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Espinhos de Rosas

por Andrusca ღ, em 01.10.10

Pois é pessoal, é o último...

Tenho que dizer que vocês são todos espectaculares, e que adorei todos os comentários e tudo o mais.

Sobre este capítulo... bem, eu gosto bué do capitulo "O Beijo da Morte"; "História de Familia"... mas nenhum desses chega perto ao quanto adoro este +.+

Ahh, é verdade! O titulo deste capítulo é um latim (mas tem tradução) porque eu amo latim ^^

Espero que gostem tanto quanto eu.

 

E depois deste capítulo... hei-de postar o prefácio da continuação, que espero que tambem vos agrade :D

Beijinhos

 

Capítulo 24

Amor Vincit Omnia (o amor vence tudo)

 

O resto de sábado foi para dormir e descansar, apesar de estar preocupada com Derek. Era de esperar que depois de ser salvo estivesse um bocadinho mais contente. De contente ele não tinha nada, parecia que tinha levado um tiro, não que o fosse magoar.

No domingo tive que ir à polícia para contar os detalhes do “rapto” e isso ocupou-me a tarde toda. Duvido que algum deles seja condenado, mas achei que era melhor a deixar que os Thompson os matassem, afinal, ainda são humanos. Passei todo o tempo livre e pensar no meu pai. Ele queria ser um vampiro? Isso foi um choque. E também pensei na minha mãe, a ter um caso com Aisaec. Brrr, Aisaec… Mas foi bom saber que a minha mãe não combinou a morte do meu pai, não sei se foi por ter que desesperadamente ouvir o que Derek disse, ou por ter vindo dele, mas não me custou nada acreditar.

À noite telefonei a Derek, queria desesperadamente falar com ele e dizer-lhe tudo, mas ele não atendeu nenhuma das vezes.

Custou-me imenso a adormecer, especialmente a saber que amanhã tinha que ir para a escola, mas pelo menos Derek estaria lá.

Acordei com o despertador e acordei os meus irmãos em seguida. Dylan foi o primeiro a chegar à cozinha para tomarmos o pequeno-almoço, o que era extremamente invulgar.

- Podemos falar? – Perguntou ele. Tinha uma cara de caso, o que é que virá daqui?

- Claro – respondi, levando uma colherada de cereais à boca.

Ele sentou-se na cadeira ao meu lado e começou a mexer os cereais dele.

- O que aconteceu na sexta-feira à noite… eu assustei-me mesmo – murmurou.

- Sim, também eu.

- Então ele está morto? O vampiro que matou o pai.

- Sim, está.

- E não te magoou?

- Não fisicamente. Onde é que queres chegar?

- Vai acabar.

- O quê?

- Eu prometo. Os amigos rebeldes, as bebedeiras, a droga da fugida à realidade, vai acabar tudo.

Sorri.

- Ok.

- E vou parar de ser estúpido para ti. Eu percebi que ao longo destes anos tu foste a única pessoa que nunca nos abandonou, e na sexta-feira quase que abandonavas, por isso prometo que vou mudar.

- Fico feliz, a sério. Mas… mesmo que não mudasses, eu estaria sempre aqui.

Ele sorriu para mim e depois meteu uma colherada de cereais na boca.

- Ainda bem, porque a mudança vai ser lenta.

Sorri e dei-lhe um pequeno empurrãozinho no ombro. Abby chegou e tomou o pequeno-almoço connosco.

Ela estava extasiada por ter corrido tudo bem e por a polícia ter acreditado na minha história. Pessoalmente, acho que estes últimos meses foram quase como um filme de terror, mas tenho a sensação que a partir de agora vão melhorar.

Deixámos Abby na escola e depois seguimos para a nossa.

Como ia adiantada, resolvi ir sentar-me nos bancos das mesas de pedra no exterior da escola, e então vi Gwen e Gary lá sentados. Eles estavam tão queridos, ele a brincar com o cabelo dela e ela a sorrir desalmadamente. Parecia mesmo que a vida não podia melhorar para nenhum dos dois. Parece que finalmente ganharam coragem para dizerem um ao outro o que sentiam. Quem diria? Durante todo este tempo pensei que Gary fosse gay, durante anos ele pensou que era gay, e agora vejo-o agarrado à minha melhor amiga. A vida dá mesmo cá umas voltas…

Recomecei a andar e aproximei-me da mesa onde eles estavam.

- O que é que aconteceu aqui? – Perguntei, a sorrir, sentando-me ao lado de Gwen. Gary estava sentado em cima da mesa com as pernas apoiadas no banco de pedra.

