Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 14.03.11

O casamento não foi de sonho... a vida de Jô mudou drasticamente... acham que ela vai conseguir dar a volta à situação ou apenas render-se?

Descubram neste penúltimo capítulo :p

E se querem agradecer a alguém por o teu postado hoje, agradeçam à M&M ^^

 

Capítulo 40

Regresso ao Passado

 

Eu estava sentada ao lado do corpo de Luc, sem qualquer reacção possível. Estava tudo acabado, São Francisco estava devastado, o pânico reinava qualquer sítio para onde olhasse e não havia nada que eu pudesse fazer para melhorar as coisas, não havia nada que eu quisesse fazer para melhorar as coisas, porque tentar melhorá-las significava que estava a aceitar que tinham mesmo acontecido e que tudo isto era real, e eu não podia aceitar que isto estava mesmo a acontecer, os Connor não podiam estar mortos, o Luc não podia estar morto. O que é que ia fazer agora? Qual era o meu propósito de viver? Já não servia para nada, era evidente que o fim tinha chegado, o fim dos bons, o fim da felicidade, o fim das vidas das pessoas inocentes, o fim de tudo, o fim do mundo. Estava prestes a acontecer o fim do mundo, o apocalipse, e com Jared no poder, era preferível que o mundo explodisse do que ele o pudesse governar.

Não conseguia respirar, tinha uma grande dor no peito mas não conseguia chorar. Não tinha ninguém a quem recorrer, não tinha ninguém a quem pedir ajuda, estava completamente… sozinha.

Já tinha sobrevivido a muita coisa, enganado a morte várias vezes, mas isto não conseguia suportar, por isso ali estava eu, vestida de noiva, na parte de trás da igreja, ao pé dos corpos dos meus amigos e do meu noivo com várias pessoas ao meu redor, a cometerem suicídios e homicídios e eu não os conseguia parar porque não tinha nada que me desse força, não tinha nada ao que me agarrar, estava vazia, sem esperança para o futuro. Fechei os olhos a Luc e ao resto da família e fui até dentro da igreja que já tinha parado de arder. Estavam lá vários corpos, vi os pequenos Chad e Luc sentados nos bancos da primeira fila, completamente cinzentos, das cinzas e do fogo. Continuei a andar, estava completamente apática, já não havia uma pinga de sentimento em mim sem ser ódio, angústia e raiva, mas estava demasiado destroçada para me agarrar a qualquer um desses sentimentos para seguir em frente e fazer qualquer coisa.

Saí da igreja e comecei a vaguear sem qualquer destino, os meus olhos vazios e cheios de angústia já não viam nada à frente sem ser destruição. Passou um homem por mim que me apontou uma arma e me pediu dinheiro mas eu nem parei. Para quê? Se ele não me alvejasse alguma outra coisa o faria, já não fazia sentido estar viva.

Vi uma pistola no chão, apanhei-a e continuei a andar a olhar para ela.

Cheguei ao parque e sem me aperceber dirigi-me até à pequena cascata que com o tempo se tornara o meu sítio especial e de Luc. Não corria água nenhuma, a cascata estava completamente seca, nem um pingo de água. Só mostrava que ter esperança para alguma coisa era inútil.

Levantei a arma e meti-a perto a minha cabeça, pus o dedo no gatilho, fechei os olhos, respirei fundo e pressionei, mas nada aconteceu. Quando abri os olhos, momentos depois, vi um homem. Tinha um bigode muito branquinho e parecia ser já muito velho.

- Peço desculpa mas não te posso deixar fazer isso Joanna. – Disse ele.

- Você é um Criador. – Afirmei eu, com a voz seca e a garganta a doer por tentar suprimir as lágrimas.

- Sou, e tudo aquilo que ajudei a criar está prestes a ser destruído e só tu o podes evitar.

- Pois, bem, peço desculpa mas demito-me.

- Não podes fazer isso Joanna.

- Não? Observa. – Disse eu, tentando disparar a arma uma vez mais.

- Não te vou deixar disparar isso sabes? Tu podes consertar o mundo, sei que podes.

- Mas não o quero consertar! Não percebe?! Eu não tenho mais nada pelo que lutar, não tenho nada pelo que viver. Eu simplesmente não tenho nada! Eles estão mortos. – Ao dizer que eles estavam mortos vieram-me lágrimas incontroláveis aos olhos que me começaram a escorrer pela cara durante muito tempo sem parar, era impossível contê-las, eles estavam mesmo mortos.

- Então vais simplesmente desistir? Vais deixá-lo ganhar?

