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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 02.10.10

Ok, pronto, como eu sou um coração mole e vos adoro, eu posto o segundo capítulo agora... mas não me matem.

E por favor, não chorem! A sério que não vale a pena, como já perceberam, eu meto sempre as coisas a acabarem bem (mesmo que seja só no fim)

Ok, a explicação vai ser longa, e até daqui a uns capítulos não se vai perceber bem, mas tenho quase a certeza que vocês vão gostar ^^

Beijinhos

 

Capítulo 2

E o Conto de Fadas Continua…

Há algumas semanas atrás

 

Acordei com festas leves na bochecha, e nem precisei de esforçar a vista perante a escuridão da noite para saber quem era.

- Olá – murmurei, baixinho.

- Desculpa, não te queria acordar – respondeu-me ele, com aquela voz encantadora.

- Não faz mal. Que horas são?

- Quatro.

- Eish… vou voltar a dormir, se não te importares.

Virei-me para ele e abracei-o.

- Por favor, força.

Voltei a adormecer nos braços de Derek. Esta é a terceira noite seguida que ele vem ter comigo de noite, mas das outras duas não acordei, infelizmente.

Gosto de saber que ele está aqui, gosto de saber que não foi a lado nenhum e que não está magoado ou em perigo.

Depois do que aconteceu com Josh, o meu ex-namorado; Aisaec, o vampiro que matou o meu pai quando eu tinha dez anos; e um culto de pessoas que esperavam tornar-se em vampiros, que adormeço todos os dias a desejar que nada se repita de novo. Viver essa noite de novo seria o inferno na terra. Eles raptaram o Derek. Raptaram e tencionavam matá-lo, mas eu, Verónica e Gary chegámos a tempo e impedimo-los. O vampiro que fez com que crescesse sem pai foi morto, e as pessoas do culto foram investigadas por me terem raptado – uma pequena mentira que contei à polícia. Eles teriam saído impunes ou mortos, se não fosse assim.

A maioria deles saíram da cidade, e os outros nem se fazem ouvir ou ver.

Depois desse escândalo, os pais de Josh decidiram sair de Great Falls para que voltassem a ter estabilidade na família. É interessante, ao contrário dos pais, Josh não tem uma única boa qualidade. Claro, ele é giro, mas não passa disso.

As férias de verão, com Derek, apesar de não terem sol, foram um sonho. E o melhor é que o tenho comigo durante o 12º ano.

Deixei-me de dormir em três tempos, apesar de Derek estar gelado como sempre.

Acordei de novo com o meu despertador, e Derek já cá não estava. Levantei-me e tomei um duche rápido. Vesti umas calças de ganga e uma blusa, calcei os ténis e enxuguei o cabelo. Olhei-me ao espelho e ajeitei o meu colar de prata, em forma de cruz e com um pentagrama incorporado. Desde que o achei – foi-me deixado pelo meu pai antes de morrer – que nunca o tiro.

Acordei Abby e Dylan e fui para a cozinha preparar os cereais para comermos.

- Podes-me ajudar? – Perguntou Abby, à porta.

Tinha o seu cabelo escuro todo despenteado, e vinha com o pente e dois elásticos nas mãos. Tinha os seus óculos redondos postos, a esconderem-lhe os maravilhosos olhos azuis, e sorria para mim, desdentada.

- Claro. O que é que queres que te faça? – Perguntei-lhe.

- Tranças.

Ela sentou-se numa cadeira e eu dividi-lhe o cabelo ao meio, fazendo-lhe duas tranças. Ao olhar para ela lembrei-me imenso de quando era eu quem pedia à minha mãe para me fazer tranças ou totós. Apesar de o meu cabelo ser muito mais claro do que o de Abby, – é castanho claro, cor de avelã, herdei-o à minha mãe que é loira (infelizmente) – as feições que ela às vezes faz são parecidíssimas às minhas fotografias de pequena.

Dylan desceu pouco depois, com o seu cabelo também escuro, curto e escadeado, cheio de gel. Continua a vestir-se todo de preto, mas já não age como antes. Agora está-se a tornar num homenzinho, só gostava que deixasse de se vestir assim, mas pronto, não se pode pedir tudo.

Depois do pequeno-almoço, fomos para o meu carro, um Volkswagen cinzento. Levei Abby à escola dela, e depois eu e Dylan fomos para a nossa, o Liceu de Great Falls.

Como era habitual, já cheguei em cima da hora e tive que ir a correr para as aulas. Hoje ia ter apenas uma aula com Derek, Educação Física, mas era mais tarde.

Sentei-me ao lado de Gwen, a minha melhor amiga, e o seu cabelo castanho-escuro quase que voava, com a velocidade que ela se virou para mim.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou-me – Porque é que te atrasaste?