Gwen tinha aquele brilhozinho no olhar, e Gary não conseguia evitar que aquele sorriso parvo lhe aparecesse na cara.

- Bem, tu viste por isso… - começou Gwen.

- Por isso… - eu sei o que vem daí, mas quero ouvi-los dizer.

- Nós namoramos – disse Gary – e sim, estamos muito felizes.

- Fico feliz. A Gwen precisa de alguém bom para ela. Mas eu pensava que tu eras gay.

- Também eu, mas já não sou – e sorriu.

- Como é que isto aconteceu? Contem-me tudo – implorei.

- Bem, quando estavam a lutar eu pensei que nunca mais o ia ver, percebi o que sentia – disse Gwen – e sim, eu sei que já te tinha admitido antes, mas agora é que tive as certezas todinhas.

- E eu também. Foi tipo uma revelação – concordou Gary – Mas antes de avançarmos mais, tenho uma coisa que acho que devias ler.

- Espera, eu preciso de falar com o teu irmão, onde é que ele está? – É agora, se não o fizer agora juro que perco a coragem toda.

- É sobre ele. Chloe, ele deu-me uma coisa para te entregar – e tirou um envelope de dentro da mala.

- O que é? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei, a olhar directamente para os olhos dele enquanto esticava o braço para alcançar o envelope.

- É melhor leres – insistiu.

Observei o envelope durante uns momentos antes de o abrir. Tinha um tom bege e o papel era muito macio. Voltei a olhar para Gary. Tanto mistério para quê? Será que lhe aconteceu alguma coisa?

Abri o envelope e tirei de lá um papel. Estava dobrado em três. Olhei para Gary antes de o desdobrar. Será que quero mesmo saber o que diz? Ele não parecia muito feliz, e não sei porquê, mas tenho um mau pressentimento. Respirei fundo e desdobrei a folha de papel. Vi um texto escrito com a letra dele. Porque é que me enviou uma carta?

Comecei a ler atenta e calmamente, não me ia alarmar por uma coisa que ainda não sabia o que era.

 

 

«Chloe

Lamento por estar a fazer isto assim, mas não sei de que outra maneira o conseguiria fazer. No final de contas tu tinhas razão. Eu sou um monstro. Sou um vampiro, e pela primeira vez desde que fui transformado, arrependo-me.

Passei todos estes anos a pensar que coisas insignificantes eram importantes, mas não podia estar mais enganado. Tudo o que precisei foi uns meses para perceber o que era realmente importante.

Lamento por não te ter conseguido manter em segurança, afinal, acabei por quase te condenar à morte.

Estavas certa, eu posso conseguir controlar-me, mas nunca conseguirei controlar os outros, por isso sim, estar comigo, um vampiro, é um perigo para ti. Um risco enorme e que não estou disposto a correr.

Tu foste a melhor coisa que alguma vez me aconteceu, a contar com os anos de humano, e prometo-te que nunca te esquecerei.

Não me quero ir embora, mas não tenho alternativa. É a tua segurança, ou o meu egoísmo.

Por isso vou-me embora. Eu sei que nunca quiseste ter nada a ver com vampiros, por isso prometo-te nunca mais voltar. Os meus irmãos escolheram ficar, mas não te preocupes, eu não me vou aproximar de Great Falls.

Desejo-te a melhor das sortes e que sejas a pessoa mais feliz do mundo.

Com amor,

Derek  »

 

Ao ler aquilo senti-me sufocada. Não sei o que é que devia estar a sentir neste momento, mas sei que o que estou a sentir não é confortável.

Eu tinha-me finalmente decidido. Decidi contar-lhe o que sentia, o quanto gostava dele, e agora… agora perdi-o. Eu fui idiota por ter pensado, por um momento que fosse, que realmente existia um “felizes para sempre”. E se há, não é para mim.

É isto. Isto é o que se ganha por se acreditar em contos de fadas. Isto é o que se ganha ao acreditar-se que belas princesas ficam com os corajosos príncipes. A verdade é que não existem príncipes esbeltos, corajosos, e sobretudo, eternos. Agora, estou feliz por não ter que viver eternamente, estou feliz por viver ao saber que um dia vou morrer e esta dor morrerá comigo.

Depois de tudo isto, depois de ele ter insistido tanto comigo, depois de me ter mostrado que nem tudo é o que parece, depois de me ter provado que criaturas mortíferas e eternas podem na realidade amar uma coisa, apesar de o seu coração não palpitar, acaba tudo. Acaba tudo com uma estúpida carta.

