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Together as One

por Andrusca ღ, em 27.03.11

Capítulo 15

A Prenda Perfeita

 

Danny

 

Primeira sexta-feira desde que as aulas começaram de novo, e onde é que a passei à noite? Com a malta numa vivenda. A roubá-la claro.

Cheguei a casa e a Alice já devia estar no seu terceiro sono. Sentei-me na cama com o saco com a minha cota de itens e despejei-os para cima da cama. Relógios, pulseiras de ouro, anéis… e um colar de prata com uma lua, um quarto crescente, pendurada.  Era perfeito para oferecer à Ellie no seu aniversário na terça-feira. A prenda perfeita. E não sei porquê, estava mesmo empenhado em dá-la. Ela tinha que gostar da minha prenda, tinha que ficar boquiaberta, eu tinha que lhe provar que podia ter bom gosto e ser bom amigo.

 

Ellie

 

Passei o fim-de-semana todo enfiada no quarto a estudar, os testes iam começar nesta semana e tinha mesmo que me aplicar para manter as médias.

Levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho, onde tomei um duche rápido. Vesti uns calções de ganga com umas collants pretas e uma blusa cor-de-rosa com uns enfeites prateados e calcei uns ténis pretos e cor de rosas. Tudo novas aquisições resultantes da minha ida ao centro comercial com a Alyssa na sexta-feira à tarde. Admito que o estilo é um pouco fora do meu, não sou do tipo de rapariga que usa coisas curtas, mas mesmo assim gostei do resultado final. Fiz uma trança no cabelo, agarrei na mala e desci as escadas.

Depois do pequeno-almoço Michael deu-me boleia para a escola, e assim que saímos do carro avistámos Rachel lá ao fundo.

- Eu vou ter com a Rachel – disse-lhe.

- Ok, eu vou também – parei e olhei-lhe desconfiada. Ele vinha também? Porquê? Mau…

- Michael, há alguma coisa que eu devesse saber? – Perguntei, a franzir o sobrolho – Porque é que queres ir ter com a Rachel?

- Por nada de especial, que chata, fogo, já não vou.

Ri-me com a sua atrapalhação; era mesmo rapaz.

- Anda lá – disse, puxando-o.

Chegámos ao pé dela e ficámos os três um bocado à conversa. Ou melhor, eles ficaram à conversa, porque eu parecia completamente a mais.

Ouvi o barulho de uma mota e os meus olhos dirigiram-se logo para Danny, que a estacionava. Ele sorriu-me e acenou-me, e dirigiu-se para nós.

- Bom dia meu – disse, fazendo daqueles cumprimentos estranhos com as mãos com o meu irmão, que só os rapazes percebem. – Meninas – e sorriu para mim e para Rachel.

- Bom dia – Dissemos as duas ao mesmo tempo.  

Quando tocou fomos para as aulas, revisões de Geometria para mim e Rachel.

A partir daí o dia passou-se rápido, e amanhã eram os meus anos. Acho que ninguém sabe, pelo menos ninguém comentou nada assim.

No colégio costumávamos abrir um bolo e cantar os parabéns… era engraçado.

Cheguei a casa completamente estafada e a minha mãe não me respondeu ao meu cumprimento. Ela estava de birra porque não gostava da minha roupa. Ou então apenas demasiado entretida a ver o desfile de moda que dava na televisão…

Subi para o meu quarto e deixei-me cair em cima da cama. Senti o meu telemóvel vibrar no bolso dos calções e assim que vi quem era, sorri.

- “Olá estranha” – disse-me aquela voz que tanto adorava ouvir. Conseguia sempre sorrir nestas conversas.

- Olá – disse-lhe –, como estás?

- “Estaria melhor se estivesses aqui… isto está uma seca” – Ri-me.

- Bem, vais ter que te aguentar. A Madre tem sido muito dura?

Esta foi a vez de Kath se rir.

- “Alguma vez houve alguma altura em que não fosse?” – Perguntou-me.

- Bem perguntado. Conta-me novidades.

- “Querida, isto é o colégio, conta-me tu novidades!”

- Bem, as coisas continuam na mesma, a Alyssa e a Rachel…

- “Eu prefiro ouvir-te falar do Danny” – e em seguida riu-se.

Revirei os olhos, lá por estar numa escola de freiras, não faz de Kath nenhuma santinha.

- O que é que queres saber?

- “Gostas dele?”

- Ele é… não mau… - Ok, pior resposta de sempre.

- “Não foi isso que perguntei. Gostas dele?”

- Ele é o melhor amigo do meu irmão, por isso tento dar-me bem com ele.

- “Ellie! Por amor de Deus, gostas dele ou não?!”

- Não sei – suspirei – Não sei Kath… já não o odeio mas… não o amo.

Ouvi-a sorrir do outro lado.

- “Eu vou rezar por vocês” – Disse-me.

- Kath… as freiras ainda não descobriram que não sabes rezar?

- “Ai que parva!”.

A partir daqui a conversa foi passada apenas às gargalhadas. Eu sentia a falta da Kath, ela era a minha melhor amiga, e apesar de termos telefones e computador, sinto falta de um abraço seu, de um sorriso.