- Não há nada de simples nesta história toda! – Gritei eu. – Eu perdi tudo, perdi os meus pais, a minha irmã, os meus amigos e o homem que amo, não faço cá mais nada! Não importa o quanto me esforce… porque quem eu gosto é sempre tirado de mim…

- O Jared roubou os manuscritos de Krashann, é por isso que se encontra tão poderoso.

- E eu preciso de saber isso porque…

- Porque tu vais detê-lo.

- Eu não vou a lado nenhum! Só por uma vez, não posso sofrer sem ter que ir parar o fim do mundo?! Do que é que serve? Se não for ele é outro qualquer, esta é e sempre será uma luta sem fim e eu já não tenho forças para continuar a lutar, já não consigo…

- Os manuscritos de Krashann dão três poderes a quem os ler, o poder da destruição, o de mover coisas e o da invencibilidade. Estes poderes conjugados numa só pessoa tornam-na indestrutível.

- Ainda mais razão me dá.

- E se eu disser que os posso trazer de volta, aos teus amigos?

- Como?

- Já tiveste essa opção antes…

- Vai-me mandar para o passado.

- Exacto, bem não um passado tão longínquo como da última vez, vou-te mandar para o princípio do dia, se concordares é claro.

- Quando é que parto? – Perguntei, determinada e ainda com os olhos cheios de lágrimas.

Ele estalou os dedos e eu acordei na minha cama, cheia de pétalas de rosas, com Sheilla e Claire lá deitadas todas tortas. Ainda tinha lágrimas a cair, limpei-as e saltei para cima de Sheilla e de Claire.

- O que é que se passa Jô? Ainda é cedo. – Resmungou Claire.

Olhei para o relógio, eram oito e meia.

- Acalma-te, ainda tens tempo para te preparar para o casamento. – Resmungou Sheilla.

- O casamento, Luc, oh meu Deus! – Disse eu, saindo de cima delas e telefonando para a casa da Sue.

- Estou? – Atendeu Sue com uma voz muito ensonada.

- Sue? Graças a Deus que estás bem! – Exclamei eu com um grande alívio na voz. – Vocês têm que vir cá a casa, já. Não tenho tempo para explicar, despachem-se, todos.

- Jô, o que é que se passa? Sabes que não podes ver o noivo antes do casamento. – Disse Sue.

- Não vai haver casamento. – Disse eu, agora com uma pontinha de tristeza. Desliguei o telefone antes que ela pudesse responder.

Segundos depois apareceram lá em casa Sue, Josh e Luc. Corri até Luc e abracei-o, beijando-o em seguida.

- Ainda bem que estás bem. – Disse-lhe.

- Jô, o que é que se passa? A Sue disse que já não havia casamento… - Disse ele.

- Não vai… mas espera, deixa-me explicar, chama o Chad, só quero ter que dizer isto uma vez.

Depois de estarmos todos juntos comecei a contar a história e eles ouviram com muita atenção. Ficaram horrorizados com as descrições que fiz. Tentámos arranjar um plano para conseguir impedir que isso acontecesse mas não arranjámos nada que fosse funcionar.

- Esperem lá, o Criador falou de uns manuscritos, manuscritos de Kras… Kras... Krastann… manuscritos de Krashann! – Disse eu, tendo uma ideia.

- O que é que é isso exactamente? – Perguntou Josh.

- São manuscritos que dão poderes a quem os ler, o poder da destruição, o de mover coisas e o da invencibilidade. Isso faz da pessoa indestrutível. – Respondi. – Eu achei que se nós os apanhássemos antes e os lesse-mos então…

- … Nós é que nos tornaríamos indestrutíveis. – Concluiu Luc.

- Exacto. – Respondi, com um sorriso nos lábios.

Olhei para o meu guarda-vestidos, já lá estava o meu lindo vestido de noiva pendurado, o que me fez lembrar a felicidade que senti ao entrar naquela igreja, antes de ver Jared. Abanei a cabeça para afastar esses pensamentos. Iria ter um dia em grande, por isso não me podia dar ao luxo de estar distraída.

Vesti umas calças de ganga e calcei uns ténis, vesti um top laranja e fiz um rabo-de-cavalo. Chamámos os Criadores e apareceram dois.

- Nós sabemos. – Afirmou um deles.

- Óptimo, nós precisamos de saber onde estão os manuscritos de Krashann. – Disse-lhes eu.

- Estão na montanha escondida, na montanha onde ninguém nunca se atreve a ir. – Respondeu o outro.

- E onde é que é isso? – Perguntou Chad.

- No fundo do teu coração, tu sabes a resposta. – Disse ele, encarando-me.

