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Together as One

por Andrusca ღ, em 27.03.11

Capítulo 14

Novo Ano

 

Ellie

 

Abri a porta do quarto do meu irmão com uma rapidez enorme. E lá estava ele, na paz dos deuses, a ler uma estúpida revista de desporto.

- Não acredito que estás a fazer isto – queixei-me.

Ele baixou a revista e olhou para mim.

- Ellie, eu não sou obrigado a ir, por isso vai-te embora e deixa-me em paz.

- Vá lá Michael, não me deixes sozinha nisto!

Ele revirou os olhos e levantou-se da cama, pondo-se à minha frente.

- Se não queres ir, não vás! Mas eu sei que não vou trocar uma festa esplêndida por uma da treta com a família, percebido?!

- Foste o ano passado, foi divertido – eu sabia perfeitamente que tinha sido horrível, mas pronto.

- Foi terrível! Ellie, diz-lhes que queres ficar, para quê esse drama todo?

- Eu não lhes posso dizer isso – reclamei, deixando-me cair sentada na cama. Suspirei, que treta. – Eu não sou tu. Não posso fazer tudo o que quero.

- Porque não queres. Diz-lhes que detestas essas passagens de ano e que queres ficar cá. Vais à festa comigo.

- Não posso Michael! Não percebes, pois não? Quando dizes essas coisas ninguém fica surpreendido, porque é normal. Mas se eu digo algo assim é tipo o fim do mundo.

- Bem maninha, nunca ninguém disse que ser a filha perfeita é fácil.

- Eleanor, despacha-te! – Gritou a minha mãe, do andar de baixo.

- Vá lá, por favor – implorei, pela última vez, apesar de saber que era em vão.

- Se te queres sacrificar, tudo bem. Mas não me levas contigo – respondeu ele. – Eu ligo-te depois da meia-noite.

- Tudo bem – respondi, revirando os olhos – Tem uma boa Passagem de Ano.

Saí de casa e enfiei-me no carro. Perfeito, uma viagem de duas horas até uma casa onde nos vamos juntar com os meus tios e primos para a passagem de ano, e onde vamos dormir. Eu detesto estas coisas, especialmente porque fazemos isto todos os anos.

Quando chegámos saí do carro e pus um sorriso na cara. “São só meia dúzia de horas Ellie”, disse-me, para me tentar dar alguma razão por que sorrir.

Cumprimentei todos os meus tios e tias, e também os meus primos, que eram sete. Sete crianças e doze adultos. E depois eu. Simplesmente perfeito…

O jantar foi uma tristeza, alguns dos primos choravam, os pais ralhavam, enfim, só me apetecia desaparecer.

Depois puseram música a dar, que era detestável já agora. Os meus primos queriam que eu fosse brincar, mas não estava com paciência nenhuma para isso, por isso fui-me sentar à lareira à espera que a meia-noite chegasse.

 

Danny

 

A discoteca esta ao rubro, e Michael tinha acabado de me dizer que estavam duas miúdas no bar a olhar para nós. Olhei para elas discretamente e mordi o lábio: eram tipo perfeitas.

- Queres ir lá? – Perguntou-me ele.

- Mas isso pergunta-se? – Retorqui.

Sorrimos um para o outro e lá avançámos até às miúdas. Pagámos-lhes uns copos e a noite estava a correr lindamente. Passado um bocado fomos os quatro dançar, elas com aquelas roupas curtinhas, ai mãe…

- Está aqui demasiado calor, não achas? – Perguntou-me a que estava a dançar comigo, uma de cabelos compridos loiros.

- Queres ir lá para fora? – Perguntei, a sorrir.

- Vamos – puxou-me pela mão e dirigimo-nos à lateral da discoteca, onde começámos a curtir. Era assanhada ela… corpo escultural, bonita, simpática, atiradiça… então porque raios é que enquanto a beijava não pensava nela mas sim em Ellie?!

Ela tirou o meu casaco deixando-o cair no chão e mordeu-me um pouco o lábio, sorrindo-me em seguida. Olhei para os lados, onde estávamos ninguém nos via, éramos livres de fazer o que quer que fosse que nos apetecesse.

Encostei-a à parede e ela deu um pequeno salto, encaixando em seguida as pernas à minha volta, enquanto eu a agarrava. Comecei a beijar-lhe o pescoço, as coisas estavam a aumentar de intensidade… ela começou a dirigir as mãos ao meu cinto e depois…

- Pára – acabei por dizer, pondo-a no chão. Ficou perplexa a olhar para mim. Eu só posso estar louco, tenho uma gaja a oferecer-se toda a mim e recuso-a por estar com outra na cabeça. Outra essa que mal me liga.

Mas por qualquer razão não o conseguia fazer, apesar de já o ter feito várias vezes. Desta vez era diferente, desta vez tinha alguém no pensamento. E caraças, esse alguém não dava índices nenhuns de sair daqui! Tudo o que conseguia pensar enquanto beijava esta gaja era em como queria voltar a beijar a Ellie… que raiva!

Abanei a cabeça e a gaja, sem mais nem menos, foi-se embora. Suspirei e encostei-me à parede, observando o céu. Estava louco, só podia.

Olhei para o visor do telemóvel, onze e cinquenta e oito.

Esperei os dois minutos restantes e ouvi uma algazarra completa vinda de dentro da discoteca. Respirei fundo e comecei a mexer nos contactos do telemóvel.

 

Ellie

 

O relógio marcou a meia-noite e a balbúrdia começou. A minha prima Anastacia, como não podia deixar de ser, começou o ano a fazer uma birra e a mãe a gritar com ela…

Enquanto todos festejavam e sorriam, só tinha uma pessoa na mente. Danny. Ai que nervos, quem me dera estar naquela discoteca com o resto do pessoal a divertir-me!

Mas também, de certeza que o Danny está ocupado com uma lambisgóia qualquer, o Michael fez questão de deixar bem claro que eles iam “à caça”.

Senti o meu telemóvel tremer no bolso das calças e tirei-o, sorrindo ao ver quem me estava a ligar. Saí da casa e encostei-me à parede ao lado da porta, antes de atender.

- Feliz ano novo – atendi.

- “Feliz ano novo” – disse Danny. Notei que sorriu em seguida – “Como estão as coisas por aí?”

- Hum… secantes. E por aí?

Ele demorou um pouco a responder.

- “Estranhas” – Não percebi a resposta, tudo bem – “Mas olha, dediquei-te um dos meus desejos de ano novo”.

Sorri e corei ao mesmo tempo. Tinha-me dedicado um desejo?

- A sério? O quê?

- “Desejei para que este ano finalmente mostrasses aos teus pais aquilo que vales, e quem verdadeiramente és”.

- Obrigado.

Ficámos na conversa durante mais uns quantos minutos, deu para me distrair desta amostra de inferno em que estava.

O pior estava para vir: a escola começava daqui a dois dias.

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