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Together as One

por Andrusca ღ, em 20.03.11

Capítulo 5

O Jantar

 

Danny


Quando descobri que aquela rapariga era a irmã do meu melhor amigo senti duas coisas diferentes e ambas difíceis de explicar: senti-me mal por a ter beijado, afinal um dos acordos que tenho com Michael e alguns dos outros rapazes é nunca nos atirarmos às irmãs dos outros; e depois senti-me desiludido por não o poder fazer de novo.

Porquê?

Mas mesmo assim não conseguia deixar de sentir um certo gozo em poder vê-la assim toda atrapalhada. Era hilariante. E claro que fiquei para jantar.

Descemos os três, os pais deles já estavam à mesa e a empregada veio trazer a comida, que estava melhor que deliciosa por sinal.

- Então querida, gosta da sua nova escola? – Perguntou o pai de Ellie para ela. Às vezes gostava de também receber este tipo de perguntas vindas dos meus pais…

Em resposta ela apenas assentiu com a cabeça. Nem sabe a sorte que tem.

- E conheceu alguém interessante? – Perguntou ele. Notava-se que estava a tentar estabelecer uma conversa.

- Umas quantas pessoas – e via-se ao longe que ela não estava interessada.

 

Ellie


Nem sei porque é que se dão ao trabalho de desenharem esta família perfeita que janta pacificamente e comunica às mil maravilhas quando todos nesta casa sabemos que é precisamente ao contrário. Eles não se importam. Nunca se importaram em mais nada sem ser estar no controlo.

E para piorar tudo ainda tenho o atrasado de Danny à minha frente. Era só o que me faltava.

- Então e você Daniel – começou a minha mãe. Ui, devia vir daqui coisa boa –, que perspectivas tem para este novo ano?

Perspectivas? Ele? Ahah, deixem-me rir. As maiores que pode ter deve ser engatar o maior número de raparigas possível, aproveitar a vida, apanhar bebedeiras e lixar-se nos estudos.

- Bem eu… para ser honesto Sra. Davies, ainda não pensei muito nisso – não pude evitar que um sorriso me aparecesse nos lábios. Não podia haver resposta mais óbvia. O problema foi que ele reparou – O que foi Ellie?

- Para ti é Eleanor – disse, secamente. Que raio de confianças eram estas?

- Eleanor! – Repreendeu o meu pai. Fantástico, agora a má sou eu. Já estou a odiar este jantar.

- Não faz mal Sr. Davies, receio que sejam efeitos das companhias – se tivesse um buraco aqui ao pé, enfiava-o para lá. Mas que lata!

Ouvi os talheres do meu pai caírem no prato e fechei os olhos a pensar no sermão que ia levar e em como não iam acreditar em mim.

- Do que é que estás a falar meu? – Perguntou Michael. “Isso mano, vê lá se metes o teu animal de estimação no lugar em que pertence”, pensei.

- Nada, só acho que a mudança que a tua irmã fez foi enorme. De um colégio de freiras para a nossa escola, quer dizer…

E de um momento para o outro todos falavam sobre mim como se eu não estivesse aqui sentada mesmo ao pé deles. Os meus pais discutiam em como tinha sido uma má ideia mudarem-me de escola enquanto que Michael e Danny também discutiam a minha vida, porém de outras maneiras, o meu irmão contava-lhe agora coisas da nossa infância. Como se eu quisesse que esta aberração soubesse alguma coisa sobre mim.

- Já chega! – Gritei, levantando-me – Parem todos, ok?! Já chega. Parem de fingir-se de preocupados quando todos sabemos que não estão. Simplesmente parem! E tu Michael, tu não tens o direito de lhe contar nada da minha vida, percebeste?! E quanto a ti aberração, para a tua boa saúde é bom que não repitas a piada deste jantar, percebido?!

- Eleanor Davies! – Gritou a minha mãe – Que maneiras são essas?!

- Estou farta – murmurei.

- Estás de castigo. Vai para o teu quarto – mandou o meu pai, com aquela voz autoritária que tanto amava usar.

- Com prazer – sussurrei, deitando um último olhar de raiva a Danny.

Subi para o quarto, bati com a porta e mandei-me para cima da cama. O ano não podia começar de pior maneira.

