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Together as One

por Andrusca ღ, em 29.03.11

Desculpem a demora, eu sei que disse que postava mais cedo mas não deu mesmo :s

Parece que os capítulos andam a crescer... pelo menos alguns...

 

Capítulo 17

Tentação

 

Danny

 

- Meu, que raios?! – E mais um empurrão a Boogy. Michael estava completamente furioso em relação ao assalto a Ellie, mas para minha surpresa, não comigo. Estava a ver que os dois ainda se pegavam numa luta, e normalmente quando Boogy se mete numa luta, Shane mete-se e a outra pessoa fica mais maltratada que um papel todo amarrotado.

- Michael acalma-te pá – pedi, agarrando-o pelos ombros.

- Tu cala-te! – Gritou-me. Tudo bem, mereci – E tu… - dirigiu-se a Boogy, que sorria – Que porcaria de ideia foi aquela?! Era a minha irmã e tu sabias! Mais uma destas e…

- E o quê? – Provocou Boogy.

- E paro com tudo! – Gritou-lhe Michael – Mais uma brincadeira destas e não faço nem mais um assalto!

Boogy ainda se riu mais.

- Achas mesmo que és indispensável? – Perguntou, de novo com a voz de desafio – Nenhum de vocês é! Quantas e quantas vezes fomos assaltar sítios sem ti? Cai na terra puto, se não fores tu vai outro qualquer. Agora baza daqui antes que me passe de vez!

Michael ia responder, provavelmente ia dizer o que ia dar origem à luta, e por isso puxei-o para fora do armazém e encostei-o à minha moto.

- Recompõe-te pá – pedi –, não armes confusão que temos que ir ter com a tua irmã daqui a nada, lembras-te?

- Ainda não acredito que a assaltaste – pronto, talvez também estivesse chateado comigo, estava no seu direito.

- Eu sei mano – encostei-me também à mota. Ainda nem eu acreditava que o tinha feito, já se tinha passado quase uma semana e não tinha havido um dia em que não tivesse pensado nisso – Mas se não o fizesse eu faziam eles.

- Eu sei. Pelo menos tu não a ias magoar.

- Vá mano, ‘bora lá, ela daqui a nada chega lá a casa – disse eu, dando-lhe um murro no ombro devagar.

Ele respirou pesadamente e montámo-nos na minha mota, de volta para a minha casa.

 

Ellie

 

Olhei para o relógio da sala de Danny, já passavam dez minutos da hora marcada e nem ele, nem Michael, cá estavam. Suspirei, eles nunca vão mudar.

Quando chegaram inventaram várias desculpas; não acreditei em nenhuma.

Subimos para o quarto do Danny e sentámo-nos na cama com os livros e os cadernos abertos à nossa volta. É estranho como eu, sendo a mais nova, é que lhes tenho que ensinar certas matérias. “Não Ellie, estranho é eles te terem pedido”, disse-me a minha consciência. Verdade.

É claro que estiveram concentrados quase dez minutos e a partir daí dispersaram.

- Então e a Dana? – Perguntou Michael, a rir-se.

- Ei, nem me fales dessa! – Dizia Danny.

- Desculpa?! Vocês andaram bem coladinhos durante uma semana!

- A semana mais longa da minha vida!

Ai mãezinha, onde me vim meter…

- Rapazes! – Gritei, quando já iam quase nos quinze minutos de conversa e se tinham esquecido completamente de mim – Eu estou aqui, ok? Vamos estudar ou vou-me embora? É que não estou para estar aqui a ouvir-vos falar das vossas conquistas.

- Desculpa maninha – disse Michael, ainda a rir-se. Revirei-lhe os olhos em resposta.

Continuámos a estudar até que…

- Ai não acredito! – Disse Michael, do nada, ao olhar para o telemóvel. Danny e eu ficámos a olhar para ele à espera que nos dissesse qualquer coisa – Eu esqueci-me de uma coisa!

- Do quê? – Perguntei.

