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Destino Amaldiçoado

por Andrusca ღ, em 15.03.11

Vamos lá ver então como é que ela se vai livrar disto tudo...

 

Capítulo 41

Feliz Por Fim

 

Levantei-me e voltei a aproximar-me dele.

- Isso é tudo o tens? Ameaças e pequenos voos? – Perguntei.

Ele estendeu a mão e fez-me voar muito mais alto do que estava à espera, aterrando numa pedra e caindo para o chão em seguida. Cortei o braço e tinha rompido as calças nos joelhos, estava coberta de arranhões, mas levantei-me na mesma.

- Estás a tentar que te mate. – Concluiu ele.

- E vais?

- Não enquanto for isso que queres.

Explodi-o, mas como da última vez, nem um arranhão lhe causou.

- És patética. – Disse ele, rindo-se e mandando-me de novo ao chão.

Enquanto estava no chão, olhei para Luc, ali, estendido no chão, morto por minha causa, por causa de um plano que eu inventei. E depois os meus olhos foram dar a Claire, como é que ia explicar a Rick o que tinha acontecido? E os pequenos, tinham acabado de ficar órfãos, como é que eu podia estar a escolher o caminho mais fácil?! Como é que podia estar a querer desaparecer num momento destes, quando mais precisam de mim? Não! Eu não vou a lado nenhum. Ouvi as palavras de Luc ecoarem na minha cabeça, «sê a rapariga por quem me apaixonei…» a rapariga por quem se apaixonou, ele não estava a falar de uma Joanna fraca ou desistente, estava a falar de uma lutadora, de uma sobrevivente… mas e se ela já não tivesse mais forças? E se já tivesse chegado ao limite? Não! O meu limite não estava nem lá perto. Isto acabava aqui, já não se adiava mais, ou acabava bem, ou mal, mas acabava.

Levantei-me e corri em direcção a ele, começámos a lutar mas ele conseguia defender-se sempre dos meus ataques, por muito que eu mudasse as posições, quer usasse os pés ou as mãos, ele conseguia sempre defender-se. Mandou-me ao chão mais umas vezes e eu estava prestes a desistir quando os vi, os manuscritos de Krashann, escondidos entre duas pedras.

Rolei até eles e agarrei-os. Jared estava prestes a mandar-me uma bola de fogo quando pus os manuscritos à minha frente.

- Ahh! Vais mesmo querer destrui-los? – Perguntei, com uma cara convincente, apesar de estar apenas a fazer bluff. – Sabes que se eles fizerem puff os teus poderes vão com eles, certo? E sabes que sem esses poderes eu faço-te fazer puff…

- Estás a fazer bluff.

- Estou? Achas mesmo? Talvez sim, talvez não, mas vais arriscar?

Ele mandou a bola e eu mandei-me para o chão para a evitar, arrastei-me para trás de umas pedras que estavam por ali caídas e li os manuscritos, em latim e senti um grande calor ultrapassar-me o corpo todo, como se nada me pudesse vencer ou sequer tocar, como se eu fosse o ser mais forte à face da terra. Deixei os manuscritos no chão e levantei-me, fiz um gesto e explodi-o.

Ele foi-se pelos ares mas segundos depois reconstruiu-se. Eu estava mais poderosa, sentia-me mais poderosa, além de ser indestrutível, os meus outros poderes tinham-se ampliado imenso.

- Tu leste-os. – Afirmou ele, com uma cara ainda mais chateada.

- Achavas que só tu és que tinhas privilégios? Agora que já estamos iguais, já podemos ter uma luta justa.

Ele mudou radicalmente de cara, transformando-se em Luc, a minha grande fraqueza.

- Vais mesmo matar o teu namoradinho de meia tigela? – Perguntou ele, aproximando-se de mim.