A Gwen passa a vida inteira a preocupar-se comigo, e se não fosse ela já me tinha metido em montes de problemas. Ela é o escape. Ela e Derek.

Gwen tem uma personalidade muito própria, e é muito parecida com a minha irmã. Ela praticamente acredita em tudo o que é bom, e anula tudo o que é mau. Tem aquele sonho enorme de viver um conto de fadas, e desde que descobriu que vampiros existem, que se sente nele.

- Descansa, não aconteceu nada. O despertador tocou mais tarde – disse eu.

A professora entrou nesse momento e calámo-nos.

Quando finalmente tocou para o intervalo, eu e Gwen dirigimo-nos à saída do lado oeste, onde Gary e Derek nos iam encontrar. Gary é o irmão de Derek, e tal como ele, é lindo de morrer. Tem um cabelo escuro e com alguns jeitos, apesar de estar curto.

Sentámo-nos no corrimão das escadas do lado de fora, à espera deles.

- Então, novidades – pediu Gwen.

- Não há nada novo. Nós falamos vinte e quatro horas por dia, Gwen – disse-lhe eu.

- Verdade. Importas-te que te pergunte uma coisa?

Ai, quando até a Gwen parece desconfortável é porque qualquer coisa não está bem.

- Claro, pergunta.

- O Derek morde-te? – Ok, esta apanhou-me completamente desprevenida. Mas o que é que lhe passou pela cabeça? Oh Deus…

- Não, não morde. O Gary morde-te? – Oh, por favor, esta conversa vai ser tão estranha…

- Não, mas já me tentou morder umas cinco ou seis vezes – disse ela, agora com um entusiasmo acima da média – e depois afastou-me e foi-se embora, em todas.

- Acho bem – disse eu – Tu pareces demasiado entusiasmada sobre isso.

- Sim bem, ele diz que é perigoso e blá-blá-blá…, mas o que interessa é que ele quer.

- É impressão minha ou tu queres ser mordida? – Ok, a conversa já ultrapassou o nível de “estranheza” aconselhado.

- Bem… eu quero que ele me queira morder – e encolheu os ombros – É sinal que me deseja.

- Ele não precisa de te querer morder para te desejar.

- Então o Derek nunca te tentou morder?

- Não.

- E respondes com essa naturalidade toda?! Eu se fosse a ti estava preocupada.

- Não é porque não queira. É porque tem auto-controlo e leva as coisas devagar. Vocês querem fazer tudo à pressa e depois ficam mal.

- Ele nunca te tentou morder, mesmo?

- Não Gwen, e eu agradeço. Ele ama-me, e eu sei isso, e ele não precisa de me tentar morder para eu o saber.

- Pois sim. Não gostavas que ele te tentasse morder?

- Não. Eu gosto das coisas como elas estão.

- Mas isso não é natural Chloe. Ele é um vampiro. Os vampiros deviam querer morder humanos.

- Podemos parar com esta conversa?

- Tu não gostas de ouvir, pois não? Que ele é vampiro, e que bebe sangue…

- Eu amo-o como ele é. Podemos por favor acabar com isto?

- Tu sabes que ele bebe sangue, certo? E tem dentes afiados. Tu nunca queres ouvir sobre as partes vampíricas, só as de um namorado normal, e isso não está certo. Quer dizer, para um vampiro, qual era o problema de provar o sangue da namorada?

- Eu sei que o meu namorado é um vampiro, ok? Só não quero fazer um grande drama disso.

- Mas quem é que está a fazer um drama? Eu estou a fazer um romance, tu é que fazes o drama.

- Ouve, eu sei o que o Derek é, mas estou mais preocupada com quem ele é. Ele pode ser um vampiro, mas isso não é tudo o que ele é. E tu pareces importar-te com isso acima de tudo…

- Não me importo. Eu amo o Gary, mas ele é um vampiro, e não vou negar isso.

- Ok, podemos escolher um novo tópico de conversa?

- Ok. A blusa daquela que ali vai até mete dó, credo – uma das coisas que gosto na Gwen é que esquece as conversas muito rapidamente. Mas apenas quando percebe que não dão em mais, porque quando insiste em conseguir descobrir uma coisa, ninguém a pára.

Esperámos talvez uns dez minutos, até eles aparecerem. O intervalo estava quase a acabar, mas era melhor que nada.

Derek encostou-se ao corrimão e envolveu-me com uma mão, enquanto Gary começou a beijar Gwen. Desde que descobriu que não é gay, que Gary não dá um momento de paz à rapariga, não que ela se importe.

- Queres sair daqui? – Perguntou-me Derek.

