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SOS Nashville

por Andrusca ღ, em 18.03.11

"Decidi regressar à realidade e vesti roupa interior e a blusa que Liam tinha vestida, fazia-me sentir bem…, e então ao olhar pela janela petrifiquei por completo.

Corri para fora do quarto mas era tarde demais, Liam tinha acabado de abrir a porta e uma pistola estava apontada ao seu peito. Engoli em seco e voltei a meter-me para dentro do quarto. O que é que ia fazer agora? Isto era tudo culpa minha!"

 

Parte 6


Vesti umas leggins pretas que estavam em cima de uma pequena cadeira ao lado do roupeiro, e enfiei uns botins brancos e cinzentos nos pés, enquanto ouvia o barulho fora do quarto. Encostei-me à porta.

- Onde está a rapariga? – Ouvia.

- Que rapariga? – Perguntava Liam. Se ele morresse por minha causa… senti as lágrimas à beira de caírem só de pensar nisto. Não, ele não ia morrer, eu não ia deixar.

Apressei-me até à janela e abri-a. A beleza de casas térreas é que têm saídas em todo o lado.

Corri até ao celeiro e agarrei no telemóvel que Joseph sempre lá deixava, ligando em seguida para o número do agente que me mandara para aqui, que tinha memorizado logo no primeiro dia. Assim que atendeu eu disse apenas “SOS”, tal como ele me tinha mandado dizer caso houvesse algum problema, e desliguei. Porém sabia que tinha que fazer alguma coisa, o FBI não ia chegar a tempo.

- Ele não pode morrer por minha causa, tenho que fazer alguma coisa – repetia, enquanto andava para trás e para a frente no celeiro. Todos os minutos importavam. Talvez se me entregasse a eles, deixassem Liam. Não, é claro que não, mas eu estou estúpida?! A partir de agora ele também é uma testemunha, nunca o vai deixar em paz!

“Ok, pensa, pensa”, exigia-me, enquanto sentia o pânico apoderar-se de mim, fazendo-me tremer por todos os lados.

Sentei-me num balde de madeira que estava pousado no chão, ao contrário, e uma galinha cacarejou. Aí, finalmente, tive uma ideia. Se Liam me ensinou alguma coisa nestes meses, foi que as galinhas nunca estão saciadas. Comem sempre mais e mais.

Não era a melhor das ideias, mas era a que tinha, e a que ia usar.

Fui até ao barracão mesmo ao lado de celeiro com cuidado para não ser vista e de lá tirei um saco enorme, cheio de milho. Voltei para o celeiro e o porco acompanhou-me, quase sempre encostado a mim. Olhei para ele… se fosse um cão era melhor, mas isto também servia.

Peguei num dos velhos e pequenos baldes de plástico e enchi-o de milho, agarrei na asa e verifiquei se o porco seria de suportar o peso. Sim, acho que sim.

Aproximei-me da Star e fiz-lhe uma festinha, à qual ela se desviou logo.

- Eu sei que não gostas de estranhos, mas és a única égua para a qual eu consigo subir Star… vá lá, colabora comigo, temos que salvar o teu dono.

Até posso estar a ficar maluca, mas juro que ela se aproximou de mim e encostou a cabeça à minha mão. Terão sido as minhas palavras? Não sei…

Subi para ela e agarrei no saco do milho que tinha posto em cima de uma bancada, e enquanto ela andava em direcção ao quintal eu ia deixando um fino rasto de milho atrás de nossos, atraindo assim as galinhas.

Desci da Star e pus a mangueira perto da porta das traseiras, para o caso se eles saírem por lá, visto que eram dois.

Baixei-me e andei de gatas até passar pelas janelas, e até de cá de fora conseguia ouvir os gritos dos homens, a perguntarem por mim. E Liam nunca lhes dizia nada. Senti-me mal por isso, se ele levasse um tiro por minha causa…

Corri até Star e parei-a mesmo ao lado da porta de entrada, que abria para fora, e pus-me em pé em cima da égua, com muito mau jeito e desequilíbrio, com o saco de milho na mão. Esperei até ver as galinhas ao longe e bati à porta.