Por momentos fiquei paralisada, ao ver Luc vir até mim. Mesmo sabendo que não era ele, ver aquela figura vir ter comigo e saber que isso nunca mais aconteceria partiu-me o coração em milhões de pedacinhos. Ele fez-me uma festa na cara e eu não me consegui manifestar, então vi-o, por trás de Jared, o verdadeiro Luc, estendido no chão… morto. Dei uma cotovelada a Jared, virei-me e explodi-o uma vez mais. Quando ele se voltou a criar comecei a falar.

- Eu nunca magoaria o Luc, mas prefiro explodir a figura dele vezes sem conta do que tê-la em ti!

Ele mandou-me uma vez mais ao chão e desta vez fez com que umas pedras me caíssem em cima. Quando as consegui desviar estava completamente esgotada. Seria o fim? Não! Recusava-me a acreditar nisso, ele não me iria vencer, não assim. Levantei-me e comecei a andar, toda desengonçada e deitar sangue do corte do braço e dos outros arranhões.

- Acho que estava errado, parece que és mais forte do que aparentas. – Disse ele.

Aproximei-me e dei-lhe um murro, fazendo-o recuar.

- Estou farta de brincar a isto contigo, o jogo acabou! – Disse-lhe.

Comecei a deitá-lo abaixo e cada vez que ele caía eu sentia-me mais forte.

- Não estou a acabar contigo por estar sedenta de vingança ou por te odiar, estou a acabar contigo por ser quem sou! E eu não desisto e acredita que te vais arrepender de tudo!

Continuei a mandá-lo ao chão vezes sem conta, agora parece que tínhamos trocado de papéis, ele, apesar de uma cara de mau, estava a ficar cada vez mais fraco, eu sentia-o.

Dei um último olhar a Luc e afastei-me dele, senti uma grande força a percorrer-me e olhei para Jared, metia-me nojo, era repugnante. Senti-me muito poderosa e explodi-o de novo, mas desta vez houve uma explosão enorme que a gruta abanou toda. Deixei-me cair no chão, por causa de toda a energia que tinha acabado de usar. Esperei para ver se ele voltava a aparecer mas nada.

Estava finalmente acabado, ele estava morto e eu estava viva, mas os Connor estavam como ele.

Arrastei-me até ao corpo de Luc e comecei a chorar, apoiando a minha cabeça no seu peito. Cada vez chorava mais, enquanto relembrava os bons e os maus momentos que tínhamos passado todos juntos. Não chorava apenas por ele, chorava por todos eles, todos eles os melhores amigos que eu podia alguma vez pedir. Desde que descobrira dos meus poderes que era solitária, mas agora estava sozinha, agora, pensando bem, são duas coisas muito diferentes.

Sei que não posso voltar atrás, mesmo que fizesse tudo ao meu alcance e muito mais, nunca conseguiria mudar as coisas. Tinha acabado, o mundo estava salvo, desta vez. No fim, Claire tinha razão, o meu dia de casamento iria ficar para sempre na minha memória.

Comecei a explodir tudo naquela gruta, pedras soltas, as paredes, não conseguia aceitar que eles estavam mortos, sentia uma raiva fervilhante nas minhas veias.

Quando anoiteceu ainda não tinha parado de chorar, não queria sair dali, apetecia-me ficar ali até que o meu coração parasse de bater. Por estas razões é que nunca me tinha aproximado tanto de alguém, porque já sei que as pessoas de quem gosto acabam mortas.

Comecei a andar de um lado para o outro da gruta, com os braços cruzados e as lágrimas a escorrerem sem parar quando vi os manuscritos, no meio daquela confusão toda tinha-me esquecido deles. Peguei neles e li-os de novo, quando os lera para enfrentar Jared não me preocupara em perceber o que diziam, limitara-me a ler o latim, agora, traduzindo-as percebi que falavam de sofrimento, de morte e destruição mas também de renascimento, felicidade e amor, era tudo muito confuso mas se não fossem aqueles pedaços de papéis os meus amigos ainda estariam vivos. Ao destruí-los os poderes que me tinham dado iriam embora, mas eu sabia o que tinha que fazer, não podia permitir que mais alguém como Jared tivesse a brilhante ideia de os usar para estes fins. Pousei-os de novo no chão e explodi-os, vezes sem conta, até não serem nada mais que pó, então, o pó começou a levantar-se e a fazer uma luz dourada, muito florescente, que percorreu toda a gruta e depois se desvaneceu.