Amarrotei a folha de papel e mandei-a para cima da mesa, levantei-me e comecei a esforçar-me para controlar as lágrimas. Gwen e Gary ficaram ambos a olhar para mim, mas nenhum deles falou.

- Eu tenho que ir – murmurei, com a voz a falhar-me.

Comecei a andar em direcção à entrada da escola e a cada passo que dava aumentava a velocidade.

Entrei para a escola e dirigi-me à casa de banho mais perto. Estava vazia. Entrei para um cubículo e sentei-me em cima do tampo da sanita. Apoiei os cotovelos nas pernas e a cabeça nas mãos, enquanto as lágrimas começaram a escorrer.

Devo ter estado em pleno estado de agonia por quase dez minutos, até que ouvi a porta da casa de banho abrir e forcei-me a soluçar o mais baixo possível.

- Querida, estás aí? – Era Gwen.

- Vai-te embora, por favor – murmurei, fungando.

Ela dirigiu-se ao cubículo onde eu estava, não era difícil adivinhar, era o único que estava com a porta fechada, e começou a bater à porta.

- Sai daí, por favor – pediu-me – Vamos falar, vá lá.

Levantei-me e abri a porta. Ela ficou em pé, a olhar para mim enquanto eu passei por ela e me dirigi aos lavatórios. Pousei as mãos na bancada do lavatório e olhei para o espelho. Já tinha os olhos vermelhos do choro, e ainda não me parecia ter forças para parar, mas não queria continuar a chorar. Não queria que as lágrimas continuassem a escorrer, não aqui, não agora. Forcei-me a parar com as lágrimas e com os soluços e observei Gwen através do espelho. Normalmente nestas alturas ela tem aquelas palavras sábias para dizer, mas agora parecia um bocado acanhada. Passei a cara por água e limpei-a com o papel que lá tinham para limpar as mãos. Meti o papel dentro do caixote do lixo e virei-me para ela, encostando-me à bancada do lavatório.

- Queres falar? – Perguntou, por fim.

- Não…

- Eu li a carta – pois, eu imaginei que sim, senão não ia estar assim.

Baixei a cabeça.

- Então já sabes – murmurei.

Ela ficou calada durante uns momentos e depois inclinou-se para que eu visse a cara dela.

- Sabes, talvez haja uma coisa boa nas histórias de encantar em que tu não acreditas.

- A sério? E o que é?

- Amor acima de tudo. Essas histórias, apesar de básicas, fazem-te sorrir no fim, porque apesar de já saberes que os protagonistas têm que acabar juntos, quando finalmente ficam, sentes-te bem.

- Amor acima de tudo hum? – Surpreendentemente, as palavras dela fazem-me pensar.

Quando li aquela carta senti um vazio enorme dentro de mim. Senti-me como se não houvesse amanhã, como se a vida não me tivesse mais nada a oferecer. Senti-me como se tivesse perdido tudo. Se me senti assim tão mal, o que é que estou aqui a fazer enquanto ele se vai embora? Porque é que não vou atrás dele? Porque é que não dou uma chance àquilo que sinto? Tenho medo de alguma coisa? Sim, acho que sim. Do que é que tenho medo? Não é dos dentes, nem da força, não é dele, é… é do que eu sinto, do que ele me faz sentir. Eu tenho medo de me magoar outra vez. Tenho medo que algo de mau faça com que a minha história feliz acabe, e tenho medo de entrar num grande vazio depois disso.

Lembrei-me de todas as conversas em que Derek disse que eu fugia de qualquer coisa, todas as conversas em que ele disse que eu tinha medo de ser feliz, e apercebi-me que ele estava completamente certo.

- Eu vou matá-lo – murmurei, enquanto sorri. Gwen não ouviu.

Desencostei-me e dirigi-me à saída da casa de banho.

- Onde é que vais? – Perguntou Gwen – Vai tocar daqui a dois minutos!

- Amor acima de tudo! – Respondi-lhe.

Não me interessa se ele é um vampiro, ele é também uma pessoa… talvez não literalmente, mas eu gosto de pensar que sim. Eu amo-o por quem ele é, e não por o que ele é. Eu amo-o porque ele é simpático, faz-me rir e… eu amo-o porque o amo. Eu simplesmente… amo-o.

Como amar um monstro? Simples. Temos que olhar além do que está à vista. Eu tenho lutado, de longe, demasiado. Ele teve-me desde o princípio. Desde o primeiro olhar, o primeiro toque, o primeiro beijo…

Corri pelos corredores da escola como se fosse uma maluca ou tivesse um assassino atrás de mim, até chegar à sala onde Verónica ia ter a aula agora. Ela estava sentada no banco ao lado da porta da sala.