Passos pesados ecoaram pela casa agora completamente em silêncio, as galinhas estavam a poucos metros de nós, se fossem apressadas chegavam em questões de segundos. A porta abriu-se para o meu lado e ainda bem que calculei bem o espaço e ela não me tocou. Eu em cima de Star ficava mais alta que ela, por isso apoiei o saco nela e despejei o milho inteirinho para cima do homem, que olhou para mim.

Era o mesmo daquela tarde, e ao olhar de novo para ele um calafrio percorreu-me a espinha por completo.

- Tu! – Gritou-me, cheio de raiva. Porém antes que pudesse fazer alguma coisa já tinha galinhas pegadas a ele como se fossem imãs. Liam tinha razão, eles tinham sempre fome…

Não esperei até que ele estivesse finalmente livre, voltei a sentar-me na Star, quase caindo para o lado, e ela começou a correr até às traseiras da casa, por onde entrei muito lentamente. Liam estava sentado no sofá, muito quieto, mas para minha surpresa, sozinho.

Aproximei-me dele e instantaneamente ouvi um grito vindo da sua boca:

- Cuidado! – Dizia-me.

Olhei para o lado e lá estava o outro homem, com a pistola agora voltada para mim.

Engoli em seco, eu sabia do que eles eram capazes de fazer.

Comecei a ouvir passos muito pequenos mas muito rápidos vindos de trás de mim e mal vi o que aconteceu, num segundo um tiro foi disparado para o tecto e no outro o homem estava no chão com o porco a lamber-lhe a cara. Ok, pode ser nojento, mas eu amo este porco!

Agarrei na arma dele, enquanto se tentava soltar do porco que não o deixava por nada, e corri até Liam, desapertando-lhe as cordas que tinha nas mãos.

- Anda – disse-lhe, puxando-o pelas mãos.

Assim que saímos da sala ouvi um tombo e ao olhar para trás vi que o homem vinha atrás de nós.

Saíamos pela porta das traseiras e dirigi-me logo à torneira da mangueira, e assim que vi o homem pôr os dois pés fora de casa, ficando por baixo dela, liguei-a, fazendo com que começasse a dançar de roda do homem e de encontra e ele, que ficava completamente à nora enquanto levava com ela vezes e vezes sem conta.

Corremos para o celeiro com Star atrás de nós, e fechámos a porta.

- Eu peço tantas, tantas, tantas desculpa – disse-lhe, com as lágrimas a quererem sair – Eu só… só queria ouvir a voz dos meus pais, nunca pensei que me pudessem mesmo encontrar por um telefonema… peço tantas desculpas Liam!

Ao contrário do raspanete que julgava que ia ouvir, Liam abraçou-me e fez-me festas no cabelo.

- Vai correr tudo bem – disse-me – Obrigado por não me teres deixado.

- Eu nunca ia deixar que eles te magoassem, nem que para isso me entregasse ou fizesse outra coisa qualquer.

Começámos a ouvir bater na porta, e vários encontrões, e ela não tardaria a ceder. Estávamos completamente perdidos.

Até que houve uma grande confusão, alguns tiros disparados, e depois um total silêncio.

- Abram, FBI! – Ouvimos, quando bateram à porta já com mais calma. Eu conhecia esta voz, era o agente que me tinha trazido para aqui.

Respirei de alívio e ambos nos dirigimos à porta, para a abrir. Estava finalmente acabado, o FBI chegara e os criminosos estavam a ser metidos num carro, e um aparentava estar ferido, num braço. Provavelmente uma bala de raspão.

Ao longe vi uma bola cor-de-rosa correr para mim, e quando chegou mandou-me ao chão e começou a lamber-me a cara. Já nem me importei, abracei o porco até, tinha sido ele a salvar-me a mim e a Liam.

Quando ele finalmente me largou, levantei-me e após o agente me dizer algumas coisas voltei para dentro de casa com Liam.

Sentámo-nos no sofá, ainda meio atordoados. Olhei para Liam e ele para mim, ambos sabíamos que agora não tardaria a desaparecer de Nashville.

 

Que tal? A última posto amanhã

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