 

Danny


Quando ela berrou finalmente percebi o que tinha começado. Tinha sido apenas um comentário, nunca pensei que os pais dela e Michael o levassem a sério, era uma brincadeira, mas a verdade é que levaram e bastante até.

Ela subiu para o quarto de castigo e tenho que admitir que não fiquei muito bem, afinal tinha sido culpa minha.

- Foi só uma coisa parva – disse, em voz alta – Estava a brincar com ela. Não a vi com más companhias nenhumas.

- Meu… tu és o meu melhor amigo, tinha assim umas esperanças que até te desses bem com ela, né? – Disse-me Michael, enquanto os pais dele abanavam a cabeça. “Boa Danny, mais uma asneira para a lista”, pensei.

- Eu vou falar com ela – disse, um bocado forçado, visto que era o que todos queriam que eu fizesse. Ninguém o disse, mas era um bocado para o óbvio – Com licença.

Saí da mesa e dirigi-me ao andar de cima. À primeira porta à qual bati não obtive resposta, nem à segunda. Passei directamente pela que dava ao quarto de Michael e bati na que se encontrava em frente à sua.

- O que foi? – Ouvi, num tom aborrecido que estranhamente me fez sorrir.

Abri e porta e entrei, ela estava em cima da cama a olhar para a porta, e assim que viu que fui eu a entrar revirou os olhos e voltou a dirigir a sua atenção para a revista que lia.

- O que é que queres? – Perguntou, mal-humorada – Não achas que já fizeste asneira suficiente para uma maldita noite?

- Eu disse-lhes que estava a brincar – respondi-lhe, especado à porta, ainda com esta entreaberta. A verdade era que não sabia se a devia fechar e aproximar-me dela, ou ir-me já embora, visto que não parecia interessada em nada que eu pudesse dizer. Por isso optei por ficar quieto até obter qualquer sinal de que me tinha ouvido, o que tardou um pouco a chegar.

- Não fizeste mais do que devias – ainda o tom azedo.

Aí sim fechei a porta e aproximei-me dela, contornando a cama e pondo-me de cócoras para que me pudesse ver.

- Tu não perdoas mesmo nada, pois não? – Perguntei, ao lançar o meu sorriso completamente encantador.

- Não – respondeu, sem mostrar um índice de um sorriso. O meu sorriso encantador e sedutor nunca me tinha falhado…

- Ouve, eu sei porque é que isto é… é por causa do beijo. Também já pedi desculpa por isso.

- Danny… não tens mais nada para fazer?

- A verdade é que… é assim que eu sou – encolhi os ombros –, gosto de implicar com as miúdas novas.

- Gostas de as tentar levar para a cama, é o que é – esta surpreendeu-me. Tudo bem, não era mentira, só não esperava ouvi-la vinda dela. Parecia demasiado educada para tal coisa.

- Pensava que não podias ter pensamentos desses no colégio de freiras – disse-lhe. Mais uma tentativa falhada de a fazer rir. – Olha, tu és a irmã do meu melhor amigo e…

- Ainda nem acredito que tu és o melhor amigo do meu irmão – murmurou, com desagrado. Agora sim, tinha-me magoado.

- Que queres dizer com isso?! Sinceramente, tu nem me conheces!

- Oh, eu conheço-te! – Finalmente largou a porcaria da revista e pôs-se de joelhos em cima da cama, fazendo-me levantar-me para ficarmos mais ou menos do mesmo tamanho. Só agora tinha percebido que a sua cama era alta – Conheço muito bem a tua laia.

- Bem, caso ainda não tenhas percebido, vamo-nos ver muitas vezes, e só porque agora passas mais tempo em casa e não ao pé das freiras a dizer ave-marias não quer dizer que eu não venha para cá de igual maneira. Por isso podíamos ao menos fingir que gostamos minimamente um do outro.

- Desde que não me dirijas a palavra, não vejo problemas – respondeu.

- Óptimo – e encolhi os ombros –, ainda bem que está tudo esclarecido. Só para acabar, nem sei como é que o Michael ainda me falava bem de ti.

Saí e fechei de novo a porta, deixando-a de novo a ler a sua revista. Estava quase a hora de ir ter com o Boogy.

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