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Together as One

por Andrusca ღ, em 26.03.11

A pedido de muitas almas...

 

Capítulo 13

Convidado Surpresa

 

Ellie


Finalmente o último dia do primeiro período tinha acabado. Ia ter saudades dos meus amigos, mas estava aliviada por estar de férias.

Quando cheguei a casa fiz logo os trabalhos que os professores tinham mandado e depois falei um pouco com Alyssa ao telemóvel.

O jantar foi relativamente calmo, Michael não podia estar mais feliz por estar “livre da tortura”, como ele diz, e o meu pai tinha ficado a trabalhar até mais tarde.

Assim que comemos, voltei para o meu quarto e deitei-me na cama a ler uma revista e com os fones nos ouvidos.

Quando já tinha a digestão do jantar feita, pus água a correr na banheira e dei-me nela. Sabia tão bem estar assim descansada apenas com o calor da água a ser absorvido pelo meu corpo…

Quando saí da banheira enrolei o corpo numa toalha lilás clarinha, que me dava por cima do joelho, e o cabelo noutra mais pequena e voltei para o quarto.  

Procurei pelo meu telemóvel, queria mandar uma mensagem à Alyssa, mas não o encontrei. Na volta deixei-o no quarto do meu irmão quando estive a falar com ele à tarde.

Saí do quarto, entrando na porta à sua frente sem bater.

- Michael viste o meu… - petrifiquei ao ver quem me olhava, e corei bastante ao reparar que tudo o que escondia o meu corpo era uma mísera toalha de banho – telemóvel?

Danny olhava para mim especado, e eu cada vez sentia as bochechas arderem mais. Que vergonha, meu deus!

- Então meu? – Disse o Michael, ao dar um calduço ao Danny.

- Não sabia que estavas acompanhado, estava só à procura do telemóvel – disse eu, após ter engolido em seco.

- Toma – Michael mandou o telemóvel e eu apanhei-o no ar, virando-me de seguida e saindo porta fora. Se tivesse um buraco qualquer para me ter enfiado, tinha-o feito.

 

Danny

 

Quando a porta se abriu e os meus olhos se dirigiram a quem tinha entrado fiquei completamente na lua. Ellie estava tapada apenas com uma toalha à volta do corpo, e tinha outra no cabelo. Ela era tão linda… se todas as raparigas que andam em escolas de freiras fossem assim, não me importava nada de ir para padre. Assim que os seus olhos pousaram em mim começou a corar violentamente. Ela não sabia que eu cá estava.

Não conseguia tirar os olhos dela, muito menos ao ver que a toalha era tão curta… tão…

- Então meu? – Disse o Michael, assim que senti um calduço. Ele sabia o que eu estava a pensar, boa.

- Não sabia que estavas acompanhado, estava só à procura do telemóvel – disse Ellie. Michael mandou-lhe o telemóvel e ela saiu à pressa, ainda fiquei a olhar para a porta uns momentos.

- Controla-te pá – disse-me.

- Desculpa, mas tens que admitir, ela…

- É melhor nem dizeres mais nada.

- Pois, é melhor – era melhor mesmo.

- E não te esqueças que passas a noite aqui, não noutro sítio qualquer!

- Qual é a cena, já não confias em mim?!

- Pois, pois, ficaste demasiado hipnotizado.

Eu ia dormir na casa do Michael, íamos ver uns filmes na internet e depois dormir até ao meio-dia. Férias é que são boas.

 

Ellie

 

Fechei a porta do meu quarto e fiquei especada encostada a ela. Ai que vergonha, que horror.

Vesti o meu pijama e depois estive um bocado no computador, mas o sono não vinha. Quando olhei para o relógio era uma da manhã, decidi ir ver televisão para a sala.

Sentei-me no sofá e liguei a televisão, pouco depois ouvi uns passos atrás de mim e virei-me para ver quem era.

- Posso-me juntar a ti? – Perguntou o Danny – É que o teu irmão é uma seca, está a ressonar há quase uma hora… e eu a pensar que íamos ficar acordados até às tantas.

Sorri e fiz-lhe sinal para que se sentasse ao meu lado, virando-me para a frente de seguida. Só espero que não mencione o episódio da toalha, senão acho que dá uma coisa má bem forte.

Ele sentou-se ao pé de mim, e no preciso momento em que ia dizer qualquer coisa a voz de uma repórter fez-se soar.

- E agora, notícia de última hora: este café foi assaltado pela quarta vez desde Junho. Tal como em outros casos idênticos, o dono descreve os assaltantes como 5 adolescentes com gorros pretos a tapar-lhes a cara. Adolescentes esses que são suspeitos de mais uma imensidade de roubos ultimamente… - Mudei de canal.

- Odeio estas pessoas – murmurei.

- Que pessoas? – Perguntou-me.

- Pessoas que roubam às outras apenas por pura ganância e egoísmo.

 

Danny

 

Engoli em seco, sabia perfeitamente que aquele café tinha sido o que eu e o resto da malta tínhamos roubado ao fim da tarde. E pela primeira vez senti-me mal por o ter feito. Mas porque é que esta rapariga tem tanto efeito em mim?!

- Gosto dos ursinhos – disse-lhe, apontando-lhe para o pijama, a tentar aliviar o ambiente. Ela riu-se.

- Queres ver um filme ou assim?

- Claro, o que é que tens?

- O que é que preferes, comédia ou terror?

Pensei por poucos segundos. Se fosse uma comédia, tínhamos a oportunidade de passar um tempo agradável juntos e darmos umas boas gargalhadas… mas se fosse terror ela podia-se agarrar a mim com medo.

- Terror – decidi.

Ela passou-me uns seis DVDs para as mãos para eu escolher e foi fazer pipocas, voltando poucos minutos depois. Pusemos o filme a dar e logo na primeira cena morreu uma rapariga. Observei a expressão da Ellie durante essa cena, ela não parecia lá muito perturbada… será que não tinha medo de filmes de terror? Vá lá, todas as raparigas têm…

O filme já ia a metade, tal como a tigela das pipocas, e ela ainda mal se tinha assustado. Aparentemente escolhi mal, ela não se ia encostar a mim… “Acorda pá”, reclamei, para dentro “Ainda bem que não, tu não queres isso Danny, não queres!”.

- O que foi? – Perguntou ela, pondo pausa no filme e virando-se para mim. A luz da televisão incidia com a do único candeeiro ligado – um candeeiro de pé, mesmo ao lado do sofá, do seu lado –, e ambas incidiam nela. Com aquele sorriso assim fica esplêndida.

“Ai meu, então?!”, mas o que é que me estava a dar?!

- Nada, porquê?

- Porque passaste o filme todo a olhar para mim – ups, apanhado…

- Só… não tens medo de filmes de terror? – Era definitivamente uma pergunta que eu tinha mesmo que fazer.

Ela sorriu e deu-me a tigela das pipocas para as mãos. Levantou-se e pôs-se atrás do sofá, apoiada a poucos centímetros da minha cara.

- Danny… sei que só escolheste este tipo de filme para teres uma rapariga agarrada a ti – disse.

- Pff, como se eu te quisesse agarrada a mim – tinha usado o meu tom de gozo, e ela tinha percebido, mas uma pergunta restava na minha mente: porque é que a queria agarrada a mim?

Ela sorriu e deu-me um beijo na bochecha.

- Eu vou dormir, desliga as luzes quando subires. Dorme bem.

Dito isto saiu da sala, e só então é que vi o porquê de ela ter posto pausa: o filme tinha acabado.

Fogo meu, com esta porcaria toda nem consegui descobrir se a gaja principal morria ou vivia!

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