Voltei para ao pé de Luc e sentei-me no chão, à espera talvez que algum milagre pudesse acontecer quando ouvi um barulho que se parecia com um sussurro, virei a cabeça imediatamente para Luc e vi-o de olhos abertos.

- Luc! – Gritei, aproximando-me dele e abraçando-o. – Estás vivo, oh meu Deus, tu estás vivo! – Gritava eu de felicidade.

- Jô. – Sussurrou ele, muito fracamente. – Não consigo respirar.

- O quê? Porquê? – Perguntei, aflita.

- Estás a apertar-me com demasiada força. – Disse ele.

- Ohh, desculpa! – Larguei-o mas continuei ao seu lado a agarrar-lhe na mão.

Luc estava vivo, talvez não fosse tudo tão mau afinal de contas. Senti um toque no ombro e olhei, com medo que fosse Jared novamente e então vi-os, Chad, Sheilla, Louis, Claire, Sue e Josh, estavam todos lá, em pé, fracos, mas o que interessava era que estavam vivos. Levantei-me e abracei-os, não querendo saber se os magoava ou não, só me interessava o facto de eles estarem vivos, era tudo o que eu precisava para continuar a respirar. Luc levantou-se lentamente e veio até mim. Abracei-o e beijei-o.

- Não acredito que vocês estão vivos! – Exclamei, com montes de lágrimas a escorrerem-me pela face.

- Jô, está tudo bem, porque é que estás a chorar? – Perguntou Luc, limpando-me uma lágrima.  

- Porque é que achas?! Pensei que nunca mais vos ia ver assim, falar com vocês, abraçar-vos, beijar-vos… - Disse eu, incontrolável.

- Está tudo bem agora, nós estamos bem. – Disse Chad, pondo o seu braço à volta do meu ombro.

- Assustaram-me mesmo, eu juro que se me fazem outra destas nunca mais vos perdoo. – Disse eu, tentando acalmar-me.

- Claro que perdoas. – Disse Sue.

- Claro que perdoo. – Afirmei.

Eles estavam vivos, não havia maneira nenhuma de expressar a minha felicidade naquele momento. Naquele momento, rodeada deles, aí sim, era como se fosse completamente indestrutível porque enquanto eles estivessem comigo nada nunca me deitaria abaixo.

- Parabéns, estou a ver que foste bem sucedida. – Disse o Criador com o bigode branquinho que me tinha permitido recomeçar o dia.

- Obrigado. – Disse-lhe.

- Tudo está bem quando acaba bem… excepto para os manuscritos. – Disse ele.

- Mas como é que… quer dizer, eu estou muito grata por eles estarem vivos mas como… como é que eles… ressuscitaram? – Perguntei, com uma grande dificuldade em encontrar as palavras certas.

- Foi tudo obra tua. – Disse ele, com uma expressão muito calma.

- Minha? Como?

- Os manuscritos não foram criados para o mal nem para o bem, foram simplesmente criados, dependem de como as pessoas os usam, tu escolheste usá-los bem e eles perceberam isso. Os manuscritos são sobre desgraças mas também felicidades, são o intermédio do bem e do mal. Ao serem destruídos, tudo o que causaram desaparece com eles.

- Então ele ainda está vivo… - Disse eu, desanimada.

- Acho que não Jô. – Disse Luc. – Se estivesse já cá estava.

- Ele tem razão. – Continuou o Criador. – Tu ias matá-lo de qualquer maneira, era o teu destino matá-lo e o dele ser morto por ti. Os manuscritos não o ressuscitaram pois sabiam como tudo ia acabar e seria desnecessário.

