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SOS Nashville

por Andrusca ღ, em 15.03.11

" “Matem-me já!”, implorei, para dentro.

Um porco aproximou-se de mim e lambeu-me a cara. Que nojo!!!

Liam ria-se, enquanto eu me levantava e ia desligar a porcaria da mangueira. Isto não podia estar a correr pior! "

 

Parte 3

 

Depois do infeliz incidente com os porcos, e como se não tivesse sido humilhante o suficiente, Liam ainda me fez ir alimentar o raio das galinhas.

Entrei para o galinheiro com o balde cheio de milho e elas praticamente que voaram para cima de mim; ao princípio pensei que tinha que as perseguir para as alimentar, mas rapidamente percebi que a perseguida estava a ser eu, e por isso desatei a correr aos gritos, com o balde na mão, e elas não desistiam de andar atrás de mim.

- Pousa o balde! – Gritou-me Liam.

Eu nem parei, limitei-me a deixar o balde cair e a continuar a correr, porém poucos segundos depois percebi que já não tinha galinhas nenhumas atrás de mim. Estava todas de volta do balde tombado, com o milho no chão.

“Realmente és mesmo triste Amy…”, pensei. Se elas tinham fome era lógico que vinham atrás da comida…

O dia passou-se assim, e por incrível que parecesse, era a primeira vez nuns cinco anos em que me deitei às nove da noite e adormeci logo.

 

***

 

Dois meses se passaram, e eu, por mais que tentasse, não conseguia gostar disto nem por um bocadinho. Eu não sou uma rapariga do campo, simplesmente não sou.

Abri a porta para a rua e despedi-me silenciosamente da casa. Estava na hora de sair daqui, não aguentava nem mais um segundo.

Pus um pé de fora, depois o outro, e fechei a porta.

A noite estava cerrada e não se ouvia barulho nenhum, apesar de não passar sequer da meia-noite. As pessoas daqui deitam-se todas cedo demais.

Mal dei cinco passos começou a chover. Pelos vistos a minha sorte não tinha mudado.

Não liguei, continuei a andar, não queria saber de mais nada. Tinha saudades de casa.

Não fazia a mínima ideia de como iria para lá, mas sabia que aqui já não podia ficar, tinham-se passado demasiados dias, demasiadas horas. Demasiado tempo.

Porém, tinha pena de deixar Liam. Durante estes dois meses ele foi o meu único amigo, a única pessoa com quem me senti bem, por incrível que isso soe.

- E onde é que a menina pensa que vai? – Ouvi, por trás de mim – Uma dica: antes de tentares fugir, verifica que estão todos a dormir.

Voltei-me para trás e vi Liam, completamente encharcado tal como eu, com umas calças de ganga e um casaco vermelho, com o capucho pela cabeça.

- Não aguento mais – detestava dar a parte fraca, pois sempre tivera sido forte. – Senti saudades de casa. A minha casa. E apesar de gostar de vocês… - o que até me surpreendeu bastante –, preciso de voltar.

Uma lágrima escorreu-me pela face e Liam aproximou-se de mim, para em seguida a limpar com o seu dedo.

- Espera apenas mais uns dias – pediu – Já não deve faltar muito. Eu sei como te sentes, mas tem apenas mais um pouco de paciência.

- Estou a perder a minha vida Liam!

- Não, estás a adiá-la. Se saíres daqui desprotegida sim, estás a perdê-la. A deitá-la fora. Acredita, sentes saudades de casa, queres voltar, eu sei como te sentes, mas já não falta tudo.

- Antes de isto acontecer odiava os meus pais – murmurei, enquanto outra lágrima me escorria pela face –, odiava as aulas… os professores… odiava o meu namorado.

- Tinhas um namorado? – Pareceu completamente apanhado desprevenido.

- Tinha – confirmei –, mas nunca nos amámos. Eram tudo aparências. Mas estava tudo bem porque… tinha todo este brilho, e glamour, e festas… Tu não sabes como me sinto.

- Sei. O que estás a viver… já aconteceu comigo.

O quê? Ele também tinha sido uma testemunha de um crime?

- O que é que viste? – Perguntei.

- Não foi tão grave… foi um atropelamento e fuga… mas o tipo não queria mesmo ir preso e eu recusei a protecção de testemunhas… ele veio cá a casa com uma arma e… - ele parou subitamente. Conseguia ver que era difícil para ele falar sobre isto, e por isso, ou talvez por andar carente ultimamente, abracei-o. Senti as suas mãos assentarem na minha cintura antes de retomar a história – Ele alvejou-me. Mas o meu pai pôs-se à frente. Esteve em coma por três semanas. Essa é a verdadeira razão para nos termos prontificado a ficar com testemunhas. Ele é o xerife, logo não houve problemas.

- Lamento – uma simples palavra, tudo o que consegui pronunciar. Eu não queria que o meu pai fosse alvejado por minha causa…

- Fica, por favor – murmurou, ao meu ouvido – Eu sei que não tenho o direito de pedir, mas por favor, não por ti, ou a tua família… fica por mim.

Senti um arrepio quando ele me disse aquilo, e o meu coração falhou uma batida apenas para recomeçar a bater descompassadamente.

- Acho… acho que não vai fazer mal – surpreendi-me ao pronunciar estas palavras com tanta certeza.

O que é que se estava a passar comigo?!

As próximas duas semanas foram calmas demais, acho que já estava a apanhar os “tiques do campo”, até porque havia vezes em que já acordava antes do galo cantar… e ele cantava às seis da manhã…

Houve uma manhã em que tentei fazer o pequeno-almoço, mas aquilo não correu bem e só não queimei a cozinha porque Ellen apareceu. Senti-me tão embaraçada naquele momento.

Fechei a torneira e instantaneamente a água gélida parou de cair sobre o meu corpo; também isso já não me metia aflição, já me tinha habituado a tomar banho de água fria.

Vesti umas calças de ganga e calcei umas botas por cima, bastante quentes, e vesti uma camisola de lã bege.

Quando cheguei à cozinha, mais uma vez, deparei-me com o retrato da bela família a tomar o pequeno-almoço, todos em paz e harmonia. Perguntava-me se algum dia poderia ser assim com os meus pais.

Ao entrar na cozinha, mais uma vez acolheram-me como uma das deles.

 

Acho que vai ter mais 3 partes...

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