- Como é que estás? – Perguntou-me, assim que eu cheguei ao pé dela – Se precisares de alguma coisa é só dizeres, juro que te ajudo em tudo o que precisares.

- Ele já foi? – Perguntei.

- O quê?

- Quando é que ele vai? Já foi?

- Não, vai hoje.

- Obrigado – dei meia volta e comecei a correr para a saída da escola.

- Mas ele não está em casa! – Gritou ela.

- Eu sei, e sei exactamente onde é que ele está! – Gritei-lhe, sem me voltar para trás.

Onde é que ele está? Ele está no último sítio onde vai cada vez que sai de Great Falls. Está ao pé de um lago escondido no meio do bosque, está num ambiente fabuloso, e está a fazer as despedidas.

Corri pelo pátio da escola e entrei no bosque. Devo ter corrido por quase quinze minutos até que o meu corpo me obrigou a parar. Apoiei as mãos nos joelhos e ao inclinar-me a minha mala caiu-me pelo ombro. Estava exausta, completamente ofegante.

Olhei em volta. Este bosque para todo igual. Senti uma raiva enorme ao pensar que quando encontrasse o lago – por este andar provavelmente quando tiver cinquenta anos – ele já lá não ia estar.

Respirei fundo e tentei lembrar-me da porcaria do caminho, mas como quando lá fui ia ao colo dele, a alta velocidade e em pânico por ter um vampiro atrás de mim, era impossível.

Sentei-me numa pedra grande, encostada a uma árvore, e voltei a olhar em volta. As lágrimas queriam começar a cair de novo, mas eu não as deixei. Não vou permitir que mais nenhuma lágrima caia antes do fim. As lágrimas só vão poder cair quando não houver mais esperança nenhuma. Só podem cair quando eu encontrar o lago e Derek não estiver lá.

Levantei-me, agarrei na mala e comecei a andar em frente. Andei à volta de cinco minutos, num passo apressado, e ouvi um pequeno barulhinho. Apressei-me a passar pelas árvores, enquanto desviava os ramos cheios de folhas e evitava escorregar nas folhas que estavam no chão. Após desviar os dois últimos ramos vi-o. Afinal ainda havia esperança. Derek estava a mandar pedras ao lago. Estava ao lado da ponte, em pé, de frente para o lago e de costas para mim.

Dei vários passos em frente e fitei-o.

- Ei Derek! – Chamei. Ele olhou para mim, parecia transtornado – Tu disseste que contigo estava segura, que não me ias magoar. Mentiste.

- Chloe o que é que… - agora caminhava para mim, mas eu não o deixei acabar a frase.

- Mentiste porque magoaste-me. Magoaste-me quando me deixaste aquela carta – agora lutava com todas as minhas forças para que as lágrimas não começassem a cair – Porque quando eu a li, quando li que te ias embora… - comecei a ficar sem voz, por isso parei e engoli em seco.

Ele aproximou-se mais, pôs a mãos nos meus ombros, e olhou-me directamente nos olhos.

- Pensava que era o que querias. – Limitou-se a dizer.

- Como? Como é que eu ia querer isto?! Tu não percebes, pois não?

- O quê?

- O que eu te estava a tentar dizer no sábado de manhã na tua casa, ou nos telefonemas de domingo. Eu estava a tentar dizer que estou apaixonada por ti.

Ele ficou sem reacção durante uns instantes, mas depois voltou a si. Desviou o olhar do meu e molhou os lábios.

- Mas eu sou um vampiro – murmurou – Como podes amar um monstro? – Agora, pela primeira vez, parecia extremamente perturbado ao pronunciar a palavra “vampiro” e “monstro”. E pela primeira vez pronunciava-a com uma certa azia na voz, como se realmente detestasse o que era.

Pus as mãos na cara dele e obriguei-o a olhar para mim.

- Eu posso amar-te… porque tu não és um monstro.

- Chloe pára. Tu sabes, eu sei. Tu mesma disseste, que raio de futuro é que poderíamos ter? – Soltou-se das minhas mãos e começou a andar em direcção ao lago.

- Não sei – admiti –, mas estou disposta a descobrir.

- Com um vampiro? Eu conheço-te, pensas que vai ficar tudo bem, mas vais ficar desiludida e…

- Pára. Eu estou apaixonada por ti, e tu por mim. Claro que temos o problema da minha mortalidade e tudo o resto mas… eu não quero viver sem ti. Antes de te conhecer falei com a Gwen sobre o conceito de “felizes para sempre”, para ser honesta nunca acreditei. Até agora. Eu quero acreditar que se pode mesmo ser feliz para sempre.