- Perfeito! – Disse Sheilla, cheia de alegria.

- Só tenho pena de não ter havido casamento. – Disse Claire.

- Não necessariamente. – Disse eu, virando-me para Luc. – Tu ainda te queres casar?

- Quero mas, nós não temos padre ou igreja nem os convidados… - Disse ele.

- Luc, eu não preciso de uma igreja ou de uma grande festa, preciso de ti. E quanto a padre nós arranjamos um à última da hora e quanto a convidados, temos aqui as pessoas mais importantes para nós. E é só disso que eu preciso.

- Tu és incrível, sabias? – Perguntou-me, retoricamente.

- Já me disseram antes. Eu conheço um óptimo sítio para um casamento à última da hora. – Disse-lhe, olhando para a cascata.

- Bem, tem valor sentimental. – Disse Luc, percebendo onde eu queria chegar.

- Óptimo, encontra-me aqui em uma hora. – Pedi-lhe. – Apesar de tudo tu mereces ver a tua noiva no vestido de casamento. Quanto a padre, você pode casar-nos certo? – Perguntei para o Criador.

- Eu? Eu…

- Vá lá, não me vai negar isto pois não? Eu sei que vocês podem realizar casamentos…

- O que é que tenho a perder?! – Perguntou ele.

- Parece que afinal sempre vamos ter casamento. – Disse Sue.

Fui com as irmãs para casa vestir o meu vestido de noiva rodado, branquinho, cai-cai com as pedras preciosas e calcei as sandálias brancas de salto alto e de atar na perna, prendi o cabelo com a mola e deixei as farripas para a frente, maquilhei-me e pus os brincos compridos de diamantes, pus o véu.

Desci as escadas, elas também já tinham os vestidos de damas d’ honor e voltámos para o parque, para ao pé da cascata.

Luc já lá estava, com o seu smoking, ao pé do Criador e com Chad ao lado, também muito arranjadinho. Rick também já lá tinha chegado com os pequenos.

Sue criou umas luzinhas que flutuaram durante toda a cerimónia e quando chegou à parte do «sim», olhei para Luc e não tive sombra de dúvida do que queria, queria-o a ele, para sempre.

- Joanna? Está a ouvir? Aceita Luc como seu marido e promete amá-lo e respeitá-lo até que a morte vos separe? – Perguntou o Criador.

- Não. – Disse eu. Luc olhou para mim alarmado. – Prometo amá-lo muito para além da morte.

- Luc, promete…

- Sim. – Interrompeu Luc. – Já posso beijar a noiva?

- Já que se esqueceram de trazer as alianças e que estão tão impacientes, declaro-vos marido e mulher. Agora sim, pode beijar a noiva. – Disse o Criador.

Luc beijou-me e depois começaram todos a mandar-nos arroz. Sentia-me mais feliz que nunca.

De repente ouvimos um grito e vimos um raio a ser mandado a um homem que estava a correr no parque, um bocadinho afastado de nós.

- Lá se vai o casamento perfeito. – Disse Chad.

- Mas foi perfeito. – Disse eu, com um sorriso contagiante. – Os quinze minutos mais perfeitos da minha vida.

- Estás pronta? – Perguntou Luc.

- Desde que te tenha comigo eles podem vir às toneladas. – Disse eu.

Sabia perfeitamente que nunca iria ter sossego e que os demónios nunca iriam desistir, porque enquanto houvesse o bem, haveria o mal, mas depois de tanto tempo descobri porque vivo. Vivo por eles, pelas pessoas que me apoiam e que me amam, e vivo também para ajudar e defender aqueles que não o conseguem fazer sozinhos. É bom saber que não vivo por acaso, vivo porque sou precisa, porque sou importante e isso é tudo o que poderia desejar, por isso eles que venham, eu vou estar aqui à espera.

E mais importante, não vou estar sozinha e nunca mais vou voltar a estar, ou a ser solitária.

 

Fim

 

Quero saber tudinho aquilo em que pensaram *-*

 

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