- Sim, por favor – disse-lhe, a revirar os olhos.

Ele deu-me a mão e encaminhámo-nos para o bosque em frente ao colégio. Depois de tudo o que passámos aqui, tornou-se mais ou menos o nosso sítio. E é calmo, conseguimos estar sossegados em paz e harmonia. E sobretudo, sozinhos.

Sentámo-nos num tronco caído no chão.

- Como correu a aula? – Perguntou Derek.

- Correu bem, foi longa demais, mas correu bem. E a tua?

- Hum… corria melhor se lá estivesses. Mas assim é melhor, podemos matar saudades.

E começou a beijar-me. Estávamos a namorar há poucos minutos quando a conversa que tinha acabado de ter com Gwen me apareceu na cabeça sem aviso. Agora que penso bem, porque é que Derek não me quer morder? Ou se quer, porque é que não o mostra?

- Posso perguntar-te uma coisa? – Perguntei, desviando-me dos seus lábios.

- Claro, o que foi.

- Sempre que nós… ficamos mais íntimos. Tu controlas-te sempre, e eu gosto disso, mas… porquê?

- Controlo… em que aspecto?

- É que… não acredito que vou perguntar isto, mas cá vai. Porque é que não me queres morder?

A sua expressão primeiro ficou confusa, mas depois um longo sorriso desenhou-se nos seus lábios, e uma grande e sonora gargalhada saiu-lhe pela garganta.

- Isso é ridículo Chloe. Porque é que perguntas isso?

- Porque… nas histórias que ouvi, os vampiros sempre quiseram morder as amadas e os amados e…

- Eu amo-te. Tu sabes disso.

- Eu sei disso. A sério, é só que… tens razão. São estupidezes que a Gwen me mete na cabeça.

- Tu queres que te morda?

- Não… mas tu és um vampiro. Eu quero saber o que esperar.

- Bem, podes esperar vários beijos – e recomeçou a beijar-me, mas assim que os seus lábios tocaram nos meus, ouviu-se o toque da campainha da escola –, quando sairmos de Educação Física…

Deu-me a mão e ajudou-me a levantar, e depois fomos em passo apressado para os balneários. Vesti os calções e a t-shirt, e calcei os ténis, e apressei-me a chegar ao ginásio. Já estava toda a gente sentada no chão, e o professor estava de costas.

Entrei em bicos de pés, para não fazer barulho. Sabia que estava atrasada, mas talvez ele não tivesse notado. Derek já lá estava, e observava-me à medida que ia andando. Sentei-me ao lado de Gwen, sem fazer um ruído que fosse.

Quando o Sr. Veigues se voltou para nós, sorriu-me.

- Que bom que nos tenhas presenteado com a tua presença, Chloe – disse-me.

Perfeito, já devia saber que não lhe escapava nada. Nunca.

- Não é preciso agradecimentos – brinquei. Mas a cara dele estava séria.

- Que seja a última vez.

- Não se preocupe.

- Muito bem, hoje vamos fazer o teste de resistência – ouviram-se protestos gerais. À excepção de Derek, que não se queixou porque não se cansa. A única pessoa que gostava desse teste era Josh, que (felizmente) não estava nem perto – Vá lá, calma. Tem que ser, já sabem. Fazem o vosso melhor. Vamos lá.

Fomos para a pista da escola e enquanto metade dos alunos contava as voltas, a outra metade corria. Eu fiquei a contar as de Derek, e achava extraordinário como ele nem aparentava sinais de cansaço. É como se pudesse fazer aqui o dia todo. Bem, na verdade até podia. Como sempre, Derek foi um dos alunos com maior número de voltas.

Quando foi para trocarmos, posicionei-me ao lado de Gwen e esperámos pelo apito do Sr. Veigues. Quando ele apitou, começámos a correr. Gwen começou logo a acelerar, e eu ia quase em última. Detesto tanto este teste. No de velocidade normalmente sou das melhores, mas neste fico sempre para trás.

Ao fim da segunda volta, Gwen começou a diminuir o ritmo, e começou a correr ao meu lado.

- Já não aguento mais – queixou-se.

- A culpa é tua, aceleraste logo – disse-lhe.

- Pois, eu sei.

Corremos lado a lado por um bocado, e depois ela ainda diminuiu mais o ritmo. Eu tive que continuar, porque ela começou apenas a andar.

Cada vez que passava à frente dos meus colegas que estavam sentados, eles puxavam por mim, tal como faziam por todos.

Acabei com onze voltas, nos dez minutos. Derek disse-me que ficou orgulhoso, mas para o que ele está habituado, não deve ser absolutamente nada.

Depois jogámos basquetebol, e quando a aula finalmente acabou, arrastei-me para o balneário.

 

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