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Together as One

por Andrusca ღ, em 25.03.11

Capítulo 11

Encontro Obrigatório * Parte 2

 

Danny


Levei-a até um café e enquanto ela pediu um sumo de laranja eu pedi uma Coca-Cola. Estava a ficar um silêncio horrível, cada vez mais achava que esta ideia tinha sido das mais estúpidas de sempre.

- Então, é isso que vestes num encontro? – Perguntei, a tentar aliviar o ambiente. A verdade é que ela estava mais produzida que o normal, ainda que não estivesse toda embonecada.

- Não… é isso que isto é? Um encontro? – Notei na sua voz que perguntava um pouco a medo.

- Claro que não, é como eu disse, só quero conhecer a irmã do meu mano.

- Isso meio que me faz tua irmã – ambos rimos com a sua afirmação, realmente nós irmãos era ridículo. – O que é que queres saber?

Era uma boa pergunta. Afinal o que é que eu queria saber?

- Estás a dizer que posso perguntar qualquer coisa? E tu respondes?

- Duvido que seja mais divertido passar a tarde a olhar para a tua cara sem dizer nada…

- Touché. Então… - parei por uns segundos para pensar – porque é que mudaste de escola?

- Estava um bocado farta do colégio, era… demasiado fechado. Agora eu posso fazer uma pergunta – sorriu, era um sorriso vitorioso.

- Eu sabia que havia aí qualquer coisa. Pergunta.

- Porque é que és assim?

- Assim?

- Sim… todo… mau?

- Então achas que sou mau?

- Não, não é mau, é… malcomportado e isso. Quer dizer… tu tens tudo.

Encolhi os ombros, realmente não era uma pergunta à qual soubesse responder.

- Não sei – acabei por dizer – Acho que me habituei a ser assim. Ao princípio era apenas para ter atenção dos meus pais mas agora… gosto de fazer as coisas à minha maneira, sentir que posso fazê-las, percebes?

- Estranhamente… percebo. É a tua vez.

- Qual foi a tua primeira opinião sobre mim?

- A primeira de todas?

- Yap.

- Este tipo devia abrir os olhos – ela corou ao dizer isto, e eu sorri. Eu tinha pensado praticamente o mesmo, quando embatemos um no outro.

- E a segunda?

- Não, não, não. É a minha vez. – Revirei os olhos e esperei – O que raio te passou pela cabeça para me beijares? – Ela tinha ficado com aquilo na cabeça, afinal não era o único que gostava de trocar beijos com ela.

- Foi do género “esta já se cruzou comigo três vezes, e até é jeitosa, mal não faz”. Claro que se soubesse que és quem és nunca o teria feito… por isso desculpa. E agora vá, qual foi a tua segunda opinião sobre mim?   

- Foi “Mas este não é o de há bocado?! Ai que atrasado mental”, ou algo assim. – Ela riu-se no fim, e eu também. Era exactamente o que eu pensava que ela tinha pensado. Porém o meu sorriso cessou mal vi quem acabara de entrar.

- Raios! – Murmurei, fazendo-a olhar para mim. Apontei para a porta e ela também o viu. Ambos nos baixámos praticamente ao mesmo tempo, a sorte foi que Michael ainda não nos tinha visto.

- Temos que sair daqui – disse ela.

- Anda lá.

Fomos rastejando até à porta e antes de sairmos pus uma nota em cima do balcão para as bebidas. Corremos até à minha mota e desatei a acelerar.

Não sei o porquê desta nossa reacção, não estávamos a fazer nada de secreto ou de proibido, mas se Michael nos tivesse visto ia logo começar com conversas e o que eu menos queria agora era alguém a dar-me na cabeça por ter saído com a sua irmã.

Acabámos os dois no parque, sentados cada um num baloiço, que estavam numa caixa de areia.

 

Ellie


Suspirei, nunca mais chegava a hora de acabar isto. Mas pelo menos não estava a ser tão mau como pensei que fosse ser…

- Sabes… às vezes tenho inveja do Michael… e de ti – Danny sorriu ao dizer isto. Inveja de mim? Porque motivos é que ele haveria de ter inveja de mim?

- Tens a certeza que não estás doente? – Perguntei, na brincadeira.

- Tenho. É verdade.

- Porquê?

- Porque vocês têm pessoas na vossa vida que se importam – encolheu os ombros – A única pessoa que se preocupa comigo é a Alice, e é paga para isso.

- Vá lá, tenho a certeza que isso não é verdade.

- A sério? Tu tens uns pais que todas as noites se sentam contigo à mesa e te perguntam como o dia correu. Que te podem levar onde queres. Que te compram coisas e que se importam o suficiente para estarem presentes. Os meus passam a vida aqui e ali, se me virem duas vezes a cada cinco meses já é sorte.