- Tinha uma cena combinada e… - olhou de novo para o telemóvel e depois para nós –, eu vou sair, mas só aí por meia hora, ‘táss?

- Então e isto meu?! É que não me apetece nada estudar, só alinhei por tua causa – reclamou Danny.

- Façam uma pausa, vejam televisão, eu não demoro – o meu irmão não disse mais nada, saiu completamente apressado.

- Onde terá ido? – Perguntei, a Danny, que me respondeu simplesmente a encolher os ombros.

- Tenho uma pergunta melhor: que raios vamos fazer por meia hora?

- Será que tem alguma namorada?

- O Michael? – Ele deu uma gargalhada bem sonora – Não… não o teu irmão.

- Hum…

- Mas agora a sério, o que é que vamos fazer?

- Não sei… - levantei-me e fui ligar a televisão que ele tinha mesmo em frente à cama. Estava a dar um filme, devia estar mais ou menos a meio, já o tinha visto. Fiquei em pé, a olhar para a quantidade de CDs que tinha em cima das prateleiras.

Ele levantou-se e chegou-se ao pé de mim.

- Gostas desses sons? – Perguntou.

- Alguns. Ainda não percebi uma coisa – voltei-me para ele – Tu até que és inteligente, porque é que não te esforças apenas um pouco mais para não ficares para trás?

- Até que sou inteligente? – Fingiu-se de ofendido – Eu sou inteligente, ok?

- Ok, ok… - murmurei, com uma voz de gozo.

Ele riu.

- És tão mazinha! – Acusou, aproximando-se de mim – Eu sou inteligente!

E nisto começou-me a fazer cócegas. Juro que não sei como posso ter tantas cócegas, mas a verdade é que as tenho, e em todo o lado.

- Danny… pára! – Gritava, entre das gargalhadas – Pára!

Num dos momentos em que ria e tentava fugir pelo quarto, tropecei e caí de costas na cama, e como o tinha agarrado, ele caiu mesmo por cima de mim. Engoli em seco, totalmente estagnada, enquanto tinha os seus lábios a poucos milímetros dos meus. Senti o meu estômago embrulhar-se todo, e o ar custava a entrar. Sentia a sua respiração na minha cara, e apesar de não saber se o queria tão junto a mim, não o queria largar. Engoli em seco uma vez mais quando ele removeu com a sua mão, cuidadosamente, uma mecha de cabelo que me tapava parcialmente um olho. O meu coração estava impulsionar o sangue a uma velocidade tremenda.

 

Danny

 

Desviei-lhe o cabelo e fiquei completamente perdido nos seus olhos, tal como notei que tinha também ela ficado nos meus. Estava nervoso por estar assim com ela, o que não era normal acontecer-me. Neste momento não pensei em Michael, em Boogy, nos assaltos, nos problemas, nem nas diferenças entre mim e ela. Apenas me preocupei com o que queria que acontecesse. E assim, lentamente, fui chegando os meus lábios aos dela, dando-lhe todas as oportunidades de me afastar se assim o desejasse. Mas não o fez, e por isso sorri antes de finalmente tocar nos seus lábios.

Era o que queria fazer desde que me beijara na festa que dei no princípio do ano. O beijo que esperei que acontecesse. Só que estava a ser bem melhor do que tudo o que pensei que seria.

O que começou com um simples tocar de lábios tornou-se algo mais intenso, um beijo mais sério, comprometido, apaixonado arriscaria eu a dizer.

 

Ellie

 

Não sabia o que fazer ou sequer pensar, mas por agora sabia que ia aproveitar o beijo, mesmo que nunca pensasse que voltasse a acontecer. Sempre pensei que o beijo que trocara com Danny na festa fosse o último, e até agora nunca senti pena por isso. Eu até gostava dele, ele até não era tão cretino como eu o julgara, e por vezes até conseguia mostrar algo de bondade. Mas eu conheço o tipo dele, e é por isso que nunca me permitiria apaixonar por uma pessoa assim.

