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Together as One

por Andrusca ღ, em 20.03.11

Capítulo 4

Convidado

 

Ellie


Finalmente o primeiro dia tinha acabado.

Não vou dizer que não foi um choque para mim, pois seria totalmente mentira. A verdade é que mudar-me para uma escola pública foi um choque completo, repleto de novas emoções e descobrimentos. Alguns até a mais.

Arrepiei-me com uma pequena brisa e apressei o passo até casa.

Por alguma razão, Danny e o beijo de hoje não me saía da cabeça. Mas que atrasado mental, que direitos é que acha que tem para se chegar assim ao pé de alguém e espetar-lhe com um beijo?

Senti as minhas bochechas a começar a ferver, óptimo, agora até com míseros pensamentos fico corada.

Tudo bem, não vou dizer que não gostei do beijo, apenas não gostei da postura que tomou. Viu-se perfeitamente que foi só para me irritar, e eu detesto pessoas assim.

Entrei em casa e fechei a porta, dirigindo-me logo para a sala onde pousei a mala no sofá e dei um beijo à minha mãe.

- Então querida, como correu o primeiro dia de aulas? – Perguntou-me. Notava-se que tinha esperança que tivesse corrido terrivelmente e que lhe fosse implorar para me deixar voltar para a escola de freiras. Bem pode continuar à espera.

- Óptimo – respondi-lhe – Conheci montes de gente, o director é simpático, e a escola é linda.

- Hum… - fez apenas este som, e reatou com o que estava a fazer antes, ler uma revista “cor-de-rosa”.

A minha mãe não tinha emprego nenhum, era uma daquelas mulheres que passam o dia todo, ou em casa, ou às compras.

- O pai já chegou? – Perguntei, cortando o silêncio.

Ela não respondeu, limitou-se a mergulhar ainda mais na sua perfeita revista de fofocas. Esta é uma das coisas que detesto que a minha mãe faça, ela consegue abstrair-se de tudo na perfeição, mete raiva. Só não se sabe abstrair quando é para me controlar…

Vi Jules passar para as escadas e sem dizer mais nada à minha mãe, apressei o meu passo até ela.

- Jules – chamei. Ela virou-se para mim, com a cesta onde tinha a roupa já perfeitamente engomada – Sabes se o meu pai vem tarde?

- Deve chegar às horas de jantar menina – disse-me ela.

- Ok, obrigada.

Subimos ambas as escadas e enquanto ela foi arrumar a roupa no quarto dos meus pais, eu enfiei-me no meu a ouvir música e a adicionar os mails dos meus novos amigos no computador.

Entretanto Kath, uma amiga minha do colégio de freiras, meteu conversa.

 

Kath (a) diz:

Então? Pronta para voltar? Diz lá que não sentiste saudades (a)

^Ellie^ diz:

Olá Kath! Por acaso… não xD

Kath (a) diz:

Que má! Então e conheceste alguém interessante?

^Ellie^ diz:

Não, não conheci RAPAZ nenhum interessante. São todos uns atrasados mentais.

 

Sabia que a conversa estava instalada para durar, por isso comecei a organizar os pensamentos para lhe descrever todo o meu dia, antes de começarmos a falar sobre o seu.

 

Danny


- Meu, ‘bora para a minha casa? – Perguntou o Michael.

- Os teus cotas não se importam? – Não que me importasse, mas fica sempre bem perguntar.

- Népia, é na boa.

- ‘Tass.

Fomos no seu carro para a sua casa. Apesar de sermos melhores amigos há dois anos, poucas vezes pisei este chão, e menos ainda falei com os seus pais, apesar de os achar simpáticos.

A sua mãe está sempre em casa, o que já só por si, é um ponto a seu favor.

Sei que ele tem uma irmã, mas a pobre coitada anda num colégio de freiras… nem quero imaginar como deve ser, deve ser daquelas miúdas sem sal, todas certinhas. Também, mesmo que fosse toda boa, nós temos um código: irmãs dos amigos não são para nós. E isto porque… nós sabemos bem o que é que acaba sempre por acontecer.

Passámos pela sala e cumprimentámos a mãe dele, e subimos logo para o seu quarto. No corredor, ainda antes de entrar no seu quarto, ouvia-se música. Estranho, é a primeira vez.

Após entrarmos, ele fechou a porta e pôs-se no computador enquanto eu me sentei na sua cama e comecei a passar a sua bola de rugby de mão para mão.

- Então meu, como é? Alinhas na cena do Boogy? – Perguntei.

- Claro, como não? – Ambos nos rimos. Só nós sabíamos o quanto precisávamos de adrenalina.

Ele foi pesquisar umas cenas e eu lá me entretive com a bola, enquanto íamos trocando dois dedos de conversa.

 

Ellie


Quando finalmente acabei de falar com Kath e desci as escadas, o meu pai já estava de volta, e a preparar-se para ocupar o seu lugar ao lado da minha mãe, na mesa da sala de jantar.

- Querida, o teu irmão está com um amigo – anunciou a minha mãe – Podes ir lá perguntar se também quer jantar cá connosco?

- Claro.

Voltei a subir as escadas e bati à porta do quarto do meu irmão, esperando que me dissesse que podia avançar, o que ele fez breves momentos depois.

- Oi, era só para saber se o… teu… amigo… - as minhas palavras começaram a perder a intensidade do começo mal pousei os olhos na figura que repousava na cama do meu irmão. Tanta gente no mundo, e o meu irmão tinha logo que trazer este cá para casa – Demora muito – disse, por fim – Está na hora de jantar.

- Tu és a irmã dele? – Perguntou-me Danny, surpreso.

- Bem, certamente que não sou a mãe – discuti.

- Vocês já se conhecem? – Michael estava completamente à nora.

- Infelizmente – murmurei.

- Bem, Ellie, este é o meu melhor amigo, o Danny – o meu irmão sorriu no fim da frase, mas o que mais me apeteceu fazer foi fugir. Melhor amigo?! Oh deus, detesto tanto a minha vida, porque isso significa que vou ter que levar com ele.

- Pois… tanto faz, olha Danny – fiz questão de pronunciar o seu nome com desagrado – está na hora de te ires embora.

- Ei, tem lá calma – disse Michael – Ele pode jantar cá.

Óptimo, perfeito! Tudo o que precisava para me arruinar ainda mais o dia.

- Claro – pus um sorriso falso – Porque é que eu não tinha pensado nisso?

- Óptimo! – Sorriu Danny, a esfregar as mãos.

Soprei de frustração. O meu belo jantar na paz dos deuses acabara de se tornar num dos meus piores pesadelos.

 

Como será que este jantar vai correr?

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