Não sabia o que dizer. Claro que não achava bem o que os pais dele faziam, acho isso uma tremenda irresponsabilidade perante o filho, porém os meus pais também estão longe de ser perfeitos.

- Lamento – disse-lhe –, mas se te fizer sentir melhor, o Michael é quem se sai melhor nisto tudo. Ele não é controlado, não é nele que estão todas as esperanças e sonhos impostos… não é ele que tem que se sacrificar. Ele limita-se a ser… ele. Eu também invejo isso.

Ele sorriu e o seu olhar cruzou o meu ao mesmo tempo que olhei para ele.

- Aparentemente ser a filha perfeita custa – disse.

- Eu não sou perfeita – detestava quando diziam tal coisa – Estou longe disso.

- Mas parece que és… - olhei para ele confusa, ainda estávamos no mesmo tópico? Ele percebeu a minha confusão – Pelo menos os teus pais parecem achar que sim. – Disse, atrapalhado.

- Eles não me conhecem – agora foi a sua vez de ficar confuso perante a minha afirmação, por isso achei melhor clarificá-la – Eles conhecem a Ellie, a rapariga que raramente se queixa, que estuda e se esforça para tirar boas notas, que vai ser advogada e nunca os envergonha. Mas eles não conhecem a Ellie, a rapariga que gostava de passar os dias inteiros a ouvir música, que se quer tornar pediatra, que acha injusto que passem todos os seus sonhos para ela, que às vezes só lhe apetece gritar e desaparecer… eles só conhecem um terço de mim, porque se me conhecessem completamente não diriam que sou perfeita. Ninguém é.

- Já tentaste dizer-lhes isso? – Ele tinha ouvido tudo com a maior das atenções, e até parecia interessado e preocupado no assunto. Será que o julguei mal e até se consegue ter uma conversa de jeito com ele?

- Eles não iam ouvir – não sei bem porque lhe estava a contar tudo isto, mas estava-me a saber bem, e também, a quem é que ele ia contar? Ao Michael? Não me parece – Eles estão demasiado presos nos seus mundinhos.

- Então e tu? É suposto desistires dos teus sonhos em prol dos deles? Como é que isso é justo?

- Não é…

Ficámos na conversa por mais algum tempo, e por incrível que fosse até nos conseguimos rir e passar a tarde sem nos insultarmos mutuamente. Foi uma boa tarde, para meu grande espanto.

Eram seis e meia quando ele me levou a casa, e eu já nem medo de andar de mota tinha.

Quando estacionou, ao pé da minha casa, saímos os dois da mota e ele acompanhou-me até à porta.

- Eu diverti-me hoje – disse-me.

Respondi-lhe com um sorriso.

- Também eu.

- Acho que pedir um beijo era demais, não? – Apareceu-lhe aquele sorriso gozão na cara.

- Tinhas que arruinar tudo – disse-lhe, também no gozo.

- Olha quem são eles! – Petrifiquei ao ouvir a voz do meu irmão a vir da nossa lateral, e olhei para ele estática – Então meu, por aqui? – Cumprimentou Danny com um daqueles apertos de mãos todos manhosos que eles lá têm.

- Sim, eu… - Danny olhou para mim, não sabia o que havia de dizer.

- Eu tive que fazer um trabalho de grupo e vinha para casa quando nos encontrámos, e ele ofereceu-se para me trazer – expliquei, a Michael.

- Ah, táss.

Ele começou a dirigir-se para casa e depois virou-se para mim.

- Então, não vens? – Perguntou.

- Claro – respondi – Bem… obrigada pela boleia Danny.

- Não tens que agradecer.

Entrei em casa com o meu irmão e fui directa ao quarto tirar o risco preto dos olhos, senão dava uma coisa má à minha mãe quando me visse. Senti o telemóvel a tremer no bolso e vi que era uma mensagem.

“Aposto que também não conhecem o teu lado de mentirosa xD”, era de Danny. Apressei-me a responder: “Não o uso muitas vezes :p”.

Acabámos por ficar a trocar mensagens até quase à meia-noite, o que me surpreendeu bastante.

 

Danny


Era quase meia-noite quando ela disse que tinha que ir dormir, e para muita pena minha tive que me despedir.

Mais uma vez dei por mim deitado na cama de barriga para cima, a pensar única e exclusivamente nela. E surpreendentemente, em todo o tempo que estive com ela, não senti aquela enorme necessidade de a beijar. A vontade estava lá, mas era mais fácil de controlar quando me concentrava nela e no que fazia.

Senti-me bem ao pé dela, livre… e não livre como quando roubava, era um livre diferente, um livre melhor… só gostava que ela tivesse a coragem de mostrar aos pais quem realmente é.

Assim que me apercebi onde os meus pensamentos iam dar tirei a almofada de debaixo da cabeça e meti-a pressionada à cara.

- Mas o que raio se passa comigo?! – Gritei, contra ela.

 

Aparentemente já se odeiam um pouco menos, não?

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