O beijo foi demorado, e ambos aproveitámos cada segundo dele.

Quando acabou, ambos estávamos completamente sem fôlego, porém não demorámos a retomar de onde tínhamos parado.

Quando dei por mim já estávamos assim há algum tempo, aos beijos, Danny por cima de mim a apoiar-se no seu braço para que não me magoasse, deitados na cama dele.

Senti a sua mão percorrer-me a perna lentamente, a anca e em seguida entrar por dentro da blusa, sempre muito devagar. Arrepiei-me, a mão dele estava gelada.

Cada vez me puxava mais para ele, e eu a mesma coisa. Até que reparei finalmente no que estava prestes a fazer e acordei daquele sonho no qual nunca deveria ter entrado.

- Pára – disse, desviando os lábios dos dele.

- Ellie… - murmurou, juntando-os de novo.

- Não, a sério, pára! – Mandei, desviando-o de cima de mim e levantando-me. É claro que depois da parte boa, vieram os remorsos.

- Ellie eu…

- Isto não podia ter acontecido Danny! – Pois não, não podia, mas aconteceu. E agora?

- Porquê? – Limitou-se a perguntar. Podia jurar que via tormenta nos seus olhos, mas seria mesmo verdade?

- Eu não vou ser mais nenhuma das tuas conquistas – respondi, baixo – Lembras-te? Aquelas que ainda há pouco estavas a falar com o meu irmão? Eu não vou ser nenhuma dessas raparigas. Isto, seja o que for que foi, nunca mais se pode repetir. Não se vai repetir.

- Ellie eu…

- Voltei! – Disse Michael, entrando no quarto, com um sorriso de orelha a orelha – Está tudo bem?

- Sim meu – respondeu Danny, trocando um olhar comigo – Estivemos a ver televisão enquanto não vinhas.

- Ok, vamos lá ao estudo – disse Michael, esfregando as mãos.

- Eu vou para casa Michael – declarei. Precisava de tempo para pensar, para processar tudo o que se tinha passado, e como ainda era cedo ia dar uma volta para espairecer, antes de ir para casa.

- Mas estás bem? – Perguntou o meu irmão.

- Estou, só… dói-me a cabeça, vou ver se descanso um bocado – menti. – Até logo. Adeus Danny.

- Adeus… as melhoras – disse-me Danny.

Saí da sua casa e caminhei até ao parque, onde me sentei num banco. Mas o que é que se passa comigo?! Como é que posso, por momentos, ter pensado em ter a minha primeira vez com ele?! Logo com ele?!

Eu estou a ficar maluca, isso é uma realidade.

Passei o resto do dia imersa em pensamentos, e depois do jantar, quando cheguei ao quarto, tinha umas onze mensagens do Danny, todas a dizer coisas como “desculpa” ou “aquilo nunca mais vai voltar a acontecer” ou “não foi por mal, vamos voltar a ser amigos”. Mas eu não sabia o que queria, por isso não respondi a nenhuma.

 

Danny

 

Quando me deitei Ellie ainda não tinha respondido nem a uma mensagem sequer. Fogo, esta espera estava-me a matar!

Acho que desta vez é que estraguei tudo, beijá-la de novo foi o ponto alto do ano, mas pode também ter sido a coisa que estragou a minha relação com ela. Fosse ela qual fosse.

Demorei a adormecer, a recordações da tarde não me saíam da cabeça, e aí lembrei-me de Michael. Quando ele descobrisse aí sim, ia-me matar. A pergunta que restava era como o iria fazer. Mas não me importava. Não me importava que se chateasse, porque sabia que no fim, se fosse o melhor para a irmã, iria voltar atrás. Mas aí reside outra pergunta: seria eu algo de bom para ela? É que nunca antes fui bom para alguém…

Ao adormecer apenas tinha uma certeza: eu estava irremediavelmente apaixonado pela irmã do meu melhor amigo.

 

Logo há o sneak peak e amanhã há mais ^^

Espero que tenham gostado c:

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