pai, o rei dos oceanos.

Após uma grande luta ele venceu a bruxa e eu e Luc regressámos à superfície, agora, já com a minha voz e as barbatanas de volta, não podia estar na praia com ele. Olhei para Josh com uns olhos melancólicos e ele sorriu-me, dando-me pernas de novo. Corri para Luc que me agarrou.

Acordei agora numa cama enorme, de novo depois do beijo do meu príncipe encantado. Tinha os cabelos grandes, dourados com os caracóis nas pontas e vestia o vestido azul.

- Vamos lá bela adormecida, temos uma fada-dragão para matar. – Disse ele.

- Temos? Tu é que és o príncipe… - Disse eu, no gozo, levantando-me. – Mata-a tu e é se queres!

Ele tirou a espada e depois de sairmos do castelo mandou-se para o dragão, eu pouco podia fazer pois não tinha os meus poderes. Ele conseguiu derrotá-la e de um momento para o outro estávamos no meu quarto, ao lado da cama, eu estava com o meu cabelo normal e as roupas que tinha vestido de manhã.

Nas histórias parecia que se tinham passado dias mas tinham apenas passado umas horas. Corremos até ao livro e lá encontrámos a demónia Krashannan, a mulher das histórias. Fizemos uma poção e invocámo-la, ela não se pôde recusar a vir pois o feitiço de invocação era forte demais e mandámos-lhe a poção para cima.

Sheilla e Louis apareceram segundos depois, chegados das compras e estavam completamente normais.

Luc voltou a ficar chateado por achar que eu não me estava a comprometer com o casamento e por isso pediu para ficar sozinho, eu fui dar uma volta.

Quando voltei perguntei a Chad onde é que ele estava. Entrei no quarto e fui até à varanda, ele estava sentado no chão. Aproximei-me, com vários convites de casamento numa mão e menus na outra.

- Este era o último sítio que vinha procurar por ti, se não fosse o Chad ainda estava às voltas pela casa… ouve, eu estou comprometida e quero que isto funcione, a sério que sim.

Ele olhou para mim e para as minhas mãos.

- O que é isso?

- São convites e menus de casamento, gostava que me ajudasses a escolher, ah, e não programes nada comigo para amanhã porque, surpresa… vou escolher o meu vestido.

- Tens a certeza que é isto que queres?

- Tenho, agora mais que nunca. – Disse, sentando-me ao seu lado.

- Às vezes tenho pena de não vivermos numa daquelas histórias que acabam sempre com todos felizes…

- Não te preocupes, nós vamos ter o nosso “felizes para sempre”. – Disse-lhe eu, encostando a minha cabeça ao seu ombro.

- Eu sei.

- Mas ainda não estou preparada para filhos. – Disse, rapidamente tirando a minha cabeça do seu ombro e olhando para ele.

Ele soltou uma gargalhada.

- De onde é que isso veio? – Perguntou ele, tentando conter-se.

- Tu sabes, só para o caso de estares a pensar nisso… não estou preparada.

- Óptimo, porque nem eu. Vamos aproveitar a vida de casados um pouco ok?

- Tudo bem, mas só para que saibas, uma semana depois de estarmos casados ainda não vou estar pronta para engravidar… - Disse-lhe, num tom de gozo.

Ele voltou a soltar outra gargalhada e também me comecei a rir.

 

Os 14 comentários, please ^^

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