Depois de desligarmos a chamada o tempo passou a correr, e quando dei por mim já estava na cama, prestes a adormecer para dar uma nova entrada num novo dia.

Quando acordei espreguicei-me e fui para a casa de banho, depois de um curto duche vesti umas calças de ganga com uma camisola branca e um colete preto e calcei umas botas pretas. Fiz uma trança com o meu cabelo.

Assim que desci as escadas, a primeira pessoa a dar-me os parabéns foi Jules, que foi a primeira a ver-me, e em seguida a minha mãe e o meu pai.

Como prenda deram-me um livro de Direito, e pronto, lá estive a fazer sorrisos e a dizer que tinha adorado.

Quando Michael desceu as escadas – já eu estava despachada –, atrasado, agarrou numa maçã, deu-me um beijo e os parabéns e apressou-me logo para irmos para a escola.

Mal estacionou o carro eu apressei-me para sair, estava mesmo quase a tocar, mas ele agarrou-me no pulso como se me pedisse para esperar e por isso mantive-me quieta. Ele abriu a gaveta em frente ao meu banco e de lá tirou um pequeno embrulho, agarrando-o em seguida à minha frente.

- Feliz aniversário – disse-me, sorrindo.

Sorri-lhe em resposta e abri o embrulho, era um anel de prata, com uma pequena inscrição numa língua que eu não conhecia.

- É grego – disse-me Michael – Eu queria inglês, mas não havia. O vendedor disse-me que significava “adoro-te”.

- Oh… - murmurei, impulsionando-me num abraço para ele em seguida – “Adoro-te”? Estás doente?

- Devo estar, porque foi caro como tudo!

- Obrigada maninho – sorri.

- Sorte a minha que só fazes anos uma vez ao ano. Anda lá.

Saímos do carro e fiquei parada à porta da sala a falar com a Alyssa e o resto do grupo enquanto o professor não chegava, e eles fizeram questão de me dar os parabéns mesmo aos berros, houve lugar para me agarrarem ao colo e tudo.

Quando finalmente se acalmaram e começámos a falar normalmente, senti umas mãos taparem-me os olhos. Eram suaves… mas bolas, estavam geladas. Este perfume… eu sabia perfeitamente quem era.

- Danny – adivinhei.

- Não é justo – reclamou, saindo de trás de mim.

- Nós vamos… fingir que temos alguma coisa para fazer – disse Alyssa, desviando-se com o resto do grupo, mas não sem antes receber um daqueles olhares que dizem “eu vou matar-te”, enviado por mim.

- Parabéns – Disse Danny, abanando a cabeça para desviar o cabelo dos olhos, e sorrindo-me.

- Obrigada – disse-lhe.

- Toma – do bolso tirou uma pequena caixa embrulhada num papel dourado, com um lacinho vermelho.

- Danny, não devias ter…

- Shh, eu quis, vê se gostas.

Agarrei no embrulho e respirei fundo. Ele não precisava de me ter comprado uma prenda, mas fico feliz por o ter feito. Ao agarrar o embrulho, reparei que ficou vidrado no anel que tinha no dedo.

- Gostas? – Perguntei.

- Hum… sim, claro – não parecia totalmente honesto.

- O Michael nunca teve grande jeito para bijutarias – brinquei. Vi-o ficar mais aliviado e continuei a desembrulhar a minha prenda.

Quando abri a caixinha fiquei a olhar para o que lá estava dentro. Era uma pulseira de prata, com dois berloques: um sol e uma lua.

- Não gostaste? – Perguntou, provavelmente pelo tempo que eu estava a demorar a responder.

- Estás a gozar? – Perguntei-lhe – É linda, adoro!

Num impulso dei-lhe um abraço, e ele, ao contrário do que pensei, ainda me abraçou mais contra si.

- Escolhi-a por ter completos opostos – referia-se aos berloques, o sol e a lua –, tal como nós.

Sorri, era verdade.

 

Danny

 

Tinha pensado em dar-lhe o colar, mas eu não lhe queria dar algo roubado, queria dar-lhe algo que lhe pertencesse apenas a ela.

Ao princípio estava nervoso, queria que ela gostasse da prenda, queria agradar-lhe. Quando vi aquele anel no seu dedo senti-me a ser corroído por dentro. Aparentemente já alguém lhe tinha agradado. Ciúmes? Bah, que treta! Mas quando me disse que tinha sido Michael a dar-lhe fiquei mais aliviado. Yap, eram ciúmes. Eu com ciúmes de uma miúda… onde o mundo foi parar.

Ela estava a demorar imenso tempo a falar depois de ver a prenda, estava a começar a entrar em pânico.

- Não gostaste? – Perguntei, a medo.

- Estás a gozar? – Perguntou-me – É linda, adoro!

Senti-a abraçar-me e apertei-a mais contra mim. Sabia bem, queria-a assim comigo, queria… oh pá meu, acorda!

- Escolhi-a por ter completos opostos – murmurei –, tal como nós.

Ela sorriu e desviou-se de mim, ainda com o sorriso nos lábios. Não queria que me largasse, mas talvez tivesse sido pelo melhor…

- Obrigada – disse – Foi uma prenda perfeita.

“Uma prenda perfeita”… sorri-lhe, era tudo o que eu queria que tivesse sido.

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