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Together as One

por Andrusca ღ, em 26.03.11

Capítulo 12

Amigos?

 

Ellie


- Estás-me a ouvir? – Perguntou Rachel, a abanar a mão à frente dos meus olhos.

- Sim Rachel – disse, apesar de não fazer a mínima ideia sobre o que é que estávamos a falar.

- Estavas a pensar em quê? – Ela fez aquela cara de “mais vale dizeres já, senão chateio-te até o fazeres”.

- No teste de Filosofia – menti.

- Mentirosa – revirei os olhos. Fogo, eu não mentia assim tão mal… - Estavas a pensar num rapaz?

Assim que acabou de dizer isto, parou de olhar para mim para olhar um pouco mais para cima, e ao mesmo tempo duas sombras invadiram a mesa, vindas de trás de mim.

- A Eleanor Davies a pensar num rapaz? Essa tenho que saber melhor – Nem precisei de me virar para saber quem era. Michael só há um e ainda bem, que com dois ninguém aguentava. E se era ele que estava atrás de mim, então a outra sombra só poderia pertencer a uma pessoa.

- Desculpa? – Perguntei, virando-me para ele e passando os olhos rapidamente por Danny até chegarem ao meu irmão – Tu não me contas nada da tua vida.

Ele riu-se, era pura verdade.

- Importam-se que nos juntemos? – Perguntou Danny.

- Por favor cavalheiros… - disse eu.

Eles sentaram-se os dois, deixando-me no meio.

- Rachel, este é o Michael, meu irmão, e o Danny, amigo dele – apresentei – E esta é a Rachel, uma amiga minha.

Notei que ela ruborizou um bocadinho. Ok, bastante. E então lembrei-me que pouco depois de nos conhecermos ela tinha feito reparo em Michael…

- Olá – disse ela, um bocado a gaguejar.

- Então e estávamos a falar do quê? – Perguntou o idiota do meu irmão, depois de lhe dirigir um sorriso de cumprimento – Ah sim, da tua paixoneta. Estamos num espaço seguro. Partilha lá maninha.

- Sim, eu quero pormenores – concordou Rachel. Apenas Danny se mantinha calado, ainda bem, já me chegavam os outros dois para chatear.

- Vocês são idiotas – disse eu.

 

Danny


Não sabia se havia de estar calado ou de participar na discussão. Por um lado queria saber, e isso incomodava-me um pouco. O pior era não saber a razão.

Eles estiveram quase dez minutos a insistir com ela, e dava para ver na sua cara que já não estava a achar graça nenhuma à brincadeira.

- Rachel… - disse eu, para a outra rapariga, que olhou para mim – É Rachel, certo? – Na volta enganei-me.

- É – disse ela.

- Olha, aqui o Michael tem andado a falar que te gostava de conhecer. E eu tenho que falar com a Ellie, por isso conheçam-se – dito isto agarrei na mão da Ellie e puxei-a levemente da cadeira, de modo a que se apercebesse e não caísse. Ela levantou-se, agarrou na mala e seguiu-me até ao exterior da escola.

- Obrigada – disse-me – Estava prestes a cometer um homicídio duplo.

Ri. Era completamente impossível imaginá-la a praticar tal acto.

- Pois sim – ela deve-se ter apercebido do que tinha dito e aí começou a rir comigo.

- Querias-me dizer alguma coisa? – Perguntou, pondo uma mecha de cabelo para trás da orelha e sorrindo. Adorava aquele sorriso… “Desce à terra pá!”, gritou o meu interior.

- Não, só achei que não merecias ser assim torturada – respondi – Mas… é verdade? Estás com alguma paixoneta? – Fiz esta pergunta com a maior das casualidades, apesar de por dentro estar a explodir para saber. Mas para quê?! Eu devia-me era internar num hospital de malucos, era o que era.

- Não – não deixei mostrar, mas senti-me aliviado com a sua resposta.

- Isto pode parecer estranho mas… já alguma vez tiveste algum namorado?

Ok, agora é que estraguei tudo, ela nunca me ia responder a isto.

 

Ellie


- Porque é que queres saber? – Perguntei-lhe.

- Curiosidade. Não pareces o tipo de rapariga que anda muito nos namoricos – encolheu os ombros – Prometo que não conto ao Michael.

Também, já lhe tinha contado tanta coisa que nunca contara a ninguém, esta era apenas mais uma.

- Tive dois – respondi – Um no infantário – ele riu-se, eu também, esse não devia contar –, e outro há um ano e pouco.

- O que é que aconteceu?

- Ele arrancou a cabeça da minha boneca – gozei.

- Não o do infantário! – Disse, rindo-se comigo. Adorava gozar assim com ele, era muito melhor que andarmos sempre às turras. Agora sim, sei que o julguei cedo demais.

- Apenas não resultou – encolhi os ombros – Então e tu? Aposto que vem daí uma lista enorme…

Ele sorriu, porém não como antes. Não parecia ser um sorriso muito feliz.

- Já tive imensas curtes. Nunca amei ninguém.

- Mais resumido era impossível – murmurei, de modo a que ele ouvisse.

- Queres os nomes, é? – Deu-me um pequeno encontrão enquanto andávamos.

- Não, mas quero saber se pertenço a essa lista – não sabia ao certo se queria a resposta a esta pergunta. Se ele dissesse que sim seria horrível, porém se dissesse que não acho que também não me sentiria muito bem. Mas o que é que se anda a passar comigo?

Sentámo-nos num muro a poucos metros da escola e olhei para ele enquanto esperava a resposta.

- Consideras dois beijos uma curte? – Perguntou-me.

- Não. Tu consideras?

- Não. Mas três quase que lá chegam… - começou-se a aproximar demasiado de mim, porém parou a meio do caminho e olhou-me nos olhos –, e é por isso que não pode acontecer – sussurrou.

Revirei-lhe os olhos e sorri.

- Como se eu quisesse – provoquei. Será que queria?

- Amigos? – Perguntou, esticando-me a mão para a apertar.

- Amigos – Concordei, apertando-a. Ele puxou-me pela mão e depositou um beijo na minha bochecha.

- A bochecha não é uma zona proibida entre amigos – defendeu-se, quando se desviou e eu olhei para ele.

O seu telemóvel começou a tocar e ele atendeu.

 

Danny


Não queria atender esta chamada ao pé dela, mas se não a atendesse Boogy ia perceber que algo se passava.

- Tô mano – atendi.

- “Arranjei um sítio do melhor” – disse logo ele. Olhei para Ellie, se ela percebesse que assuntos eram estes eu estava tramado.

- Podemos falar depois?

- “Porquê? Passa-se alguma coisa?”.

- Não meu, estou na escola.

- “Ai… mas o que é que é mais importante afinal?! Os gamanços ou essas porcarias?!”

- Meu!

- “Como queiras. Mas nós não vamos esperar por ti. Vamos já.”

- Tudo bem, fico de fora desta vez.

- “Não estou a gostar do rumo da conversa”.

- É só desta vez! Juro! Tenho que ir, adeus – e desliguei o telemóvel.

Ellie olhava para mim confusa, e eu não sabia o que lhe dizer.

- Problemas? – Perguntou.

- Não… nada de especial.

Não pareceu ficar completamente convencida, mas apressei-me a mudar de assunto para ver se a fazia esquecer esta chamada que não podia ter chegado a pior altura.

 

Então que tal? :p

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