- Mas…

- Eu não me quero transformar… por agora. Eu gosto de ser humana, mas nunca sabemos o dia de amanhã. Talvez em poucos anos, não sei. Por agora gostava de ver onde é que isto nos levava.

- E os teus irmãos? E os perigos que posso trazer para a tua vida? Já pensaste em alguma dessas coisas?

Eu comecei a aproximar-me dele e ele voltou-se para o lago novamente.

- Os meus irmãos adoram-te. A ti e aos teus irmãos. E quanto aos perigos, eles existiam mesmo sem ti. Mesmo que não te conhecesse, ia conhecer aquele traficante vampiro com o sotaque chato e ele ia-me, muito provavelmente, matar. Mas não matou, porque me salvaste. Tal como fizeste há sete anos e na sexta-feira à noite.

- Não devias ter ido, foi perigoso e podias ter morrido. Fazes ideia de como eu ia ficar se morresses?

- Sim. Porque por momentos eu senti isso.

Parei ao lado dele e esperei por uma resposta, mas ele manteve-se imóvel e calado. Contornei-o e pus-me à frente dele.

- Chloe, e se…

- Não quero saber. Eu estou consciente dos perigos, de tudo. Eu quero-te a ti, e ao que tiver que vir contigo. Vá lá, sorri, eu não quero que sejas daqueles vampiros monótonos. Eu quero que gostes de ti.

Ele deixou escapar um pequeno sorrisinho e olhou para mim.

- Eu gosto de mim, ser vampiro é bestial mas… é suficientemente bom para ti?

- É perfeito.

Aproximei-me mais e olhei-o nos olhos. Ele enrolou os seus braços na minha cintura e tudo o que conseguia pensar era que queria que este momento durasse, que o tempo parasse para nunca termos que nos desviar um do outro nunca mais.

- Tens a certeza que é o que queres? Porque… - inclinei-me para a frente e interrompi-o encostando os meus lábios aos dele, beijando-o.

- Tenho – respondi, segundos depois.

Ele sorriu e apertou-me contra si com mais força.

Devemos ter ficado abraçados durante alguns minutos, até que nos sentámos na relva.

- Então vais ficar? – Perguntei. Espero sinceramente que esta pergunta tenha sido desnecessária, porque se não foi acho que me vai dar um chilique.

Ele inclinou-se e mandou-me com água, do lago.

- Vou. Sempre – respondeu, a sorrir. Ao ouvir estas duas palavras tão simples, senti uma das maiores alegrias que alguma vez tinha sentido. Senti que me tinham dado o mundo. E senti que pertencia nele.

Ele levantou-se a aproximou-se da ponte, baixou-se e depois voltou com uma rosa na mão.

- Fico, enquanto fores minha – anunciou, com a rosa na mão, esticada para mim.

Levantei-me e agarrei na rosa, picando o dedo, e deixei cair a rosa em seguida. Olhei para ele com um bocado de culpa na cara, este momento tão perfeito e eu tinha que o arruinar com a porcaria das míseras gotas de sangue da picadela. Mas ele parecia imperturbável, como se nada estivesse a acontecer.

- Desculpa – pedi.

- Não é nada – disse-me, envolvendo-me de novo nos seus braços –, é só um bocadinho de sangue.

- E tu estás bem com isso?

- Desde que não seja em maior quantidade.

Soltámos os dois uma gargalhada e em seguida ele levantou-me o queixo, enquanto o seu outro braço me envolvia pela cintura.

- Eu amo-te – declarou.

- E eu amo-te – disse eu, ao olhá-lo nos olhos.

Puxou-me de novo para ele e beijou-me como nunca antes tinha beijado. Enquanto o sentia junto a mim, nada mais importava. Tudo o que importava era que ele estava comigo e que não ia a lado nenhum.

No final eu tive sempre razão, os contos de fadas não são reais. Não há príncipes encantados. Não há princesas maravilhosas que vivem em palácios. Não há fadas-madrinhas.

Isto é a vida real. Aqui há vampiros. Há um culto de pessoas que se querem transformar em vampiros. Há uma rapariga que anda no liceu, o seu irmão malcomportado e a sua irmã cómica e sabichona, e até a sua melhor amiga romântica.

O que têm em comum? Amor.

A vida pode não ser um conto de fadas, mas é real. E quem sabe, talvez haja mesmo um feliz para sempre.

 

FIM

 

Então, que tal? Correspondeu às expectativas? Espero que sim...

Agora tenho que ir para a escola, ponho o prefácio da continuação mais logo ;)

Beijinhos ^^

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