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Together as One

por Andrusca ღ, em 24.03.11

Capítulo 9

Controlo de Danos

 

Ellie


Acordei com o toque do meu telemóvel e senti que havia um terramoto na minha cabeça. Estaria com uma enxaqueca? “Não estúpida, estás de ressaca”, disse-me a minha simples voz interior, que aparentemente não existia quando bebi na festa.

- Oh deus… - estremeci.

Abri os olhos lentamente por causa da claridade que vinha dos estores mal fechados, e muito lenta agarrei na minha mala que estava ao meu lado e tirei de lá o telemóvel. Nem vi quem me estava a ligar, limitei-me a atender.

- O que foi? – Perguntei, com uma voz que diz “estou a morrer, deixem-me em paz”.

- “Ei… alguém está rabugenta hoje” – ouvi. Esperem lá… eu conheço esta voz.

- Como é que arranjaste o meu número? – Perguntei, levantando rapidamente, porém depressa caí de novo, tinha sido como ser atingida por um frigorífico na testa. Um grande e pesado frigorífico.

- “Tu deste-me ontem, lembras-te?”

- Não… Danny fala depressa.

- “Ressaca, hã? Se calhar alguém devia ter bebido menos.”

- Vais só gozar comigo, ou vais dizer alguma coisa de jeito?!

- “Só queria saber se estavas viva” – subitamente vários flashbacks assaltaram-me a mente, e num deles eu beijava Danny.

- Eu beijei-te ontem, não foi? – É oficial, nunca mais vou beber nada com álcool. Nunca!

Ele riu-se.

- “Sim”.

- Contaste ao meu irmão?

- “O quê?! Não! Nem vais tu contar, certo?”

- Não, definitivamente. De qualquer maneira, eu estava mesmo bêbeda, por isso desculpa.

- “Sem problemas”

- Ok, tenho que ir. Tenho que… acabar de… morrer.

De novo ele riu-se.

- “Ok, vai lá”.

- Mas só para saberes, ainda te odeio.

- “O sentimento é recíproco, minha cara”

- Adeus.

Desliguei e como tinha afirmado antes, limitei-me a ficar deitada enquanto sentia que a terceira guerra mundial se passava dentro da minha cabeça.

- Bom dia alegria! – Gritou Michael, a entrar pelo meu quarto antes de desatar a levantar os estores.

- Deus, Michael! – Reclamei, pondo a almofada por cima da cabeça, visto que tinha dormido completamente destapada e ainda com a roupa da festa e os sapatos.

- Então, dói-te a cabeça? – Perguntou, ainda aos gritos.

- Pára! – Gritei, porém ainda fez pior. A dor parecia ainda pior quando os gritos provinham de mim. – Odeio ressacas!

- Aposto que sim. Toma – mandou um comprimido para cima da cama e pegou no copo de água que estava na minha mesa-de-cabeceira – A mãe e o pai estão quase a ir tomar o pequeno-almoço, talvez devesses tomar isso e um duche frio. Não vamos querer que eles descubram que a filhinha perfeita lhes desobedeceu.

Neste momento sim, percebi realmente o que se tinha passado.

- Seu idiota! Mentiste-me! Disseste-me que eles me tinham deixado ir mas nunca lhes pediste, pois não?!

- Lamento – ele riu-se. – Vá lá, isso vai ajudar com a ressaca, é o que eu tomo.

Passou-me o copo para as mãos e tomei o comprimido.

- Agora vai, toma o banho, veste algo mais… tu, e vem tomar o pequeno-almoço.

Dito isto, saiu pela porta com a mesma rapidez com a qual entrara. Levantei-me e aos ziguezagues fui caminhando para a casa de banho, onde tomei um longo duche de água morna.

Quando retornei ao quarto sentia-me ligeiramente melhor, mas estava-se mesmo a ver que este dia ia ser dos mais longos da minha vida.

 

Danny


Depois de todos se irem embora subi para o quarto, despi-me e pus-me debaixo dos lençóis apenas de boxers, estava calor. Custou-me a adormecer, apesar de já serem quase seis da manhã.

O beijo que Ellie me dera não me saía da cabeça por nada. Sei que estava bêbeda, sei que se estivesse sóbria nunca pensaria em beijar-me, mas também sei que foi, de longe, o melhor beijo de toda a minha vida. E já dei muitos mesmo.

Remexi-me nos lençóis e fiquei de barriga para cima, a olhar para as sombras estranhas que se formavam no tecto causadas pela claridade que provinha dos estores meio fechados.

Apenas um pensamento me vinha à cabeça: “Eu tenho que a beijar de novo”.

Mas depois a minha consciência atacava e dizia “Ela é irmã do teu melhor amigo meu, qual é o teu problema?!”, e fiquei assim tempos e tempos, e assim adormeci a pensar nela.

Quando acordei passava pouco mais das nove horas, e não resisti a telefonar-lhe – ela tinha-me dado o número ontem, enquanto esperávamos que Michael chegasse.

Atendeu com uma voz rabugenta, devia estar de ressaca. Gozei um bocado e depois falámos sobre Michael. Era óbvio que era do interesse dos dois que ele não soubesse.

Quando desliguei fui até à cozinha e passei pelos empregados contratados para limpar a casa agora depois da festa, que já estavam a trabalhar bem.

Alice já tinha o meu pequeno-almoço na mesa: duas tostas mistas e um copo de sumo de laranja. Ao lado, num pequeno guardanapo, estava um comprimido.

- Sabes tão bem tomar conta de mim – disse-lhe, chegando por trás e dando-lhe um beijo na bochecha.

- Alguém está de bom humor hoje… considerando as horas em que a festa acabou, sim porque não pense que eu não ouvia a algazarra, o menino hoje devia estar a cair de sono.

Sempre que eu dava estas festas Alice fechava-se no quarto. Ela detestava isto.

- Bem… estou – sorri –, e sim, dói-me um pouco a cabeça… mas acordei de bom humor, que se há-de fazer?

Ela olhou para mim desconfiada, eu nunca acordo de bom humor.

Tomei o meu pequeno-almoço, e o comprimido para a ressaca logo a seguir e depois fui para o meu jogar um bocado no computador.

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