- Eu? – Perguntei. Depois de pensar durante uns instantes reparei que nunca ninguém estava na cascata onde eu sempre ia e que a encontrei quando estava com um demónio. – Mas isso não é uma montanha… - Murmurei.

- Mas pode ser, nem tudo o que se vê é o que realmente é. – Disse o Criador que tinha falado em primeiro lugar.

- Ao pé da cascata… - Murmurei de novo. – Estiveram lá este tempo todo. Por isso é que a cascata secou… porque foram tirados…

Teletransportámo-nos para a cascata e ficámos um tempo a olhar, a tentar descobrir por onde entrar. Revistámos aquele bocado de terreno de uma ponta a outra mas não encontrámos nada. Fiquei a observar a água a cair, ao contrário do dia anterior, bem, do meu dia anterior, que estava seca, agora, a água caía em abundância.

Comecei a andar na sua direcção e subi para uma pedra e depois para outra, até chegar ao meio da lagoazinha.

- É aqui. – Sussurrei, levantando depois o meu tom de voz. – Pessoal, é aqui, é mesmo por trás da cascata.

- Tens a certeza? – Perguntou Luc, que se tinha teletransportado para a mesma pedra onde eu estava.

- Tenho.

- Então vamos lá.

Agarrou-me na mão e começou a andar, eu abri caminho, desviando a água com os meus poderes e quando finalmente passámos todos, lá estava ele, um baú de ouro com umas inscrições em latim. Dizia «O que o poderá abrir, o poder terá que suportar». Olhámos em volta, ainda estávamos sozinhos, naquela enorme gruta.

Chad aproximou-se do baú e abriu-o, fazendo uma cara de choque a seguir.

- Jô, acho que chegaram cá primeiro. – Disse ele, virando o baú de pernas para o ar, para verificar que nada caía.

- Parabéns, tenho que dizer que demoraram mais tempo do que estava à espera mas mesmo assim merecem palmas pelo esforço. Joanna, querida Joanna, é como se ainda ontem nos tivéssemos visto. – Disse Jared, sem um pingo de humanidade na voz.

- E vimo-nos. – Disse eu. – E tu sabes perfeitamente disso.

- É verdade, sei. Bem, vamos lá acabar com isto de uma vez por todas. Estou a ficar um bocado cansado de vos matar. – Disse ele.

- Parece que já tens os poderes. – Disse Chad. – Não prestas mesmo.

- Vai com calma Chad, por favor. – Pedi. – E se nós lutássemos? Os deixássemos fora disto? Afinal, tu mataste os meus pais, eu matei o teu irmão, não me parece que eles tenham alguma coisa a ver com este conflito. – Disse, dirigindo-me agora a Jared.

- Estás louca? Eu não te vou deixar lutar contra ele sozinha. – Disse Luc, agarrando-me no braço.

Virei-me para ele.

- Prefiro morrer do que ver-te morrer outra vez. – Disse-lhe.

- Pois, mas tenho medo que essa opção não exista Jôzinha, eu já te expliquei ontem, prefiro ver-te sofrer do que matar-te. – Disse Jared, com uma voz maliciosa, matando-os a todos num abrir e fechar de olhos.

- Outra vez não. – Sussurrei, enquanto os via a cair no chão, um a um.

Luc perdeu as forças e caiu para cima de mim, com o peso acabei por descair também, deitando-o no chão.

- Jô, sê forte, sê a rapariga por quem me apaixonei, eu sei que és capaz, eu amo-te, nunca te esqueças. – Sussurrou ele, quase sem forças.

- Eu também te amo. – Disse-lhe, caindo-me uma lágrima. – Sempre.

Levantei-me e comecei a andar, até estar de frente a Jared.

- Finalmente decidiste enfrentar-me. Tão querida. – Disse ele, com uma voz arrogante.

- Que se lixe, também já não tenho mais nada a perder. – Disse eu, com o mesmo tom de voz que ele, arrogante, sem piedade… tudo o que queria agora era vingança. Nada mais importava, apenas vingança.

- Tenho que dizer que ficas bem mais interessante assim, a velha Joanna era tão fraca, mostra-me a nova, a que está sedenta de vingança.

- Acredita, vais desejar ter a velha Joanna de volta.

Ele soltou uma gargalhada sonora e mandou-me contra uma das paredes da gruta.

- Mostra-me do que és capaz. – Desafiou.

 

Aparentemente não lhe valeu de muito regressar ao passado...

Que acontecerá agora?

O último capítulo fica para amanhã :p

 

18 comentários

Comentar post

Pág. 1/2